22/Julho - Dia 71 – Carillon a Montreal
Dia 71 – Carillon a Montreal
Distância: 98,00km
Dist. Acum.: 5780,00 km
Acordei cedo, arrumei tudo e tomei café da manhã com o pessoal que conheci ontem. Já na estrada, eu não estava com aquela vontade de pedalar. Estava com uma preguiça fora do comum. O caminho começou muito bonito, mas era cheio de opções. Eu estava seguindo a Route Verte, que é específica para ciclismo, mas ela faz umas voltas e nem sempre é o caminho mais rápido para ir de um lugar ao outro.
Hoje eu estava querendo chegar logo em Montreal. Queria que fosse só meia hora de pedal pra poder aproveitar a tarde. O dia estava muito bom. Quer dizer, estava nublado e com todos os indícios de chuva, mas não choveu, estava a temperatura ideal pra pedalar, mas minhas pernas pareciam cansadas. Acho que eu estressei um pouco a musculatura nos dias antes de chegar em Ottawa e ontém. Sei lá. Parece que eu perdi potência.
Estranhamente, eu estava sem fome quase o dia todo. Meus amendoins estavam acabando, minhas barras de cereal estavam acabando e minhas frutas secas já tinham acabado há um tempo. Resolvi não almoçar e acabar com o estoque de coisas que eu tinha na mala. Comi banana, um lanche que o Marcel tinha me preparado, uns amendoins. Mais tarde eu comi umas barras de cereal. E assim segui.
Dado momento, eu tinha algumas opções para chegar em Montreal. Eu não sabia, mas Montreal é uma ilha, e para chegar lá eu teria que atravessar uma das várias pontes que ligam o continente a Ilha de Laval, atravessar essa ilha e pegar outra ponte para a ilha de Montreal. Pois bem. Falando assim parece fácil, mas para atravessar o primeiro trecho fui pedindo direções e cada um me falava uma coisa. E os que não falavam nada só falavam francês. Realmente foi uma raridade encontrar alguém que falasse inglês. Mas fui que fui, arrisquei e depois de muito tempo cheguei em Laval.
Segui beirando a costa e pedindo mais direções no meio das vilas. Bom, chegando mais próximo a primeira das pontes, vi uma placa de proibido bicicletas. Segui reto, parei num posto e pedi mais direções. Fui indo, indo, indo, até que consegui atravessar. Mas isso já eram quase 18h e eu ainda com aquela preguiça.
Parei numa biblioteca em Mont-Royal, um bairro meio afastado do centro para entrar em contato com uma amiga que mora aqui. Verifiquei meus e-mails e ela não tinha respondido. Tentei ligar, deu caixa postal. Bom, acabei descobrindo que ela estava no Brasil essa semana. “E agora?” pensei com meus botões. Liguei para a Marianne que mora aqui e o telefone também deu caixa postal. Decidi ligar para o Davi e Lilian que conheci em Ottawa, mas eles não estavam em casa. Deixei recado. Comecei a me desesperar.
No meio do desepero veio o “clique”. O Carlos, um dos leitores do blog, mora aqui em Montreal e ele queria fazer o caminho Montreal-Quebéc comigo. Pensei “porque” não tentar. Liguei pra ele e ele falou pra ir pra casa dele. Se não desse pra ficar lá, ele arrumaria um lugar pra eu ficar. Uffaa….
Segui para a casa dele, e pedalei mais uns 13kms pra chegar. Nisso o Davi e a Llian me ligam, preocupados comigo, pois tinham recebido meu recado. Perguntaram se eu tinha conseguido um lugar para arrumar e combinamos de jantar amanhã. Na casa do Carlos estavam hospedados, ele, a esposa Meire, os 2 filhos, o Adriano e a prima da Meire com os 2 filhos. Casa quase lotada. Eles colocaram um colchão pra mim na sala e me receberam extremamente bem. Sensacional.