18/Julho - Dia 67 – Arnprior a Ottawa
Dia 67 – Arnprior a Ottawa
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5580,00 km
Quando acordei, comecei a escrever um pouco sobre o dia de ontem. Tomei café da manhã com o Mark e os filhos dele e logo na sequência já coloquei tudo na bicicleta. Me despedi dele e dos filhos e segui para a estrada. Fui indo em direção ao centro de Arnprior, 17 kms longe de onde estava. Parei num posto, reabasteci de água e pedi informação para seguir em direção a Ottawa, pois a estrada que eu estava ontem, a highway 17, virou hwy 417 e não é permitido pedalar.
Bom, segui para a cidade, e peguei a antiga hwy 17, desativada há mais de 10 anos. Estrada bem boa, sem movimento e com muitas fazendas e lugares bonitos. Apesar de estar paralela a rodovia principal, quase não havia carros e barulho. Segui até chegar num trecho sem asfalto. Parei, fiz aquela cara de “ué, não deveria ser assim”, mas segui. Eu tinha informações que essa estrada deveria ser asfaltada até Ottawa, mas mesmo assim parei um carro (o único que passou por mim nesse trecho) e perguntei se estava no caminho certo. Estava.
Segui uns 3 kms na rua de terra com cascalho. Muito gostosa a estrada, por sinal. Fazia tempo que eu não andava numa estradinha assim e me fez lembrar o Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina. Passei por um tunel de árvores e o asfalto voltou ao normal. Muito melhor do que o normal, pra falar a verdade. Muito bem cuidado. Segui em direção a Carp, onde parei para tomar um sorvete. Conversei com um pessoal nos correios e, como estava no meio da cidadezinha, pedi informação denovo.
Um ciclista me informou um trajeto totalmente rural, onde eu não pegaria trânsito nenhum e me levaria direto para a entrada de Ottawa. Segui essa estrada chamada Old Carp por uns 9 kms, com muitas casas lindas e muito bem cuidadas, e fui parar direto numa avenida com 3 faixas de cada lado, parecendo a marginal pinheiros. Nos primeiros 2 segundos eu fiquei meio assustado, mas logo vi a ciclovia e percebi que estava tudo bem.
Ottawa tem mais de 400kms de ciclovia e todo o trajeto, desde a entrada da cidade até o centro da cidade, eu percorri em ciclovia. Algumas ciclovias são na rua, outras são separadas, entram em parques, beiram os rios, totalmente sinalizadas e muito bem utilizadas pelos habitantes. Muitas pessoas correndo, caminhando, pedalando, andando de patins. Eu reparei também que essas pessoas tinham entre 7 e 90 anos. Ou seja, senhores de idade pedalando, patinando, caminhando, junto com os jovens, crianças e adultos.
Hoje, todo o caminho foi totalmente diferente e me trouxe uma sensação muito gostosa. Eu estava muito feliz por estar a chegando na capital do Canadá, por ter feito o caminho mais longo e mais bonito, por estar conquistando algo que eu queria há tempo. Só de chegar em Ottawa, pra mim, já é muita coisa e cheguei aqui com esse sentimento de conquista e independência. Foi único.
Já na cidade, nos meios das muitas ciclovias, conheci um ciclista. Eu não sei o nome dele, mas nós conversamos umas 5 horas seguidas. Pedalando ele me contou um pouco da história da cidade e me mostrou os lugares que eu deveria visitar. Tivemos conversas profundas sobre o futuro da humanidade, Marx e imperialismo. Não que eu tenha muito fundamento para falar sobre esses assuntos, mas foi um papo muito interessante. Tive que parar num bar em frente ao parlamento para tomar uma cerveja com o cara, para seguir o raciocínio. Hehe.
Nesse bar, liguei para o Marcel e fui para a casa dele. Ele me recebeu muito bem e sua esposa, Susan, também foi muito bacana comigo. Eles cozinham muito bem e fizeram um jantar sensacional. Conversamos um pouco, tomei um banho e dormi.