15/Julho - Dia 64 – North Bay a Dois Rivieres
Dia 64 – North Bay a Dois Rivieres
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5254,00 km
Essa madrugada foi meio tensa e não consegui dormir direito. Minha barraca estava atras da mesa de pique-nique e perto de um lixo. Durante a noite um guaxinim veio assaltar o lixo e começou a fazer barulho. Depois ele tentou abrir a mala do Karl que estava cheia de comida. Eu só ouvi o barulho e pensei que pudesse ser um animal maior, tipo um urso. Meu coração disparou e eu pensei: danou-se. Peguei a lanterna e sai da barraca para ver o que estava acontecendo. O gaxinim estava lá me olhando, na maior cara de pau, como se eu estivesse atrapalhando o lanche dele. Joguei um galho nele e ele saiu correndo. 10 minutos depois ele voltou e me acordou denovo. E assim foi mais umas 5 vezes, até que eu sai correndo atras do bicho e ele saiu num pinote tão assustado que nunca mais voltou.
Sete horas da manhã e um cara começou a ligar um dos barcos. Um baruho terrível de motor for a d’água. Acho que estava com algum problema e estavam tentando arrumar. Mas poxa vida, as sete da manhã?? Tenha dó. Acordei, mesmo querendo dormir mais. Não tinha como ficar acordado com aquele cara testando o motor. Levantei e começei a fazer o café da manhã. Enquanto fazia a aveia com granola, cereal e banana, fui arrumando as coisas.
Quando eu arrumei as coisas, o Karl levantou e começou a fazer o café dele. Deu mais um tempinho e ele foi acordar a Amy. Todos arrumando as coisas e o John chegou para ver nossas bicicletas e equipamentos. Ele começou lá com o casal e eu fui comendo meu café. Depois ele veio falar comigo e eu já estava quase pronto. Lavei a louça e ele nos mostrou como fazia para voltar para a estrada 17 novamente, por um caminho melhor do que o que fizemos ontem. Explicando, ele decidiu nos acompanhar de bicicleta e disse que nós haviamos inspirado ele a voltar a fazer esse tipo de viagem. Segundo ele, tinha parado por causa da idade e porque em Toronto, cidade que morava, ele não gostava de pedalar no meio da poluição. (acho que ele não conhece são paulo).
Seguimos pedalando e eu ainda me sentia fraco, pois não havia descançado direito. Comi um amendoim sentado num posto, 17kms longe do camping. Na sequência vieram várias subidinhas que me faziam ficar longe do casal. Eu estava realmente cansado e preciso de um dia de descanço logo mais. Estamos chegando em Ottawa, são só mais 3 ou 4 dias, e assim eu vou poder descançar tranquilo. Se bem que se eu achar um lugar bacana no meio do caminho, é capaz de eu fazer um dia de descanço.
Quando já haviamos pedalado quase 40kms paramos para fazer o segundo café da manhã (na hora do almoço). Comi aquele omelete animal, cafézinho, torrada. Fiquei cheio. Tinha muita comida. Aproveitei para comprar um doce, caso precisasse de energia durante o percurso.
O sol estava de rachar hoje. O dia todo. Sem nenhuma nuvem no céu. E isso fez meu batimento cardíaco ir lá pra cima quando escalavamos as subidas. Fora que estava suando como há tempos não suava. Tenso.
Chegamos numa vila e o Karl queria passar no banco e comprar algo no mercadinho. Enquanto ele foi ao banco eu conversava com um cara na rua. Meio louco e sem noção. Ele queria me convencer que a lei estava errada e que é mais seguro pedalar do lado contrário da rua, pois o ciclista poderia ver os caminhões e desviar. (Bom, é por isso que usamos retrovisor). Ele falou que as vezes os caminhões não tem espaço para desviar dos ciclistas e não deveriam gastar freio e gasolina, os ciclistas que deveriam desviar. Ele disse que os ciclistas acham que são carros e não desviam dos caminhões. (ué, se o cara tá vendo a bicicleta lá de longe, porque ele já não começa a reduzir a velocidade?). Ele me deu um exemplo interessante, em Sudbury, há pouco tempo atras 3 crianças de bicicleta foram atropeladas por um carro e morreram. As crianças estavam do lado correto, seguindo o fluxo do trânsito e foram atropeladas. O cara tava bêbado, mas se as crianças tivessem visto o carro, poderiam ter desviado. (ai eu dei risada e falei pra ele: se o cara não tivesse bêbado, ele não teria acertado as crianças.). Aqui, 99,9% dos caminhões e carros respeitam muito os ciclistas e vão pro meio da pista para não ter o risco de que aconteça algo com a gente. Isso faz toda a diferença.
Bom, seguimos e fomos no mercadinho. Eles entraram e eu sentei do lado da bike. Capotei. Dormi por uns 15 minutos ouvindo um som. Quando acordei eles já estavam prontos para continuar. Ao sair do mercadinho, o Karl teve um pneu furado, que ele arrumou em 2 tempos. Seguimos e as subidas estavam cada vez mais inclinadas. Eu já estava cansado e já ultrapassávamos os 100kms do dia.
Finalmente achamos um camping numa cidade chamada Trois Riviere. Muito bacana o camping e tem uma vista sensacional. Os donos são holandeses e mudaram para cá com os 5 (cinco!!!) filhos. Cheguei, tomei um banho de piscina, tomei um banho de verdade e jantei. O Karl fez a janta e fez um pouco mais pra mim. Muito bacana da parte dele. Conversamos um pouquinho, tomei um suco e fui dormir, exausto.