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8/Julho - Dia 57 – Wawa a Montreal River

July 24th, 2009

Dia 57 – Wawa a Montreal River
Distância: 118,50km
Dist. Acum.: 4488,50 km

Logo que acordamos pegamos as bicicletas na garagem do hotel e arrumamos as magrelas. Eram umas 7h e o tempo estava muito estranho. Frio e com uma cara que ia chover em breve.

Eu não tinha visto o mapa para fazer o planejamento de onde iriamos pernoitar essa noite. A única coisa que eu sabia é que iriamos passar por um parque provincial bem grande, 85k de estrada no meio do parque. Perguntei para o Nelson, enquanto pedalavamos, onde iriamos pernoitar hoje, pois ele estava com o mapa. Ele disse que tinha uma cidade há 105 km dalí. Achei estranho, pois era quase junto com o parque, já que tinhamos pedalado 18km até a entrada do mesmo. Mas segui.

Logo cedo eu já liguei a música e fui cantando, pra espantar os males e aproveitei para pensar um pouco mais sobre alguns assuntos pessoais. Eu diria que pensei bastante, mas eu queria ter uma memória extra pra poder guardar exatamente o que eu tinha planejado durante o dia.

Lá pelas 10h eu começei a ficar com fome. Sugeri uma parada para comer um amendoim, mas o Nelson não quis. Eu até pararia para comer, se eu tivesse amendoim. Estava com ele. Comi uma barra de cereal pra enganar o estômago. 11h30 meu esômago roncava novamente e chegamos na entrada de uma trilha que ia para um lago. Sugeri que almoçassemos alí, mesmo sem ter mesa de pique-nique, poderiamos sentar no chão. O Nelson não quis. Começei a ficar nervoso, porque estava com fome. 7km mais pra frente chegamos na beira do lago superior e tinha uma mesa para fazer pique-nique. Aleluia. Paramos e comemos. Esse lugar é uma praia de lago e tem areia de verdade. A maioria da costa aqui tem pedrinhas em vez de areia.

Depois do almoço, seguimos bem rápido para essa cidade que o Nelson havia comentado, mas haviamos pedalado 108 km e nada de cidade. Em vez disso, veio uma baita subidona gigante. Chegamos no topo e não tinha nada, só a descida, mais ingreme ainda. Descemos e veio outra subida. No meio dessa segunda subida tinha um posto, uma lojinha e um mecânico. Perguntamos quanto tempo demorariamos para chegar na cidade de Montreal River e a atendente falou: “Bem vindo a Montreal-River”. Perguntei se faltava muito para chegar no centro e ela falou que aquilo era a vila. Não tinha mais nada. Nada. Pensei comigo mesmo: Fedeu-se.

Fomos enrolando alí na lojinha, comprei um café e fomos dar uma volta no terreno para ver se tinha algum lugar válido para acamparmos. O terreno era bem sujo e tinha muita tralha. O mecânico tinha tanta tranqueira velha que o lugar inteiro tinha peça de carro velho e tralha. Não tinhamos muita opção, teriamos que acampar no meio da bagunça. Voltamos na lojinha e perguntamos pro dono do lugar se poderiamos acampar. Ele deixou sem problemas.

Enquanto tomava meu café, enrolando um pouco para tomar coragem e ir pro meio do ferro velho, uma senhora pergunta pro Nelson, que vestia a camisa do brasil: “Vocês são brasileiros?”. Olhei pra cara dela com aquela cara de ué. Ué, ela falou português?. Qual a chance de encontrarmos um brasileiro numa vila que devem morar umas 15 pessoas no verão e 4 no inverno? Quase zero, certo? Ok. Ela se chama Maria e é casada com Larry, americano. Eles são professores de universidades em Chigaco e tem uma casa de férias na beira do lago superior alí em Montreal River. Coincidência ou não, os nossos anjos da guarda estão trabalhando muito.

Bom, conversamos muito com eles, e o Larry fala muito bem português, até que eles convidaram para ficarmos na casa deles. O problema era que a casa deles era no topo daquela montanha que haviamos acabado de descer. Então falamos com o pessoal da loja, deixamos as bicicletas trancadas lá e fomos de carro até a casa deles. Lugar muito aconchegante e gostoso. Em menos de 1 minuto de caminhada chega-se na praia de pedrinhas no lago Superior. Uma praia privativa com 2 casas e os acessos são somente pelas casas. Perfeito. Tomamos um banho, jantamos e fomos ver o por do sol na praia. Lindo demais.

Logo depois do por do sol, comemos cereja, chá e chocolates brasileiros (sonho de valsa). Hummm.. delícia.

L.Felipe Preparativos

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