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Archive for July, 2009

<> Atualização…? Ufa.. finalmente…

July 24th, 2009

dsc00594Fala pessoal,

Finalmente eu atualizei os posts no site… então agora vocês tem material pra semana toda. Foram mais de 20 dias de atualização.. heheh..

Bom, as fotos, ainda não consegui resolver o problema, mas estou trabalhando nisso agora. Os textos estão aí, o mapa está atualizado. Vou atualizar os outros textos também, pois alguns objetivos da viagem mudaram.

Hoje estou em Montreal e amanhã sigo em direção a cidade de Quebéc. Devo chegar lá em 2 ou 3 dias. São uns 270kms daqui. Vamos ver como vai ser o tempo, o pedal e o vento amanhã.

Até a próxima…

Beijos e Abraços…

L.Felipe Preparativos

21/Julho - Dia 70 – Ottawa a Carillon

July 24th, 2009

Dia 70 – Ottawa a Carillon
Distância: 102,00km
Dist. Acum.: 5682,00 km

Acordei as 6h30 e comecei a arrumar minhas coisas. Coloquei tudo nas malas e tomei café da manhã com Marcel e Susan. Eles foram muito bacanas e me fizeram sandwiches para eu comer no almoço. Marcel comentou que não era bom eu pedalar dentro da cidade na segunda-feira naquele horário, pois os motoristas de Ottawa não são dos melhores. Ele resolveu me dar uma carona até o Ferry em Cumberland, que fica há uns 20 kms da casa dele.

Chegamos no porto e peguei o ferry para o lado de Quebec. Essa seria uma experiência ainda mais nova, pois em Quebec a língua oficial é o francês e dependendo do lugar, as pessoas não falam inglês. Mas, como o caminho percorre toda a fronteira entre a província de Quebec e a província de Ontario, supus que as pessoas fossem bilingues.
Minha suposição foi por água abaixo quando eu fui perguntar por direções para a primeira senhora, há 100 metros do ferry. Ela só falava francês. Me virei com meu francês de 10 anos atrás (quando tive aula no colégio) e consegui o caminho que eu queria.

Pouco mais pra frente parei num restaurante pequeno para abastecer minhas garrafas d’água e mais um susto. As pessoas só falavam francês. Bom, aí eu me dei conta que não estava mais numa região que eu conseguiria me virar fácil e que talvês teria dificuldades para conseguir as coisas que eu precisarei.

Continuei no pedal e 40 minutos depois conheci James, senhor que estava começando sua viagem de bicicleta hoje. Ele vai de Ottawa a Halifax. É aposentado, viajou mais de ano de moto, para tudo quanto é lugar na américa do norte e agora resolveu mudar o estilo de viagem. Ele estava bastante entusiasmado com a viagem e paramos para tomar um café e conversarmos um pouco.

Seguimos juntos por mais 40 kms e nos separamos em Grenville. Ele foi para Ontario novamente, num camping que ele queria ficar. Eu fui para a casa de informações turísticas para pegar informações mais detalhadas e acabei ficando lá por uns 40 minutos conversando com o rapaz que trabalha lá. Muito simpático o garoto e muito interessado no Brasil, me fez muitas perguntas bacanas. Segui meu caminho pelo lado Quebecano e deixei a sorte me guiar para achar as pessoas bilingues.

A estrada era pequena e cada metro que passava as casas foram ficando maiores e mais requintadas. Todas a beira do rio e com lanchas e carrões na garagem. Grandes árvores em ambos os lados da estrada faziam bastante sombra para afastar o calor e deixar o cenário mais interessante. Não demorou muito para aparecerem as áreas delimitadas para oc ciclistas e mais pra frente as ciclovias. James me mostrou no seu livro de mapas para cicloturistas de quebec que, só na província de Quebec tem mais de 750 kms de ciclovia. Woow.. pense! Seguro demais para os ciclistas.

Cheguei numa cidade chamada Carillon e parei para pedir informações sobre o centro e o que encontraria lá. Felizmente a senhora para a qual pedi informação falava inglês (não muito bem, mas falava), e o lugar que eu estava era um camping. O dia estava lindo, tinha um belo rio do lado do camping e eu pensei: por que não ficar no camping hoje e aproveitar o dia. Afinal já eram 17h e logo mais eu teria que parar mesmo. Já tinha pedalado meu 100 e poucos kms do dia e estavam suficientes.

Muito bem, comi 2 sorvetes na lojinha e fui armar minha barraca. No site ao lado do meu, uma familia estava acampando. Mulher, marido, 2 filhos, irmão e cunhada com os 2 sobrinhos. Logo que eu cheguei com a bicicleta, já começaram a me perguntar um monte de coisa em francês. Respondi em francês que eu era brasileiro e meu francês é muito fraco, se eles poderiam falar em inglês comigo. Bom, apenas a mulher e o irmão falavam inglês e eles traduziam tudo o que eu não entendia do francês para mim.

Na hora de montar a barraca as 4 crianças vieram me ajudar. Logo comecei a montar minhas coisas para fazer a janta, mas na sequência já me convidaram para que eu jantasse com eles. Já tinham até feito meu prato. Jantei com todos e foi muito interessante. Eu acho muito legal ouvir as pessoas falarem o francês, mesmo quando eu não entendo muito. É bom para treinar o ouvido e, acho que em breve, devo lembrar de muita coisa das minhas aulas de colégio.

Depois da janta tomei um banho de 5 minutos. Como eu sei que eram 5 minutos? Tive que pagar 1 dolar para tomar um banho de 5 minutos. Hahaha. Me ensaboei rapidinho com a água potável que eu tinha, coloquei a moeda, apertei o botão e tomei um banho quentinho. Logo depois fui conversar com o pessoal e mostrei umas fotos do Brasil e da viagem. Em seguida fui para a barraca escrever e dormir.

L.Felipe Preparativos

20/Julho - Dia 69 – Ottawa

July 24th, 2009

Dia 69 – Ottawa
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 5580,00 km

Acordei cedinho e tomei café da manhã com toda a família. Comi bem demais. O Marcel fez um café da manhã delicioso. Logo arrumei minhas coisas e fui para o centro da cidade.

O caminho até o centro beira o rio e tem a ciclovia em todo o percurso. A rua fica fechada para as pessoas no domingo e muitos senhores, crianças, adultos e jovens estavam passeando, correndo, pedalando, patinando. Ah, não posso esquecer dos que estavam com suas canoas e barcos no rio. Esse rio passa no meio da cidade e tem eclusas que controlam o nível da água. Imagina que irado ir passear no meio da cidade de canoa. Sai da sua casa, coloca a canoa no rio, vai até o trabalho, deixa o barco na marina ou no clube de canoagem e continua a vida. Hehehe. Irado.

Fui no prédio do Parlamento e fiz um tour com guia. É de graça e dá pra ir em todos os prédios do Parlamento. É sensacional. O prédio é lindo, por dentro e por fora. Coisa absurda, juro. No meio do tour eu conheci um pessoal brasileiro. Davi e Lilian com as filhas que moram em montreal e os irmãos deles. O pessoal é simpático demais e muito bacana. O Davi faz pós doutorado em montreal e eles vão ficar por aqui até o fim dos estudos.

Depois eu fui no museu da civilização que é muito bacana e conta a história de como o canadá começou e estavam com a mostra do egito. Lá, assisti uma sessão do IMAX. Era um filme de 30 minutos sobre o fundo do mar. A tela do cinema IMAX é muito, muito, muito grande. A cadeira deita um pouco e para olhar de um canto ao outro, você tem que virar o rosto quase 90˚. Sensacional. Parece que a gente tá dentro do filme.

No caminho de volta, passei pelo monumento em homenagem aos soldados canadenses que morreram em todas as guerras que eles participaram. Assisti a troca de guarda, que acontece de hora em hora. Tem todo um procedimento pesado com bandinha e tudo.

Na próxima vez que eu for pra Ottawa, preciso ir no Museu da Guerra, que dizem que é muito interessante e na Casa da Moeda (Mint), para ver a produção de moedas. Se rolar de eu ir em dia de semana, dá pra ver a produção de verdade.

Parei numa praia dentro de um parque. Fiquei lembrando de como é a praia no Brasil bateu uma nostalgia. Mas logo voltei pra realidade e fui para a casa do Marcel e da Susan.

Quando cheguei tomei um baita susto com o Marcel, que estava no quintal arrumando as plantas. Ele me ajudou a limpar a corrente e dar uma geral na bike. Depois tomei banho e jantamos. Conversamos bastante durante a janta e foi muito gostoso.

Gravei umas músicas brasileiras no computador da Susan, ensinei-a a usar o Ipod dela e fui dormir.

L.Felipe Preparativos

19/Julho - Dia 68 – Ottawa

July 24th, 2009

Dia 68 – Ottawa
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 5580,00 km

Essa noite, dormi super bem. Estava cansado e precisava de uma boa noite de sono. Acodei umas 8h30 e tomei café da manhã com Marcel e Susan. Eles fizeram um café da manhã bem bom, com ovos, croissant, cereal, café.

Logo na sequência, lavei minha roupa e fui ver e-mails e conversar com a família, que estava ficando preocupada com minha ausência. Mas viagem é assim mesmo. A gente tem que sumir um pouco. Fiquei um bom tempo na internet e o tempo lá for a estava bem estranho. Choveu, nublou, choveu, nublou.

Depois do almoço, Marcel me levou para dar uma volta na cidade de carro. Foi uma experiência interessante, já que não conhecia muito bem a cidade e fazia bastante tempo que eu não andava de carro. Tirei algumas fotos de dentro do carro, mas pretendo tirar mais amanhã, quando eu for realmente conhecer a cidade.

Mais tarde o irmão do Marcel chegou com a esposa, ficamos conversando um pouco e jantamos. Logo depois da janta fomos todos dormir.

L.Felipe Preparativos

18/Julho - Dia 67 – Arnprior a Ottawa

July 24th, 2009

Dia 67 –  Arnprior a Ottawa
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5580,00 km

Quando acordei, comecei a escrever um pouco sobre o dia de ontem. Tomei café da manhã com o Mark e os filhos dele e logo na sequência já coloquei tudo na bicicleta. Me despedi dele e dos filhos e segui para a estrada. Fui indo em direção ao centro de Arnprior, 17 kms longe de onde estava. Parei num posto, reabasteci de água e pedi informação para seguir em direção a Ottawa, pois a estrada que eu estava ontem, a highway 17, virou hwy 417 e não é permitido pedalar.

Bom, segui para a cidade, e peguei a antiga hwy 17, desativada há  mais de 10 anos. Estrada bem boa, sem movimento e com muitas fazendas e lugares bonitos. Apesar de estar paralela a rodovia principal, quase não havia carros e barulho. Segui até chegar num trecho sem asfalto. Parei, fiz aquela cara de “ué, não deveria ser assim”, mas segui. Eu tinha informações que essa estrada deveria ser asfaltada até Ottawa, mas mesmo assim parei um carro (o único que passou por mim nesse trecho) e perguntei se estava no caminho certo. Estava.

Segui uns 3 kms na rua de terra com cascalho. Muito gostosa a estrada, por sinal. Fazia tempo que eu não andava numa estradinha assim e me fez lembrar o Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina. Passei por um tunel de árvores e o asfalto voltou ao normal. Muito melhor do que o normal, pra falar a verdade. Muito bem cuidado. Segui em direção a Carp, onde parei para tomar um sorvete. Conversei com um pessoal nos correios e, como estava no meio da cidadezinha, pedi informação denovo.

Um ciclista me informou um trajeto totalmente rural, onde eu não pegaria trânsito nenhum e me levaria direto para a entrada de Ottawa. Segui essa estrada chamada Old Carp por uns 9 kms, com muitas casas lindas e muito bem cuidadas, e fui parar direto numa avenida com 3 faixas de cada lado, parecendo a marginal pinheiros. Nos primeiros 2 segundos eu fiquei meio assustado, mas logo vi a ciclovia e percebi que estava tudo bem.

Ottawa tem mais de 400kms de ciclovia e todo o trajeto, desde a entrada da cidade até o centro da cidade, eu percorri em ciclovia. Algumas ciclovias são na rua, outras são separadas, entram em parques, beiram os rios, totalmente sinalizadas e muito bem utilizadas pelos habitantes. Muitas pessoas correndo, caminhando, pedalando, andando de patins. Eu reparei também que essas pessoas tinham entre 7 e 90 anos. Ou seja, senhores de idade pedalando, patinando, caminhando, junto com os jovens, crianças e adultos.

Hoje, todo o caminho foi totalmente diferente e me trouxe uma sensação muito gostosa. Eu estava muito feliz por estar a chegando na capital do Canadá, por ter feito o caminho mais longo e mais bonito, por estar conquistando algo que eu queria há tempo. Só de chegar em Ottawa, pra mim, já é muita coisa e cheguei aqui com esse sentimento de conquista e independência. Foi único.

Já na cidade, nos meios das muitas ciclovias, conheci um ciclista. Eu não sei o nome dele, mas nós conversamos umas 5 horas seguidas. Pedalando ele me contou um pouco da história da cidade e me mostrou os lugares que eu deveria visitar. Tivemos conversas profundas sobre o futuro da humanidade, Marx e imperialismo. Não que eu tenha muito fundamento para falar sobre esses assuntos, mas foi um papo muito interessante. Tive que parar num bar em frente ao parlamento para tomar uma cerveja com o cara, para seguir o raciocínio. Hehe.

Nesse bar, liguei para o Marcel e fui para a casa dele. Ele me recebeu muito bem e sua esposa, Susan, também foi muito bacana comigo. Eles cozinham muito bem e fizeram um jantar sensacional. Conversamos um pouco, tomei um banho e dormi.

L.Felipe Preparativos

17/Julho - Dia 66 – Petawawa a Arnprior

July 24th, 2009

Dia 66 – Petawawa a Arnprior
Distância: 110,00km
Dist. Acum.: 5471,00 km

Choveu bastante essa noite. Ainda bem que eu estava protegido pelas árvores. Minha barraca estava embaixo de umas 4 árvores. Acabei nem jantando a noite passada. Ficou tarde para cozinhar, tomei um banho com bucha vegetal na torneira do banheiro e dormi. No meio da noite tive que comer umas maçãs, barra de cereal e fruta seca para compensar. Acordei com sede e um pouco de fome.

Pela manhã, acordei com o barulho dos esquilos. Abri a barraca e vi um montão deles. Eles fazem um barulho engraçado quando estão em cima da árvore ou quando veem algum perigo se aproximando. Arrumei tudo e comecei a tomar café da manhã. Enquanto tomava café a DONA DA CASA veio falar comigo e a gente conversou bastante até. Foi bem enriquecedor. Nesse meio tempo, outro amiguinho veio participar do meu café da manhã. É um esquilo menor que eles chamam de CHIPMUNK. O espertinho sentiu o cheiro da pasta de amendoim e veio em baixo da minha perna (eu estava sentado na grama) cheirar minha comida. Ele não tinha medo, vinha cheirava, dava uma volta e vinha me visitar denovo.

Fui para a estrada, agradecido pela hospedagem do CASAL. Estava meio nublado quando saí, mas o tempo foi abrindo ao longo do dia. Até a hora do almoço eu parei uma vez só para comer um amendoim e fazer um suco. A parte da manhã é sempre mais difícil pra mim, principalmente quando estou sozinho, e eu faço o máximo para pensar positivo e seguir o ritmo forte.

Na hora do almoço eu parei numa cidade com 7500 habidantes na beira de um lago. Fui na informações turísticas e pedi uma indicação para almoçar. Me indicaram um restaurante muito bom. Veio tanta comida no prato que eu tive que pedir uma marmita e levar o restante para a janta. Sobrou muito, e eu comi feito um cavalo. Nesse restaurante, uma família veio falar comigo e me disseram sobre um Festival de Blues que está acontecendo em Ottawa. Muito me interessa ir nesse festival. Várias bandas tocaram essa semana, Kiss, Ben Harper, entre outros.

Segui a diante com o festival na cabeça, e 50 e poucos kms depois eu cheguei em Arnprior, cidade que eu pernoitaria. Entrei no centro da cidade e parei no Subway para tomar uma coca. Na fila, conheci Mark, que estava com os dois filhos. Ele havia ido ao Brasil há pouco tempo e depois de 5 minutos de conversa, ele me convidou para pernoitar na casa dele. Aceitei muito agradecido. Conversamos um pouco enquanto eles comiam e ele seguiu para o jogo de futebol do filho.

Enquanto ele estava no jogo de futebol, eu fiquei usando a internet do Mcdonalds ao lado do Subway. Falei com família, respondi uns e-mails e dei uma olhada no Festival em Ottawa. O tempo passou rápido e logo eu tinha que seguir em direção a casa de Mark. No meio do caminho da casa dele ele passa de carro e segue. 10 minutos depois ele volta com a caminhonete do vizinho. Faltavam uns 15kms para chegar na casa dele e tinha um subidão considerável. (Ufa.. hehehe).

A casa dele é linda e fica a beira de um rio. O lugar é muito cheio de paz e não tem barulho de nada, a não ser do rio e dos passarinhos. Tomamos uma cerveja e conversamos um pouco no deck, em frente ao lago e logo fui tomar um banho para dormir.

L.Felipe Preparativos

16/Julho - Dia 65 – Dois Rivieres a Petawawa

July 24th, 2009

Dia 65 – Dois Rivieres a Petawawa
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5361,00 km

Dormi muito hoje, foi tão bom. Estou há mais de 2000 kms sem um dia inteiro de descanço, ou seja, 18 dias. Estava precisando dormir um pouco mais. Estava pronto para pedalar as 11h da manhã. Karl e Amy decidiram ficar nesse camping para um dia de descanço, mas eu havia decidido há um tempo só descançar em Ottawa. Falta pouco, mais 2 dias e estarei lá.

Bom, deixei o casal e comecei a viagem sozinho. Hoje foi o primeiro dia que pedalei sozinho, sem previsão para ter companhia novamente. Foi diferente. Esses 4 dias com Amy, Karl e Suzi foram bons para que eu conhecesse ainda mais sobre meus limites fisicos, já que eles pedalam muito mais fortes que eu, e sobre minhas limitações mentais, pois a partir de agora vou pedalar sem o Nelson, o que não estava no programa. Foi uma preparação para a “liberdade”. De qualquer maneira, o Nelson está a pelo menos um dia na minha frente e o casal a um dia para trás. Devo encontrar o Nelson quando chegar em Ottawa e encontrarei Karl e Amy no meu dia de descanço. Provavelmente. Nunca se sabe, né.

Fui na fé. Tinha tomado um belo café da manhã no camping que me sustentou bem, estava abastecido de água, com minhas 4 garrafas. Não teria problemas. Só precisaria alinhar a cabeça para pedalar forte e fazer no mínimo 20km/h de média, pois estava saindo tarde e não poderia chegar muito tarde em Pettawawa, que fica há 100km da onde eu estava.

O dia começou cheio de montanhas e subidas, o que me preocupou. Então, parei de olhar a kilometragem no computador de bordo e deixei só a velocidade e a velocidade média a mostra. Falei para mim mesmo que não olharia a distância percorrida para não estressar a cabeça. Eu sabia que teria que pedalar 5 horas a 20km/s e isso bastaria. Teria só que manter a velocidade média o mais próximo de 20. (foi um bom método para fazer o tempo passar mais rápido na subida).

As primeiras 2 horas foram bem difíceis, por causa do calor e das subidas. Muito vento contra, que dificultava a pedalada, mas deixava a temperatura do meu corpo mais equilibrada. Comecei sem música e concentrei na pedalada e no topo das montanhas. A estrada é muito bonita e tem uns cenários bem bacanas. As casas na beira da estrada são muito bem cuidadas e tem uns jardins fenomenais.

Eu sabia que a 52 kms do inicio do dia teria uma cidade onde eu poderia almoçar (adotei o segundo café da manhã) um omelete com torradas e etc… Mas pouco antes, parei num posto de gasolina para usar o banheiro, tomar um sorvete (tava com uma saudade) e aproveitei para tomar um café gelado. Sentei no chão, próximo a bicicleta tomando o sorvete e me alongando.

Pouco depois cheguei no restaurante que precisava, na hora certa. Comi um omelete e tomei café com leite, suco de laranja, torradas e tudo mais. Foi sensacional. A Pati me ligou e a gente conversou um pouquinho, mas como ela estava no trabalho, não deu para falarmos muito. Segui mais adiante e cheguei numa cidade até que grande, parei num Tim Horton, tomei outro café e um Donut. Aproveitei para pegar uns sachês de açúcar e sal. Saindo do Tim Horton, um cara veio falar comigo, estava interessado no trailler. Aproveitei para perguntar onde encontraria um mercadinho para comprar frutas e um molho para colocar na janta. Fui no mercado e segui a diante.

A partir daí não encontrei mais longas subidas, e segundo informações, não teria mais subidas como as que eu peguei hoje cedo até Ottawa. Foi um alívio, assim eu poderia subir a velocidade média mais fácil e não me atrasar. Começou a garoar. Nesse plano até Pettawawa, passei por uma base militar. Na verdade toda a Pettawawa gira em função da base militar, que é gigante. Precisei de uma hora (uns 20kms) para passar pela base, que beira a estrada. Dava para ouvir os tiros de metralhadora da estrada e passei por 2 tanques de guerra que estavam a milhão na beira da estrada. Foi interessante.

Na entrada da cidade, tirei foto de um tanque de guerra e entrei em direção ao centro. Logo que entrei, 5 minutos depois, vi uma construção na frente de uma casa e as pessoas da casa estavam lá, olhando o serviço do povo. Passei um pouco essa construção e vi, no mesmo terreno, um trailler e um gramado gigante. Pensei, porque não perguntar se posso acampar alí no jardim… Pois bem, fui muito bem recebido e passei o resto da noite conversando com os donos da casa (ESQUECI O NOME DO CASAL E DA FILHA E GENRO). Passou o tempo e eu não havia cozinhado a janta. Já estava escuro e a garoa persistia. O casal me mostrou um banheiro do lado de fora da casa, e um lugar para eu recarregar o laptop. Perfeito.

L.Felipe Preparativos

15/Julho - Dia 64 – North Bay a Dois Rivieres

July 24th, 2009

Dia 64 – North Bay a Dois Rivieres
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5254,00 km

Essa madrugada foi meio tensa e não consegui dormir direito. Minha barraca estava atras da mesa de pique-nique e perto de um lixo. Durante a noite um guaxinim veio assaltar o lixo e começou a fazer barulho. Depois ele tentou abrir a mala do Karl que estava cheia de comida. Eu só ouvi o barulho e pensei que pudesse ser um animal maior, tipo um urso. Meu coração disparou e eu pensei: danou-se. Peguei a lanterna e sai da barraca para ver o que estava acontecendo. O gaxinim estava lá me olhando, na maior cara de pau, como se eu estivesse atrapalhando o lanche dele. Joguei um galho nele e ele saiu correndo. 10 minutos depois ele voltou e me acordou denovo. E assim foi mais umas 5 vezes, até que eu sai correndo atras do bicho e ele saiu num pinote tão assustado que nunca mais voltou.

Sete horas da manhã e um cara começou a ligar um dos barcos. Um baruho terrível de motor for a d’água. Acho que estava com algum problema e estavam tentando arrumar. Mas poxa vida, as sete da manhã?? Tenha dó. Acordei, mesmo querendo dormir mais. Não tinha como ficar acordado com aquele cara testando o motor. Levantei e começei a fazer o café da manhã. Enquanto fazia a aveia com granola, cereal e banana, fui arrumando as coisas.

Quando eu arrumei as coisas, o Karl levantou e começou a fazer o café dele. Deu mais um tempinho e ele foi acordar a Amy. Todos arrumando as coisas e o John chegou para ver nossas bicicletas e equipamentos. Ele começou lá com o casal e eu fui comendo meu café. Depois ele veio falar comigo e eu já estava quase pronto. Lavei a louça e ele nos mostrou como fazia para voltar para a estrada 17 novamente, por um caminho melhor do que o que fizemos ontem. Explicando, ele decidiu nos acompanhar de bicicleta e disse que nós haviamos inspirado ele a voltar a fazer esse tipo de viagem. Segundo ele, tinha parado por causa da idade e porque em Toronto, cidade que morava, ele não gostava de pedalar no meio da poluição. (acho que ele não conhece são paulo).

Seguimos pedalando e eu ainda me sentia fraco, pois não havia descançado direito. Comi um amendoim sentado num posto, 17kms longe do camping. Na sequência vieram várias subidinhas que me faziam ficar longe do casal. Eu estava realmente cansado e preciso de um dia de descanço logo mais. Estamos chegando em Ottawa, são só mais 3 ou 4 dias, e assim eu vou poder descançar tranquilo. Se bem que se eu achar um lugar bacana no meio do caminho, é capaz de eu fazer um dia de descanço.

Quando já haviamos pedalado quase 40kms paramos para fazer o segundo café da manhã (na hora do almoço). Comi aquele omelete animal, cafézinho, torrada. Fiquei cheio. Tinha muita comida. Aproveitei para comprar um doce, caso precisasse de energia durante o percurso.

O sol estava de rachar hoje. O dia todo. Sem nenhuma nuvem no céu. E isso fez meu batimento cardíaco ir lá pra cima quando escalavamos as subidas. Fora que estava suando como há tempos não suava. Tenso.
Chegamos numa vila e o Karl queria passar no banco e comprar algo no mercadinho. Enquanto ele foi ao banco eu conversava com um cara na rua. Meio louco e sem noção. Ele queria me convencer que a lei estava errada e que é mais seguro pedalar do lado contrário da rua, pois o ciclista poderia ver os caminhões e desviar. (Bom, é por isso que usamos retrovisor). Ele falou que as vezes os caminhões não tem espaço para desviar dos ciclistas e não deveriam gastar freio e gasolina, os ciclistas que deveriam desviar. Ele disse que os ciclistas acham que são carros e não desviam dos caminhões. (ué, se o cara tá vendo a bicicleta lá de longe, porque ele já não começa a reduzir a velocidade?). Ele me deu um exemplo interessante, em Sudbury, há pouco tempo atras 3 crianças de bicicleta foram atropeladas por um carro e morreram. As crianças estavam do lado correto, seguindo o fluxo do trânsito e foram atropeladas. O cara tava bêbado, mas se as crianças tivessem visto o carro, poderiam ter desviado. (ai eu dei risada e falei pra ele: se o cara não tivesse bêbado, ele não teria acertado as crianças.). Aqui, 99,9% dos caminhões e carros respeitam muito os ciclistas e vão pro meio da pista para não ter o risco de que aconteça algo com a gente. Isso faz toda a diferença.

Bom, seguimos e fomos no mercadinho. Eles entraram e eu sentei do lado da bike. Capotei. Dormi por uns 15 minutos ouvindo um som. Quando acordei eles já estavam prontos para continuar. Ao sair do mercadinho, o Karl teve um pneu furado, que ele arrumou em 2 tempos. Seguimos e as subidas estavam cada vez mais inclinadas. Eu já estava cansado e já ultrapassávamos os 100kms do dia.

Finalmente achamos um camping numa cidade chamada Trois Riviere. Muito bacana o camping e tem uma vista sensacional. Os donos são holandeses e mudaram para cá com os 5 (cinco!!!) filhos. Cheguei, tomei um banho de piscina, tomei um banho de verdade e jantei. O Karl fez a janta e fez um pouco mais pra mim. Muito bacana da parte dele. Conversamos um pouquinho, tomei um suco e fui dormir, exausto.

L.Felipe Preparativos

14/Julho - Dia 63 – Sudburry a North Bay

July 24th, 2009

Dia 63 – Sudburry a North Bay
Distância: 112,00km
Dist. Acum.: 5145,00 km

Dormi que nem criança, mas devia ter dormido mais. Começamos o dia meio tarde, pois estavamos bem cansados por causa de ontem. Enquanto eu arrumava as coisas, um rapaz que estava a caminho do chuveiro parou pra conversar comigo, pois ele tambem estava fazendo uma viagem de bicicleta, mas ele não tinha tanto tempo, apenas um mês. Conversamos um pouco, e na sequência já preparei o café da manhã. Comi, tirei uma soneca de 10 minutos para esperar o Karl e a Amy, que estavam acabando de se arrumar.

O começo da pedalada foi bem duro, eu não estava me sentindo com força suficiente para acompanhá-los. Dessa vez, quem foi liderando foi o Karl e ele pegou mais leve. Depois ele me contou que ontém foi um dia não-usual, pois Amy queria testar sua força, apesar dele falar para ela salvar energia. Foi um bom teste.

Bom, paramos uns 30 kms depois para comer amendoim e tomar um suco. Depois de mais um tempo, achamos um restaurante para comermos um omelete bem bacana, com batata, torrada e café. Comemos bastante no segundo café da manhã e já era hora do almoço. Ainda tinhamos quase 100 kms pela frente e o trecho tinha várias montanhas bacaninhas, que me fizeram suar a camisa, mesmo com o tempo nublado

A estrada é muito bonita e segue ao lado de vários rios, lagos e pantanos. Interessante, pena que o tempo não ajudou para tirar umas fotos. Aliás, estou tirando muita pouca foto por causa do tempo. Mas hoje eu tirei uma boa, era de uma fazenda de Flax, um grão que eles comem aqui, que tem a flor bem amarela, parece até que o sol está deixando tudo mais claro.

Seguimos e paramos no Tim Hortons para comer um Donut. Tomei um café com vanila muito bom. Eles gostam bastante desse Tim Hortons e sempre que dá acabam parando para comer um donut de 85 centavos. Açúcar nos dá energia para continuar a pedalada. Agora que estou pensando, faz tempo que não paro para um sorvete. Vou ver se amanhã acho algum lugar bacana. Ainda faltavam mais 40 kms para chegarmos em North Bay, e o camping que ficamos ficava há uns 10 kms fora do caminho da estrada. Tranquilo, quem pedala 140, pedala 150km.

O camping é muito legal e fica a beira de um rio. Espaçoso e com muito trailer e casas móveis. Na beira do rio, muitos barcos estacionados. Quase todos que estavam acampando ao nosso lado falavam francês. Já faz 2 dias que estou percebendo que as pessoas tem falado francês e inglês normalmente. Como estamos chegando mais perto da fronteira com Quebéc, o francês começa a ser mais usado. Uma pessoa que estava perto da nossa barraca não falava francês, John, australiano que está procurando casa para morar. Muita gente fica acampando enquanto procura casa, assim conseguem achar os melhores lugares e melhores preços, interessante. Já faz 2 dias que estou percebendo que as pessoas tem falado francês e inglês normalmente. Como estamos chegando mais perto da fronteira com Quebéc, o francês começa a ser mais usado.

L.Felipe Preparativos

13/Julho - Dia 62 – Massey a Sudburry

July 24th, 2009

Dia 62 – Massey a Sudburry
Distância: 112,00km
Dist. Acum.: 4994,00 km

Acordei umas 7h e comecei a arrumar minhas coisas. Eu tinha feito uma zona e minhas coisas estavam todas espalhadas na barraca. Enquanto isso a Suzy foi arrumando as coisas dela rapidinho e o Karl e a Amy também já foram se agilizando. Enquanto eu preparava café da manhã, a Suzy foi embora, para procurar um restaurante para tomar café. O Karl fez aveia com um monte de coisa para ele e pra namorada. Eles são vegetarianos e comem um monte de coisa diferente. Bem bacana e saudável.

Seguimos o pedal bem forte e pedalamos uns 30 kms até achar o restaurante mais próximo, onde a Suzy estava comendo. Nesse trecho seguimos direto entre 35 e 40km/h e quem estava puxando era a Amy. Foi sem noção. Nunca pedalei tão forte por tanto tempo (ainda estávamos no começo do dia…)

Chegando na cidade de Espanola, a Suzy se separa e segue para o sul. Ela vai em direção ao sul de Ontário, pelas ilhas. O trecho tem muito mais cenário, mas é uns 500kms mais longo. Depois de nos despedirmos, paramos no Tim Horton e paramos para comer um Donuts. Mas depois, seguimos e seguimos forte demais. Mantivemos 26km/h de média e o trecho tinha algumas (várias) subidinhas bacanas. Fazia tempo que eu não suava tanto. Minha perna queimava na subida e na descida, pois eles pedalavam mais forte ainda na descida. Chegamos no camping acabados. Até o Karl estava acabado, pois a Amy puxou muito forte o dia todo. Ela queria queimar os Donuts. Hehehe.

Tinha internet no camping e aproveitei para conversar com o povo. Fiz jantar. Tomei banho. Falei com a Pati. Dormi Tarde.

L.Felipe Preparativos

12/Julho - Dia 61 – Thessalon a Massey

July 24th, 2009

Dia 61 – Thessalon a Massey
Distância: 127,00km
Dist. Acum.: 4882,00 km

Acordei as 7h e comecei a arrumar as coisas dentro da barraca. Essa noite choveu muito e o chão da minha barraca estava muito húmido. Acabei descobrindo que a lona que eu coloquei embaixo da barraca juntou a água da chuva e enxarcou o chão. Quase uma piscina entre a lona e a barraca.

Comecei a tirar tudo e colocar no sol para secar e o pessoal acordou e já foi se agilizando. O Carl foi fazendo o café da manhã enquanto a Amy arrumava as coisas na barraca. A Suzi juntou todas as coisas e foi tomar café da manhã na estrada. Eu e o casal ficamos prontos na mesma hora e seguimos. O vento estava a favor e a gente pedalou muito forte, entre 30 e 40km/h. por mais de meia hora. Sensacional, parecia que eu tava com minha speed. Quando encontramos o restaurante, tomamos outro café da manhã para acompanhar a Suzi, que estava quase terminando. Foi bom para dar uma reforçada.

Estavamos pedalando muito bem todos os 4 e eu lembrei que eu precisava tirar dinheiro no banco e comprar algumas coisas que eu não tinha, tipo arroz, óleo, sal. Coisas que o Nelson carregava e eu não precisava me preocupar. Passamos por uma cidade que tinha dois bancos, mas acabei deixando pra lá, pois na cidade que iriamos pernoitar era relativamente grande e provavelmente teria um banco.

Paramos num centro de informações turísticas, onde eu peguei um mapa novo (o outro estava com o Nelson) e encontramos Ivan, canadense de Quebéc. Ele estava tirando um cochilo no banco quando chegamos. Almocei cenoura, maçã, barra de cereal e batata. Nada muito pesado, mas sustentou. Depois do almoço, Ivan se juntou a nós e pedalavamos em 5. Foi bem bacana. Todo mundo no mesmo ritmo, um atras do outro.

Chegando na cidade, fiz compras no mercado, passei no banco pra tirar dinheiro, enquanto isso o Ivan seguiu em frente até a cidade de Espanola. O Carl deu a idéia de comprar um vinho para tomarmos, já que estavamos em 4 pessoas e seria a dose ideal para tomar uma garrafa de vinho. Fomos para o camping, montei a barraca e depois a gente foi tomar um banho de cachoeira. Esse camping provincial é sensacional e tem uma ótima estrutura.

Depois do banho cozinhei uma macarronada, comi uma fruta e fui dormir.

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11/Julho - Dia 60 – Sault Ste Marie a Thessalon

July 24th, 2009

Dia 60 – Sault Ste Marie a Thessalon
Distância: 112,50km
Dist. Acum.: 4745,00 km

Quando eu acordei foi a mesma história de ontem. O Nelson já estava quase pronto e não parecia querer compania. Perguntei porque ele não iria tomar café da manhã, ele resmungou algo que eu não lembro e saiu pedalando. Eu continuei no meu ritmo, fiz meu café da manhã, assinei o livro de visitantes da bicicletaria e parti uns 40 minutos depois.

Logo que eu comecei a pedalar começou a chover bem forte, foi uma tempestade rápida até. Demorei uns 20 km pra sair da cidade e fui tirando o casaco, a calça parei pra encher um pouco o pneu, pra comer uma barra de cereal. Apesar de todas as paradas, eu pedalava forte pois tinha tomado um café da manhã bem reforçado. Eu não sabia ao certo até onde que eu iria pedalar hoje, só sabis que Thessalon fica há uns 100 e poucos km de onde eu estava.

Dado um certo momento a estrada 17 e a 17B se juntam e eu encontrei um casal canadense Carl e Amy Duda e a Suzi, britânica. Conversamos um pouquinho e seguimos pedalando juntos. Eles pedalam bem forte e eu suei a camisa para acompanhá-los. Enquando eu e o Nelson faziamos 21km/h de média, eles fazem 26km/h fácil. Isso quer dizer que na média eu tive que pedalar 25% mais rápido do que eu estou acostumado. (papo de engenheiro, né? Muito número.. hehe).

Pedalavamos bem e eu estava começando a ficar com fome. Pouco antes da cidade eu tinha planejado almoçar, encontrei o Nelson comendo batatinha na beira da estrada. Convidei-o para almoçar conosco, mas ele não quis. Seguimos. Parei na cidade, tomei um sorvete animal. Nessa o Nelson chegou, comprimentou todo mundo e foi embora. Perguntei até que cidade ele iria hoje e ele me respondeu que não sabia e que a gente era muito mais rápido que ele, por isso nos encontrariamos no caminho.

Depois do sorvete eu fui num restaurante comer um sandwiche e salada. Bom e rápido. O pessoal que eu estou acompanhando hoje comeu uns amendoins e nozes. Eles comem muito bem no café da manhã e janta e acabam comendo pouco ao longo do dia. Acabei meu lanche e seguimos juntos. Mesmo ritmo, forte.

Chegando em Thessalon, entramos na cidade para comprar algumas coisas no mercado e seguimos em frente. 9 km para frente havia um camping na beira do lago e acabamos ficando por lá mesmo. Banheiro perfeito e grande demais, lago quentinho, mas muitos pernilongos. Cozinhei um macarrão, comi um monte de cenoura e fomos tomar uma cerveja no restaurante do bar para dormir mais relaxados.

Pouco antes de dormir, começaram uns raios e trovões muito fortes e eu dormi.

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10/Julho - Dia 59 – Goulais River a Sault Ste Marie

July 24th, 2009

Dia 59 – Goulais River a Sault Ste Marie
Distância: 40,50km
Dist. Acum.: 4627,50 km

Quando acordei o Nelson já tinha arrumado quase tudo. Olhei no relógio e percebi que não estava atrasado, eram 6h30. Comecei a arrumar tudo e pedi um favor para o companheiro, que me negou. Fiquei desapontado, falei umas besteiras e continuei arrumando as coisas. Quando acabei, o ele já não estava mais lá. Como não havia tomado café da manhã, segui para o posto para usar o banheiro e tomar um café, mas sem sinal do companheiro. Acho que demorou 1 hora mais ou menos entre a hora que ele e eu começamos a pedalar. A partir desse ponto achei que não o veria mais na viagem. Me preparei psicologicamente para seguir sozinho.

Dado o fato que seria cada um por si, segui no meu ritmo e pedalei forte. Seriam só 30 km até a cidade e mais um pouco para conhecer a cidade mesmo. Chegando em Sault, pedi informação para uma senhora na rua. Ficamos conversando uma meia hora sobre diversos assuntos. Adoro conversar com pessoas desconhecidas que podem e querem agregar algo pra sua vida. Depois de conversar com a senhora, passei numa loja de fotografia e comprei um tripé, que estava fazendo falta, já que não teria mais as fotos do Nelson, que gosta de tirar fotos de ação do dia a dia.

Depois da compra segui para a bicicletaria que me indicaram. Ao chegar na bicicletaria, o Nelson estava lá, com o mecânico arrumando a bicicleta. Doce coincidência. Ele quis me mostrar dar lição de moral. Eu ouvi, mas falei o que precisava falar. Que ele tem que aprender a trabalhar em equipe e parar de ficar testando os limites das pessoas. Enfim, almoçamos num chinês mais ou menos e passamos no escritório do Rotary, que coincidentemente é do lado do china. Muito bem. A moça do Rotary, que eu esqueci o nome, comentou que uma bicicletaria chamada Vél tem um camping gratuito para viajantes como nós.

Como ainda era cedo, fui passear na orla do rio, divisa com os estados unidos. Tirei umas fotos lá e o Nelson disse que estava indo para a biblioteca próximo de onde estavamos. No caminho, fui tirando umas fotos e pedalando, quando um senhor muito simpático me parou e fez umas perguntas muito interessantes sobre minha viagem. Fiquei conversando com ele uns 10 minutos. Foi bom para dessestressar a mente (que já deveria estar relaxada).

Segui para a biblioteca, carreguei meu computador, respondi uns e-mails e tentei atualizar o site, que estava fora do ar. Não sei porque as vezes o site não funciona. Devo ter ficado lá uns 40 minutos e seguimos para esse camping da bicicletaria. Chegando lá, fomos muito bem recebidos pelos atendentes da loja e quando dissemos que eramos viajantes, eles nos ofereceram o camping na hora e nos mostraram o código da porta que abre o banheiro com chuveiro. Perfeito.

Fiquei um tempão conversando com o pessoal da loja e um dos donos chegou. Um senhor alemão que construia bicicletas e as vezes ainda constroi. Comecei a conversar com ele e ele me deu uma lição de vida. É impressionante como tem gente que agrega valor as coisas que fala, a maneira como age e na maneira como pensa. (= coerência). Ele me ensinou bastante também sobre cicloturismo e me disse que não devemos fazer cicloturismo para nos massacrar, e sim para curtir cada segundo. Não importa o destino, mas a viagem.

Ian arrumou meu bagageiro logo depois de eu tomar um banho. Ele colocou vários pontos de solda em todas as juntas e ficou perfeito. Ficamos conversando, eu, ele e a esposa.

L.Felipe Preparativos

9/Julho - Dia 58 – Montreal River a Goulais River

July 24th, 2009

Dia 58 – Montreal River a Goulais River
Distância: 98,50km
Dist. Acum.: 4587,00 km

O Nelson acordou junto com as galinhas, pra variar. E eu acordei na sequência e logo a Maria desceu para fazer um café da manhã. Nós fizemos um cereal quente, ela fez ovos e bacon, torradas, café, chá, 3 frutas e uma infinidade de comida. Larry havia acordado meio mal do estômago e não se sentia muito bem. Comemos bastante e Maria nos levou devolta a lojinha na beira da estrada para pegar as bicicletas.

Seguimos nosso caminho e isso já eram umas 10h00. O vento nos ajudou bastante e em 2h20 pedalamos 46kms. Encontramos uma reserva indígena com uma área de descanço com aquelas mesas que a gente tanto gosta. Comemos alí e na sequência demos uma cochilada. Cada um num banco da mesa. Dormimos por 2h30. ???? Pois é, e se eu pudesse acho que dormia mais. Estou cansado, fazem 11 dias que nós não paramos para descançar a musculatura.

Nessa reserva indígena tem uma loja bem grande de artesanato e vendem umas coisas de muito bom gosto e baratas. Tem até pele de lobo, urso, roupa nativa, muita escultura em madeira e umas caixas de madeira muito bacanas. Se eu pudesse, gastava uma grana alí, mas infelizmente não tenho onde por. Pensei em colocar um chifre de alce na minha bicicleta, mas ia ficar meio estranho. Hahaha.

Seguimos em frente e eu não estava mais no embalo de pedalar. Chegamos numa parte muito bonita e margeava o lago por muitos kms, cheio de casa de veraneio na frente do lago, mas não eram tão privados quanto a casa do Larry e da Maria. Pensei que poderiamos acampar por alí, assim eu poderia dar um mergulho no lago já que o sol se põe tarde. Nada, o Nelson não estava afim de parar pra nada. Acho que por ele ele só pedala, come e dorme. Eu prefiro aproveitar um pouco os recursos, mas não tá rolando.

Quando foi 19h20 encontramos um posto com uma loja bem completa e 24h. Pensei que era uma boa idéia acampar alí, pois se precisassemos de algo, poderiamos comprar no posto. Paramos e eu fui conversar com a dona do lugar. Ela não quis que acampassemos no quintal dela pois tinha algo na grama que eu não entendi, mas tudo bem. Jantamos alí no posto, numas mesas bacanas e a dona do posto comentou que logo do outro lado da rua teria um lugar bacana para acampar, se quisessemos. Seguimos para esse lugar e comentamos de usar o banheiro da loja no dia seguinte.

Chegamos numa rua onde tinham várias (3) casas. Paramos na primeira e batemos na porta. Ninguém atendeu. Bati denovo e nada. O Nelson então decidiu que deveriamos acmapar alí perto da casa pois quando a pessoa da casa chegar ela não poderia negar nossa visita. Doce engano. Quando a dona da casa viu ela nos botou pra correr. Eu fiquei desconfiado da atitude dela, pois ela não quis nem ouvir direito o que eu tinha pra falat. Eis que eu vejo uma bandeira dos EUA na porta da casa dela. Tentamos a casa da frente e o dono da casa (que não se apresentou, mesmo eu perguntando o nome dele várias vezes) deixou que acampassemos no jardim dele.

Arrumei a barraca e coloquei um anti mosquito na porta antes de dormir.

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8/Julho - Dia 57 – Wawa a Montreal River

July 24th, 2009

Dia 57 – Wawa a Montreal River
Distância: 118,50km
Dist. Acum.: 4488,50 km

Logo que acordamos pegamos as bicicletas na garagem do hotel e arrumamos as magrelas. Eram umas 7h e o tempo estava muito estranho. Frio e com uma cara que ia chover em breve.

Eu não tinha visto o mapa para fazer o planejamento de onde iriamos pernoitar essa noite. A única coisa que eu sabia é que iriamos passar por um parque provincial bem grande, 85k de estrada no meio do parque. Perguntei para o Nelson, enquanto pedalavamos, onde iriamos pernoitar hoje, pois ele estava com o mapa. Ele disse que tinha uma cidade há 105 km dalí. Achei estranho, pois era quase junto com o parque, já que tinhamos pedalado 18km até a entrada do mesmo. Mas segui.

Logo cedo eu já liguei a música e fui cantando, pra espantar os males e aproveitei para pensar um pouco mais sobre alguns assuntos pessoais. Eu diria que pensei bastante, mas eu queria ter uma memória extra pra poder guardar exatamente o que eu tinha planejado durante o dia.

Lá pelas 10h eu começei a ficar com fome. Sugeri uma parada para comer um amendoim, mas o Nelson não quis. Eu até pararia para comer, se eu tivesse amendoim. Estava com ele. Comi uma barra de cereal pra enganar o estômago. 11h30 meu esômago roncava novamente e chegamos na entrada de uma trilha que ia para um lago. Sugeri que almoçassemos alí, mesmo sem ter mesa de pique-nique, poderiamos sentar no chão. O Nelson não quis. Começei a ficar nervoso, porque estava com fome. 7km mais pra frente chegamos na beira do lago superior e tinha uma mesa para fazer pique-nique. Aleluia. Paramos e comemos. Esse lugar é uma praia de lago e tem areia de verdade. A maioria da costa aqui tem pedrinhas em vez de areia.

Depois do almoço, seguimos bem rápido para essa cidade que o Nelson havia comentado, mas haviamos pedalado 108 km e nada de cidade. Em vez disso, veio uma baita subidona gigante. Chegamos no topo e não tinha nada, só a descida, mais ingreme ainda. Descemos e veio outra subida. No meio dessa segunda subida tinha um posto, uma lojinha e um mecânico. Perguntamos quanto tempo demorariamos para chegar na cidade de Montreal River e a atendente falou: “Bem vindo a Montreal-River”. Perguntei se faltava muito para chegar no centro e ela falou que aquilo era a vila. Não tinha mais nada. Nada. Pensei comigo mesmo: Fedeu-se.

Fomos enrolando alí na lojinha, comprei um café e fomos dar uma volta no terreno para ver se tinha algum lugar válido para acamparmos. O terreno era bem sujo e tinha muita tralha. O mecânico tinha tanta tranqueira velha que o lugar inteiro tinha peça de carro velho e tralha. Não tinhamos muita opção, teriamos que acampar no meio da bagunça. Voltamos na lojinha e perguntamos pro dono do lugar se poderiamos acampar. Ele deixou sem problemas.

Enquanto tomava meu café, enrolando um pouco para tomar coragem e ir pro meio do ferro velho, uma senhora pergunta pro Nelson, que vestia a camisa do brasil: “Vocês são brasileiros?”. Olhei pra cara dela com aquela cara de ué. Ué, ela falou português?. Qual a chance de encontrarmos um brasileiro numa vila que devem morar umas 15 pessoas no verão e 4 no inverno? Quase zero, certo? Ok. Ela se chama Maria e é casada com Larry, americano. Eles são professores de universidades em Chigaco e tem uma casa de férias na beira do lago superior alí em Montreal River. Coincidência ou não, os nossos anjos da guarda estão trabalhando muito.

Bom, conversamos muito com eles, e o Larry fala muito bem português, até que eles convidaram para ficarmos na casa deles. O problema era que a casa deles era no topo daquela montanha que haviamos acabado de descer. Então falamos com o pessoal da loja, deixamos as bicicletas trancadas lá e fomos de carro até a casa deles. Lugar muito aconchegante e gostoso. Em menos de 1 minuto de caminhada chega-se na praia de pedrinhas no lago Superior. Uma praia privativa com 2 casas e os acessos são somente pelas casas. Perfeito. Tomamos um banho, jantamos e fomos ver o por do sol na praia. Lindo demais.

Logo depois do por do sol, comemos cereja, chá e chocolates brasileiros (sonho de valsa). Hummm.. delícia.

L.Felipe Preparativos

7/Julho - Dia 56 – White River a Wawa

July 24th, 2009

Dia 56 – White River a Wawa
Distância: 98,50km
Dist. Acum.: 4370,00 km

Acordamos cedo e as 7h10 já estavamos na estrada. O tempo estava nublado e bem frio. Menos frio que ontem, mas ainda assim estava gelado. Resolvi pedalar ouvindo música hoje e foi bem bom. Eu tava meio pra baixo pela manhã e ouvi 1 disco do Infected Mushroom e 2 do Tiesto pra dar uma animada.

Pedalamos bem e o vento até que ajudou. Estava brando e não dificultou muito a vida. Não pegamos subidas muito longas também, o que ajudou bastante. As 10h30 tinhamos pedalado 50km e faltava mais uns 45km para chegarmos em Wawa. Paramos num posto de gasolina e eu tomei um sorvete, um café com leite e comi uma batata. O Nelson comeu uns 5 chocolates diferentes. Parecia criança na loja de doce. Hahaha.

Seguimos e umas 13h30 chegamos em Wawa. Logo na entrada tem um centro de informações turísticas e paramos lá para entrar em contato com o Rotary. Conversamos um pouco com o pessoal de lá e eles nos conseguiram o telefone do assistente do Governador do distrito, Mike, que foi nos receber lá mesmo. Conversamos bastante com ele e seguimos para conhecer a cidade.

Uns 6 quarteirões da entrada da cidade fica o centro. Fomos pedalando até lá e tudo estava nublado. Tudo mesmo. A humidade saia do chão. Acho que o tempo estava abafado demais e a água do chão estava evaporando. Muito estranho. O centro da cidade até que charmoso e o lago é bem bonito. Almoçamos num restaurante chinês ao lado do lago e comemos muito bem. Ainda pedi uns biscoitos da sorte a mais. Hehehe. Depois do almoço fomos ao lago da cidade que deu o nome a cidade. Wawa significa Wild Goose (Ganso selvagem). Quando as primeiras pessoas chegaram aqui, foram ao lago que estava cheio de gansos selvagens.

Viemos ao hotel e eu fiquei tentando arrumar as fotos do site. Tentei de tudo e não consegui. Talves eu tenha que selecionar um pouco mais as fotos e diminuir a quantidade. Sei lá. Aproveitei pra fazer um conference no Skype com o Renan, Calé, Desmond e Ricardo e Gui. Foi divertido pacas. Depois liguei pra minha mãe que faz anos hoje. Feliz aniversário mama!

O Nelson fez compras, conversei com mais uma galera e fiquei no computador, tentando aprender a mecher no Mac, carreguei o iPod e peguei uns programinhas grátis para facilitar a vida no laptop. Na volta do mercado, o Nelson me volta com muita comida. Ele se empolgou lá e comprou 6 barras de chocolate pra cada um e 2 potes de doce de leite, mais um montão de coisa. Amanhã vou pedalar com muita carga.

L.Felipe Preparativos

6/ Julho - Dia 55 – Marathon a White River

July 24th, 2009

Dia 55 – Marathon a White River
Distância: 120,00km
Dist. Acum.: 4271,50 km

Tomei um susto quando acordei. Já eram 7h e estavamos “atrasados”. Eu tinha combinado de ligar para a Pati na manhã, mas não consegui. Quando ia ligar a Marian chegou com café da manhã pra nós. Tomamos um belo café e o Forest, cachorro da casa, estava parado embaixo da árvore só esperando o esquilo descer para ele caçar. O Nelson balançou a árvore, o esquilo caiu e o cachorro saiu correndo atrás do bichano. O esquilo é muito rápido, deu um olé no cachorro e subiu na árvore denovo.

Depois do café eu continuei arrumando as coisas e partimos as 9h15, atrasados. O vento estava bom e o céu bem azul. Quase nenhuma nuvem, mas o friozinho tava lá. Perfeito para pedalar. 20 km depois chegamos na entrada de Marathon, onde começou uma construção para duplicação da via. Uns 2 km. Sussa. O tempo começou a esquentar e eu tive que tirar o casaco.

Depois da cidade, chegamos numa estação de ski que não tinha neve. Lá encontramos pai e filho que pedalavam de Montreal a Winnipeg. Eles iam para uma convenção em Winnipeg. Nessa estação de ski também é um centro de informações turísticas e tem uma maquete da região e outra maquete da Mina de ouro. Muito bacana a mina. Muito grande. Ficamos uns 20 minutos lá e partimos.

Na saida, o vento começou a ficar bem gelado e numa descida de quase 4 kms eu quase congelei. O céu começou a ficar escuro com várias nuvens no céu. Bateu aquele desânimo de enfrentar denovo o tempo ruim. Continuavamos a pedalar forte e um rapáz de bicicleta foi chegando perto da gente, passou o Nelson e estava quase chegando em mim. Olhei pelo retrovisor e na subida ele ficou pra trás. Já era quase hora do almoço e a gente estava procurando um lugar para almoçar. Fui perguntar para o cara, mas ela passou batido por mim. Aaahh mas eu fiquei P da vida e acelerei. Cheguei no cara denovo e estavamos a uns 40km/h, parei do lado dele e comecei a perguntar. Falei sem parar e ele só falou que na próxima esquina tinha algo que eu não entendi o que. Eu vi que ele estava meio snob e eu já sai acelerando até chegarmos na mina de ouro, onde deixei ele ir embora.

Esperei o Nelson na frente da mina, onde tinha uma mesa de pique-nique bem mal posicionada e com muito vento. Decidimos continuar e eu segui na velocidade. Uns 5 kms depois chegamos na tal esquina que o cara tinha falado. Era a entrada de uma outra rodovia, onde tinha uma espécie de museu a céu aberto com as máquinas que eles usavam na década de 80. Bacaninha até, mas descoberto. Sentamos lá e começamos a cozinhar o almoço. Nesse exato momento, com o fogareiro aceso e o macarrão na panela com água, começa a chover. Afe. Desgraça. Hora mais ingrata. O Nelson já viu a escavadeira do nosso lado e puxou a lona. Eu coloquei a bike encostada numa pedra e fizemos uma cabana entre a escavadeira e a bike. Cozinhamos alí embaixo e parecia uma favelinha. Aquele esquema de sempre.

Seguimos embaixo de chuva. Eram 15h e ainda faltava 50 kms para chegarmos em White River. Eu não estava na pegada de pedalar todo esse tempo na chuva e nos 2 moteis que tinham na estrada eu parei pra perguntar o preço. O Nelson me convenceu a seguirmos até a cidade, mesmo que chegássemos tarde. Quando decidimos ir, acabou a bateria do meu iPod. Putz. Acabou a única motivação de continuar a pedalar. Fui meio que na marra.

Chegamos na cidade e os moteis eram um em frente aos outros. Pesquisamos em 3 e ficamos no último. Arrumei as coisas, e liguei o computador. Conversei com meus pais e com a Pati. Fiquei meio triste e fui dormir cansado.

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5/ Julho - Dia 54 – Pay Pow First Nation Reserve a Marathon

July 24th, 2009

Dia 54 –  Pay Pow First Nation Reserve a Marathon
Distância: 117,50km
Dist. Acum.: 4151,50 km

Acordamos as 7h, arrumamos tudo e comemos um baita café da manhã. Acho que eu comi uns 4 sandwiches com geleia e pasta de amendoim, um chocolate com leite e cereal e uma banana. Sensacional. Depois do café da manhã precisei visitar o banheiro do posto. Hehehe.

Logo de cara, quando saímos da Reserva Indígena demos de cara com uma subida gigante. Acho que tinha uns 5km e era bem íngreme. Belo aquecimento para o que viria hoje. Foi um sobe e desce danado.

Paramos para comprar arroz e molho para o almoço em Rossport. Aproveitei para tomar aquele sorvete. Hehehe. Seguimos em direção a Terrace Bay, a 16 km dalí. Todas as cidades a partir daqui beiram o lago Superior e tudo é direcionado a esportes aquáticos ou de gelo. Aqui todo mundo tem um Snowmobile em um Snowplow (uma espécie de escavadeira que engata na frente do carro para tirar o gelo da rua, jardim ou da onde quiser. Tem várias trilhas de Snowmobile por aqui. Fora isso, eles praticam muito Ice Fishing (pesca no gelo) aqui. Tem umas cabanas que vc reboca com o Snowmobile e leva até o ponto do lago que vc quer. Essa cabana é de madeira, tem uns esquis embaixo e um buraco com tampa no chão. Você abre a tampa, cava um buraco no gelo e joga a linha. É pescar e comer. Ainda vou fazer isso no próximo inverno.

Bom. O vento estava brando, mas muito gelado. O sol estava bombando, acho que uns 25˚C, mas na sombra ou quando o vento tinha de frente, baixava para uns 14˚C fácil. É bom pegar a sombra na subida e o sol na descida, assim não cansa tanto. Mas, se tudo na vida fosse fácil, não teria graça.

Pegamos umas subidas bem longas e ingremes, mas tranquilo. Fomos devagar e sempre. Uma das primeiras subidas longas foi bem dura, mas na descida cheguei a 60 km/h. Até aí, tudo bem, mas a questão foi que eu parei no meio da descida para tirar uma foto, foi duro parar, e quando voltei a pedalar me senti num carro esportivo. A descida era tão ingreme que demorei pouco menos de 7 segundos para sair de 0 a 50km/h. A decida era bruta e muito longa. Eu tive que freiar para não passar dos 60km/h.

Depois, em outra descida bem grande, mas mais curta que a anterior e menos ingreme (do tipo que eu gosto), cheguei a 64km/h. Acostamento era bom, não passou nenhum carro por mim e eu ainda estava pedalando para tentar acelerar mais. Mas depois de tanta energia gasta estava cansado e com fome. Nós paramos numa ponte bem bonita, com uma ponte da linha de ferro ao lado, para comer mais uns sandwiches de pasta de amendoim com geleia e de queijo com mortadela. Demos altas risadas e ficamos uma meia hora comendo e conversando.

Seguimos e eu estava preocupado com o horário, pois a próxima cidade ficava há 40 km de onde estavamos e no ritmo que estavamos indo não chegariamos antes de escurecer. Felizmente encontramos uma casa e batemos palma para chamar os donos. Eles, Marian e Grant nos deixaram acampar no jardim.

Internet, Extensão, recarregar laptop, comemos hamburguers e conversamos um pouco. Fizeram fogueira e fui dormir.

L.Felipe Preparativos

3/Julho - Dia 53 – Everard a Pay Pow First Nation Reserve

July 24th, 2009

Dia 53 – Everard a Pay Pow First Nation Reserve
Distância: 90,00km
Dist. Acum.: 4044,00 km

Acordamos e arrumamos tudo. Tomei café junto com o Nelson e o Gorma apareceu. Conversamos um pouco e partimos.

O vento estava muito forte hoje e as montanhas voltaram pra valer. Não são tão grandes quanto as de British Columbia, mas dá pra suar a camisa. Heheheh. O bom da subida é que a gente se concentra mais na pedalada e depois tem a descida pra compensar.

Pedalamos 20 km e paramos em Nipigan para fazer compras no mercado e almoçar. Em frente ao mercado tinha uma barraca de cachorro quente e hamburguer com um símbolo do Rotary gigante. Eles vendem os sandwiches para arrecadar dinheiro para um projeto internacional na África. Conversamos um pouco com as pessoas de lá, que ligaram para a Presidente do clube. Ela foi nos recepcionar e levou uma bandeira para trocar com o Nelson. Deu um cartão com contato. Nipigan é a cidade da canoagem e da escalada esportiva no gelo e eles fazem propaganda em tudo quanto é canto.

Na hora do almoço, comemos feito 2 mendigos que não viam comida há muito tempo. Sensacional. Logo saimos, pois estavamos preocupados com o vento, que havia melhorado. Na verdade a estrada faz um zigue-zague danado e o vento está cada hora de um lado. Essa parte da estrada beira o Lago Superior, que é um dos maiores lagos do mundo, ou o maior, não sei. Mas quando a gente olha pra ele parece até o mar de tão grande. Não dá pra ver o fim.

Hoje pedalei sem o iPod e fui pensando bastante na vida e organizando umas idéias na cabeça. Organizando as metas do pós-férias-cicloturísticas. Foi bom e muito produtivo. Esse é um ponto que só uma viagem como essa pode ete proporcionar. Quando passamos muito tempo sozinhos e com grandes desafios pela frente, temos a chance de conhecer nós mesmos. Nossos limites físicos e mentais. Precisamos organizar a mente para focar em nossos objetivos futuros e presentes, repriorizar as prioridades, dar valor pras coisas certas. “Deep conversation”.

Chegamos em uma comunidade idígena chamada Pays Plat. Tinha um posto de gasolina, uma central de ambulâncias e um hospital. Fomos no posto e eu tomei 2 sucos e dividi com o Nelson uma batata tipo Ruffles. A pessoa encarregada pelo posto havia ido para o Brasil há algum tempo atrás. O rapaz é muito inteligente e muito simpático. Ele deixou a gente acampar atras da casa do posto e aproveitei para carregar o laptop. Ele me passou uns videos e eu um deles antes de dormir.

Frase do dia: “If you do nothing, nothing happends.”

L.Felipe Preparativos

2/Julho - Dia 52 – Thunder Bay - Everard

July 24th, 2009

Dia 52 – Thunder Bay - Everard
Distância: 111,00km
Dist. Acum.: 3954,00 km

Quando o Nelson acordou, 5h30 da manhã, eu nem conseguia abrir os olhos. Estava cansado e com muito sono. O Nelson me deu uma bronca porque eu tinha acordado ele ontém quando falava com a família e disse que o computador me domina. Pode ser verdade. Eu acho que tenho que me controlar mais com essas tecnologias antes que elas me dominem pra valer.

Bom, depois da bronca que eu tomei, arrumei minhas coisas e lavei bem o rosto pra acordar. Estava com um pouco de dor de garganta pois ontem eu dormi com a cabeça molhada demais. (isso acaba quando eu perder de vez os meus cabelos.. J). Em suma, eu estava um bagaço, mas me levantei e encarei o pedal.

Na saida da cidade, pegando a Hwy 17 fomos parados pela OPP (Ontario Provincial Police), pois naquele trecho da estrada bicicleta era permitido. Os guardas chegaram com uma cara de bravo e tinham parado o carro bem atras da placa de proibido bicicleta. Eu achei que ia tomar uma multa e abri um sorriso. ???? Sorriso? Lógico !!! Imagina quanta história pra contar se eu tomasse uma multa da polícia do “estado” de ontário!!! Sensacional. Bom, quando eles viram meu sorriso, a pinta de polícia sumiu e eles já começaram a explicar o caminho que a gente deveria fazer. Depois da explicação, pedi pra tirar uma foto pra guardar o momento. Hahaha. O Nelson ficou com vergonha e não quis sair na foto.

Seguimos no caminho por dentro da cidade, que era muito mais longo do que pela estrada. Pedalamos 21 km para sair da cidade e chegarmos no Monumento ao Terry Fox. É uma estátua muito bonita num lugar muito bem conservado. Lá tinha uma casa de informações turísticas e tinha um estande de coisas do Canadá relacionadas a travessia do Terry Fox. Thunder Bay foi a cidade que ele parou e voltou para o hospital por causa do câncer. Historicamente muito importante. Nesse estande de coisas tinha um boné muito lindo e eu, na hora, perguntei pra moça quanto era pois eu já ia levar. Infelizmente lá não vendia nada e eu teria que ir até o aeroporto ou um giftshop pra comprar. Mas na direção que estavamos indo só tinha a estrada. Nada mais. Fiquei frustrado.

Nesse lugar nós encontramos o pessoal da Xerox que nós encontramos nas Rocky Mountains. Eles estavam na festa do dia do Canadá ontém. Eu vi o motorhome deles, mas não tinha visto os ciclistas que conhecia. Nesse segundo encontro, trocamos contatos e foi muito bacana. Conversamos uns 10 minutos até eles terem que continuar a pedalada e nós ficamos lá pra tirar fotos com a estátua do Terry Fox.

Seguimos o pedal logo depois deles e já eram 10h30 da manhã. Tarde demais pra quem só andou 20 e poucos kms. Seguimos mais 1h30 pedalando e achamos um restaurante na beira da estrada. O restaurante muito simpático e a dona mais simpática ainda. Era aniversário dela e ela estava muito contente. Veio conversar conosco e ficou entusiasmada com nossa história. Nós tiramos uma foto com ela e com o cardápio do lugar.

Na saida do almoço, o vento tinha apertado. Vento ruim e gelado. Tive que colocar o casaco denovo. O Nelson pedalava devagarzinho e eu também, mas uma hora eu disparei na frente e encarei as subidas como há tempos não encarava. Mas não demorou muito veio um posto com uma loja de presentes. Pensei que poderia achar o boné lá. Procurei e nada. Aproveitei para ir ao banheiro.

Enquanto eu estava no banheiro, o Nelson estava chegando no posto e passou reto. Não demorou muito para alcançá-lo. Fomos um na frente do outro por um tempo e o acostamento ficara estreito e cheio de buracos. O fluxo de caminhões aumentava cada vez mais e ficava mais perigoso. Alguns caminhões tinham que frear para nos ultrapassar, e os que não freavam faziam a gente ir pro cascalho no acostamento. Um olho no peixe outro no gato, retrovisor, asfalto e nos carros que vinham no sentido oposto, pra saber se os carros que vem no nosso sentido tem espaço para fazer a ultrapassagem de maneira segura. Tenso.

Aos 94kms chegamos num posto com uma loja muito bonita. O prédio inteiro pintado com lobos, peixes e outros animais. Muito perfeita a pintura. Dentro dele a lojinha era muito bacana e tinha umas coisas muito bonitas. Se eu tivesse uma casa, comprava umas 3 coisas diferentes. Mas como minha casa tem 2 rodas hoje, eu só comprei uma camiseta com um iglu desenhado e escrito “The canadian white house”, ou “A casa branca canadense”, fazendo comparação aos americanos.

Na frente desse posto tinha um hotel. Perguntamos para o caixa do posto se o hotel era caro e ele falou que houve um incêndio há um tempo e o hotel está desativado. Droga, teriamos que pedalar mais 40 kms para chegar na próxima cidade e já eram 17h. A dona do posto falou que poderiamos acampar no jardim do posto, mas ainda era relativamente cedo para acampar. Tinhamos mais 2 horas úteis para continuar, e se estivessemos num ritmo bom e com um vento bom, chegariamos na cidade antes das 19h.

Infelizmente o vento piorou e 6h30 bateu e ainda faltavam uns 15 kms. Paramos na estrada e vimos uma casa cheia de carros dentro. Pensei que seria uma boa ver se conseguiriamos acampar na casa, mesmo com uma possível chuva chegando novamente. Tentamos e conseguimos. Conhecemos o dono da casa, Gorma, que nos deixou tomar banho e nos fez companhia enquanto cozinhavamos. Logo chegou seu genro com a neta e eles foram consertar o freito do carro do rapaz.

Nós jantamos, lavei louça e fiquei conversando um pouco mais com os dois. Coincidentemente o genro do Gorma é policial da OPP. Hehe..

Depois do papo, estiquei minhas meias que ainda estavam molhadas de ontém e fui pra cama, descançar.

L.Felipe Preparativos

1/Julho - Dia 51 – Upsala a Thunder Bay

July 24th, 2009

Dia 51 – Upsala a Thunder Bay
Distância: 150,00km
Dist. Acum.: 3843,00 km

Frio pela manhã, sem chuva forte. Vesti casaco fleece, mas passei calor lá pelas 11h. Primeiro tirei a bandana, depois tirei o casaco fleece, na hora do almoço tive que tirar o corta vento, pq apesar do vento frio, tava abafado. Tive que parar mil vezes, cada hora pra me “despir” um pouco mais. Haha.

Pedalamos 78km até o almoço. Foi bom. Eu ia na minha velocidade, ouvindo música e relaxando. No almoço paramos num posto de gasolina para comer no restaurante, mas a cozinha estava fechada. Só tinha lanches e coisas industrializadas. A cidade não tinha nada. Absolutamente nada, e pelo que me falaram, o restaurante mais próximo ficava há 40 km dalí.

Na divisa da hwy 102 e a hwy 1 (17 ou 11 ou 1, é a mesma), encontramos um português, casado com uma londrina e que moram perto de toronto. Conversamos um pouco em portugues e fiquei confuso em falar em português, porque eu estava esperando falar inglês. A ficha demorou pra cair.

Paramos na Kakabaska Falls, parque nacional com uma cachoeira. A cachoeira é muito bonita e o parque é bem ajeitado.  Na saida parei no posto pra tomar um sorvete. Padrão.

Chegando em Thunder Bay paramos numa barraca de frutas e comi um melão e umas frutas menores. Heheh. Depois fomos para o Hostel, que fica dentro dos dormitórios da Universidade. Grande o Campus, bem bonito.

Ficamos 5 minutos no hostel, pegamos um ônibus e fomos para o centro da cidade, na festa pelo dia do canadá. Demos uma volta e fomos comer no chinês. Estava sem casaco e começava a passar frio. Pegamos outro ônibus e voltamos para o hostel.

No hostel, fiquei no computador lendo notícia pra me atualizar do mundo, falando com a família e tentando arrumar o site que não estava mais com as fotos. Não sei o que aconteceu, mas as dá um erro quando vou atualizar o site. Talvês eu tenha que comprar mais memória ou o problema é no plugin mesmo. Fiquei até a 1h30 da manhã acordado tentando resolver isso e não consegui. Tomei um banho, lavei umas meias e meu shorts e dormi.

L.Felipe Preparativos

30/Junho - Dia 50 – Ignace a Upsala

July 24th, 2009

Dia 50 – Ignace a Upsala
Distância: 118,00km
Dist. Acum.: 3688,00 km

A proxima cidade ficava há uns 100 e poucos km daqui. Pegamos leve denovo. A chuva continuava e a previsão do tempo errou feio. Meu joelho doia pois ficou raspando na calça a prova d`água. Tive que ficar puxando a calça toda hora, um saco.

Estava bem mais frio que os outros dias. Na hora do almoço, paramos numa área de descanço. Sem novidades. Esticamos a lona e cozinhamos. Nos esquentamos um pouco no fogo e seguimos. Estava congelando, mas quando a gente pedala o sangue esquenta.

Encontramos 4 ciclistas juntos. Os 2 homens vinham de st. johns e atravessavam o canadá para ajudar as crianças carentes. As 2 garotas sairam de Ottawa e iam para Vancouver. Eles se encontraram e decidiram seguir o caminho junto.

O Nelson ficou lá pra trás. Disse que estava economizando energia. Tentei acompanhar, mas era tão devagar que eu perdia o equilibrio. Decidi ir embora. Esperei na construção. E chegamos juntos na cidade. Paramos num posto e eu tomei sorvete e jantei. Janta ruim. Seguimos mais 2 km e paramos no único hotel da cidade.

Assisti um filme bizarro e escrevi um pouco. Dormi capotado.

L.Felipe Preparativos

29/ Junho - Dia 49 – Dryden a Ignace

July 12th, 2009

Dia 49 – Dryden a Ignace
Distância: 130,00km
Dist. Acum.: 3581,00 km

Sem novidades. Arrumamos tudo rapidinho e partimos. O vento estava louco, cada hora estava de um lado. A chuva não deu trégua e não parou de cair. Como tinhamos saido bem cedo e a proxima cidade fica a 120 km daqui, pedalamos tranquilos, sem pressa.

Pouco antes da hora do almoço conhecemos um senhor que mora em Ottawa, chamado Marcel. Ele no deu e-mail e telefone para entrarmos em contato com ele quando chegassemos lá. Ele partiu e nós ficamos numa área de descanço para cozinhar. Cozinhamos no parque e tivemos que colocar a lona em cima para proteger da chuva. Tinha um lago perto, onde lavamos a louça. Não estava tão frio, mas o vento estava forte.

Seguimos com vontade de chegar logo. Pedalavamos bem forte. A previsão do tempo dizia que amanhã o tempo melhoraria e eu estou torcendo para que eles estejam certos.

Chegando em Ignace, procuramos um hotelzinho barato. No primeiro que fomos a atendente era meio arrogante e acabamos seguindo para outro. No segundo o garoto era muito simpático e nos fez o mesmo preço do outro hotel. Ele nos ganhou pela simpatia e acabamos ficando por lá. Bom negócio, pois a internet era muito boa. Entrei em contato com pais, irmã, cunhado e namorada. Foi bom, por um lado, mas ruim de outro. Bate uma saudade imensa falar com as pessoas que você gosta quando se está longe (e sem previsão de volta).

L.Felipe Preparativos

28/Junho - Dia 48 – Kenora a Dryden

July 12th, 2009

Dia 48 – Kenora a Dryden
Distância: 140,00km
Dist. Acum.: 3451,00 km

As 4h30 da manhã eu já não aguentava mais ficar na barraca. Estava com dor nas costas de tanto ficar deitado. O Nelson também não aguentava mais. Desarmamos a favela, guardamos a barraca molhada mesmo e fomos embora. Dá um desespero ficar num lugar só sem fazer nada. Melhor pedalar na chuva do que ficar preso na barraca.

A chuva não estava tão ruim assim. Com os casacos a prova d’água, a bota para proteger o tenis e a luva de canoagem eu consegui ficar com o corpo quente o tempo todo. Só o nariz e a boca que deu uma congelada. Tive que fazer o esquema com a bandana para proteger a orelha e o pescoço. Fui escutando música para passar o tempo mais rápido e tentar esquecer o tempo ruim. O vento, porém, estava perfeito. Forte e a nosso favor.

Almocamos nu vilarejo que fica há uns 100 km de onde estavamos. A comida do restaurante, pra variar, foi hamburguer e batata frita. O Nelson reclamou que nem um velho ranzinza, hahah, mas comida é comida e temos que comer, não tem jeito, ainda mais quando a gente paga. Depois do almoco tomamos sorvete numa lojinha do lado, onde reabastecemos de água. Na sequência eu fui ao banheiro e o Nelson sumiu. Pedalei bem forte pra ver se alcançava, mas nada de ele chegar. Cheguei até a pensar que ele tinha ido para o lugar errado. Encontrei o cara 10 km depois. Isso me deixou meio bravo, pois tinha ficado preocupado.

Em Dryden ficamos num motel por causa da chuva e aproveitamos para secar as coisas molhadas. Chegamos, tiramos tudo da mala, penduramos as coisas molhadas perto dos aquecedores e fomos ao mercadinho que tinha ao lado do motel. Compramos carne moida e mais umas coisas. Comemos carne moida com arroz e molho. No motel a internet não funcionava e eu aproveitei para escrever um pouco mais. Logo dormi.

L.Felipe Preparativos

27/Junho - Dia 47 – Kenora

July 9th, 2009

Dia 47 – Kenora
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 3311,00 km

Acordamos embaixo de muita chuva. O tempo estava horrível e, as 6h decidimos que ficariamos dormindo um pouco mais para ver se pelo menos a chuva passava, assim poderiamos secar as coisas e quardar sem problemas. Quando foi umas 8h, o Peter chegou e nos convidou para tomar café da manhã com ele no hotel Best Western. Comemos um belo omelete e café com leite. Hummm delícia. Aproveitei para levar meu laptop para carregar em alguma tomada.

Na volta do hotel para o acampamento, Peter nos levou ao aeroporto da cidade. Conhecemos o helicóptero de resgate da região e toda a tripulação que estava encarregada naquela hora. E eu não tinha levado a máquina fotográfica. Ai se eu pudesse voltar no tempo pra pegar. Foi muito bacana conhecer o pessoal e ver o helicóptero de perto. Eles até contaram umas histórias de resgate.

Depois ainda fomos conhecer os aviões do corpo de bombeiros que apagam incêndios. Eles pousam na água e enchem mais de 6000 litros de água em 40 segundos. São lindos. Amarelos e gigantes. Tirei foto com o celular, mas não consegui passar para o computador.

Voltamos para o acampamento e eu e o Nelson ficamos um tempão conversando e cozinhando o almoço. Assim que eu comi, entrei na barraca e fiquei revezando tarefas: escrevendo, dormindo, escrevendo, dormindo. Falei com a Pati e dormi denovo. Dessa vez foi pra valer, com direito a sonhos e tudo mais.

L.Felipe Preparativos

26/Junho - Dia 46 – Falcon Lake a Kenora

July 9th, 2009

Dia 46 – Falcon Lake a Kenora
Distância: 82,00km
Dist. Acum.: 3311,00 km

Cinco e meia da manhã o Nelson acorda. Sempre que ele acorda na barraca do lado, automaticamente eu acordo, mas pra sair do estado de inércia demora. Não sei como ele consegue acordar a essa hora todos os dias. Resolvi perguntar. Ele disse que a luz encomoda e ele acaba acordando. Até aí normal. Mas mesmo acordando com a luz, ele age sempre como se estivesse com pressa. Nem deixa eu terminar de arrumar minhas coisas e já vai pedalando em direção a estrada. As vezes isso é chato pacas e dá a impressão que estamos aqui só pra fazer a travessia e não para curtir cada momento. O problema não é acordar cedo, é fazer tudo rápido demais, como se estivessemos atrasados para algum compromisso importante, mesmo sabendo que vamos pedalar até o mesmo horário: 18h30, 19h. Cada um tem um ritmo e temos que respeitar as diferenças e nos ajustar. Ambos.

Como eu não estava conseguindo escrever muito, porque fico muito cansado depois de 8 horas pedalando e 12 horas na estrada, pedi para que terminassemos o dia mais cedo, as 18h, assim daria tempo para eu escrever, fazer a janta, armar a barraca e as coisas dentro antes de anoitecer. Querendo ou não, sempre é bom ter uma meia hora, 40 minutos para poder refletir sobre o dia e escrever. E assim eu conseguiria acordar cedo mais fácil também.

Depois da conversa matutina, seguimos o sol (nasce no leste, pra quem não sabe.. hehe). Na estrada o vento estava fraco, mas do lado ruim: batendo na cabeça. Em compensação, o cenário mudou novamente. Voltamos a ter muitos lagos e mais árvores na estrada. Pinheiros e outras árvores altas, arvoredos e arbustos. Vi um cervo (bambi) na beira da estrada. Ele estava do meu lado e não tinha para onde ir. Quando ele me viu, saiu correndo ao meu lado e deu uns saltos absurdo. Quando achou uma clareira na mata, sumiu do mapa.

Não demorou muito para chegarmos em Ontario e a vida na terra voltou aos poucos, bem como as subidas. Que delícia, poder subir uma montanha para depois descer em velocidade. Sensacional. Eu estava pedalando bem, mas meu joelho esquerdo começou a doer um pouco. Os joelhos ficam revezando. Cada hora é um que me lembra que ele existe. Antes de Winnipeg era o direito, agora o esquerdo. Se tivesse outro joelho, amanhã seria a vez dele.

Aqui em Ontario enfrentamos uma questão preocupante. Os acostamentos não são pavimentados, ou seja, só terra e pedrisco. Meu pneu é slick, para asfalto e quando preciso ir para o acostamento por causa de algum caminhão, é fácil perder o controle e cair. Outra coisa que piora a qualidade de vida do ciclista é que aqui a estrada é pista simples, e vem carro de todos os lados. Temos que ficar de olho no retrovisor para ver o que acontece com os carros que vem atras da gente, e termos tempo de resposta para ir para o acostamento rapidinho.

Depois de 20km de constução sem acostamento ou até mesmo rodovias sem pavimento, chegamos em Kenora. Na verdade chegamos em Keewatin, uma cidade de 4 mil habitantes que foi encorporada por Kenora, e hoje é como uma zona, bairro ou coisa assim da cidade.

Em Kewaatin, cidade dentro de Kenora, um carro parou na estrada e começou a falar comigo: “Ei ciclista, o banco RBC (Royal Bank of Canada – Banco que eu tenho conta aqui) está fazendo algo na cidade e tem cachorro quente e refrigerante grátis para toda a cidade. Acho que vocês deveriam ir lá e almoçar de graça!!!”.  Bom, nem preciso dizer que a gente mudou a direção na hora e fomos para o centro de Keewatin para ver o que estava acontecendo.

Chegando lá, em frente ao banco, conhecemos a Jocelyn, o Jim, entre outros funcionários do banco que estavam organizando esse evento. Pessoal muito bacana, alegre e sorridente. Impressionante a simpatia. Jim é rotariano, coincidentemente, e ligou para o Presidente do Rotary de Kenora, Lloyd, que nos encontrou no hotel Best Western, no centro da cidade. Jim nos levou de carro até o centro de Kenora, mostrou alguns pontos turísticos da cidade e nos trouxe devola para o centro de Keewatin.

Depois desse tour, da reunião, muita conversa e uns 4 cachorros quente, seguimos viagem. Ainda tinhamos mais umas 2h30 de pedal e se o tudo desse certo, no final do dia estariamos longe. Mas o tempo não ajudou. Começou a chover e o céu ficou escuro. Não sabiamos o que poderiamos encontrar pela frente, então decidimos parar num campo de aeromodelismo para acampar. Encontramos um grupo de senhores pilotando seus aviões e helicópteros de controle remoto. Fomos bem recebidos e eles deixaram a gente acampar alí sem problemas. Ficamos conversando por horas e vendo eles pilotarem, foi bem diferente. O presidente do clube, Peter, nos levou para comer pizza no final do dia e nos trouxe de volta. Conversamos bastante sobre Forestry, um tipo de Engenheiro Ambiental aqui. Faz tudo que se relaciona ao meio ambiente. Desde estradas, mapeamento, manutenção de equipamentos, vê as árvores que precisam ser cortadas e fiscaliza tudo.

Armamos a tenda embaixo de um local pequeno que tinha cobertura para nos protejer da chuva. Doce engano, pois o vento fazia a chuva vir de lado. Colocamos a lona nas pilastras e colocamos umas madeiras para ajudar. Parecia uma favelinha, hehehe. Funcionou. Torcemos para o dia seguinte o tempo melhorar.

L.Felipe Preparativos

25/Junho - Dia 45 – Winnipeg a Falcon Lake

July 9th, 2009

Dia 45 – Winnipeg a Falcon Lake
Distância: 168,00km
Dist. Acum.: 3229,00 km

Acordamos junto com Flavia e Kevin e tentamos sair antes deles, mas não rolou. Ela fez sandwiche para todos no café da manhã e eles foram trabalhar. Terminamos de nos arrumar para seguir viagem e fomos deixar o DVD para o Ian no centro de convenções.

Foram quase 30 km para sair da cidade e, na rodovia, em direção a Kenora o vento estava louco. Girava 180˚ Entre Leste-Norte-Oeste. Tinha hora que eu parecia um “João Bobo” indo pra lá e pra cá por causa do vento lateral. Mesmo assim seguiamos bem e pedalavamos forte.

Paramos para almoçar num camping cheio de estudantes e ônibus escolares. Bem movimentado e ajeitado o lugar. Tentei tirar aquele cochilo depois do almoço, mas os pernilongos não nos deixavam em paz. Aqui em Manitoba tem muito, muito mosquito. Ainda mais por causa das chuvas e do atraso na entrada da primavera e do verão, que deixou tudo humido por mais tempo, acelerando a reprodução desses insetos chatos.

Continuamos a pedalar (novidade)… e quando estavamos mais ou menos em 120 km  paramos para comer um amendoim numa área de descanço. Lá conhecemos um casal de Quebec que estavam viajando para ver a família em Alberta com uma moto de 3 rodas e um trailer atrás. Aqui pode tudo e o que mais tem na estrada é moto com trailer.

Chegando em Falcon Lake, fomos ao mercado comprar mais comida e iamos procurar um lugar para acampar. Quando eu estava pagando as comprar, perguntei onde poderiamos acampar de graça, na maior cara de pau. E a dona do supermercado e os caixas comentaram para irmos num lugar de pique-nique na beira da praia. É um barracão coberto com 4 mesas de pique-nique e ainda tinha banheiro e bebedouro perto. Perfeito. Tirei umas fotos e conversei com a Pati no celular depois da janta.

L.Felipe Preparativos

24/Junho - Dia 44 – Winnipeg

July 9th, 2009

Dia 44 – Winnipeg
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 3061,00 km

Dia de descanço, que delícia. Adoro os dias de descanço. Dá para conhecer as cidades, passear nos parques, ir em reunião do Rotary, conhecer gente. Sensacional. Eu acordei umas 8h30h e a Flávia e o Kevin já tinham ido pro trabalho. Tomei um café da manhã padrão e um café que a Flávia tinha feito. Fazia tempo que não tomava café caseiro.

Saimos umas 10h e pouco para a reunião do Rotary de Winnipeg, no Centro de Convenções de Winnipeg. Fomos muito bem recebidos por todos. Esse foi o 1˚ clube fora dos EUA, tornando o Rotary um clube de serviços internacional. Ou seja, foi e é muito importante pana história do Rotary. Ainda mais importante pois hoje foi o dia que o novo presidente tomou posse. Uma cerimônia muito bonita. Gravei tudo em alta definição para não perder nenhum detalhe.

Nessa reunião, conhecemos Ian (ex-presidente), Neil (novo presidente), Campbell, Myrna, Peter (que é ciclista) e David (ex ministro de minas e energia de Manitoba). Ao final da reunião, o pessoal me convidou para fazer uma palestra lá no dia 16 ou 23 de setembro, mais ou menos o período que estarei em Winnipeg novamente para o casamento da Flávia. O casamento é dia 20, vou fazer o possível para ir.

Depois da reunião, David nos levou para um tour na cidade. Conhecemos o Parlamento, onde ganhamos muitos broches de Manitoba, depois fomos a um parque cheio de ursos de concreto que foram feitos em prol do cancer. David tem um urso que ele e a esposa compraram. Fomos também ao escritório de David, que é dono de um escritório de advocacia e demos uma volta no centro comercial subterrâneo.

Depois do tour fomos no The Forks, onde rios se encontram tem um mercado municipal bacana, onde almoçamos. E na sobremesa, adivinha? Sorvete. Comprei um sorvete e fiquei conversando com o dono da sorveteria. Um senhor muito bacana e simpático. Ele nos deu frozen e no meio do papo acabou me dando a receita do Frozen. Está na minha cabeça.. (se eu bem me lembro, já devo ter esquecido).

Na volta, tomamos uma cerveja num pub e assistimos baseball. Quase dormi no pub, esse jogo é chato demais. Enquanto estavamos lá começou a chover. Pedalamos na chuva com muito vento contra (vento bom se estivessemos indo para o Leste), faz parte. Chegamos na casa da Flávia ensopados. Tomei um banho e depois ficamos conversando na sala até a hora de dormir. Todos foram dormir e eu fui gravar um DVD da reunião do Rotary para o Ian, ex presidente do RC Winnipeg. Acabei de gravar o DVD eram quase 1h30 da manhã. Fui dormir acabado.

L.Felipe Preparativos

23/Junho - Dia 43 – Portage la Prairie a Winnipeg

July 4th, 2009

Dia 43 – Portage la Prairie a Winnipeg
Distância: 110,00km
Dist. Acum.: 3061,00 km

Hoje quem dormiu até as 8h fui eu. Precisariamos pedalar 80km até Winnipeg, e com vento a favor seria questão de 2h30, 3h no máximo. Acho que o Nelson ficou puto. Ele me acordou umas 6h30 todo contente e eu sugeri dormimos até mais tarde. Chegou uma hora, quando eu arrumava minhas coisas dentro da barraca que ele veio e disse (com voz de puto): “Vai ficar aí dentro o dia todo??”. Achei estranho, mas já estava tudo quase pronto. Ele saiu e foi com a bicicleta dele lá para a entrada da casa, na frente da estrada. Eu pensei que ele já tinha ido embora, mas quando eu saí da casa ele estava lá esperando. Essa foi inédita, não esperava vê-lo na porta.

O vento estava perfeito e pedalava forte. Se eu tivesse uma pipa ou vela na bicicleta, acho que a bike ia entortar e o velocimetro ia quebrar, de tão forte que estava. Eu fui escutando uma música eletrônica para dar aquele gás. Mantivemos quase 28km/h de média e antes do almoço já chegamos na cidade grande. Parei num posto para ver onde era a bicicletaria e a casa da Flávia. Um cara muito bacana me abriu um mapa gigante da cidade no balcão do posto e me mostrou ponto a ponto, esquina a esquina. Perfeito.

Fomos até a bicicletaria e eu troquei aquele meu pneu de cravo para um slick novamente. Ai que saudade do meu pneu de estrada. O barulho do pneu de cravo na estrada desanima. Parece um caminhão fazendo aquele ruido chato no chão. O Nelson trocou o pneu dele também. Agora nós tinhamos pneus reservas novamente.

Almoçamos num restaurante Grego do lado da bicicletaria. A dona do lugar é sensacional. Uma senhora grega que veio para o Canadá há muito tempo. Ela me contou a história toda das indas e vindas dela e da família para cá e me dava uns conselhos. Lembrava minha mãe. Até fisicamente ela lembra minha mãe. Conversamos bastante até a comida chegar. O Nelson, sem entender nada, quase dormiu na mesa enquanto a gente papeava.

Depois da comida, muito boa por sinal, fomos até o centro de Winnipeg. Fomos no centro de infos turísticas e eu peguei um mapa da cidade feito para ciclistas. Esse mapa eu só tinha visto em Vancouver. Tem todas as ruas que tem ciclovia e as que são boas para pedalar sem que o trânsito encha a paciência.

Demos uma volta e seguimos para a casa da Flávia, que era meio longe. Nós tinhamos marcado as 18h na casa dela e praticamente chegamos lá junto com ela. Finalmente conheci a amiga do Thyago e da Marina cujo casamento eu me convidei para ir. Hahaha. Já que meus amigos vão estar no Canadá e eu vou me encontrar com eles, acabei me convidando..hahah. Isso já faz mais de ano que eu tinha avisado. Haha. Cara de pau? Não, quase nada.

Enfim, conheci a Flávia e o noivo, Kevin. Muito bacanas e tem tudo a ver um com o outro. A história deles é sensacional e quando a Flávia nos contou, ela até chorou. Mulher apaixonada.

Jantamos na casa dela. Ela fez um jantar bacana e, depois de conversar bastante fomos todos dormir.

L.Felipe Preparativos

_____!

July 1st, 2009

Vocês ainda não sabem, mas a gente vai completar 4.ooo km amanhã. Eta beleza.

Estamos em Thunder Bay. Mais pra frente coloco os posts novos.

See ya!

L.Felipe Preparativos

22/Junho - Dia 42 – Douglas a Portage la Prairie

July 1st, 2009

Dia 42 – Douglas a Portage la Prairie
Distância: 114,00km
Dist. Acum.: 2951,00 km

Acordei umas 4h30 e tomei um susto danado. Uma aranha entrou na minha barraca durante a noite e fez uma teia bem em cima da minhas malas. Ela passeou na barraca inteira e fez toda a teia muito bem estruturada em todos os cantos da porta da minha barraca. Ela estava bem no meio da simétrica e bonita teia. Fiquei pensando como mataria ou tiraria aquela bela aranha da minha barraca. Peguei duas panelas e acabei com o arácnideo. Foi praticamente um assassinato. Fez um barulhão e o Nelson nem deu trela, roncava lá na outra barraca.

Depois do fato eu arrumei tudo dentro da barraca e comi uns 4 pães com geleia, uma banana e um leite com cereal. Dessa vez o café da manhã foi completo e não teria como eu passar mal denovo. As 6h tudo estava pronto e eu dentro da barraca, escrevendo. O Nelson roncando. 6h30 ele acorda e me fala: “Vamos dormir mais porque hoje a gente tem vento contra não precisamos pedalar muito até a próxima cidade. Depois fica fácil chegar em Winnipeg com vento a favor amanhã”. (a gente viu a metereologia no dia anterior).

Fiquei com a cara no chão, com tudo pronto. Enchi meu colchão denovo e fiquei escrevendo até dormir denovo. Quando foi umas 8h30 o Nelson me acorda e tomei um segundo café da manhã junto com ele. Praticamente um ogro. Até eu colocar a barraca dentro da mala o Nelson já tinha partido fazia tempo. Segui e, dessa vez, rapidinho eu alcancei o companheiro. Alcancei e passei. Eu tava com a macaca, parecia o Lance Armstrong manco, dando meu máximo.

Chegando na entrada de Brandon, paramos para comprar suprimentos. A cidade deve ter uns 100 habitantes e tem uma merearia cuja dona é muito simpática. A senhora muito sorridente e solícita. Queriamos comprar, entre outras coisas, azeite pois o nosso tinha acabado. As latas de azeite aqui tem mais de litro e não tinhamos como comprar. Perguntei para a dona se ela tinha uma garrafa de azeite menor e ela abriu o azeite da prateleira, completou nossa garrafinha com azeite novo e falou que o azeite dela tinha acabado e ela ia ficar com o resto da lata. Azeite gratis.

Compramos ovos, cebola, alho, uns temperos e salsicha. Acabamos cozinhando do lado de fora da mercearia. O Nelson fez um omelete. 6 ovos cada um, 1 cebola inteira e 4 dentes de alho mais um pacote de salsicha. Nuss. Quanta comida.

Seguimos adiante e 70km depois chegamos em Portage la Prairie. Paramos num hotel para pegar um mapa da cidade. Acabamos ficando mais tempo no hotel pois tinha internet e ainda era umas 5h, tinhamos tempo para achar um lugar para acampar. O Nelson foi para a internet e eu fui escrever no computador. Minha net não funcionou e eu fiquei com o computador e meu diário passando tudo a limpo.

Na saida do hotel, esqueci meu diário lá. Na verdade, acho que eu deixei ele em cima do trailer quando fui colocar o laptop na mala e ele caiu no chão e eu não percebi. Faz parte. O camping era longe daonde estavamos, mas pertinho do hotel achamos umas casas com uns jardins bem bacanas. Chegamos na primeira e não tinha ninguém. Na segunda também não tinha. Partimos para a terceira e tinha uma senhora sentada lendo um livro nos fundos. Quando eu cheguei ela tomou um susto e quase teve um infarto. Até o gato pulou de susto. Ahahah.

Essa senhora nos deixou acampar no jardim dela e nos ofereceu banho. Tomei banho e quando voltei para a barraca, tinha tanto pernilongo que eu achei que eles iam levar minha barraca pra longe. Nossa… nunca tinha visto tanto pernilongo num mesmo lugar. Não entendi como a senhora lia o livro dela no lado de fora da casa e nem ligava pros insetos.

Na hora de cozinhar a janta, eu preparei toda a comida dentro da barraca e o Nelson, vestido de manga comprida, calça, tenis e boné, cozinhou do lado de fora. Na hora de comer, passei meu prato pela porta da barraca e comi dentro da barraca mesmo. Tá louco que eu ia sair para ser devorado pelos pernilongos. Nem a pau, Juvenal.

Escovei os dentes rapidinho do lado de fora da barraca, lavei as louças e capotei.

L.Felipe Preparativos

21/Junho - Dia 41 – Virden a Douglas

July 1st, 2009

Dia 41 – Virden a Douglas
Distância: 102,00km
Dist. Acum.: 2837,00 km

Acordamos pela manhã e eu tomei um café a base de cereal e chocolate com leite. Descançados e com o banho em dia continuamos nossa jornada. O sol castigava logo cedo. Não tinha uma nuvem no céu. Apesar do descanço da noite anterior eu pedalava fraco demais. Chegava a ficar uns 2 km de distância do Nelson.

Procuramos lugar para almoçar, mas estava difícil de arrumar uma sombra. Avistamos uma fazenda e era a única coisa que tinha aparecido há muito tempo. Chegamos lá e eu fui falar com o dono do lugar. Ele me olhou com um olhar arrogante e disse que não poderiamos cozinhar na grama. Ele disse que era pra evitar que houvesse queimada (???). Ok. Seguimos adiante e achamos um restaurante. Fechado. A única coisa que tinha era bancos embaixo do sol e uma máquina de refrigerante. Na casa do vizinho tinha 2 árvores boas, cheia de folha e sombra. Não tivemos dúvida. Já começamos a cozinhar, eu peguei um refrigerante para variar o cardápio e tiramos um cochilo depois de comer.

Na saída do almoço o Nelson já desparou na frente e eu fui indo devagar. Aquele sol estava ainda mais quente e dava pra sentir o calor vindo do asfalto. Comecei a me sentir mal e achei que fosse hipoglicemia. Abri uma barra de cereal com doce, tirei a camiseta de manga comprida (proteção solar) e fiquei só com a de ciclismo. Joguei um pouco de água na nuca e voltei a pedalar. Nada. Sem resultado. Fui indo devagarzinho e continuava meio tonto. O acostamento foi ficando cada vez menor, até que sumiu o asfalto do acostamento e só ficou o pedrisco. Fiquei meio com medo porque a pedalada estava meio bamba e o Nelson lá no horizonte. Joguei mais água na cara e fui indo. Desliguei o som e fui concentrando na pedalada e na respiração. Foco na missão.

Pouco mais tarde o sol deu uma amenizada por causa de uma nuvem grande. Me sentia bem melhor. Parecia que tinha tomado um banho gelado (nem tanto) e voltei a pedalar sem problemas. Quando me aproximei do Nelson, muito tempo depois e sem acostamento, um carro com uma mulher louca começou a buzinar sem parar lá longe. Nós, olhando no retrovisor para ver o que a mulher queria e ela na faixa da direita com o pé no acelerador buzinando e um caminhão do lado esquerdo. Acho que ela devia estar apostando corrida com o caminhão, não é possível. Saimos da estrada e fomos para o acostamento de pedrisco. Quase caí por causa do pneu fino de asfalto, mas tranquilo, tudo sob controle. Ela passou e voltamos para a estrada. Esse foi o primeiro carro que nos dá problema em quase 3 mil km. A estatística tá boa, considerando os fatos e comparando com o Brasil. Imagina 2 bicicletas “passeando” na BR 111. Morte certa e merecida? Nem louco.

Chegando na entrada de Brandon, paramos para comer um pão com geleia. O Nelson me alertou que café da manhã com cereal não sustenta e eu deveria comer mais. Esse era o segundo dia na base de cereal e meu desempenho caiu drásticamente por causa disso. Tranquilo. Seguimos e não demorou muito, achamos uma fazenda que tem um aeroporto para aviões de pequeno porte que jogam “defensores agrícolas” (essa é para o Renan) nas plantações. Esse lugar fica entre Brandon e Douglas. Lembramos que nossa comida estava acabando e jantamos arroz (com banana. Essa mistura é animal). Dormi feito criança.

L.Felipe Preparativos

20/Junho - Dia 40 – Wapalla a Virden

July 1st, 2009

Dia 40 – Wapalla a Virden
Distância: 98,00km
Dist. Acum.: 2735,00 km

Hoje o dia, de maneira geral foi bem pacato. Acordamos no parque de diversões e arrumamos tudo bem rápido. Tomamos um cafézão da manhã e eu terminei de colocar a comida na mala. O Nelson já tinha ido pra estrada. Quase todos os dias ele termina de arrumar tudo antes e já vai saindo sem falar nada. Tem hora que enche o saco e tem hora que eu não ligo.

Na estrada o vento parecia um tufão. Uma hora tava de um lado, outra hora mudava pra outro. Normal. Acho que aqui é assim mesmo. Vamos ter que nos acostumar. Na hora do almoço paramos num vilarejo e fiz aquele almoço embaixo de uma árvore. O Nelson deu aquela cochilada e eu fiquei escutando um som pra animar. Na parte da tarde o vento continuava bagunçando tudo e nada de novidades. O som bombando e nós chegando na próxima cidade, Virden.

Logo na entrada da cidade vimos uma casa com um baita gramado gigante. Pensamos na hora que deveriamos tentar acampar naquele jardim. Fomos até lá e batemos na porta. Um senhor todo desconfiado atendeu. Eu me apresentei, estiquei minha mão para cumprimentá-lo com o sorriso na cara e ele me perguntou, com a mão no bolso: “Em que posso te ajudar?”. O Nelson lá atrás pensou junto comigo: “Danou-se, o cara vai puxar a pexeira, soltar os cachorros e nos botar para correr”. Doce engano. Quando eu falei que era brasileiro e que só queria um pedaço de grama para acampar, o cara abriu abriu um sorrisão, estendeu a mão e me cumprimentou. Acampamos no jardim do Sr. Moe e ele nos ofereceu chá e banho. Aceitamos felizes e gratos.

L.Felipe Preparativos