Dia 22 – Beauty Creek Hostel International a Waterfowl Campground
Distância: 92,30 km
Dist. Acum.: 1331,94 km
Acordamos cedinho e tentamos não fazer barulho pra não acordar o pessoal do Hostel, que estava no mesmo quarto que nós. É um dormitório com várias beliches e com uns armários para colocarmos as malas. Todo mundo dorme no mesmo lugar. É bom para conhecer gente nova, mas não deve ser bom quando se quer sossego.
Antes de sairmos do hostel percebemos que o termômetro apontada 0˚C, e no estacionamento havia um carro encoberto com gelo. Já na estrada o vento estava querendo soprar em nossas cabeças, mas pela manhã não venta muito e só tem uma brisa que nos dá uma idéia de como será o dia. Eu estava meio devagar essa manhã. Sabe, as vezes eu não funciono muito bem pela manhã.
O cenário estava perfeito, mas ainda tinhamos que atingir os 2 mil metros de altitude. Por isso, eu estava um pouco tenso, já que não sabia quão tensa seria essa subida. O vento começou a soprar mais forte quando o sol subiu. O frio não incomodava por causa do sol, mas o vento em trecho sem sol era bem de frio.
Passamos por cachoeiras e a estrada inteira acompanhava um rio bem bonito, com águas azuis e verdes, dependendo do sol e do solo. Acho que nunca vi tanta montanha em volta de uma estrada com neve em todo cume. Pode parecer o mesmo cenário, pra quem não presta atenção, mas cada montanha tem sua particularidade e beleza própria. Eu não cansei de olhar para todas elas por incontáveis vezes, e a cada vez eu achei uma beleza diferente.
Hoje subimos realmente muito, e paramos bastante quando tinhamos a oportunidade, para descansar a musculatura. O vento não deu trégua e foi um dia bem difícil. Chegamos no Columbia Icefield Centre depois de 30km, e já era hora do almoço. O dia paracia não ter rendido e a gente não sabia se ia chegar no camping que tinhamos programado.
Dentro do Columbia Icefield Centre tem um Hotel, um Restaurante e um esquema de escursão na neve, com uma espécie de ônibus com umas rodas gigantes, que eles chamam de Ice Explorer. Em volta desse lugar não tem nada, a não ser neve. É engraçado, mas quando a neve derrete, tudo aqui fica árido e muito seco. Ao estacionar as bicicletas, percebi que a Silvia e seu companheiro também tinham parado para almoçar lá e acabamos nos encontrando mais uma vez. Almoçamos os 4 juntos e escrevemos um cartão postal para mandar para uma professora nossa em Vancouver.
Logo que acabamos de almoçar, eu e o Nelson continuamos a pedalada, pois ainda tinhamos mais 70km para chegar no camping, e com o ritmo que estávamos, não chegariamos antes do sol se por. Pedalamos mais uns 8km e chegamos no primeiro trecho mais alto da viagem. 2 mil metros de altitude. Tiramos algumas fotos, mas infelizmente não havia nenhuma placa dizendo a altitude. Sabiamos por causa do mapa que pegamos no centro de informações turísticas.
Depois desse trecho pegamos umas descidas bem legais e bem íngremes. A vista era sensacional (e o vento contra, fazendo a gente pedalar na descida). Depois de um tempo descendo, chegou um trecho mais ou menos plano e logo começou a subir denovo. Vimos umas nuvens muito estranhas no céu, muito carregadas. Parecia que viria uma tempestade, mas a não tinha cor de nuvem, parecia fumaça, cinza. Chegando próximo há um posto (o único nessa estrada), tinha uma placa escrito “Fogo programado”. O corpo de bombeiros programa um dia certo para queimar a mata com pragas ou trechos com infestação de pragas. Fiquei bem assustado com isso, pois não dá pra pedalar com toda a fumaça que estaria por vir.
Chegando no posto, paramos na barraca do corpo de bombeiros, que estava fazendo plantão devido ao fogaréu, e eles nos falaram que não teriamos problemas, pois o fogo era em outra estrada, próxima. Ficamos aliviados com a notícia. Reabastecemos nossas garrafas com água no restaurante do posto e na saída encontramos o Al novamente (o motorista que nos levara para Jasper), conversamos 5 minutos e seguimos viagem.
Paramos num canyon na beira da estrada para tirar umas fotos e apreciar a paisagem, mas com toda aquela fumaça no céu, tudo começou a ficar escuro mais cedo e o sol ficara laranja. 90 e poucos km depois, vimos um lago. O sol, laranja, refletia tudo no lago. A montanha, as árvores, as nuvens, tudo estava duplicado nesse lago. Muito bonito.
Pouco mais pra frente, na beira do lago, avistamos a placa do camping que iamos ficar e imediatamente ficamos aliviados. Esse camping estava fechado, mas entramos mesmo assim e colocamos nossas barracas dentro de um barracão que tinha mesas e fogões a lenha para o pessoal almoçar. Quando preparamos tudo, jantamos e fomos pendurar as malas de comida no teto de outro barracão igual ao que estávamos, eis que olhei para o lago e vi o por do sol mais bonito de todos. Tudo laranja, iluminação perfeita, montanhas ao fundo, patos nadando na beira do lago. Tirei mil fotos e fui dormir com sorriso na cara, feliz da vida.
L.Felipe Preparativos