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Archive for June, 2009

Salve galera

June 29th, 2009

Muito tempo sem atualizar o site… muito tempo sem internet… e quando temos internet, temos mil outras coisas pra fazer também.

Eu tentei atualizar as fotos aqui no site, mas não sei o que fiz que acabei tirando todas as fotos que tinha antes. Não entendi o que aconteceu. Mas pelo menos eu atualizei no facebook…

Bem, para não perder o gostinho, não coloquei todos os textos aqui. Ainda vou dar uma repassada nos que faltam colocar, mas o mapa está atualizado, se quiserem saber onde estou. Estamos quase na metade do caminho.

O tempo aqui está chuvoso e dá uma angústia danada. Ainda mais pq vamos entrar numa zona que não pega celular e não deve ter internet tbem.

Bjos e até.

L.Felipe Preparativos

19/Junho - Dia 39 – Regina a Wapalla

June 29th, 2009

Dia 39 – Regina a Wapalla
Distância: 214,50km
Dist. Acum.: 2637,00 km

Começamos a pedalar as 6h45. Cedo? Nada. Tava quase dormindo em cima da bicicleta. Lembrei que meu pneu tava gasto pra caramba e deveria ter trocado ontem. Cabeção. Era muito cedo e nenhuma loja estaria aberta para comprar pneu novo. Decidi ir até aonde dava com esse pneu e caso rasgasse eu trocaria pelo pneu de terra que tenho na mala para casos como esse. Esse foi o primeiro pneu que eu gastei até o último. Pra terem uma idéia, todos os pneus que eu tive nas bicicletas vieram com elas e eu nunca tive que trocar. Mas, depois de mais de 2.600km e muito peso, não tem jeito. Vamos ver até onde vai.

Na saída da cidade encontramos Peter, do Rotary Clube. Ele fora nos encontrar para tirar fotos de nossa partida e para desejar boa sorte. Realmente a boa sorte dele nos ajudou muito hoje. O vento estava forte, mas dessa vez para o lado certo, batendo em nossas costas. Que delícia. Seguimos o dia inteirinho com o vento nas costas. Para ter uma idéia, depois de 2 horas de viagem pedalamos 72km, foi quando meu pneu furou. Troquei rapidinho, coloquei o pneu de terra e paramos numa cidade há 12 km dali para almoçar.

Almoçamos rapidinho e seguimos para não perder o vento. Dali em diante paramos uma vez para colocar suco na água e tomar sorvete na estrada. Eu ia olhando o computador da bike e ia dizendo em voz alta: 100km… 120km… 160km… quando batemos os 180km paramos num posto, tomamos sorvete e fizemos um pão com geleia para reforçar. Já era umas 17h e ainda tinhamos mais pelo menos 2 horas de pedal. Dormimos um pouco na mesa de pique-nique do posto e seguimos.

Falamos para nós mesmos que iriamos tentar bater os 200km, mas quando deu 198km eu achei uma casa perfeita para tentarmos acampar. Minhas dores nas juntas assadas já voltavam a lembrar que existiam. (no dia todo elas tinham sumido graças ao santo Hipoglos que eu trouxe na mala). Seguimos mais um pouco pois vimos no mapa que teria um vilarejo mais pra frente. Acabamos pedalando até Wapalla, 17km mais pra frente. Ao chegarmos na cidade, conversamos com algumas pessoas que estavam em frente de suas casas, mas recebemos só respostas negativas para acampar nos jardins. Já tava na hora mesmo de recebermos “não” como resposta. Estavamos ficando mal acostumados.

Acampamos num parque com um parquinho de criança na frente. Vários brinquedos, Gira-gira, cavalinho, escorregador. Uma diversão só. Ahahhaa.. Jantamos e capotamos.

L.Felipe Preparativos

18/Junho - Dia 38 - Regina

June 29th, 2009

Dia 38 – Regina
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 2422,50 km

Acordamos não tão cedo e fomos fazer um conference call no skype com o Rotary de Curitiba. Eu e o Nelson no computador e todos os membros do Rotary do outro lado nos vendo no telão. Foi uma experiência muito interessante. O Nelson falou rápido pra xuxu e contou como está sendo a nossa viagem e os contatos com os Rotarys daqui.

Depois do conference, fomos para uma reunião do Rotary de Regina. Chegando lá conhecemos a presidente de 2010/2011. Muito simpática e mostrou interesse sobre nossa história e projeto. A reunião foi muito legal e no momento que fomos apresentados, todos cantaram e vieram nos cumprimentar para dar boas vindas. Depois falamos um pouco sobre o que estavamos fazendo alí. Um dos membros do clube, Peter, também é ciclista e é ex-governador do distrito, tirou muitas fotos e foi muito simpático.

Depois da reunião fomos dar uma volta na cidade. Fomos no museu de história, onde vimos muitos esqueletos de dinossauros encontrados na província e muita história de como era a vida antigamente com os índios e como foi a transição do índio para o homem branco. O museu muito bacana e técnológico. Vários sensores de movimento para saber onde a gente estava e automaticamente as luzes se acendiam, a história começava a ser falada e alguns bonecos se moviam.

Depois do museu fomos até o parque da cidade. Muito bonito e tem várias pessoas treinando caiaque e remo. Esses são os esportes de verão mais importantes aqui. Demos uma bela caminhada, mas não conhecemos o parque todo (é gigante, acho que umas 5x o tamanho do parque ibirapuera em São Paulo). Só pra ter uma noção, o museu e vários prédios da Universidade de Regina ficam dentro desse parque. Tem um lago imenso.

Depois fomos ao mercado e voltamos para o Hostel. Cozinhamos, conversamos, mudamos de quarto e dormirmos bem demais. Ninguém para nos encomodar.

L.Felipe Preparativos

17/Junho - Dia 37 – Caronport a Regina

June 29th, 2009

Dia 37 – Caronport a  Regina
Distância: 100,00km
Dist. Acum.: 2422,50 km

As 5h30 da manhã o Nelson já me desejou feliz aniversário. Ele até cantou a musica por uns 5 segundos. Foi engraçado. 6h da manhã, ligo o computador e o Desmond, grande amigo e irmão de coração que mora na Alemanha, me liga no skype e conversamos por meia hora. Fazia muito tempo que não falava com ele desse jeito. Nos atualizamos sobre os assuntos Canadenses e Alemães. Depois foi a vez dos meus pais. Conversamos por mais um tempo e várias felicitações pela data e por mais um ano de cabelos caindo. Manhã agitada.

As quase 7h Wayne nos trouxe leite, cereais, frutas, entre outras coisas para comermos no café da manhã e barras de cereal, feijão enlatado e outras comidas enlatadas para levarmos na viagem. Muito bacana da parte dele se preocupar com a gente. Nós arrumamos as coisas depois do café da manhã e partimos.

Para não fugir do costume, vento na cara. Pedalávamos forte e o Nelson estava há uns 300 metros de mim. Resolvi parar para colocar suco na garrafa de água e do nada o Nelson me atropela. Ele bateu a bicicleta dele na minha, parada. Imagina? Ele estava viajando, olhando para baixo, pensando na morte da bezerra numa subida. Meu paralama entortou e acabou quebrando a peça que segura o paralama no trailer. Tranquilo, dei risada até não poder mais. Tipo, ele estava muito, muito longe. Não tinha como não ter visto. Hahaha.. enfim, consertei o paralama com Silver tape e seguimos, gargalhando.

Na hora do almoço, paramos numa fazenda na beira da estrada. Não tinha ninguém na casa, só um senhor trabalhando na garagem, que nos autorizou a cozinhar o almoço na sombra do jardim. Era um jardim imenso. Uns 10 minutos depois, chega um carro apressado com um casal dentro. Eram os vizinhos. O homem veio conversar com a gente para saber o que faziamos alí e a mulher foi em direção a casa. Descobrimos que tinha uma menina dentro da casa e ela ficou assustada com a nossa presença. Logo eu resolvi tudo e falei que tinhamos pedido autorização para estar alí, etc…

Os vizinhos não confiam muito na garota e disseram que ela mente muito e deveria estar na escola. Depois que eles foram embora, a garota saiu da casa com 2 cachorros. Pensei que ela ia soltar os cachorros na gente, mas em vez disso, ela maltratava os pobres coitados. Chutava, batia com a coleira, jogava água, gritava com eles sem razão. Sem noção mesmo. Deve ter algum problema mental ou psicológico. Um dos cachoros veio conosco e eu fiz carinho nele. Ele gostou, apesar de ser um pouco assustado (eu ficaria assustado com qualquer um se me dessem porrada todos os dias). Ficou conosco uns 10 minutos tranquilão, sentado perto de mim. Quando a garota percebeu, ela gritava pra ele entrar na casa. Ficou gritando mais de 10 minutos. Lembrei da minha falecida cachorra, a Pretinha, as vezes ela dava umas ignoradas pesadas e nem dava trela pra quem chamava.

Depois do almoço dormimos uns 15 minutos e seguimos. O vento havia mudado de direção, por incrível que pareça. Em uma hora pedalamos mais de 30 km. Foi a coisa mais sensacional e motivadora da face da terra. Parecia presente de aniversário. Mas durou só uma hora. Nos arrastamos para chegar em Regina.

Falando em Regina, eu avistei a cidade lá no horizonte e fiquei imaginando quão longe estaria. Marquei no computador. Foram outros 30 km se arrastando para chegar na cidade. O Vento, com nome maiúsculo, foi bravo e forte demais, acho que não pegava um vento assim desde Banff, quando nevou. Decidimos entrar por uma rua lateral da cidade para sair do vento contra Foi uma decisão boa.

O Nelson queria acampar em algum canto e eu queria ir direto para o Hostel. Acabamos indo para o Hostel, mas me arrependi profundamente. Aquele lugar é deprimente, com pessoas deprimentes. Afe. Sabe quando só tem gente pra baixo? Tá louco. O pior é que haviamos pagado por 2 dias. Decisão ruim a minha. Mas não tem jeito, um dia a gente acerta e outro a gente erra. Arrumamos tudo, tomamos banho e fomos dar uma volta na cidade. A cidade não tem mais de 200 mil habitantes. Pequena, quase do tamanho de São José do Rio Preto, mas com a infra-estrutura de São Paulo.

Jantamos num restaurante japonês. Só tinha a gente no restaurante. O povo aqui janta umas 19h, e a gente chegou as 21h. Foi interessante comemorar o aniversário num lugar vazio. Hahaha.. e ainda por cima a única atendente do restaurante era japa e mal entendia o inglês. Comemos até as tampas e tomamos umas cervejas pra comemorar. As 22h em ponto a garçonete nos deu a conta e pediu para pagarmos pois ela tinha que fechar o caixa. Estavamos no meio da janta, achamos estranho, já que queriamos tomar mais cervejas.

Bom, depois da expulsão do restaurante, fomos num bar agregado ao restaurante, que era dentro de um Hotel. Uma confusão. Hahaha. Chegamos lá e era um karaoke. Pensei que estava no meio de um filme de cowboy americano. Só gente horrível, gordos, velhos, cantando e dançando musica country com aqueles chapelões de peão. OoooOOOooOO boiadero véio. OooOOooOOo cowboy viado… dei altas risadas nos 2 minutos que consegui ficar lá dentro.

Saimos e voltamos para o Hostel. No quarto tinham mais 6 camas, das quais 4 estavam ocupadas. Não vou falar sobre as pessoas, não quero passar a impressão errada sobre elas e sobre a cidade em geral. A questão principal foi: 2 deles roncavam feito uns animais. Não dava para dormir, era impossível. Imediatamente liguei o computador e coloquei o fone de ouvido para escutar música. O Nelson não tinha essa opção e acabou dormindo no corredor do Hostel. Sem noção. Afe. Terrível.

L.Felipe Preparativos

16/Junho - Dia 36 – Herbert a Caronport

June 29th, 2009

Dia 36 – Herbert a Caronport
Distância: 110,00km
Dist. Acum.: 2332,50 km

A noite foi tranquila. Eu dormi feito criança. O Nelson reclamou um pouco do barulho da estrada. Não ouvi nada. 6h30 da manhã estavamos acordando. Rapidinho arrumamos tudo e fizemos um café da manhã. Fomos nos despedir do Max e da Hedi e seguimos viagem. O vento castigou o dia todo.

Fora o vento, começaram as assaduras. O calor faz a gente soar demais e a virilha e bunda começaram a encomodar. Eu fico na mesma posição o dia todo, pedalando e raspando a pele uma contra a outra. Uma hora tem que machucar, não tem jeito. Seguimos até Chaplin, cidade que almoçamos, e fomos no centro de atrações turisticas, que tinha um mini museu, falando sobre a história da cidade. Chaplin é conhecida por ter muito sal, que seca no verão. A cidade tem uma fábrica muito grande de sal e há montanhas gigantes de sal branco que vai para a refinaria. Nesse mini-museu tem uma maquete bem grande da dessa indústria, mostrando como o sal é processado. Muito bacana.

Depois do almoço demos aquela cochilada na sombra e continuamos pedalando. O vento não parou de soprar. As assadura encomodava demais e começei a pedalar com uma perna só para mudar a posição no selim. O guidão da minha bicicleta não proporciona várias posições para o braço e isso faz com que eu não tenha como mudar muito de posição no selim. Fui variando a perna, ficava 5 minutos pedalando com a perna direita e a esquerda paradinha, e vice-versa. Assim foi até o final, perna esquerda, perna direita, ambas as pernas, 5 minutos cada.

É impressionante como nossa cabeça fica ruim quando temos algum problema físico ou quando alguma coisa nos emcomoda muito. O desempenho vai lá para baixo, mesmo se vc tem toda a energia do mundo, sua cabeça não manda o sinal certo para as pernas, para o pulmão, para o coração. Seu organismo fica em marcha lenta.

O Nelson estava puxando o ritmo, e eu ia tentando acompanhar da maneira que dava. As vezes pedalava um pouco de pé, ou só ficava de pé na bike para aliviar. Chegamos em Caronport as 19h. Tentamos acampar nos bombeiros, mas não havia ninguém. Os bombeiros são voluntários e só vão para o galpão quando tem alguma emergência. Depois fomos até a polícia, mas o quartel fecha as 17h. (dá pra imaginar?). Seguimos para dentro da cidade e vimos uma senhora cuidando do jardim. Perguntamos se ela sabia onde ficaria o camping da cidade. Ela, Eveline, disse que era longe e recomendou um hotel perto da casa dela. No meio do papo, contei do projeto e ela nos convidou para ficar na casa dela, pois ela recebe estudantes e felizmente tinha um quarto disponível. Uhuuu!

Logo colocamos as nossas coisas no quarto, o Nelson ajeitou o sofá-cama e eu a cama. Tomei banho e depois fiquei conversando com o vizinho, Calvin, 14 anos, garoto interessado sobre viagens e sobre nossa história. Ele quer dar a volta ao mundo um dia e viajar muito antes de entrar na universidade. Depois fui conversar com a Evelin um pouco. Contei minha história e meus objetivos indo pro Canadá. Ela parece ter se identificado com meus objetivos. Logo fui ajudar o Nelson com o jantar. Já eram quase 21h. O Calvin ficou conosco na hora da janta e experimentou o arroz com carne moida “a la brasileira”. Logo a mãe dele veio buscá-lo e nos trouxe 2 potes de geleia.

A família veio da África do Sul e venderam tudo lá para o pai, Wayne, ex-pastor, fazer um mestrado na universidade e a mãe trabalhar como enfermeira do hospital da cidade. Wayne me contou a história toda da família e como foi a ida deles para o Canadá depois do jantar, enquanto todos dormiam, conversamos horas sobre a imigração, religião, cultura e diferenças entre os 3 países (África do Sul, Brasil e Canada). Logo fui dormir também.

L.Felipe Preparativos

15/Junho - Dia 35 – Swift Current a Herbert

June 29th, 2009

Dia 35 – Swift Current a Herbert
Distância: 50,00km
Dist. Acum.: 2212,70 km

Tomamos café com toda a família, que nos acolheu super bem. Foi um café da manhã reforçado. Tinhamos que esperar até as 9h para ir na bicicletaria ver o esquema do câmbio traseiro do Nelson que ainda estava incomodando ele. Tranquilo. Eu não tinha que ver nada lá, mas a necessidade de um é a necessidade do grupo. (no meu ponto de vista).

O Gary nos acompanhou e pedalou conosco até a bicicletaria de um amigo por um caminho muito bacana, dentro de um parque. Esse parque tem mais de 16km de ciclovia. Sensacional. Chegando na bicicletaria, adivinha? Fechada. Só abre as 10h. Perderiamos mais uma hora, mas o Dan, dono da loja, estava lá dentro com o filho. Eles abriram a porta pra gente e começou a arrumar a bike do Nelson. Tira cabo de freio, câmbio, troca tudo e põe novo. Regula aqui, regula alí. Pronto. Perfeito.

Depois de ver a geral que ele deu na bike do Nelson, deixei minha bike na mão dele para ele dar uma olhada. Arrumou a gancheira do câmbio traseiro, regulou os freios e pronto. Perfeito. Aproveitei para colocar um espelho retrovisor. Eu estava sentindo falta em alguns trechos da estrada. Espelhinho forte esse. Acho que dura. Quanto é? – perguntei pro Dan, dono da Big Sky Cycles – Nada. Zero. Gratis. Cortesia. (???) Pronto. Perfeito mesmo. Kkk. Ele só nos cobrou o espelho e alguma outra coisa que o Nelson levou. O serviço foi cortesia da cidade, para nos ajudar a seguir nosso caminho sem problemas futuros. Ficamos muito agradecidos!!! Valeu Dan!!

Acabou essa arrumação toda, já estava tarde e precisavamos almoçar. Fomos no restaurante chinês de um amigo do Dan, que é aposentado do Iron Man. Ciclista profissional. O restaurante muito bacana, comida a vontade (all you can eat) por 8 dolares. Com direito a sobremesa e tudo. Nuss. Acho que depois da gente ele vai falir.. hahaha.. Comi 2 pratos imensos e repeti 3x a sobremesa. Hummm.. tinha um pêssego em calda com sorvete que eu adoro!

Seguimos em direção a Leste, para ver onde chegariamos hoje, começando a jornada as 14h, depois de comer muito. Não fomos muito longe, mas foi interessante. Pedalamos uns 50km até uma cidade que chama Herbert. A cidade não tem muita coisa. Vimos um camping e chegamos para negociar uma estadia gratuita. Os Donos Max e Hedi, alemães, muito simpáticos e inteligentes, fizeram milhões de perguntas sobre o Brasil, ética, política e etc. Foi uma conversa muito bacana e eles nos deixaram acampar essa noite e nos liberaram o ponto de internet também, mas eu estava muito cansado para ligar o computador. Tomei um banho gelado e capotei.

L.Felipe Preparativos

14/Junho - Dia 34 – Piapot a Swift Current

June 29th, 2009

Dia 34 – Piapot a Swift Current
Distância: 114,70km
Dist. Acum.: 2162,70 km

Acordei  com o Boi berrando. Eu não sabia que boi chorava, gemia ou fazia esse barulho bizarro durante a noite. Logo arrumei minhas coisas, e fomos tomar café da manhã no Alf. Foi uma espécie de omelete num pão sírio. Tipo wraps. Gostosinho até, mas eu já estou começando a duvidar do meu paladar. Tenho comido o que vier pela frente e já não ligo se tem gosto ou não. O que importa é o resultado no corpo.

Seguimos e o vento estava bom, a favor. Pedalamos em ritmo forte até a hora do almoço. Foi bem bacana e fazia tempo que o vento não ajudava. Almoçamos na mesa, embaixo de uma árvore, num Hotel em Gulf Lake. Foi rápido e certeiro.

Quando voltamos a pedalar, adivinha? O vento mudou de direção e atrapalhou demais. Foi muito desgastante. Chegou uma hora que eu não aguentava mais pedalar. Minha mente já estava indo pro espaço. Acho que a do Nelson também. Ele estava com uma cara de acabado e não abria a boca.

Chegamos na cidade e mais rodamos do que qualquer coisa. Díficil encontrar a casa do pessoal. Até que pedi ajuda para um casal numa farmácia e eles nos acompanharam até o endereço. Eles foram de carro e nós seguimos pedalando.

Na casa, toquei a campainha umas 4 vezes. Nada. Avistei uma visinha com os filhos umas 4 casas pro lado e resolvi ir lá conversar. Logo que comecei a falar da viagem ela já ficou cansada por nós e nos ofereceu cerveja. Vê se pode. Haha.. Aceitei água e chamei o Nelson pra tomar água geladinha. Logo depois ela pegou o telefone da casa deles e eu liguei. Ninguém atendeu, mas me ligaram logo na sequência. Eles estão reformando a casa e tinha alguma coisa fazendo barulho que eles não escutaram a campainha e o telefone. Tranquilo. Chegamos, nos apresentamos, e o Nelson foi pro banho enquanto eu conversava com a Ashley, o namorado, pai e mãe dela.

O Nelson estava com uma cara de acabado e nem comigo ele conseguia conversar. Quando eu fui tomar banho, ele ficou no computador e conversou pelo skype com o pessoal de curitiba. A gente tem um conference com o Rotary de Curitiba no dia 18 de junho. Não sei onde vamos estar, mas a idéia é que cheguemos lá no dia 17 (meu aniversário) e faremos um dia de descanço com direito a reunião do clube canadense.

Jantamos pizza e conversamos bastante. Logo minhas energias também estavam se esgotando e fui dormir.

L.Felipe Preparativos

13/Junho - Dia 33 – Irvine a Piapot

June 29th, 2009

Dia 33 – Irvine a Piapot
Distância: 96,80 km
Dist. Acum.: 2047,00 km

Hoje saimos as 8h30 da manhã. Até arrumarmos tudo e tomarmos aquele café da manhã esperto demorou. Sábado, sem aula, a escola não abriria cedo. Sorte.

Seguimos com o pedal forte, mas o calor estava demais. Hoje, sem dúvida foi o dia mais quente até agora. Bebi muita água e suco durante o caminho. Acho que o calor e o vento desgastam mais do que qualquer subida. Aqui nas pradarias quase não tem sombra. Na verdade não tem nenhuma, só perto de alguma casa que eles plantam umas árvores para se proteger do vento e deixar o terreno com temperatura mais amena no verão e no inverno.

Andamos bastante até a hora do almoço, foram 60km. Na estrada, avistamos um camping cheio de árvores e eu achei que era o lugar ideal para fazer o almoço. O Nelson achou que iriam nos cobrar algo e não queria entrar. Eu insisti e fomos. (Não cobraram nada.). Um sorriso conquista mais que mil palavras. Hahaha.

Achamos uma sombra bem bacana e perto de uma torneira para lavarmos a louça depois. O Nelson cozinhou, mas dessa vez a comida estava bem forte. A cebola e o alho eram o prato principal, o resto era tempero. Enquanto ele cozinhava eu dormi no banco da mesa de pique-nique e acordei queimado pois a água fervendo caiu na mesa e consequentemente caiu em mim. Baita susto. Mas sem danos. Rs

Esse camping é bem estruturado e tem um estilo meio caribenho. Se fosse no Brasil, seria estilo baiano. Uma piscina imitando praia, com areia e uma água estranha no meio. Aquela criançada fazendo porcaria, pulando, jogando água pra cima, uma música meio “la bamba-la cucaracha”. Bizarro.

Depois do almoço, tanto eu quanto o Nelson dormimos. Eu no banco e ele em outra sombra. Perdemos a hora denovo. Saimos tarde. E o sol bombando, não dava trégua. Pedalamos mais 30 e poucos km e avistamos uma barraca de sorvete e lanche no meio do nada. Descobrimos que “no meio do nada” chamava Piapot. Uma cidade de 36 habitantes. Uma metrópole.

Nessa barraca de sorvete, que na verdade era um trailer, o Ralf era o mandachuva. O cara é uma figura, ou como diria o Nelson, um querido. Kkk.. O cara parece o Alf – O Eteimoso. Ele tem os dentes tortos e enquanto falava com a gente, de boca cheia, cuspia toda a comida. A única coisa que ele falou de interessante mesmo, pois reclamava que ele estava trabalhando no dia de folga, era que na cidade tinha um Hotel e um Bar, e que valia a pena pedalar os 500m para beber uma gelada

Chegando no Bar, que é no mesmo prédio do Hotel, achei bizarro. O Prédio bem velho, mais de 100 anos, com um logo do lado de fora escrito Saloon. Logo imaginei aqueles filmes de velho-oeste, com o bandido entrando por aquela portinhola, sentando no bar e pedindo um copo de leite. Foi engraçado. Bom, para meu espanto, foi completamente diferente. Quando entrei no bar, tinha mais gente do que a cidade comportava, tudo muito bem arrumado, decorado e os donos do bar são muito simpáticos e nos deram um adesivo escrito “Where the hell is Piapot”, ou em português “Onde cac*** fica Piapot”. Esse bar tem de tudo, camiseta, boné, lanjerie, cartão postal, tudo com o nome da cidade, fazendo a divulgação. O casal mudou de Calgary para Piapot para sair da vida agitada, mas acho que nem em Calgary tem um bar tão agitado e bem arrumado como o deles. Infelizmente não tiramos fotos dentro do bar, por causa da lei de privacidade.

Pedimos cerveja e uma batata frita, e enquanto esperávamos uma garota veio falar conosco. Ela disse que seu pai era ciclísta e que se fossemos pernoitar em Swift Current, para ficar na casa dela que o pai dela gostaria de nos conhecer. Agradecemos e logo ela foi embora. Tomamos umas cervejas e demos altas risadas com o casal dono do bar e com mais outros 2 casais da mesa do lado. Não demorou muito e voltamos para o lugar da barraca do Alf. Dormi e acordei inúmeras vezes com um Boi maledeto que berrou a noite inteira.

L.Felipe Preparativos

12/Junho - Dia 32 – RedCliff a Irvine

June 29th, 2009

Dia 32 – RedCliff a Irvine
Distância: 50,00 km
Dist. Acum.: 1951,00 km

Arrumei tudo bem cedo e comemos um café da manhã reforçado. A Chére foi trabalhar e o Scott ficou conosco. Ele tirou umas fotos nossas na frente da casa e partimos. Com muita preguiça e o vento que eu nem preciso falar. Paramos na próxima cidade, Medicine Hat, para comprar a corrente do Nelson. Aproveitamos para fazer mercado e comprar umas coisas essenciais. Depois, pedimos orientação para encontrar a bicicletaria, mas cada um dizia uma coisa (e eu sou meio perdido) e demoramos para achar a bicicletaria.

O Nelson foi com o mecânico e eu fiquei vendo as bicicletas. A loja era bacana, mas o mecânico demorou um século para trocar a corrente do Nelson. Primeiro ele não conseguia encaixar o elo, quebrou 3 elos diferentes ao tentar montar a corrente, não sei como ele conseguiu terminar. Ele ficou sem cara de cobrar o serviço e cobrou 5 reais pela câmara que o Nelson levou. A corrente foi de graça.

Seguimos e antes de sair da cidade almoçamos no Subway. Comi um baita sanduiche de 12 polegadas e uma Coca para dar o contraste. Já tem muito suco em pó no meu corpo e eu precisava variar. A gente comeu numa lerdeza só e eu não estava com a menor vontade de continuar a pedalar. Contudo, seguimos em frente.

Muita, muita preguiça. O Nelson também não estava com ânimo e estavamos conversando, pedalando lado a lado, quando um ciclista de Quebec nos abordou. Ele era muito rápido e não levava tanta bagagem como nós. Ele pedalava mais de 200 km por dia e fizera o mesmo trajeto que nós (com exceção do trecho de Jasper a Lake Louise) em 8 dias. Ele disse não tinha comida e fogareiro. Comia em postos de gasolina e restaurantes no caminho. Loucura. Enfim, não é viajar, é sacrifício, no meu ponto de vista.

O Quebecano iria ficar numa casa a 25km para o sul e logo virou a esquerda na estrada. Nós continuamos. Pouco tempo depois, comiamos uns amendoins na beira da estrada e avistamos o quebecano novamente. Ele tinha entrado na estrada errada. Trocamos contatos e ele partiu, mas nós encontrariamos ele novamente se sairmos cedo amanhã.

Depois de não muito tempo, com toda aquela preguiça, decidimos ficar numa cidadezinha que apareceu chamada Irvine. Acho que essa cidade tinha menos de 50 casas, mas tinha uma escola imensa. Muito grande mesmo e com uma baita infraestrutura. Entramos na escola, que estava fechada, conversamos com uns funcionários e eles nos falaram para acampar num lugar coberto, atrás da escola. Perfeito. Ainda por cima eu carreguei meu laptop e meu ipod, para continuar ouvindo as músicas que me davam energia nos momentos entediantes.

Escrevi um pouco nessa noite e depois da janta, dormi como criança.

L.Felipe Preparativos

11/Jun - Dia 31 –Brooks a Redcliff

June 29th, 2009

Dia 31 –Brooks  a Redcliff
Distância: 105,00 km
Dist. Acum.: 1901,00 km

Logo que acordamos começamos a desmontar tudo e fazer o café da manhã. Partimos, e logo na saída da cidade, paramos num posto para usar o banheiro. Depois de um tempo seguimos pedalando pela estrada plana. Tinhamos 120 km até Medicine Hat, cidade que pretendiamos pernoitar. É impressionante como tudo fica mais plano a cada dia que passa.

Nessas pradarias, só o que tem é plantação de feno e trigo. Aqui em Alberta também tem muitas bombas para retirar Gás Natural e Óleo da terra. Segundo o livro do Nelson, tem mais de 10 mil só em Alberta. Esse mercado é muito forte aqui deve ter muita demanda de mão de obra especializada.

Eu pedalava tranquilo, mas aquela cenário igual por tanto tempo foi me dando um desespero interno. Soltei um berrão que o Nelson escutou quase há 1 km de disância. “Não tem P*** nenhuma nesse lugar!!!!”. E fui continuei pedalando e fui encostando no Nelson. Ele estava chorando de dar risada. Chorando mesmo. Ele não se controlava. Acho que ficou mais de 10 minutos gargalhando do meu grito. Ele falou que eu estava tranquilo, ouvindo música, pedalando naquele silêncio, e do nada eu extravasei a raiva interna.

Paramos numa cidadezinha chamada Silfield para tomar um sorvete na beira da estrada. O restaurante meio velho e mal acabado. Entramos e tinha uma senhora jogando sudoku. Cumprimentei e ela nem piscou o olho. Olhei pro Nelson e ele com aquele sorriso na cara. Cheguei na senhora do caixa e disse: “Oi”. Novamente sem retorno. Aí eu pensei alto, falando em português: “É por isso que esse lugar tá assim, mal acabado. 2 senhoras que não cuidam do lugar e não dão atenção pro cliente, não vão pra frente nunca…”. Pegamos o sorvete e sentamos numa mesa. Nessa as duas senhoras estavam jogando sudoku na mesa da frente. O Nelson levantou e pegou um suco. Quando a senhora olhou a marca do suco que o Nelson pegou, ela fez uma cara de desgosto muito boa.. hahaha.. sabe quando você toma aquele suco azedo que amarra a boca? Foi a cara que ela fez. Hahaha..

Eu estava pedalando bem. Acho que estava empolgado pra chegar em algum lugar que não fosse feno e vento. Fiquei bem a frente do Nelson, mas uma hora eu parei pra ver onde ele estava e não o via no horizonte. Esperei. Fiquei uns 10 minutos ouvindo música, sentado na beira da estrada. Nada do Nelson, fiquei preocupado e comecei a voltar. Logo ele aparece dizendo que a corrente quebrou e ele teve que tirar 2 elos que amassaram. Ele teria que parar numa bicicletaria em Redcliff, a próxima cidade, para comprar uma corrente nova. Sem erro.

Ao chegar na cidade, logo fui perguntando pras pessoas onde eu encontrava uma bicicletaria, mas infelizmente, não tinha nenhuma na cidade. Um garoto me falou que eu podia encontrar numa loja de departamento e lá fomos. Falamos com o mecânico da loja e realmente ele tinha algumas correntes, mas nenhuma do tamanho que o Nelson precisava. Depois desse banho de água fria, fomos a biblioteca pegar internet para falar com a família. Liguei para meus pais, irmã e falei com a Pati. Foi divertido.

Eu estava saindo da biblioteca e decidi que era melhor ir ao banheiro alí, pois não sabia onde iriamos dormir. Voltei para dentro do prédio e, para ir ao banheiro, precisei passar por uma sala de reunião onde tinha uma reunião acontecendo efetivamente. 4 homens e 1 mulher. Pedi licensa e eles me indicaram onde era o lugar. Era no final de um corredor. Eu não achava o interruptor de luz e pedi ajuda. A mulher veio me ajudar e começou a conversar. Ela chama Chére e gostou da nossa viagem e da nossa causa. Perguntou aonde dormiriamos essa noite e nos deu o endereço dela, dizendo que, caso não encontremos lugar para ficar, ir pra casa dela que ela dava um jeito. Agradeci, impressionado e fui ao banheiro. Na volta disse tchau e o assunto do pernoite voltou. Perguntei pra ela se poderiamos já combinar de acampar no jardim dela, assim não precisariamos procurar. Hehe. Ela disse que sim e disse que as filhas não moram mais na casa dela e ela tinha 2 quartos vazios, onde poderiamos ficar. Perfeito. Saí da biblioteca com sorriso de orelha a orelha.

O Nelson quando viu já tava adivinhando. “De duas, uma. Ou você arrumou um lugar pra ficar ou tá com prisão de ventre pra demorar tanto.” Hahaha… Sensacional. Ficamos conversando 2 minutos lá fora e a Chére chegou dizendo que ia pra casa de uns amigos tomar cerveja, porque o marido dela estava jogando golfe, e nos convidou também. Nós fomos, mas a situação era engraçada. Chegamos na casa dos amigos dela, batemos papo, tomamos cerveja e fomos embora.

Chegando na casa dela, começamos pegando as coisas que precisariamos e o marido dela, Scott chegou em seguida. Ele trabalha na indústria de óleo e gás. O casal muito simpático e a casa deles é muito bem decorada, com coisas escritas em tudo quanto é lugar. Todo o tipo de palavra e frase que te coloca pra cima. Ambiente muito alto astral. Depois de tomar aquele banho (acho que nunca dei tanto valor para um banho quanto nessa viagem), o Nelson cozinhou aquele arroz brasileiro e o Scott fez umas linguiças canadenses na churrasqueira. Jantamos e ficamos conversando muito sobre o Canadá e a indústria de óleo e gás.

L.Felipe Trans-canada

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June 15th, 2009

Galera, desculpa a demora.

Está difícil atualizar o site.

Eu coloquei somente os textos novamente e todas as fotos estão na seção de fotos. O mapa está atualizado tbem

Bjos

L.Felipe Preparativos

10/Junho - Dia 29 –Fazenda na Hwy 1 a Brooks

June 15th, 2009

Dia 29 –Fazenda na Hwy 1 a Brooks
Distância: 89,70 km
Dist. Acum.: 1796,00 km

Acordamos cedo novamente e as 7h estavamos saindo da fazenda. Na estrada para chegar na casa encontramos um cara de carro. Ele nos parou e nos disse que é de Halifax, cidade na costa leste. Me deu seu cartão e disse para entrarmos em contato com ele quando chegássemos lá. Achei muito bacana a atitude dele. Aquela moça meio mal encarada tinha contado para ele sobre nós e, como ele já foi para o Brasil, veio conversar conosco.

Quando o cara seguiu para o trabalho, o Nelson montou na bicicleta e na primeira pedalada o pneu furou. Putz.. tinha areia dentro do pneu denovo e acho que estava meio vazio demais para tanto peso. Trocamos a camara e o pneu. Colocamos o pneu reserva como teste. Ficamos um tempinho ali, embaixo de sol.

Já na estrada, a cada kilometro que passava, tudo começou a ficar remoto. Já não havia mais fazendas, só terra com mato curto e aquelas bombas para retirar óleo e gás da terra. Aqui na Província de Alberta tem mais de 10 mil dessas bombas e é o estado do Gás Natural. Chegou uma hora que não tinha mais nada. Nada. Nada mesmo. Sério. Zero. Todo aquele cenário das Rocky Mountains e de British Columbia acabara. Não tinha casa, não tinha árvore, não tinha animal, não tinha sombra, não tinha morro. Só o plano árido. Me deu um desepero de ver tanta terra e nada ao mesmo tempo. Mas pelo visto, teremos uns 1600 km de “deserto plano”

Eu estava pedalando bem e o Nelson ficou para tras algumas vezes. Mas sempre que eu vejo que ele está longe eu paro e espero, aproveito para alongar. Dessa vez ele demorava demais e eu não conseguia enxergar se onde ele estava. Coloquei os óculos e mesmo assim nada dele. Resolvi sentar e esperar um pouco mais. 10 minutos depois, nada do Nelson. Fiquei preocupado e começei a voltar. Pedalei uns 10 minutos e avistei o cabra. A corrente nova que ele comprou em Calgary quebrou. Foram 2 elos que se foram e ele estava pedalando com a corrente curta. Ele ficou preocupado com a situação e resolvemos parar em Brooks, próxima cidade, para comprar uma corrente nova.

Na entrada da cidade eu avistei uma igreja com um baita terreno lindo, um gramado verde e de ótima qualidade pra acampar. Já lancei a idéia de ficar por ali mesmo e procurarmos a bicicletaria. O Nelson aceitou na hora. Entrei na igreja, eram umas 18h e procurei o pastor ou o responsável. Não tinha ninguém, só um garoto que dá aula de guitarra no auditório da igreja. Ele me passou o telefone do Pastor Bill que, por telefone, nos autorizou a acampar no gramado da igreja.

Depois de armarmos as barracas, ou barracos, o Nelson decidiu colocar a corrente antiga que ele ainda tinha guardada e comprarmos uma corrente nova em Medicine Hat, próxima cidade que pernoitariamos. Tomamos um banho de gato no banheiro da igreja e fomos jantar no Tim Hortons. Não sei se posso considerar isso como jantar. Foram 6 donuts e um café gelado cada. O jantar mais nutritivo de todos desde o começo da viagem. Hehehe.
Depois da “janta”, voltei para a igreja e escrevi um pouco vendo o por do sol, encostado numa árvore. Quase um marajá. Só faltou a rede e o reggae. Fiquei um tempão lá e quando o sol se escondeu ficou frio. Frio o suficiente para eu ir pra dentro da barraca e colocar a calça de moleton. Não passou muito tempo e dormi ouvindo um som. Eu acordei no meio da noite com o fone de ouvido e desliguei para poupar bateria.

L.Felipe Preparativos

9/Junho - Dia 29 – Calgary a Fazenda na Hwy 1

June 15th, 2009

Dia 29 – Calgary a Fazenda na Hwy 1
Distância: 110,30 km
Dist. Acum.: 1706,30 km

Acordamos cedo, cedo mesmo. 7h estavamos prontos. O Sampson veio ver se ainda estavamos lá logo que acordou. Eu tinha prometido pra ele que esperaria ele acordar para ir embora. Ele me deu um abraço forte e um bom dia envergonhado. Logo vieram os outros 2 irmãos dele com cookies para levarmos e ele pegou uns muffins para nós.

Tiramos uma foto bacana na frente da casa deles com todo mundo e as nossas bikes prontas e carregadas e partimos. Sem rumo. Não sabiamos onde iriamos pernoitar. Isso acontece toda noite, mas dessa vez não sabiamos nem se chegariamos em alguma cidade. Fomos indo, sem mapa, perguntando a direção para chegarmos na Hwy 1A, que tem menos movimento que a Hwy 1. Demoramos mas chegamos na estrada. A cidade é muito espalhada e pedalamos mais de 15 km para chegar na zona rural. Aqui, o que não falta é zona rural. Tem muita fazenda. Muito pasto. Muito espaço.

Eu estava achando a bicicleta meio instável hoje, acho que coloquei muito peso num lado do trailer e ele estava balançando muito. Irritante. As vezes eu ouvia o barulho do paralama batendo na roda, de tanto que balançava. Se balançasse assim em alta velocidade, seria perigoso cair. Na hora do almoço, pegamos as comidas do meu alforge e eu coloquei as bananas na outra mala, para ver se adiantava. Até que adiantou e não tive mais problemas. Nesse almoço paramos numa cidadezinha vizinha, num escritório do governo que tinha uma mesa de pique-nique do lado do prédio. Eu pedi autorização para a moça da recepção para fazermos o almoço lá. O aceite foi imediato e começamos a cozinhar. Pegamos água no posto do lado e fizemos aquele almoço esperto e diversificado.

Na estrada tinha um cara com um trailer vendendo todo o tipo de bandeira de todos os países. Estou louco para comprar uma bandeira do brasil pequena para colocar na bicicleta há tempos, mas não conseguia encontrar. Fui ver se tinha alguma bandeira brasileira pequena, mas só tinha do tamanho gigante. Fica pra próxima. Seguimos com o vento na cabeça, pra variar.

Falando em vento, acho que daqui pra frente não vou mais falar sobre esse tópico. Acho que se eu continuar escrevendo que estamos pegando vento contra, vamos continuar pegando. Lei da atração. Vou pensar no vento a favor a partir de agora pra ver se atrai. Quando pegarmos algum vento bom, eu aviso. Caso contrário, considere o vento como um atraso de vida.

Bom, seguimos e a cada kilometro que passava, viamos menos coisas na estrada. O tempo passava e foi me dando um vazio. É difícil falar tchau para as pessoas bacanas que eu tenho conhecido na estrada. Isso porque eu não sei se vou revê-los novamente. O tempo foi passando, a cabeça trabalhando e o pedal girando. Dado um certo momento, começamos a procurar um lugar que poderiamos pernoitar. As fazendas começavam a ficar cada vez mais distantes e precisariamos nos abrigar do vento e do tempo.

Achamos uma fazenda que tinha uma loja de alguma coisa dentro. Tipo faroeste, meio estranho e abandonado. Ouvi um latido de cachorro e fui ver se encontrava o dono do lugar, para ver se poderiamos acampar no lugar, cheio de grama boa, água na torneira e muitas árvores protegendo do vento. Lugar perfeito, mas não tinha ninguém, só o cachorro preso dentro da casa. Ficamos uns 10 minutos vendo o que fariamos: Esperar ou seguir? Seguimos. Há uns 5km de onde estavamos tinha outro monte de árvores, que pré-julgamos ser uma fazenda e fomos em direção a esse “oásis”.

No meio do caminho vimos um carro entrar numa estradinha de terra e estacionar numa casa bem antiga. A única casa entre a fazenda e os arbustos que avistávamos de longe. Não tivemos dúvida, entramos na mesma estrada que o carro e batemos na porta da casa. Logo veio uma mulher meio mal encarada. Conversei com ela, falei que eramos brasileiros atravessando o Canadá de bike e ela nos deixou acampar embaixo de umas árvores do lado de um riozinho, há uns 300 metros da casa. Perfeito.

Armamos nossa favela no pasto, embaixo das árvores, com cuidado para não colocar a barraca em cima de galhos ou coco de vaca. Achamos o lugar ideal, levantamos o barraco e começamos a fazer aquela comida na “lage”. Depois da janta, logo fui dormir. O vento sugou minhas energias e eu não queria fazer mais nada, a não ser dormir.

L.Felipe Preparativos

8/Junho - Dia 28 – Calgary.

June 15th, 2009

Dia 28 – Calgary.
Distância: 0,00 km
Dist. Acum.: 1596,00 km

Hoje acordamos mais cedo que ontém, mas mesmo assim já eram 10h. Tinhamos uma reunião no Rotary de Calgary e logo saimos pedalando para a reunião, que começava ao meio dia.

Chegando na reunião fomos muito bem recebidos para o almoço. Os membros do Rotary cantaram uma canção de boas vindas e viream nos cumprimentar pessoalmente. Depois de um tempo, nos deram alguns minutos para falar no palanque. Foi interessante. O Nelson falava e eu traduzia. As pessoas falavam e eu traduzia. E assim foi.

Quando a reunião terminou, algumas pessoas vieram falar conosco. O diretor de projetos internacionais e outros 2 rotarianos muito interessantes. Um deles tem um filho que trabalha Braskem e vai sempre para o Brasil. Ele disse que o filho dele é apaixonado pelo Brasil. Não tem como não ser. Nossa terrinha é boa demais.

Depois da reunião, passamos no mercado comprar comida e decidimos fazer uma janta para o pessoal da casa. Chegando na casa, a Tanya comentou que o pai dela queria levá-los num restaurante, pois era a última noite dele na casa. Ele mora na Nova Zelândia. Fizermos a janta só para nós e comemos bem demais. Compramos carne e fizemos naquele esquema brasileiro com cebola.. humm.. dá água na boa só de falar.

No final da noite nós trocamos algumas fotos e mostramos fotos de outras viagens e experiências. Conversamos bastante.

L.Felipe Preparativos

7/Junho - Dia 27 – Calgary.

June 15th, 2009

Dia 27 – Calgary.
Distância: 0,00 km
Dist. Acum.: 1596,00 km

Hoje foi o dia da preguiça. O Rick foi cedinho para o aeroporto, nos despedimos meio sonolentos e voltamos a dormir. Eu dormi até umas 11h, acho. Não fizemos quase nada. Almoçamos com a Tanya e o Dan, pai dela, e os 3 filhos. Foi muito divertido. Na parte da tarde eu fui trabalhar um pouco com as fotos e os vídeos e o Nelson foi dar uma volta na cidade.

Fiquei na cozinha conversando com o pessoal e no final da tarde o Sampson, filho mais velho da Tanya leu 3 capitulos de um livro pra mim, antes dele ir dormir. Fora o livro, ele me mostrou toda a coleção de pelúcia, de desenhos e materiais artísticos que ele mesmo faz. Ele tem 8 anos e é impressionante como ele é habilidoso, desenhos muito bons e faz uns quadros com ponto-cruz muito bonitos.

Depois que Sampson foi dormir, fui falar com o pessoal de casa no skype e acabei dormindo também.

L.Felipe Preparativos

6/Junho - Dia 26 – Cochrane a Calgary.

June 15th, 2009

Dia 26 – Cochrane a Calgary.
Distância: 36,00 km
Dist. Acum.: 1596,00 km

Acodamos as 4h30, pois as 5h20 a Bevely passaria para nos pegar. Dito e feito. Pontualmente ela chegara. Estava nevando ainda e tudo estava branco. Todos os pastos, fazendas, casas, cercas, grama, carros. Tudo estava debaixo da neve. A neblina estava muito baixa e a visibilidade não passava de 10m. Chegamos no restaurante denovo e fomos tomar um café da manhã para ver se nos dava coragem para encarar o mundo branco que caia do céu.

Eu comi um esquema com ovos e bacon. Cada dia que passa estou ficando mais ogro. Como tudo o que vier pela frente, até pedra na manteiga eu mando, se bobiar. Preciso controlar essa “fome” quando a viagem acabar, senão posso atravessar o país rolando no verão que vem. Hahahaha.
Depois do café da manhã, fiz o mesmo esquema McGiver com a bandana cobrindo a orelha e o nariz, coloquei sacos plásticos nos pés e nas mãos, para não encharcar as luvas e o tenis. Fomos embora. Embaixo de neve. Muita neve. Sem noção. Os carros que passavam pela gente buzinavam e acenavam para nos dar coragem para enfrentar o tempo. Coloquei o som no último e fui escutando o bom e velho Pink Floyd.

Não demorou muito para o esquema do saco plástico ir por água abaixo. Meu pé direito estava congelando de tão gelada que era a água que escorria da minha roupa. Eu tinha neve no casaco e nas mochilas e não podia parar de jeito nenhum, para não esfriar o corpo. Logo passou o gelo do pé e a água ficou quente, já que o saco ainda me protegia do vento e ficara quente com o calor do meu corpo. Esperei um pouco o Nelson e combinei que só ia parar em Calgary. Se acontecesse algo, eu estaria na casa de informações turísticas da cidade.

Torci o cabo, esqueci o vento contra e o desepero de chegar logo me fez pedalar muito mais rápido do que eu poderia em sã conciência. Pouco mais de 3h depois a neve parou e o vento também. Foi a brecha que precisava para tirar a água do joelho que acumulou durante a manhã gelada. Enquanto fazia isso, o Nelson apareceu no horizonte e decidi comer uma barra de cereal e esperar por ele. Já estavamos na cidade, mas o centro ainda estava longe. Calgary é uma cidade muito espalhada e aparentemente tem muito lugar para crescer ainda.

Chegamos num posto e paramos para ver se tinha um mapa da cidade e para ligarmos para o Rick e para a Tanya, casal que haviamos conhecido em Lake Louise, para vermos se o convite de pernoitar na casa deles ainda estava de pé. Fomos recebidos de braços abertos e com muito carinho. Fiquei impressionado com a quantidade de equipamento e de bicicletas que ele tem na garagem. Segundo o Nelson, são 19. Eles tem planos de viajar de bike com os 3 filhos, Sampson, Marcus e Tarn em julho. Essa viagem vai durar um ano, no mínimo. Eles já deram a volta ao mundo, antes de terem o primeiro filho e essa viagem durou 2 anos. Hoje o Rick tem uma empresa que leva crianças para ter a experiência do cicloturismo em algumas partes do mundo. Essas crianças voltam com o espírito de liderança e muito mais abertas a aprender coisas novas e se dedicar aos estudos.

Depois do ótimo recebimento, o Rick deu uma olhada nas bicicletas e nos indicou uma bicicletaria chamada Good Life Bike Shop. Não é uma bicicletaria comum. As pessoas doam bicicletas usadas e peças, tem sempre alguns mecânicos a disposição e você pode ir comprar peças ou bicicletas inteiras pelo preço que você achar justo. Eles te falam mais ou menos quanto aquela peça custaria e você paga o quanto quiser. Vai da consciência de cada um. Além disso, qualquer pessoa pode ir lá e usar as ferramentas para fazer o próprio reparo na sua bicicleta, com assistência dos mecânicos e pagar o quanto quiser pelo uso da bancada. Não é animal? Achei muito bacana o esquema deles e o pessoal é muito gente boa.

Nessa Good Life, tentei arrumar minha roda, mas não obtive sucesso. Eu teria que tirar todo os raios da minha roda e colocar montar uma outra roda com minhas peças. Ia demorar muito e eu sabia que não ia deixar perfeito. Provavelmente teria problemas mais tarde e decidi ir em outra bicicletaria comprar uma roda inteira. Fomos nessa outra bicicletaria que eu não lembro o nome e comprei a roda nova. Enquanto eles montavam a roda, eu e o Nelson fomos na MEC de Calgary para fuçar. Acabei comprando um travesseiro pequeno, uma lanterna de cabeça (headlamp), um protetor contra chuva para o tenis e uma luva de neoprene, caso tivessemos tempo ruim denovo. Adoro essa loja. Posso passar o dia inteiro olhando o tanto de coisas que eles tem.

A noite, voltamos para a casa do Rick e da Tanya, tomamos banho e depois uma cerveja com os amigos deles. Todos eles trabalham para o Rick, guiando as crianças nas viagens ou como mecânicos na bicicletaria. A Tanya fez uns cookies a noite e logo fui dormir.

L.Felipe Preparativos

5/Junho - Dia 25 – Banff a Cochrane.

June 15th, 2009

Dia 25 – Banff a Cochrane.
Distância: 100,00 km
Dist. Acum.: 1560,00 km

Acordamos cedinho em Banff, o hotel estava fechado e se saíssemos, não poderiamos entrar denovo. E agora? Hehehe.. fomos embora e logo na saída já vi que minha roda e estava empenada novamente. Não tinha jeito, eu teria que trocar chegando em Calgary. São 136km e vamos tentar chegar hoje lá, se o tempo ajudar, pois vimos que hoje teriamos chuva e amanhã neve. Neve? Em pleno junho? Tempo louco. Disseram que em Alberta pode nevar qualquer dia do ano. Vamos ver.

Seguimos a caminho de Calgary e depois de 2 horas Gordon nos alcança novamente. Ele não sai tão cedo quanto a gente, na verdade, acho que nenhum ciclista acorda tão cedo. A Silvia, por exemplo, sempre começa a pedalada pelas 9h. Mas começar cedo é bom que o dia rende. Ele nos acompanhou todo longo caminho. Longo pois pegamos muito vento contra. Na verdade, não era vento, era ventania. Sabe aquele vento que te tira do centro de gravidade e faz você ficar cambaleando que nem bêbado? É pior. Com as bicicletas é ainda pior.

O tempo estava fechado e a chuva demorara a chegar. Quando foi umas 17h começou a chover, bem fraquinho, mas chovia. Pouco depois essa chuva estava estranha, batia no rosto e machucava. Machucava demais. No chão ela batia e não molhava mais, era gelo. As gotas da chuva estavam se transformando em gelo no meio do caminho. Ai ai ai . Será que essa neve ia chegar hoje e não amanhã? Tive que colocar a bandana no rosto, como se fosse bandido, cobrindo o nariz e as orelhas. O capuz do casaco impermeável ficou sob o capacete pra não molhar o cucurutu. Coloquei os óculos escuros, pois não dava pra ficar com os olhos abertos e pedalar ao mesmo tempo.

Nesse momento, bateu o desespero. Chorei. Ninguém viu, mas eu chorei. Estava muito nervoso e não sabia como lidar com a situação se começasse a nevar. Depois de um tempo liderando o grupo, avistei um posto de gasolina do outro lado da estrada, há pouco mais de 1km. Parei para ver onde os dois companheiros estavam. Estavam lá atrás, caminhando com a bike do lado. Tinha acontecido algum problema com um deles, ou com os dois. Todo mundo estava muito cansado e já estavamos batendo 100km com muito vento contra e frio. O psicológico abala nessas horas.

Gordon estava com um pneu furado e o Nelson acabado, assim como eu. Paramos no posto bem quando começou a nevar de verdade e fomos ver com a dona do local se poderiamos acampar alí mesmo ou dormir em algum lugar protegido do tempo. Negativo. A dona era mais grossa que parede de igreja (não era canadense, era do Egito) e mandou a gente pedalar mais 18km para chegar num camping. Pense? Pedalar mais 18km embaixo de neve e muito vento contra? Nem a pau, Juvenal.

Nessa hora pensamos em tudo, dormir no banheiro, fazer rodízio e dormir dentro da loja do posto, pegar o saco de dormir e dormir no corredor entre a loja e o banheiro, virge, imaginação não faltou. Fomos tentar com o restaurante do lado da loja de conveniência. As vezes o dono é diferente e rola algo bom. Começamos a conversar com a moça do caixa, ela pegou a lista para ver se os campings estavam abertos e disse que nos daria carona até um camping perdo da cidade dela, Cochmore. Não ficava no nosso caminho, mas era uma opção. Não conseguimos falar com o Camping, mas ela falou que saia as 22h e podia nos dar uma carona de qualquer maneira. Ela tem uma caminhonete grande, como todo bom canadense, que caberia nossas bikes, malas, e nós, os malas.

Enquanto esperávamos, ficamos pensando o que fariamos. Acampar na neve ia ser ruim demais. Até arrumar tudo, ia acabar dormindo com neve dentro da barraca. Fora que eu ia congelar com meu saco de dormir pra 10˚C e meu cobertor de fleece. Por mais casaco que eu colocasse, não ia rolar. Negociamos com ela dormir dentro do restaurante, já que ela mesma abriria o restaurante amanhã as 6h. Não rolou. Tentamos negociar dormir no depósito e não rolou. Tentamos de tudo, até que eu falei pro pessoal, já que ela vai nos dar uma carona para o camping, vamos pegar uma carona para um hotel barato. Todos fecharam na hora. Pensei mais 2 segundos e falei. “Poxa, já que ela vai nos dar uma carona de ida e vai abrir o restaurante as 6h, ela podia nos dar uma carona de volta, assim não pedalariamos mais 20km para chegarmos no mesmo lugar”. A idéia foi genial, só basta saber se ela também acharia.

As vezes eu sou abusado demais, hahaha, mas perguntar não custa né? Esperei o momento certo, pois ela, Beverly, é a faz tudo no restaurante. Serve, cobra, limpa. Tudo. Quando rolou a brecha, fui lá e perguntei. Para o meu espanto, ela topou na hora. Uhuuuuuuu, dentro da minha cabeça eu estava gritando, “A-NI-MAL-!!!”. Fechado.

Chegando no hotel, rachamos a conta em 3 e saiu 30 dolares pra cada. Tranquilo. Melhor que congelar no camping por 18. O Gordon deu um jeito na minha roda, que estava empenada denovo. Ele me ensinou como faz pra arrumar e eu aprendi direitinho dessa vez. Tomei um banho quentinho enquanto lá fora a neve caia, e dormi.

L.Felipe Preparativos

4/Junho - Dia 24 – Lake Louise a Banff.

June 15th, 2009

Dia 24 – Lake Louise a Banff.
Distância: 51,56 km
Dist. Acum.: 1460,00 km

Na madrugada eu acordei assustado. O Oliver, que estava na outra beliche saiu cedo do hostel para pegar o nascer do sol lá no lago Emerald Lake. Dormi denovo e acabei acordando tarde, umas 8h, acho. Encontramos novamente a galerinha de intercambistas do Rotary e tiramos fotos só com os intercambistas brasileiros. Logo partimos.

Pegamos a estrada 1A (hwy 1A), onde é proibido o tráfego de caminhões, o que torna a viagem bem menos estressante. A estrada era bem tranquila e passavam poucos carros. De longe, bem de longe, agente escutava o barulho da estrada principal. Parecia estressante lá do outro lado, mas a gente estava no sossego, apreciando a paísagem e pedalando numa estrada tranquila e com asfalto lisinho.

No meio desse sossego todo, percebi que minha roda estava entortando denovo. Ouvia o barulho da roda raspando no freio constantemente. Isso foi me dando nos nervos, já havia perdido as contas de quantas vezes essa roda tinha me dado dor de cabeça. Decidi ir assim mesmo e pedir para o cara da bicicletaria analisar a roda e ver se vale a pena comprar outra. Eu já tava querendo é comprar outra, pra não ter mais problema.

Na parada da manhã, para reforçar o café da manhã, paramos para comer amendoim e tomar um suco. Nessa hora, encontramos Gordon novamente. Ele é de Penticton, cidade pela qual já passamos, e estava indo para a cidade da família, no norte de Saskatchewan. Ele nos acompanhou todo o trajeto.

Continuamos sem problemas e logo chegamos em Banff e Gordon seguiu para a próxima cidade, há 18km daqui. Foram só 51km até Banff e chegamos pouco depois da hora do almoço. Eu estava com muita fome. Assim que chegamos procuramos as bicicletarias locais para ver a roda. Na primeira o mecânico não estava, na segunda o mêcanico estava atolado de trabalho e não vi nenhuma boa vontade em nos ajudar, na terceira e última bicicletaria da cidade, o mêcanico foi demais. O cara saiu pra ver o problema, pediu para que nós arranjassemos um lugar para ficar, deixar as malas todas e voltar umas 7h.

Fomos ver um lugar para ficarmos, hostel, camping, qualquer coisa. Pegamos o mapa da cidade e vimos que o camping ficava há 4km da cidade, bem como o Hostel que queriamos ficar. Fomos num hostel mais perto e só tinha dormitório lotado e sem armário com tranca para fecharmos nossa bagagem. Ficamos sem chão e não sabiamos direito o que fazer. Saindo desse último hostel, encontramos um ciclista que parou para conversar conosco. Ele tinha um trailer e carregava seus 2 filhos (acho que eram gêmeos) pequenos. Ele comentou que essa época é baixa temporada e que nós podiamos tentar ficar num hotel e barganhar o preço. Achei a idéia boa, pois queria ficar perto do centro, onde as bicicletarias estavam.

No primeiro hotel que o ciclista nos recomendara era muito caro, 100 dolares o quarto com 2 camas. Fomos em outro na frente, parecia meio acabado, decadente, mas bom. O dono é um alemão, que imgrou para o Canadá há mais de 10 anos. Conseguimos fechar um preço bom, 70 dolares. 35 por cabeça, eram 2 dolares a mais que o hostel do centro e ainda era privado. Perfeito. Subimos de elevador para o quarto com as bicicletas. O Nelson pedalou nossas bikes no corredor do hotel, foi muito engraçado. Ajeitei minhas coisas no quarto (bike desmontada no corredor em frente da porta, trailer no banheiro, entre o vaso e a banheira.. lindo) e fomos para a bicicletaria.

Deixei a roda na bicicletaria e fomos ao mercado comprar comida. Estou ficando profissional em supermercado canadense. Tudo é caro, compre o menos possível. Kkkk. Pegamos tudo e, enquanto o Nelson levava as comidas para o hotel, eu fui buscar a roda. Tinha ficado pronta, mas o cara falou que se o problema estava acontecendo tão frequentemente, era melhor trocar a roda. Ele falou que era mais rápido pedalar até Calgary e comprar lá, pq aqui ele só tinha roda para bikes de salto e com freio a disco, que são mais caras.

Bom, ele resolveu o problema temporáriamente e segui para o hotel. O Nelson queria fazer comida no quarto do hotel, que não tinha cozinha, mas com aquele tanto de sprinkler no teto, era capaz de acionarmos o alarme de incêndio e termos que pagar multa para a cidade e para o cara do hotel. Fomos para o parque próximo do hotel e fizemos a janta naquelas mesinhas de pique-nique padrões. Eu estava com muita fome, pois não tinhamos almoçado. Fiquei o dia todo na barra de cereal e precisava de algo salgado.

Depois da janta, demos uma volta na cidade, para conhecer. Passamos em algumas lojinhas bem legais. Queria comprar umas lembrancinhas, mas não tinha aonde colocar e ia sair caro mandar direto para o Brasil. Deixei quieto e volti para o hotel. Conversei um pouco com a namorada e li um pouco de notícias brasileiras, para ver o que acontece no hemisfério sul.

L.Felipe Preparativos

3/Junho - Dia 23 – Waterfowl Campground a Lake Louise

June 15th, 2009

Dia 23 – Waterfowl Campground a Lake Louise
Distância: 76,5 km
Dist. Acum.: 1408,44 km

Essa noite foi bem gelada, mesmo estando protegido do vento e do sereno. Acordamos tarde por causa do frio. Muita preguiça de pedalar com esse frio matinal. Comemos um café da manhã reforçado com aquela pasta de amendoin “deliciosa” que não acaba nunca e seguimos subindo a segunda montanha de 2 mil metros de altura. Menos de 30km depois chegamos no cume novamente e começamos o downhill (descida da montanha).

O vento não dava trégua denovo e tinhamos que pedalar muito para a descida render. Depois de um tempo ainda descendo, chegamos num lago em frente ao hotel Nun-Tih-Jah, encontramos com um Suiço que estava indo para o Alaska e acabamos parando para almoçar numa Área de descanço em frente a esse lago. Começamos a cozinhar e um esquilo começou a chegar perto da gente. Ele estava muito perto e nós demos um amendoim para ele. Depois disso ele nunca mais foi embora. Ele pedia amendoim e comia na nossa mão. Foi um barato.

Continuamos a descida e chegamos em Lake Louise novamente, era mais ou menos 14h e fomos direto para o mercado para reabastecer nosso estoque. Comi um sorvete sensacional, pra variar e fui colocando as coisas na mala. Deixei um cacho de banana em cima da mochila do trailer, que é amarela e não percebi. Nesse meio tempo, enquanto colocavamos as coisas na mochila, encontramos 2 brasileiros que trabalham num café em frente ao mercado, ficamos conversando e fomos a caminho do Hostel. No meio do caminho lembrei da banana. Olhei, olhei, e cade? Kkk perdi. Deixei a bike com o recifence e corri de volta pro mercado. Achei o cacho de banana em cima de uma ponte de madeira que passamos, perto do mercado. Ufa… custa caro essas bananas aqui. Elas são importadas da Guatemala e do Equador. Aqui, com esse frio, banana não cresce. Outra coisa que percebemos é que não existe suco natural, e se vc achar, custa caro.

Fomos para o Hostel  quando chegamos um garoto saiu correndo do ônibus de excursão que estava no estacionamento e veio falar com a gente. “É brasileiro?”, ele perguntou, pois o Nelson estava com a camiseta amarela do Brasil. Logo começamos a conversar, e descobrimos que ele é um jovem intercambista do Rotary. Logo vieram mais uns 18 garotos com uns 16, 17 anos. Conversamos um pouco e fomos colocar nossas coisas no quarto.

Pegamos um dormitório para 4 pessoas. A princípio estávamos sozinhos. Logo chegou um alemão, Oliver, e depois um Suiço que eu não sei o nome. O Alemão é gente boa demais e conversamos bastante. Ele trabalha com esporte e hoje trabalha divulgando os jogos olímpicos de inverno.

Logo fui tomar um banho e o Nelson pegou o laptop para falar com a esposa. Depois foi meu turno de falar com pais e namorada. Tentei escrever um pouquinho também, mas é muita coisa pra fazer. Falar com família, ler e-mails, baixar fotos e vídeos, organizar pastas de fotos, facebook, orkut, e o tempo vai-se embora. Tenho que tentar dar foco ao site, mas a saudade aperta e fica difícil.

Depois de um tempo, fui para o quarto e o Nelson tinha ido ver o por do sol com o Alemão no Emerald Lake, mas eles estavam atrasados em uma hora, pois o relógio do Oliver estava com o horário de Vancouver. Sai do quarto para comer algo e encontrei 2 ciclistas, fiquei converando com eles por um tempo. Um chama-se Lucas, o outro Gordon. Ambos canadenses. Horas depois fui ver onde o povo estava e atualizar o site, mas tinha uma galera na sala onde tem internet, conversando e tomando vinho. Logo entrei na dança e só conversei e tomei uma taça de vinho. Fui dormir 1h.

L.Felipe Preparativos

2/Junho - Dia 22 – Beauty Creek Hostel International a Waterfowl Campground

June 15th, 2009

Dia 22 – Beauty Creek Hostel International a Waterfowl Campground
Distância: 92,30 km
Dist. Acum.: 1331,94 km

Acordamos cedinho e tentamos não fazer barulho pra não acordar o pessoal do Hostel, que estava no mesmo quarto que nós. É um dormitório com várias beliches e com uns armários para colocarmos as malas. Todo mundo dorme no mesmo lugar. É bom para conhecer gente nova, mas não deve ser bom quando se quer sossego.

Antes de sairmos do hostel percebemos que o termômetro apontada 0˚C, e no estacionamento havia um carro encoberto com gelo. Já na estrada o vento estava querendo soprar em nossas cabeças, mas pela manhã não venta muito e só tem uma brisa que nos dá uma idéia de como será o dia. Eu estava meio devagar essa manhã. Sabe, as vezes eu não funciono muito bem pela manhã.

O cenário estava perfeito, mas ainda tinhamos que atingir os 2 mil metros de altitude. Por isso, eu estava um pouco tenso, já que não sabia quão tensa seria essa subida. O vento começou a soprar mais forte quando o sol subiu. O frio não incomodava por causa do sol, mas o vento em trecho sem sol era bem de frio.

Passamos por cachoeiras e a estrada inteira acompanhava um rio bem bonito, com águas azuis e verdes, dependendo do sol e do solo. Acho que nunca vi tanta montanha em volta de uma estrada com neve em todo cume. Pode parecer o mesmo cenário, pra quem não presta atenção, mas cada montanha tem sua particularidade e beleza própria. Eu não cansei de olhar para todas elas por incontáveis vezes, e a cada vez eu achei uma beleza diferente.

Hoje subimos realmente muito, e paramos bastante quando tinhamos a oportunidade, para descansar a musculatura. O vento não deu trégua e foi um dia bem difícil. Chegamos no Columbia Icefield Centre depois de 30km, e já era hora do almoço. O dia paracia não ter rendido e a gente não sabia se ia chegar no camping que tinhamos programado.

Dentro do Columbia Icefield Centre tem um Hotel, um Restaurante e um esquema de escursão na neve, com uma espécie de ônibus com umas rodas gigantes, que eles chamam de Ice Explorer. Em volta desse lugar não tem nada, a não ser neve. É engraçado, mas quando a neve derrete, tudo aqui fica árido e muito seco. Ao estacionar as bicicletas, percebi que a Silvia e seu companheiro também tinham parado para almoçar lá e acabamos nos encontrando mais uma vez. Almoçamos os 4 juntos e escrevemos um cartão postal para mandar para uma professora nossa em Vancouver.

Logo que acabamos de almoçar, eu e o Nelson continuamos a pedalada, pois ainda tinhamos mais 70km para chegar no camping, e com o ritmo que estávamos, não chegariamos antes do sol se por. Pedalamos mais uns 8km e chegamos no primeiro trecho mais alto da viagem. 2 mil metros de altitude. Tiramos algumas fotos, mas infelizmente não havia nenhuma placa dizendo a altitude. Sabiamos por causa do mapa que pegamos no centro de informações turísticas.

Depois desse trecho pegamos umas descidas bem legais e bem íngremes. A vista era sensacional (e o vento contra, fazendo a gente pedalar na descida). Depois de um tempo descendo, chegou um trecho mais ou menos plano e logo começou a subir denovo. Vimos umas nuvens muito estranhas no céu, muito carregadas. Parecia que viria uma tempestade, mas a não tinha cor de nuvem, parecia fumaça, cinza. Chegando próximo há um posto (o único nessa estrada), tinha uma placa escrito “Fogo programado”. O corpo de bombeiros programa um dia certo para queimar a mata com pragas ou trechos com infestação de pragas. Fiquei bem assustado com isso, pois não dá pra pedalar com toda a fumaça que estaria por vir.

Chegando no posto, paramos na barraca do corpo de bombeiros, que estava fazendo plantão devido ao fogaréu, e eles nos falaram que não teriamos problemas, pois o fogo era em outra estrada, próxima. Ficamos aliviados com a notícia. Reabastecemos nossas garrafas com água no restaurante do posto e na saída encontramos o Al novamente (o motorista que nos levara para Jasper), conversamos 5 minutos e seguimos viagem.

Paramos num canyon na beira da estrada para tirar umas fotos e apreciar a paisagem, mas com toda aquela fumaça no céu, tudo começou a ficar escuro mais cedo e o sol ficara laranja. 90 e poucos km depois, vimos um lago. O sol, laranja, refletia tudo no lago. A montanha, as árvores, as nuvens, tudo estava duplicado nesse lago. Muito bonito.

Pouco mais pra frente, na beira do lago, avistamos a placa do camping que iamos ficar e imediatamente ficamos aliviados. Esse camping estava fechado, mas entramos mesmo assim e colocamos nossas barracas dentro de um barracão que tinha mesas e fogões a lenha para o pessoal almoçar. Quando preparamos tudo, jantamos e fomos pendurar as malas de comida no teto de outro barracão igual ao que estávamos, eis que olhei para o lago e vi o por do sol mais bonito de todos. Tudo laranja, iluminação perfeita, montanhas ao fundo, patos nadando na beira do lago. Tirei mil fotos e fui dormir com sorriso na cara, feliz da vida.

L.Felipe Preparativos

1/Junho - Dia 21 – Jasper a Beauty Creek Hostel International

June 15th, 2009

Dia 21 – Jasper a Beauty Creek Hostel International
Distância: 89,40 km
Dist. Acum.: 1239,64 km

Acordamos cedinho no hotel, tomamos café rápido no quarto e já começamos a montar as bicicletas denovo, como todos os dias. Saimos cedo, era umas 7h. Isso porque nós sabiamos que muitos dos campings do caminho estavam fechados por causa da neve e alguns hostels também estavam fechados. Então tinhamos que planejar bem o pedal, sabendo que teriamos 240 km de muita subida, atingindo os 2mil metros de altura por 2x e é ilegal acampar fora dos campings nos parques nacionais, como Jasper, Banff e Yoho Park.

Demos uma volta na cidade pela manhã, com aquele frio de sempre e seguimos a caminho de Beauty Creek. Estava bem frio e o vento, pra variar, batia em nossas cabeças. O dia estava lindo, poucas nuvens no céu, algumas próximas as montanhas. Esse começo teve um cenário absurdo, com as montanhas ao nosso lado, rios e riachos próximos, sempre ouvindo o barulho da água. Aguardávamos ansiosos o que uma das estradas mais bonitas do mundo poderiam nos proporcionar.

Não sei o que aconteceu comigo hoje, mas eu estava com uma vontade imensa de vencer o vento contra e seguir adiante. Escalei todas as subidas (só tivemos subidas) e pedalava num ritmo bem forte. Acho que era por causa da pasta de amendoim que comi de manhã (eca!). Quando parava de pedalar, era no topo da subida para esperar o Nelson. Quando se viaja grupo, é sempre bom ter o amigo no “retrovisor”, pois se acontecer alguma coisa, vc pode voltar e ajudar.

Numa dessas paradas, estavamos na beira de um rio, aproveitamos para comer uma banana, maçã, amendoim e suco. Um pós café da manhã, para manter as energias e o pedal forte. Estava com a máquina fotográfica numa mão e a maça na outra, apreciando o movimento do rio, quando aparece um castor nadando na beira. Na hora tentei tirar algumas fotos, mas ele se movia muito rápido e afundava as vezes. Fiquei sabendo mais tarde que é muito raro ver um castor nessa região. Sorte, né! hehe.

Depois de muita subida e vento na cabeça, chegamos no hostel. Acho que nunca vi um hostel tão rústico quanto esse. Ficava há quase 90 km do centro de Jasper e não tinha energia elétrica. A luz, geladeira, fogão e todo o resto do hostel funcionam a gás. Propano. O atual gerente do Hostel é o Michel, de Quebéc, rapáz muito bacana e prestativo, nos contou que há pouco tempo eles tiveram problema com um dos tambores de gás. Ele explodiu. E agora eles só tem um tambor, gigante. Nessa explosão ninguém se feriu e eles estão recontruindo algumas coisas do hostel, tais como o chuveiro. Não tinhamos banho nesse dia.

Pouco antes de eu chegar ao hostel, 2 suiças também se hospedaram alí. Jeanine e Nina. Advogadas que estão “mochilando” pelo canadá, conhecendo as trilhas e fazendo rafting, canoing entre outras coisas bacanas. Conversamos um monte, eu, o Nelson, elas e o Michel. Eles acenderam uma fogueira e ficamos conversando, apreciando a lua. Logo os meu olho começou a fechar e fui domir.

L.Felipe Preparativos

31/Maio - Dia 20 – Lake Louise a Jasper de ônibus

June 15th, 2009

Dia 20 – Lake Louise a Jasper de ônibus
Distância: 12,00 km
Dist. Acum.: 1150,24 km

Hoje eu acordei cedo e comecei a escrever sobre ontém. O Nelson estava roncando demais na barraca do lado, mas não foi isso que me acordou. Eu dormi super bem e sonhei demais, acordei no meio de um dos sonhos, mas pra variar eu não faço a menor idéia do que seja.

Abri porta da barraca para deixar o sol entrar, mas mesmo com o sol, estavam 3˚C lá fora. Quem me disse isso foi o companheiro da Silvia, ele tem um termômetro, e to achando que eu vou comprar um também. Mas acho que o frio deve passar com o tempo.

Tomamos um café da manhã bacana, com aquela pasta de amendoin sem gosto e chocolate quente com cereal. A Silvia e o companheiro estavam comendo outras coisas. Logo eles estavam prontos para seguir em direção a jasper e nós, para o Lago.

Chegando no Lake Louise, fiquei de boca aberta. As montanhas com neve, o lago verdinho, semi congelado. Fiquei uns 15 minutos sentado nas pedras na beirada do lago só admirando e pensando na vida. Depois fui sentar no banco, próximo da minha bicicleta. Fiquei lá mais outros 15 minutos olhando o lago e vendo as pessoas que passavam. Muitos alemães e orientais. O engraçado de observar as pessoas é reparar e admirar as diferenças culturais e trejeitos.

Estavamos indo embora do lago, quando um casal do meu lado começou a falar sobre bicicleta e falou assim “Crazy cyclists” (ciclistas loucos). Ah.. não me aguentei e falei assim: “Louco não. É por uma boa causa”. E eles comentaram que estavam falando do filho deles que está indo viajar com a esposa e 3 filhos por um ano, pedalando para o Sul dos Estados Unidos, México, Venezuela e Colombia. Logo em seguida chegaram o rapaz (Rick) com a esposa (Tanya) e os 3 filhos, muito bonitos. Eles moram em Calgary e ele tem uma empresa de turismo e leva pessoas do mundo inteiro para pedalar no mundo inteiro. A empresa chama-se “Two Wheel View”. Ele estava indo para a Noruega, se não me engano, e nos convidou para acamparmos na casa dele lá em Calgary. Cada dia que passa eu fico mais impressionado com os canadenses.

Saimos do lago, e fomos para o centro da cidade tentar arrumar uma carona para Jasper. Carona??? É. Assim podemos pedalar de volta para Lake Louise. Esse trecho não está dentro da rota Costa a Costa, mas é considerada uma das estradas mais bonitas do mundo, nós temos que ir de qualquer jeito.

Ficamos umas 2h30 tentando pegar carona para Jasper, mas todas as caminhonetes e motorhomes que chegavam na cidade estavam vindo de Jasper. Conversamos com algumas pessoas e percebemos que todo mundo vai para Jasper pela manhã e volta a tarde. Resolvemos pegar o ônibus. Fui comprar a passagem de ônibus e tomei um susto. 70 dolares para ir de uma cidade a outra. 240km de estrada! Um absurdo, mas não tinhamos outra saida.

O motorista do ônibus é o Al. Um senhor muito bacana e simpático. Ele veio todo o percurso conversando comigo e com o Nelson, explicando muita coisa da região. Ele trabalha há 15 anos nessa empresa e antigamente era guia de excursão.

Ao chegar em Jasper, 4 horas depois, tomamos um susto. Aquele dia lindo que estava em Lake Louise desaparecera. Quando saimos do ônibus, estava um frio danado, um vento infernal e eu sem nenhum casaco. Nenhum. Só a bermuda de ciclismo e a camiseta (nada). Muito frio mesmo, comecei a pegar a bike e as malas de dentro do bagageiro do ônibus e logo peguei o casaco fleece e o corta vento e a calça corta vento. Mesmo com esse tanto de coisa, meu queixo batia de tanto frio. Tinhamos que ir no mercado e depois arrumar um lugar para ficar. Por sorte o mercado era por perto e fizemos compras rapidinho. A má notícia era que o hostel ficava há 4km do centro da cidade e estava começando a chover. Tinhamos que achar um lugar perto, rápido e barato.

Fomos indo e achamos um hotel antigo, mas muito cheio de pompa. A diária era muito cara (mais de 100 dolares) e negociamos um quarto com uma cama, assim eu dormiria no chão, sem stress e muito mais confortável que a minha barraca. Conseguimos uma negociação legal, e logo nos ajeitamos. Tomei um banho quente, entrei um pouco na interenet e falei com o pessoal no Brasil. Logo fui dormir.

L.Felipe Preparativos