Dia 7 – Manning Park – Princeton
Distância: 86,95 km
Dist. Acum.: 453,84 km
Tempo: 8h


Depois de um dia cansativo e uma noite um tanto assustadora, nós acordamos, tomamos um café da manhã bem rápido. Chocolate quente com bastante aveia e cereal e uma fruta. Arrumamos as coisas e saimos em direção a montanha infinita umas 8h20.


Foram 16km de subida até decidirmos parar para o almoço e recuperar as energias. Paramos num espaço de Camping no meio do Manning Park, onde muitos Motorhome param para passar a noite e muita gente acampa. O lugar é bem bacana, com estrutura. Banheiro, mesas para pique-nique, lixeiras anti-urso, placas, água boa para se beber (depois de fervida por 1 minuto).
Começamos a tirar o fogareiro, panelas e acessórios da mala, quando um moleque que estava saindo do camping com a família começou a gritar: “Urso !!! Urso !!!. Na hora peguei minha filmadora e saimos correndo em direção ao urso. Fomos até a entrada do parque e lá estava o bicho. Marrom, grande, calmo e sem pressa de ser feliz. Estava comendo a grama do lado da estrada (não sabia que urso comia grama). Tiramos umas fotos, e fui lá fazer um carinho no Zé Colméia… haha.. brincadeira.

Almoçamos e seguimos. No km 22 começou uma descida sensacional, peguei 62 km/h e mantive a velocidade a uns 30 km/h por 20km. Mas alegria de pobre dura pouco e logo chegou a subida denovo. Foram mais vários kms de subida e depois veio uma sequência estressante de decidaa, com inclinação de 7%, 8% e com pouco acostamento. Cheguei lá embaixo mais cansado que todas as subidas juntas. Meu ombro e pescoço estavam muito tensos. Eu gosto de descida, mas não das íngremes. Nas semi-retas, eu gosto de velocidade, mas essas que vc precisa frear pra ir muito rápido não fazem meu estilo.

Quase chegando em Penticton, cidade que achamos que não iamos pernoitar (ufa, conseguimos), vimos diversos cervos (bambi, veado, deer). Eles são ariscos demais e andam em bando. Essa época é quando eles se reproduzem e todos estão espertos por causa da cria. Eles são muito velozes e se veem alguma movimentação estranha, saem correndo e ninguém pega, nem mesmo os cougars (uma espécie de tigre da montanha, outro bicho arisco e perigoso, que tem de monte aqui nas Rocky Mountains).
Já na cidade, paramos num posto para ver o telefone do pessoal do Rotary e o telefone não estava atualizado, mas como tinha o endereço da reunião, resolvemos aparecer na reunião pouco antes de começar. A reunião é só amanhã, então aproveitei que o 
posto de gasolina tinha wireless grátis e liguei para meus pais, só pra avisar que estava vivo e lembrá-los que eles moram no meu coração. Minha mãe já estava dormindo, conversei apenas com meu pai, que deu o recado pra Dona Rosa depois.
Tentamos achar um lugar para acampar, mas era há uns 5km da cidade e tentamos nos hospedar num hotelzinho barato. Na primeira tentativa a dona do lugar era uma Russa, e o lugar parecia meio mal acabado. Tentamos negociar um preço bom, mas não achamos razoável. Depois fomos para um hotel chamado The Villager Inn. Quando estávamos entrando pelo estacionamento, um casal começou a conversar com a gente, Reg e Susan Muir. Muito simpáticos, perguntaram se procurávamos um banho quente e uma cama para relaxar. Eles são os gerentes que cuidam do lugar e moram aqui. Realmente são muito simpáticos e acabamos chegando num
preço bacana (pouco mais caro que o hotel da russa), mas valeu muito a pena. Atendimento é tudo no comércio, bem como organização e estrutura.
Nesse hotel estão hospedados um pessoal de uma madeireira. São jovens de todo país, contratados para reflorestar a mata. Pois a região toda é movida pela mineração e extração do cedro e agora é lei que as empresas que tiram madeira do meio ambiente tem que reflorestar a mesma quantidade de árvores tiradas da natureza. Então, quando vc vai comprar madeira pra lareira, além das taxas, tem que pagar pelo reflorestamento também. Muito justo. A Susan me falou que um jovem que trabalha com reflorestamento pode ganhar até 360 dolares canadenses num dia de trabalho, dependendo da quantidade de árvores que ele plantar no dia. É um trabalho bem difícil, mas deve valer a pena os 3 meses de trabalho duro que eles têm por aqui.
L.Felipe British Columbia, Trans-canada