11/Jun - Dia 31 –Brooks a Redcliff
Dia 31 –Brooks a Redcliff
Distância: 105,00 km
Dist. Acum.: 1901,00 km
Logo que acordamos começamos a desmontar tudo e fazer o café da manhã. Partimos, e logo na saída da cidade, paramos num posto para usar o banheiro. Depois de um tempo seguimos pedalando pela estrada plana. Tinhamos 120 km até Medicine Hat, cidade que pretendiamos pernoitar. É impressionante como tudo fica mais plano a cada dia que passa.
Nessas pradarias, só o que tem é plantação de feno e trigo. Aqui em Alberta também tem muitas bombas para retirar Gás Natural e Óleo da terra. Segundo o livro do Nelson, tem mais de 10 mil só em Alberta. Esse mercado é muito forte aqui deve ter muita demanda de mão de obra especializada.
Eu pedalava tranquilo, mas aquela cenário igual por tanto tempo foi me dando um desespero interno. Soltei um berrão que o Nelson escutou quase há 1 km de disância. “Não tem P*** nenhuma nesse lugar!!!!”. E fui continuei pedalando e fui encostando no Nelson. Ele estava chorando de dar risada. Chorando mesmo. Ele não se controlava. Acho que ficou mais de 10 minutos gargalhando do meu grito. Ele falou que eu estava tranquilo, ouvindo música, pedalando naquele silêncio, e do nada eu extravasei a raiva interna.
Paramos numa cidadezinha chamada Silfield para tomar um sorvete na beira da estrada. O restaurante meio velho e mal acabado. Entramos e tinha uma senhora jogando sudoku. Cumprimentei e ela nem piscou o olho. Olhei pro Nelson e ele com aquele sorriso na cara. Cheguei na senhora do caixa e disse: “Oi”. Novamente sem retorno. Aí eu pensei alto, falando em português: “É por isso que esse lugar tá assim, mal acabado. 2 senhoras que não cuidam do lugar e não dão atenção pro cliente, não vão pra frente nunca…”. Pegamos o sorvete e sentamos numa mesa. Nessa as duas senhoras estavam jogando sudoku na mesa da frente. O Nelson levantou e pegou um suco. Quando a senhora olhou a marca do suco que o Nelson pegou, ela fez uma cara de desgosto muito boa.. hahaha.. sabe quando você toma aquele suco azedo que amarra a boca? Foi a cara que ela fez. Hahaha..
Eu estava pedalando bem. Acho que estava empolgado pra chegar em algum lugar que não fosse feno e vento. Fiquei bem a frente do Nelson, mas uma hora eu parei pra ver onde ele estava e não o via no horizonte. Esperei. Fiquei uns 10 minutos ouvindo música, sentado na beira da estrada. Nada do Nelson, fiquei preocupado e comecei a voltar. Logo ele aparece dizendo que a corrente quebrou e ele teve que tirar 2 elos que amassaram. Ele teria que parar numa bicicletaria em Redcliff, a próxima cidade, para comprar uma corrente nova. Sem erro.
Ao chegar na cidade, logo fui perguntando pras pessoas onde eu encontrava uma bicicletaria, mas infelizmente, não tinha nenhuma na cidade. Um garoto me falou que eu podia encontrar numa loja de departamento e lá fomos. Falamos com o mecânico da loja e realmente ele tinha algumas correntes, mas nenhuma do tamanho que o Nelson precisava. Depois desse banho de água fria, fomos a biblioteca pegar internet para falar com a família. Liguei para meus pais, irmã e falei com a Pati. Foi divertido.
Eu estava saindo da biblioteca e decidi que era melhor ir ao banheiro alí, pois não sabia onde iriamos dormir. Voltei para dentro do prédio e, para ir ao banheiro, precisei passar por uma sala de reunião onde tinha uma reunião acontecendo efetivamente. 4 homens e 1 mulher. Pedi licensa e eles me indicaram onde era o lugar. Era no final de um corredor. Eu não achava o interruptor de luz e pedi ajuda. A mulher veio me ajudar e começou a conversar. Ela chama Chére e gostou da nossa viagem e da nossa causa. Perguntou aonde dormiriamos essa noite e nos deu o endereço dela, dizendo que, caso não encontremos lugar para ficar, ir pra casa dela que ela dava um jeito. Agradeci, impressionado e fui ao banheiro. Na volta disse tchau e o assunto do pernoite voltou. Perguntei pra ela se poderiamos já combinar de acampar no jardim dela, assim não precisariamos procurar. Hehe. Ela disse que sim e disse que as filhas não moram mais na casa dela e ela tinha 2 quartos vazios, onde poderiamos ficar. Perfeito. Saí da biblioteca com sorriso de orelha a orelha.
O Nelson quando viu já tava adivinhando. “De duas, uma. Ou você arrumou um lugar pra ficar ou tá com prisão de ventre pra demorar tanto.” Hahaha… Sensacional. Ficamos conversando 2 minutos lá fora e a Chére chegou dizendo que ia pra casa de uns amigos tomar cerveja, porque o marido dela estava jogando golfe, e nos convidou também. Nós fomos, mas a situação era engraçada. Chegamos na casa dos amigos dela, batemos papo, tomamos cerveja e fomos embora.
Chegando na casa dela, começamos pegando as coisas que precisariamos e o marido dela, Scott chegou em seguida. Ele trabalha na indústria de óleo e gás. O casal muito simpático e a casa deles é muito bem decorada, com coisas escritas em tudo quanto é lugar. Todo o tipo de palavra e frase que te coloca pra cima. Ambiente muito alto astral. Depois de tomar aquele banho (acho que nunca dei tanto valor para um banho quanto nessa viagem), o Nelson cozinhou aquele arroz brasileiro e o Scott fez umas linguiças canadenses na churrasqueira. Jantamos e ficamos conversando muito sobre o Canadá e a indústria de óleo e gás.






























































