…um pouco de história. Presente e passado.
… Um pouco de história. Presente e Passado, porque o futuro a gente vai escrever quando ele passar.
Faltam nove dias para o embarque. Tá quase tudo pronto. Visto na mão, escola paga (sim, eu vou estudar.. a mente não pode parar), bilhete aéreo pago e tem uns 5 livros pra ler no avião.
Não, não arrumei a mala. Não encaixotei a bike. Ainda não me acostumei com a idéia de ficar todo esse tempo longe da família, dos amigos (que são minha família) e da namorada.
Uns dizem que eu sou carente. Sou mesmo. Gosto de contato. De abraçar, beijar, sorrir, dançar, falar besteira. Gosto de gostar das pessoas que querem o nosso bem e torcem pela gente. Não pelo sucesso financeiro, mas pela nossa felicidade, independente do que temos no bolso (eu tenho uma chave allen e uma caneta bic que sem querer peguei do caixa da padaria).
Outros dizem que sou sério. Sou mesmo. Nos primeiros cinco minutos de conversa, depois todo mundo percebe que é só fachada.
Sonhos. Essa história de ir pra fora do brasil estudar vem desde que eu era criancinha. Sempre falei pro meu pai: “Pai, quando eu sair da faculdade eu vou morar fora!”. Pois é. Coincidentemente estou indo logo depois de sete (aham, sete) anos de engenharia. Desses sete anos trabalhei 6, juntando um pouquinho do sonho no final de cada mês. O sonho era de estudar, quando criança. O sonho era de pedalar, viajar, quando mais velho. Pois é, como sou um pouco dos dois (uma criança crescida), resolvi juntar os sonhos de criança com o de “adulto” e vou fazer as duas coisas (estudar e viajar pedalando).
Muita gente diz que pra fazer isso que nós, cicloviajantes e sonhadores, fazemos é preciso coragem. Mas na verdade acho que não é coragem, é uma vontade incessante de explorar, de conhecer e ver coisas novas. É uma coisa que vem de dentro e acho que fica mais forte quando o pé esquerdo começa a sacudir sem parar e já não temos mais posições confortáveis pra sentar. A diferença entre os aventureiros e os não-aventureiros é justamente essa cadeira. Para o primeiro grupo, a cadeira não é tão confortável quanto para o segundo grupo e seguimos em busca da conquista dos nossos sonhos (de criança e de adulto).
Aventurar-se é fazer qualquer coisa que não está no script, na rotina, no usual. Você não precisa pedalar 8 mil km pra se aventurar, mas pedalar um dia qualquer, depois de anos sem pedalar e descobrir que vc ainda não esqueceu como se faz, isso sim é se aventurar, se descobrir e ver que as coisas não são assim tão impossíveis quanto elas parecem ser. Pegar um caminho diferente do trabalho pra casa, deixar o carro na garagem e ir pro trabalho de metrô e/ou ônibus, pedir uma caneta emprestada praquela mulher que vc sempre paquerou e chamá-la pra sair, pedir demissão do trabalho que já não te faz bem. Isso sim é aventura. É tirar a bunda da cadeira. É correr atrás do que a gente precisa. Viver e ser feliz.
Bjos e Abraços.

