22/Julho - Dia 71 – Carillon a Montreal

August 25th, 2009

Dia 71 – Carillon a Montreal

Distância: 98,00km

Dist. Acum.: 5780,00 km

Acordei cedo, arrumei tudo e tomei café da manhã com o pessoal que conheci ontem. Já na estrada, eu não estava com aquela vontade de pedalar. Estava com uma preguiça fora do comum. O caminho começou muito bonito, mas era cheio de opções. Eu estava seguindo a Route Verte, que é específica para ciclismo, mas ela faz umas voltas e nem sempre é o caminho mais rápido para ir de um lugar ao outro.

Hoje eu estava querendo chegar logo em Montreal. Queria que fosse só meia hora de pedal pra poder aproveitar a tarde. O dia estava muito bom. Quer dizer, estava nublado e com todos os indícios de chuva, mas não choveu, estava a temperatura ideal pra pedalar, mas minhas pernas pareciam cansadas. Acho que eu estressei um pouco a musculatura nos dias antes de chegar em Ottawa e ontém. Sei lá. Parece que eu perdi potência.

Estranhamente, eu estava sem fome quase o dia todo. Meus amendoins estavam acabando, minhas barras de cereal estavam acabando e minhas frutas secas já tinham acabado há um tempo. Resolvi não almoçar e acabar com o estoque de coisas que eu tinha na mala. Comi banana, um lanche que o Marcel tinha me preparado, uns amendoins. Mais tarde eu comi umas barras de cereal. E assim segui.

Dado momento, eu tinha algumas opções para chegar em Montreal. Eu não sabia, mas Montreal é uma ilha, e para chegar lá eu teria que atravessar uma das várias pontes que ligam o continente a Ilha de Laval, atravessar essa ilha e pegar outra ponte para a ilha de Montreal. Pois bem. Falando assim parece fácil, mas para atravessar o primeiro trecho fui pedindo direções e cada um me falava uma coisa. E os que não falavam nada só falavam francês. Realmente foi uma raridade encontrar alguém que falasse inglês. Mas fui que fui, arrisquei e depois de muito tempo cheguei em Laval.

Segui beirando a costa e pedindo mais direções no meio das vilas. Bom, chegando mais próximo a primeira das pontes, vi uma placa de proibido bicicletas. Segui reto, parei num posto e pedi mais direções. Fui indo, indo, indo, até que consegui atravessar. Mas isso já eram quase 18h e eu ainda com aquela preguiça.

Parei numa biblioteca em Mont-Royal, um bairro meio afastado do centro para entrar em contato com uma amiga que mora aqui. Verifiquei meus e-mails e ela não tinha respondido. Tentei ligar, deu caixa postal. Bom, acabei descobrindo que ela estava no Brasil essa semana. “E agora?” pensei com meus botões. Liguei para a Marianne que mora aqui e o telefone também deu caixa postal. Decidi ligar para o Davi e Lilian que conheci em Ottawa, mas eles não estavam em casa. Deixei recado. Comecei a me desesperar.

No meio do desepero veio o “clique”. O Carlos, um dos leitores do blog, mora aqui em Montreal e ele queria fazer o caminho Montreal-Quebéc comigo. Pensei “porque” não tentar. Liguei pra ele e ele falou pra ir pra casa dele. Se não desse pra ficar lá, ele arrumaria um lugar pra eu ficar. Uffaa….

Segui para a casa dele, e pedalei mais uns 13kms pra chegar. Nisso o Davi e a Llian me ligam, preocupados comigo, pois tinham recebido meu recado. Perguntaram se eu tinha conseguido um lugar para arrumar e combinamos de jantar amanhã. Na casa do Carlos estavam hospedados, ele, a esposa Meire, os 2 filhos, o Adriano e a prima da Meire com os 2 filhos. Casa quase lotada. Eles colocaram um colchão pra mim na sala e me receberam extremamente bem. Sensacional.

L.Felipe Preparativos

<> Atualização…? Ufa.. finalmente…

July 24th, 2009

dsc00594Fala pessoal,

Finalmente eu atualizei os posts no site… então agora vocês tem material pra semana toda. Foram mais de 20 dias de atualização.. heheh..

Bom, as fotos, ainda não consegui resolver o problema, mas estou trabalhando nisso agora. Os textos estão aí, o mapa está atualizado. Vou atualizar os outros textos também, pois alguns objetivos da viagem mudaram.

Hoje estou em Montreal e amanhã sigo em direção a cidade de Quebéc. Devo chegar lá em 2 ou 3 dias. São uns 270kms daqui. Vamos ver como vai ser o tempo, o pedal e o vento amanhã.

Até a próxima…

Beijos e Abraços…

L.Felipe Preparativos

21/Julho - Dia 70 – Ottawa a Carillon

July 24th, 2009

Dia 70 – Ottawa a Carillon
Distância: 102,00km
Dist. Acum.: 5682,00 km

Acordei as 6h30 e comecei a arrumar minhas coisas. Coloquei tudo nas malas e tomei café da manhã com Marcel e Susan. Eles foram muito bacanas e me fizeram sandwiches para eu comer no almoço. Marcel comentou que não era bom eu pedalar dentro da cidade na segunda-feira naquele horário, pois os motoristas de Ottawa não são dos melhores. Ele resolveu me dar uma carona até o Ferry em Cumberland, que fica há uns 20 kms da casa dele.

Chegamos no porto e peguei o ferry para o lado de Quebec. Essa seria uma experiência ainda mais nova, pois em Quebec a língua oficial é o francês e dependendo do lugar, as pessoas não falam inglês. Mas, como o caminho percorre toda a fronteira entre a província de Quebec e a província de Ontario, supus que as pessoas fossem bilingues.
Minha suposição foi por água abaixo quando eu fui perguntar por direções para a primeira senhora, há 100 metros do ferry. Ela só falava francês. Me virei com meu francês de 10 anos atrás (quando tive aula no colégio) e consegui o caminho que eu queria.

Pouco mais pra frente parei num restaurante pequeno para abastecer minhas garrafas d’água e mais um susto. As pessoas só falavam francês. Bom, aí eu me dei conta que não estava mais numa região que eu conseguiria me virar fácil e que talvês teria dificuldades para conseguir as coisas que eu precisarei.

Continuei no pedal e 40 minutos depois conheci James, senhor que estava começando sua viagem de bicicleta hoje. Ele vai de Ottawa a Halifax. É aposentado, viajou mais de ano de moto, para tudo quanto é lugar na américa do norte e agora resolveu mudar o estilo de viagem. Ele estava bastante entusiasmado com a viagem e paramos para tomar um café e conversarmos um pouco.

Seguimos juntos por mais 40 kms e nos separamos em Grenville. Ele foi para Ontario novamente, num camping que ele queria ficar. Eu fui para a casa de informações turísticas para pegar informações mais detalhadas e acabei ficando lá por uns 40 minutos conversando com o rapaz que trabalha lá. Muito simpático o garoto e muito interessado no Brasil, me fez muitas perguntas bacanas. Segui meu caminho pelo lado Quebecano e deixei a sorte me guiar para achar as pessoas bilingues.

A estrada era pequena e cada metro que passava as casas foram ficando maiores e mais requintadas. Todas a beira do rio e com lanchas e carrões na garagem. Grandes árvores em ambos os lados da estrada faziam bastante sombra para afastar o calor e deixar o cenário mais interessante. Não demorou muito para aparecerem as áreas delimitadas para oc ciclistas e mais pra frente as ciclovias. James me mostrou no seu livro de mapas para cicloturistas de quebec que, só na província de Quebec tem mais de 750 kms de ciclovia. Woow.. pense! Seguro demais para os ciclistas.

Cheguei numa cidade chamada Carillon e parei para pedir informações sobre o centro e o que encontraria lá. Felizmente a senhora para a qual pedi informação falava inglês (não muito bem, mas falava), e o lugar que eu estava era um camping. O dia estava lindo, tinha um belo rio do lado do camping e eu pensei: por que não ficar no camping hoje e aproveitar o dia. Afinal já eram 17h e logo mais eu teria que parar mesmo. Já tinha pedalado meu 100 e poucos kms do dia e estavam suficientes.

Muito bem, comi 2 sorvetes na lojinha e fui armar minha barraca. No site ao lado do meu, uma familia estava acampando. Mulher, marido, 2 filhos, irmão e cunhada com os 2 sobrinhos. Logo que eu cheguei com a bicicleta, já começaram a me perguntar um monte de coisa em francês. Respondi em francês que eu era brasileiro e meu francês é muito fraco, se eles poderiam falar em inglês comigo. Bom, apenas a mulher e o irmão falavam inglês e eles traduziam tudo o que eu não entendia do francês para mim.

Na hora de montar a barraca as 4 crianças vieram me ajudar. Logo comecei a montar minhas coisas para fazer a janta, mas na sequência já me convidaram para que eu jantasse com eles. Já tinham até feito meu prato. Jantei com todos e foi muito interessante. Eu acho muito legal ouvir as pessoas falarem o francês, mesmo quando eu não entendo muito. É bom para treinar o ouvido e, acho que em breve, devo lembrar de muita coisa das minhas aulas de colégio.

Depois da janta tomei um banho de 5 minutos. Como eu sei que eram 5 minutos? Tive que pagar 1 dolar para tomar um banho de 5 minutos. Hahaha. Me ensaboei rapidinho com a água potável que eu tinha, coloquei a moeda, apertei o botão e tomei um banho quentinho. Logo depois fui conversar com o pessoal e mostrei umas fotos do Brasil e da viagem. Em seguida fui para a barraca escrever e dormir.

L.Felipe Preparativos

20/Julho - Dia 69 – Ottawa

July 24th, 2009

Dia 69 – Ottawa
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 5580,00 km

Acordei cedinho e tomei café da manhã com toda a família. Comi bem demais. O Marcel fez um café da manhã delicioso. Logo arrumei minhas coisas e fui para o centro da cidade.

O caminho até o centro beira o rio e tem a ciclovia em todo o percurso. A rua fica fechada para as pessoas no domingo e muitos senhores, crianças, adultos e jovens estavam passeando, correndo, pedalando, patinando. Ah, não posso esquecer dos que estavam com suas canoas e barcos no rio. Esse rio passa no meio da cidade e tem eclusas que controlam o nível da água. Imagina que irado ir passear no meio da cidade de canoa. Sai da sua casa, coloca a canoa no rio, vai até o trabalho, deixa o barco na marina ou no clube de canoagem e continua a vida. Hehehe. Irado.

Fui no prédio do Parlamento e fiz um tour com guia. É de graça e dá pra ir em todos os prédios do Parlamento. É sensacional. O prédio é lindo, por dentro e por fora. Coisa absurda, juro. No meio do tour eu conheci um pessoal brasileiro. Davi e Lilian com as filhas que moram em montreal e os irmãos deles. O pessoal é simpático demais e muito bacana. O Davi faz pós doutorado em montreal e eles vão ficar por aqui até o fim dos estudos.

Depois eu fui no museu da civilização que é muito bacana e conta a história de como o canadá começou e estavam com a mostra do egito. Lá, assisti uma sessão do IMAX. Era um filme de 30 minutos sobre o fundo do mar. A tela do cinema IMAX é muito, muito, muito grande. A cadeira deita um pouco e para olhar de um canto ao outro, você tem que virar o rosto quase 90˚. Sensacional. Parece que a gente tá dentro do filme.

No caminho de volta, passei pelo monumento em homenagem aos soldados canadenses que morreram em todas as guerras que eles participaram. Assisti a troca de guarda, que acontece de hora em hora. Tem todo um procedimento pesado com bandinha e tudo.

Na próxima vez que eu for pra Ottawa, preciso ir no Museu da Guerra, que dizem que é muito interessante e na Casa da Moeda (Mint), para ver a produção de moedas. Se rolar de eu ir em dia de semana, dá pra ver a produção de verdade.

Parei numa praia dentro de um parque. Fiquei lembrando de como é a praia no Brasil bateu uma nostalgia. Mas logo voltei pra realidade e fui para a casa do Marcel e da Susan.

Quando cheguei tomei um baita susto com o Marcel, que estava no quintal arrumando as plantas. Ele me ajudou a limpar a corrente e dar uma geral na bike. Depois tomei banho e jantamos. Conversamos bastante durante a janta e foi muito gostoso.

Gravei umas músicas brasileiras no computador da Susan, ensinei-a a usar o Ipod dela e fui dormir.

L.Felipe Preparativos

19/Julho - Dia 68 – Ottawa

July 24th, 2009

Dia 68 – Ottawa
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 5580,00 km

Essa noite, dormi super bem. Estava cansado e precisava de uma boa noite de sono. Acodei umas 8h30 e tomei café da manhã com Marcel e Susan. Eles fizeram um café da manhã bem bom, com ovos, croissant, cereal, café.

Logo na sequência, lavei minha roupa e fui ver e-mails e conversar com a família, que estava ficando preocupada com minha ausência. Mas viagem é assim mesmo. A gente tem que sumir um pouco. Fiquei um bom tempo na internet e o tempo lá for a estava bem estranho. Choveu, nublou, choveu, nublou.

Depois do almoço, Marcel me levou para dar uma volta na cidade de carro. Foi uma experiência interessante, já que não conhecia muito bem a cidade e fazia bastante tempo que eu não andava de carro. Tirei algumas fotos de dentro do carro, mas pretendo tirar mais amanhã, quando eu for realmente conhecer a cidade.

Mais tarde o irmão do Marcel chegou com a esposa, ficamos conversando um pouco e jantamos. Logo depois da janta fomos todos dormir.

L.Felipe Preparativos

18/Julho - Dia 67 – Arnprior a Ottawa

July 24th, 2009

Dia 67 –  Arnprior a Ottawa
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5580,00 km

Quando acordei, comecei a escrever um pouco sobre o dia de ontem. Tomei café da manhã com o Mark e os filhos dele e logo na sequência já coloquei tudo na bicicleta. Me despedi dele e dos filhos e segui para a estrada. Fui indo em direção ao centro de Arnprior, 17 kms longe de onde estava. Parei num posto, reabasteci de água e pedi informação para seguir em direção a Ottawa, pois a estrada que eu estava ontem, a highway 17, virou hwy 417 e não é permitido pedalar.

Bom, segui para a cidade, e peguei a antiga hwy 17, desativada há  mais de 10 anos. Estrada bem boa, sem movimento e com muitas fazendas e lugares bonitos. Apesar de estar paralela a rodovia principal, quase não havia carros e barulho. Segui até chegar num trecho sem asfalto. Parei, fiz aquela cara de “ué, não deveria ser assim”, mas segui. Eu tinha informações que essa estrada deveria ser asfaltada até Ottawa, mas mesmo assim parei um carro (o único que passou por mim nesse trecho) e perguntei se estava no caminho certo. Estava.

Segui uns 3 kms na rua de terra com cascalho. Muito gostosa a estrada, por sinal. Fazia tempo que eu não andava numa estradinha assim e me fez lembrar o Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina. Passei por um tunel de árvores e o asfalto voltou ao normal. Muito melhor do que o normal, pra falar a verdade. Muito bem cuidado. Segui em direção a Carp, onde parei para tomar um sorvete. Conversei com um pessoal nos correios e, como estava no meio da cidadezinha, pedi informação denovo.

Um ciclista me informou um trajeto totalmente rural, onde eu não pegaria trânsito nenhum e me levaria direto para a entrada de Ottawa. Segui essa estrada chamada Old Carp por uns 9 kms, com muitas casas lindas e muito bem cuidadas, e fui parar direto numa avenida com 3 faixas de cada lado, parecendo a marginal pinheiros. Nos primeiros 2 segundos eu fiquei meio assustado, mas logo vi a ciclovia e percebi que estava tudo bem.

Ottawa tem mais de 400kms de ciclovia e todo o trajeto, desde a entrada da cidade até o centro da cidade, eu percorri em ciclovia. Algumas ciclovias são na rua, outras são separadas, entram em parques, beiram os rios, totalmente sinalizadas e muito bem utilizadas pelos habitantes. Muitas pessoas correndo, caminhando, pedalando, andando de patins. Eu reparei também que essas pessoas tinham entre 7 e 90 anos. Ou seja, senhores de idade pedalando, patinando, caminhando, junto com os jovens, crianças e adultos.

Hoje, todo o caminho foi totalmente diferente e me trouxe uma sensação muito gostosa. Eu estava muito feliz por estar a chegando na capital do Canadá, por ter feito o caminho mais longo e mais bonito, por estar conquistando algo que eu queria há tempo. Só de chegar em Ottawa, pra mim, já é muita coisa e cheguei aqui com esse sentimento de conquista e independência. Foi único.

Já na cidade, nos meios das muitas ciclovias, conheci um ciclista. Eu não sei o nome dele, mas nós conversamos umas 5 horas seguidas. Pedalando ele me contou um pouco da história da cidade e me mostrou os lugares que eu deveria visitar. Tivemos conversas profundas sobre o futuro da humanidade, Marx e imperialismo. Não que eu tenha muito fundamento para falar sobre esses assuntos, mas foi um papo muito interessante. Tive que parar num bar em frente ao parlamento para tomar uma cerveja com o cara, para seguir o raciocínio. Hehe.

Nesse bar, liguei para o Marcel e fui para a casa dele. Ele me recebeu muito bem e sua esposa, Susan, também foi muito bacana comigo. Eles cozinham muito bem e fizeram um jantar sensacional. Conversamos um pouco, tomei um banho e dormi.

L.Felipe Preparativos

17/Julho - Dia 66 – Petawawa a Arnprior

July 24th, 2009

Dia 66 – Petawawa a Arnprior
Distância: 110,00km
Dist. Acum.: 5471,00 km

Choveu bastante essa noite. Ainda bem que eu estava protegido pelas árvores. Minha barraca estava embaixo de umas 4 árvores. Acabei nem jantando a noite passada. Ficou tarde para cozinhar, tomei um banho com bucha vegetal na torneira do banheiro e dormi. No meio da noite tive que comer umas maçãs, barra de cereal e fruta seca para compensar. Acordei com sede e um pouco de fome.

Pela manhã, acordei com o barulho dos esquilos. Abri a barraca e vi um montão deles. Eles fazem um barulho engraçado quando estão em cima da árvore ou quando veem algum perigo se aproximando. Arrumei tudo e comecei a tomar café da manhã. Enquanto tomava café a DONA DA CASA veio falar comigo e a gente conversou bastante até. Foi bem enriquecedor. Nesse meio tempo, outro amiguinho veio participar do meu café da manhã. É um esquilo menor que eles chamam de CHIPMUNK. O espertinho sentiu o cheiro da pasta de amendoim e veio em baixo da minha perna (eu estava sentado na grama) cheirar minha comida. Ele não tinha medo, vinha cheirava, dava uma volta e vinha me visitar denovo.

Fui para a estrada, agradecido pela hospedagem do CASAL. Estava meio nublado quando saí, mas o tempo foi abrindo ao longo do dia. Até a hora do almoço eu parei uma vez só para comer um amendoim e fazer um suco. A parte da manhã é sempre mais difícil pra mim, principalmente quando estou sozinho, e eu faço o máximo para pensar positivo e seguir o ritmo forte.

Na hora do almoço eu parei numa cidade com 7500 habidantes na beira de um lago. Fui na informações turísticas e pedi uma indicação para almoçar. Me indicaram um restaurante muito bom. Veio tanta comida no prato que eu tive que pedir uma marmita e levar o restante para a janta. Sobrou muito, e eu comi feito um cavalo. Nesse restaurante, uma família veio falar comigo e me disseram sobre um Festival de Blues que está acontecendo em Ottawa. Muito me interessa ir nesse festival. Várias bandas tocaram essa semana, Kiss, Ben Harper, entre outros.

Segui a diante com o festival na cabeça, e 50 e poucos kms depois eu cheguei em Arnprior, cidade que eu pernoitaria. Entrei no centro da cidade e parei no Subway para tomar uma coca. Na fila, conheci Mark, que estava com os dois filhos. Ele havia ido ao Brasil há pouco tempo e depois de 5 minutos de conversa, ele me convidou para pernoitar na casa dele. Aceitei muito agradecido. Conversamos um pouco enquanto eles comiam e ele seguiu para o jogo de futebol do filho.

Enquanto ele estava no jogo de futebol, eu fiquei usando a internet do Mcdonalds ao lado do Subway. Falei com família, respondi uns e-mails e dei uma olhada no Festival em Ottawa. O tempo passou rápido e logo eu tinha que seguir em direção a casa de Mark. No meio do caminho da casa dele ele passa de carro e segue. 10 minutos depois ele volta com a caminhonete do vizinho. Faltavam uns 15kms para chegar na casa dele e tinha um subidão considerável. (Ufa.. hehehe).

A casa dele é linda e fica a beira de um rio. O lugar é muito cheio de paz e não tem barulho de nada, a não ser do rio e dos passarinhos. Tomamos uma cerveja e conversamos um pouco no deck, em frente ao lago e logo fui tomar um banho para dormir.

L.Felipe Preparativos

16/Julho - Dia 65 – Dois Rivieres a Petawawa

July 24th, 2009

Dia 65 – Dois Rivieres a Petawawa
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5361,00 km

Dormi muito hoje, foi tão bom. Estou há mais de 2000 kms sem um dia inteiro de descanço, ou seja, 18 dias. Estava precisando dormir um pouco mais. Estava pronto para pedalar as 11h da manhã. Karl e Amy decidiram ficar nesse camping para um dia de descanço, mas eu havia decidido há um tempo só descançar em Ottawa. Falta pouco, mais 2 dias e estarei lá.

Bom, deixei o casal e comecei a viagem sozinho. Hoje foi o primeiro dia que pedalei sozinho, sem previsão para ter companhia novamente. Foi diferente. Esses 4 dias com Amy, Karl e Suzi foram bons para que eu conhecesse ainda mais sobre meus limites fisicos, já que eles pedalam muito mais fortes que eu, e sobre minhas limitações mentais, pois a partir de agora vou pedalar sem o Nelson, o que não estava no programa. Foi uma preparação para a “liberdade”. De qualquer maneira, o Nelson está a pelo menos um dia na minha frente e o casal a um dia para trás. Devo encontrar o Nelson quando chegar em Ottawa e encontrarei Karl e Amy no meu dia de descanço. Provavelmente. Nunca se sabe, né.

Fui na fé. Tinha tomado um belo café da manhã no camping que me sustentou bem, estava abastecido de água, com minhas 4 garrafas. Não teria problemas. Só precisaria alinhar a cabeça para pedalar forte e fazer no mínimo 20km/h de média, pois estava saindo tarde e não poderia chegar muito tarde em Pettawawa, que fica há 100km da onde eu estava.

O dia começou cheio de montanhas e subidas, o que me preocupou. Então, parei de olhar a kilometragem no computador de bordo e deixei só a velocidade e a velocidade média a mostra. Falei para mim mesmo que não olharia a distância percorrida para não estressar a cabeça. Eu sabia que teria que pedalar 5 horas a 20km/s e isso bastaria. Teria só que manter a velocidade média o mais próximo de 20. (foi um bom método para fazer o tempo passar mais rápido na subida).

As primeiras 2 horas foram bem difíceis, por causa do calor e das subidas. Muito vento contra, que dificultava a pedalada, mas deixava a temperatura do meu corpo mais equilibrada. Comecei sem música e concentrei na pedalada e no topo das montanhas. A estrada é muito bonita e tem uns cenários bem bacanas. As casas na beira da estrada são muito bem cuidadas e tem uns jardins fenomenais.

Eu sabia que a 52 kms do inicio do dia teria uma cidade onde eu poderia almoçar (adotei o segundo café da manhã) um omelete com torradas e etc… Mas pouco antes, parei num posto de gasolina para usar o banheiro, tomar um sorvete (tava com uma saudade) e aproveitei para tomar um café gelado. Sentei no chão, próximo a bicicleta tomando o sorvete e me alongando.

Pouco depois cheguei no restaurante que precisava, na hora certa. Comi um omelete e tomei café com leite, suco de laranja, torradas e tudo mais. Foi sensacional. A Pati me ligou e a gente conversou um pouquinho, mas como ela estava no trabalho, não deu para falarmos muito. Segui mais adiante e cheguei numa cidade até que grande, parei num Tim Horton, tomei outro café e um Donut. Aproveitei para pegar uns sachês de açúcar e sal. Saindo do Tim Horton, um cara veio falar comigo, estava interessado no trailler. Aproveitei para perguntar onde encontraria um mercadinho para comprar frutas e um molho para colocar na janta. Fui no mercado e segui a diante.

A partir daí não encontrei mais longas subidas, e segundo informações, não teria mais subidas como as que eu peguei hoje cedo até Ottawa. Foi um alívio, assim eu poderia subir a velocidade média mais fácil e não me atrasar. Começou a garoar. Nesse plano até Pettawawa, passei por uma base militar. Na verdade toda a Pettawawa gira em função da base militar, que é gigante. Precisei de uma hora (uns 20kms) para passar pela base, que beira a estrada. Dava para ouvir os tiros de metralhadora da estrada e passei por 2 tanques de guerra que estavam a milhão na beira da estrada. Foi interessante.

Na entrada da cidade, tirei foto de um tanque de guerra e entrei em direção ao centro. Logo que entrei, 5 minutos depois, vi uma construção na frente de uma casa e as pessoas da casa estavam lá, olhando o serviço do povo. Passei um pouco essa construção e vi, no mesmo terreno, um trailler e um gramado gigante. Pensei, porque não perguntar se posso acampar alí no jardim… Pois bem, fui muito bem recebido e passei o resto da noite conversando com os donos da casa (ESQUECI O NOME DO CASAL E DA FILHA E GENRO). Passou o tempo e eu não havia cozinhado a janta. Já estava escuro e a garoa persistia. O casal me mostrou um banheiro do lado de fora da casa, e um lugar para eu recarregar o laptop. Perfeito.

L.Felipe Preparativos

15/Julho - Dia 64 – North Bay a Dois Rivieres

July 24th, 2009

Dia 64 – North Bay a Dois Rivieres
Distância: 109,00km
Dist. Acum.: 5254,00 km

Essa madrugada foi meio tensa e não consegui dormir direito. Minha barraca estava atras da mesa de pique-nique e perto de um lixo. Durante a noite um guaxinim veio assaltar o lixo e começou a fazer barulho. Depois ele tentou abrir a mala do Karl que estava cheia de comida. Eu só ouvi o barulho e pensei que pudesse ser um animal maior, tipo um urso. Meu coração disparou e eu pensei: danou-se. Peguei a lanterna e sai da barraca para ver o que estava acontecendo. O gaxinim estava lá me olhando, na maior cara de pau, como se eu estivesse atrapalhando o lanche dele. Joguei um galho nele e ele saiu correndo. 10 minutos depois ele voltou e me acordou denovo. E assim foi mais umas 5 vezes, até que eu sai correndo atras do bicho e ele saiu num pinote tão assustado que nunca mais voltou.

Sete horas da manhã e um cara começou a ligar um dos barcos. Um baruho terrível de motor for a d’água. Acho que estava com algum problema e estavam tentando arrumar. Mas poxa vida, as sete da manhã?? Tenha dó. Acordei, mesmo querendo dormir mais. Não tinha como ficar acordado com aquele cara testando o motor. Levantei e começei a fazer o café da manhã. Enquanto fazia a aveia com granola, cereal e banana, fui arrumando as coisas.

Quando eu arrumei as coisas, o Karl levantou e começou a fazer o café dele. Deu mais um tempinho e ele foi acordar a Amy. Todos arrumando as coisas e o John chegou para ver nossas bicicletas e equipamentos. Ele começou lá com o casal e eu fui comendo meu café. Depois ele veio falar comigo e eu já estava quase pronto. Lavei a louça e ele nos mostrou como fazia para voltar para a estrada 17 novamente, por um caminho melhor do que o que fizemos ontem. Explicando, ele decidiu nos acompanhar de bicicleta e disse que nós haviamos inspirado ele a voltar a fazer esse tipo de viagem. Segundo ele, tinha parado por causa da idade e porque em Toronto, cidade que morava, ele não gostava de pedalar no meio da poluição. (acho que ele não conhece são paulo).

Seguimos pedalando e eu ainda me sentia fraco, pois não havia descançado direito. Comi um amendoim sentado num posto, 17kms longe do camping. Na sequência vieram várias subidinhas que me faziam ficar longe do casal. Eu estava realmente cansado e preciso de um dia de descanço logo mais. Estamos chegando em Ottawa, são só mais 3 ou 4 dias, e assim eu vou poder descançar tranquilo. Se bem que se eu achar um lugar bacana no meio do caminho, é capaz de eu fazer um dia de descanço.

Quando já haviamos pedalado quase 40kms paramos para fazer o segundo café da manhã (na hora do almoço). Comi aquele omelete animal, cafézinho, torrada. Fiquei cheio. Tinha muita comida. Aproveitei para comprar um doce, caso precisasse de energia durante o percurso.

O sol estava de rachar hoje. O dia todo. Sem nenhuma nuvem no céu. E isso fez meu batimento cardíaco ir lá pra cima quando escalavamos as subidas. Fora que estava suando como há tempos não suava. Tenso.
Chegamos numa vila e o Karl queria passar no banco e comprar algo no mercadinho. Enquanto ele foi ao banco eu conversava com um cara na rua. Meio louco e sem noção. Ele queria me convencer que a lei estava errada e que é mais seguro pedalar do lado contrário da rua, pois o ciclista poderia ver os caminhões e desviar. (Bom, é por isso que usamos retrovisor). Ele falou que as vezes os caminhões não tem espaço para desviar dos ciclistas e não deveriam gastar freio e gasolina, os ciclistas que deveriam desviar. Ele disse que os ciclistas acham que são carros e não desviam dos caminhões. (ué, se o cara tá vendo a bicicleta lá de longe, porque ele já não começa a reduzir a velocidade?). Ele me deu um exemplo interessante, em Sudbury, há pouco tempo atras 3 crianças de bicicleta foram atropeladas por um carro e morreram. As crianças estavam do lado correto, seguindo o fluxo do trânsito e foram atropeladas. O cara tava bêbado, mas se as crianças tivessem visto o carro, poderiam ter desviado. (ai eu dei risada e falei pra ele: se o cara não tivesse bêbado, ele não teria acertado as crianças.). Aqui, 99,9% dos caminhões e carros respeitam muito os ciclistas e vão pro meio da pista para não ter o risco de que aconteça algo com a gente. Isso faz toda a diferença.

Bom, seguimos e fomos no mercadinho. Eles entraram e eu sentei do lado da bike. Capotei. Dormi por uns 15 minutos ouvindo um som. Quando acordei eles já estavam prontos para continuar. Ao sair do mercadinho, o Karl teve um pneu furado, que ele arrumou em 2 tempos. Seguimos e as subidas estavam cada vez mais inclinadas. Eu já estava cansado e já ultrapassávamos os 100kms do dia.

Finalmente achamos um camping numa cidade chamada Trois Riviere. Muito bacana o camping e tem uma vista sensacional. Os donos são holandeses e mudaram para cá com os 5 (cinco!!!) filhos. Cheguei, tomei um banho de piscina, tomei um banho de verdade e jantei. O Karl fez a janta e fez um pouco mais pra mim. Muito bacana da parte dele. Conversamos um pouquinho, tomei um suco e fui dormir, exausto.

L.Felipe Preparativos

14/Julho - Dia 63 – Sudburry a North Bay

July 24th, 2009

Dia 63 – Sudburry a North Bay
Distância: 112,00km
Dist. Acum.: 5145,00 km

Dormi que nem criança, mas devia ter dormido mais. Começamos o dia meio tarde, pois estavamos bem cansados por causa de ontem. Enquanto eu arrumava as coisas, um rapaz que estava a caminho do chuveiro parou pra conversar comigo, pois ele tambem estava fazendo uma viagem de bicicleta, mas ele não tinha tanto tempo, apenas um mês. Conversamos um pouco, e na sequência já preparei o café da manhã. Comi, tirei uma soneca de 10 minutos para esperar o Karl e a Amy, que estavam acabando de se arrumar.

O começo da pedalada foi bem duro, eu não estava me sentindo com força suficiente para acompanhá-los. Dessa vez, quem foi liderando foi o Karl e ele pegou mais leve. Depois ele me contou que ontém foi um dia não-usual, pois Amy queria testar sua força, apesar dele falar para ela salvar energia. Foi um bom teste.

Bom, paramos uns 30 kms depois para comer amendoim e tomar um suco. Depois de mais um tempo, achamos um restaurante para comermos um omelete bem bacana, com batata, torrada e café. Comemos bastante no segundo café da manhã e já era hora do almoço. Ainda tinhamos quase 100 kms pela frente e o trecho tinha várias montanhas bacaninhas, que me fizeram suar a camisa, mesmo com o tempo nublado

A estrada é muito bonita e segue ao lado de vários rios, lagos e pantanos. Interessante, pena que o tempo não ajudou para tirar umas fotos. Aliás, estou tirando muita pouca foto por causa do tempo. Mas hoje eu tirei uma boa, era de uma fazenda de Flax, um grão que eles comem aqui, que tem a flor bem amarela, parece até que o sol está deixando tudo mais claro.

Seguimos e paramos no Tim Hortons para comer um Donut. Tomei um café com vanila muito bom. Eles gostam bastante desse Tim Hortons e sempre que dá acabam parando para comer um donut de 85 centavos. Açúcar nos dá energia para continuar a pedalada. Agora que estou pensando, faz tempo que não paro para um sorvete. Vou ver se amanhã acho algum lugar bacana. Ainda faltavam mais 40 kms para chegarmos em North Bay, e o camping que ficamos ficava há uns 10 kms fora do caminho da estrada. Tranquilo, quem pedala 140, pedala 150km.

O camping é muito legal e fica a beira de um rio. Espaçoso e com muito trailer e casas móveis. Na beira do rio, muitos barcos estacionados. Quase todos que estavam acampando ao nosso lado falavam francês. Já faz 2 dias que estou percebendo que as pessoas tem falado francês e inglês normalmente. Como estamos chegando mais perto da fronteira com Quebéc, o francês começa a ser mais usado. Uma pessoa que estava perto da nossa barraca não falava francês, John, australiano que está procurando casa para morar. Muita gente fica acampando enquanto procura casa, assim conseguem achar os melhores lugares e melhores preços, interessante. Já faz 2 dias que estou percebendo que as pessoas tem falado francês e inglês normalmente. Como estamos chegando mais perto da fronteira com Quebéc, o francês começa a ser mais usado.

L.Felipe Preparativos

13/Julho - Dia 62 – Massey a Sudburry

July 24th, 2009

Dia 62 – Massey a Sudburry
Distância: 112,00km
Dist. Acum.: 4994,00 km

Acordei umas 7h e comecei a arrumar minhas coisas. Eu tinha feito uma zona e minhas coisas estavam todas espalhadas na barraca. Enquanto isso a Suzy foi arrumando as coisas dela rapidinho e o Karl e a Amy também já foram se agilizando. Enquanto eu preparava café da manhã, a Suzy foi embora, para procurar um restaurante para tomar café. O Karl fez aveia com um monte de coisa para ele e pra namorada. Eles são vegetarianos e comem um monte de coisa diferente. Bem bacana e saudável.

Seguimos o pedal bem forte e pedalamos uns 30 kms até achar o restaurante mais próximo, onde a Suzy estava comendo. Nesse trecho seguimos direto entre 35 e 40km/h e quem estava puxando era a Amy. Foi sem noção. Nunca pedalei tão forte por tanto tempo (ainda estávamos no começo do dia…)

Chegando na cidade de Espanola, a Suzy se separa e segue para o sul. Ela vai em direção ao sul de Ontário, pelas ilhas. O trecho tem muito mais cenário, mas é uns 500kms mais longo. Depois de nos despedirmos, paramos no Tim Horton e paramos para comer um Donuts. Mas depois, seguimos e seguimos forte demais. Mantivemos 26km/h de média e o trecho tinha algumas (várias) subidinhas bacanas. Fazia tempo que eu não suava tanto. Minha perna queimava na subida e na descida, pois eles pedalavam mais forte ainda na descida. Chegamos no camping acabados. Até o Karl estava acabado, pois a Amy puxou muito forte o dia todo. Ela queria queimar os Donuts. Hehehe.

Tinha internet no camping e aproveitei para conversar com o povo. Fiz jantar. Tomei banho. Falei com a Pati. Dormi Tarde.

L.Felipe Preparativos

12/Julho - Dia 61 – Thessalon a Massey

July 24th, 2009

Dia 61 – Thessalon a Massey
Distância: 127,00km
Dist. Acum.: 4882,00 km

Acordei as 7h e comecei a arrumar as coisas dentro da barraca. Essa noite choveu muito e o chão da minha barraca estava muito húmido. Acabei descobrindo que a lona que eu coloquei embaixo da barraca juntou a água da chuva e enxarcou o chão. Quase uma piscina entre a lona e a barraca.

Comecei a tirar tudo e colocar no sol para secar e o pessoal acordou e já foi se agilizando. O Carl foi fazendo o café da manhã enquanto a Amy arrumava as coisas na barraca. A Suzi juntou todas as coisas e foi tomar café da manhã na estrada. Eu e o casal ficamos prontos na mesma hora e seguimos. O vento estava a favor e a gente pedalou muito forte, entre 30 e 40km/h. por mais de meia hora. Sensacional, parecia que eu tava com minha speed. Quando encontramos o restaurante, tomamos outro café da manhã para acompanhar a Suzi, que estava quase terminando. Foi bom para dar uma reforçada.

Estavamos pedalando muito bem todos os 4 e eu lembrei que eu precisava tirar dinheiro no banco e comprar algumas coisas que eu não tinha, tipo arroz, óleo, sal. Coisas que o Nelson carregava e eu não precisava me preocupar. Passamos por uma cidade que tinha dois bancos, mas acabei deixando pra lá, pois na cidade que iriamos pernoitar era relativamente grande e provavelmente teria um banco.

Paramos num centro de informações turísticas, onde eu peguei um mapa novo (o outro estava com o Nelson) e encontramos Ivan, canadense de Quebéc. Ele estava tirando um cochilo no banco quando chegamos. Almocei cenoura, maçã, barra de cereal e batata. Nada muito pesado, mas sustentou. Depois do almoço, Ivan se juntou a nós e pedalavamos em 5. Foi bem bacana. Todo mundo no mesmo ritmo, um atras do outro.

Chegando na cidade, fiz compras no mercado, passei no banco pra tirar dinheiro, enquanto isso o Ivan seguiu em frente até a cidade de Espanola. O Carl deu a idéia de comprar um vinho para tomarmos, já que estavamos em 4 pessoas e seria a dose ideal para tomar uma garrafa de vinho. Fomos para o camping, montei a barraca e depois a gente foi tomar um banho de cachoeira. Esse camping provincial é sensacional e tem uma ótima estrutura.

Depois do banho cozinhei uma macarronada, comi uma fruta e fui dormir.

L.Felipe Preparativos

11/Julho - Dia 60 – Sault Ste Marie a Thessalon

July 24th, 2009

Dia 60 – Sault Ste Marie a Thessalon
Distância: 112,50km
Dist. Acum.: 4745,00 km

Quando eu acordei foi a mesma história de ontem. O Nelson já estava quase pronto e não parecia querer compania. Perguntei porque ele não iria tomar café da manhã, ele resmungou algo que eu não lembro e saiu pedalando. Eu continuei no meu ritmo, fiz meu café da manhã, assinei o livro de visitantes da bicicletaria e parti uns 40 minutos depois.

Logo que eu comecei a pedalar começou a chover bem forte, foi uma tempestade rápida até. Demorei uns 20 km pra sair da cidade e fui tirando o casaco, a calça parei pra encher um pouco o pneu, pra comer uma barra de cereal. Apesar de todas as paradas, eu pedalava forte pois tinha tomado um café da manhã bem reforçado. Eu não sabia ao certo até onde que eu iria pedalar hoje, só sabis que Thessalon fica há uns 100 e poucos km de onde eu estava.

Dado um certo momento a estrada 17 e a 17B se juntam e eu encontrei um casal canadense Carl e Amy Duda e a Suzi, britânica. Conversamos um pouquinho e seguimos pedalando juntos. Eles pedalam bem forte e eu suei a camisa para acompanhá-los. Enquando eu e o Nelson faziamos 21km/h de média, eles fazem 26km/h fácil. Isso quer dizer que na média eu tive que pedalar 25% mais rápido do que eu estou acostumado. (papo de engenheiro, né? Muito número.. hehe).

Pedalavamos bem e eu estava começando a ficar com fome. Pouco antes da cidade eu tinha planejado almoçar, encontrei o Nelson comendo batatinha na beira da estrada. Convidei-o para almoçar conosco, mas ele não quis. Seguimos. Parei na cidade, tomei um sorvete animal. Nessa o Nelson chegou, comprimentou todo mundo e foi embora. Perguntei até que cidade ele iria hoje e ele me respondeu que não sabia e que a gente era muito mais rápido que ele, por isso nos encontrariamos no caminho.

Depois do sorvete eu fui num restaurante comer um sandwiche e salada. Bom e rápido. O pessoal que eu estou acompanhando hoje comeu uns amendoins e nozes. Eles comem muito bem no café da manhã e janta e acabam comendo pouco ao longo do dia. Acabei meu lanche e seguimos juntos. Mesmo ritmo, forte.

Chegando em Thessalon, entramos na cidade para comprar algumas coisas no mercado e seguimos em frente. 9 km para frente havia um camping na beira do lago e acabamos ficando por lá mesmo. Banheiro perfeito e grande demais, lago quentinho, mas muitos pernilongos. Cozinhei um macarrão, comi um monte de cenoura e fomos tomar uma cerveja no restaurante do bar para dormir mais relaxados.

Pouco antes de dormir, começaram uns raios e trovões muito fortes e eu dormi.

L.Felipe Preparativos

10/Julho - Dia 59 – Goulais River a Sault Ste Marie

July 24th, 2009

Dia 59 – Goulais River a Sault Ste Marie
Distância: 40,50km
Dist. Acum.: 4627,50 km

Quando acordei o Nelson já tinha arrumado quase tudo. Olhei no relógio e percebi que não estava atrasado, eram 6h30. Comecei a arrumar tudo e pedi um favor para o companheiro, que me negou. Fiquei desapontado, falei umas besteiras e continuei arrumando as coisas. Quando acabei, o ele já não estava mais lá. Como não havia tomado café da manhã, segui para o posto para usar o banheiro e tomar um café, mas sem sinal do companheiro. Acho que demorou 1 hora mais ou menos entre a hora que ele e eu começamos a pedalar. A partir desse ponto achei que não o veria mais na viagem. Me preparei psicologicamente para seguir sozinho.

Dado o fato que seria cada um por si, segui no meu ritmo e pedalei forte. Seriam só 30 km até a cidade e mais um pouco para conhecer a cidade mesmo. Chegando em Sault, pedi informação para uma senhora na rua. Ficamos conversando uma meia hora sobre diversos assuntos. Adoro conversar com pessoas desconhecidas que podem e querem agregar algo pra sua vida. Depois de conversar com a senhora, passei numa loja de fotografia e comprei um tripé, que estava fazendo falta, já que não teria mais as fotos do Nelson, que gosta de tirar fotos de ação do dia a dia.

Depois da compra segui para a bicicletaria que me indicaram. Ao chegar na bicicletaria, o Nelson estava lá, com o mecânico arrumando a bicicleta. Doce coincidência. Ele quis me mostrar dar lição de moral. Eu ouvi, mas falei o que precisava falar. Que ele tem que aprender a trabalhar em equipe e parar de ficar testando os limites das pessoas. Enfim, almoçamos num chinês mais ou menos e passamos no escritório do Rotary, que coincidentemente é do lado do china. Muito bem. A moça do Rotary, que eu esqueci o nome, comentou que uma bicicletaria chamada Vél tem um camping gratuito para viajantes como nós.

Como ainda era cedo, fui passear na orla do rio, divisa com os estados unidos. Tirei umas fotos lá e o Nelson disse que estava indo para a biblioteca próximo de onde estavamos. No caminho, fui tirando umas fotos e pedalando, quando um senhor muito simpático me parou e fez umas perguntas muito interessantes sobre minha viagem. Fiquei conversando com ele uns 10 minutos. Foi bom para dessestressar a mente (que já deveria estar relaxada).

Segui para a biblioteca, carreguei meu computador, respondi uns e-mails e tentei atualizar o site, que estava fora do ar. Não sei porque as vezes o site não funciona. Devo ter ficado lá uns 40 minutos e seguimos para esse camping da bicicletaria. Chegando lá, fomos muito bem recebidos pelos atendentes da loja e quando dissemos que eramos viajantes, eles nos ofereceram o camping na hora e nos mostraram o código da porta que abre o banheiro com chuveiro. Perfeito.

Fiquei um tempão conversando com o pessoal da loja e um dos donos chegou. Um senhor alemão que construia bicicletas e as vezes ainda constroi. Comecei a conversar com ele e ele me deu uma lição de vida. É impressionante como tem gente que agrega valor as coisas que fala, a maneira como age e na maneira como pensa. (= coerência). Ele me ensinou bastante também sobre cicloturismo e me disse que não devemos fazer cicloturismo para nos massacrar, e sim para curtir cada segundo. Não importa o destino, mas a viagem.

Ian arrumou meu bagageiro logo depois de eu tomar um banho. Ele colocou vários pontos de solda em todas as juntas e ficou perfeito. Ficamos conversando, eu, ele e a esposa.

L.Felipe Preparativos

9/Julho - Dia 58 – Montreal River a Goulais River

July 24th, 2009

Dia 58 – Montreal River a Goulais River
Distância: 98,50km
Dist. Acum.: 4587,00 km

O Nelson acordou junto com as galinhas, pra variar. E eu acordei na sequência e logo a Maria desceu para fazer um café da manhã. Nós fizemos um cereal quente, ela fez ovos e bacon, torradas, café, chá, 3 frutas e uma infinidade de comida. Larry havia acordado meio mal do estômago e não se sentia muito bem. Comemos bastante e Maria nos levou devolta a lojinha na beira da estrada para pegar as bicicletas.

Seguimos nosso caminho e isso já eram umas 10h00. O vento nos ajudou bastante e em 2h20 pedalamos 46kms. Encontramos uma reserva indígena com uma área de descanço com aquelas mesas que a gente tanto gosta. Comemos alí e na sequência demos uma cochilada. Cada um num banco da mesa. Dormimos por 2h30. ???? Pois é, e se eu pudesse acho que dormia mais. Estou cansado, fazem 11 dias que nós não paramos para descançar a musculatura.

Nessa reserva indígena tem uma loja bem grande de artesanato e vendem umas coisas de muito bom gosto e baratas. Tem até pele de lobo, urso, roupa nativa, muita escultura em madeira e umas caixas de madeira muito bacanas. Se eu pudesse, gastava uma grana alí, mas infelizmente não tenho onde por. Pensei em colocar um chifre de alce na minha bicicleta, mas ia ficar meio estranho. Hahaha.

Seguimos em frente e eu não estava mais no embalo de pedalar. Chegamos numa parte muito bonita e margeava o lago por muitos kms, cheio de casa de veraneio na frente do lago, mas não eram tão privados quanto a casa do Larry e da Maria. Pensei que poderiamos acampar por alí, assim eu poderia dar um mergulho no lago já que o sol se põe tarde. Nada, o Nelson não estava afim de parar pra nada. Acho que por ele ele só pedala, come e dorme. Eu prefiro aproveitar um pouco os recursos, mas não tá rolando.

Quando foi 19h20 encontramos um posto com uma loja bem completa e 24h. Pensei que era uma boa idéia acampar alí, pois se precisassemos de algo, poderiamos comprar no posto. Paramos e eu fui conversar com a dona do lugar. Ela não quis que acampassemos no quintal dela pois tinha algo na grama que eu não entendi, mas tudo bem. Jantamos alí no posto, numas mesas bacanas e a dona do posto comentou que logo do outro lado da rua teria um lugar bacana para acampar, se quisessemos. Seguimos para esse lugar e comentamos de usar o banheiro da loja no dia seguinte.

Chegamos numa rua onde tinham várias (3) casas. Paramos na primeira e batemos na porta. Ninguém atendeu. Bati denovo e nada. O Nelson então decidiu que deveriamos acmapar alí perto da casa pois quando a pessoa da casa chegar ela não poderia negar nossa visita. Doce engano. Quando a dona da casa viu ela nos botou pra correr. Eu fiquei desconfiado da atitude dela, pois ela não quis nem ouvir direito o que eu tinha pra falat. Eis que eu vejo uma bandeira dos EUA na porta da casa dela. Tentamos a casa da frente e o dono da casa (que não se apresentou, mesmo eu perguntando o nome dele várias vezes) deixou que acampassemos no jardim dele.

Arrumei a barraca e coloquei um anti mosquito na porta antes de dormir.

L.Felipe Preparativos

8/Julho - Dia 57 – Wawa a Montreal River

July 24th, 2009

Dia 57 – Wawa a Montreal River
Distância: 118,50km
Dist. Acum.: 4488,50 km

Logo que acordamos pegamos as bicicletas na garagem do hotel e arrumamos as magrelas. Eram umas 7h e o tempo estava muito estranho. Frio e com uma cara que ia chover em breve.

Eu não tinha visto o mapa para fazer o planejamento de onde iriamos pernoitar essa noite. A única coisa que eu sabia é que iriamos passar por um parque provincial bem grande, 85k de estrada no meio do parque. Perguntei para o Nelson, enquanto pedalavamos, onde iriamos pernoitar hoje, pois ele estava com o mapa. Ele disse que tinha uma cidade há 105 km dalí. Achei estranho, pois era quase junto com o parque, já que tinhamos pedalado 18km até a entrada do mesmo. Mas segui.

Logo cedo eu já liguei a música e fui cantando, pra espantar os males e aproveitei para pensar um pouco mais sobre alguns assuntos pessoais. Eu diria que pensei bastante, mas eu queria ter uma memória extra pra poder guardar exatamente o que eu tinha planejado durante o dia.

Lá pelas 10h eu começei a ficar com fome. Sugeri uma parada para comer um amendoim, mas o Nelson não quis. Eu até pararia para comer, se eu tivesse amendoim. Estava com ele. Comi uma barra de cereal pra enganar o estômago. 11h30 meu esômago roncava novamente e chegamos na entrada de uma trilha que ia para um lago. Sugeri que almoçassemos alí, mesmo sem ter mesa de pique-nique, poderiamos sentar no chão. O Nelson não quis. Começei a ficar nervoso, porque estava com fome. 7km mais pra frente chegamos na beira do lago superior e tinha uma mesa para fazer pique-nique. Aleluia. Paramos e comemos. Esse lugar é uma praia de lago e tem areia de verdade. A maioria da costa aqui tem pedrinhas em vez de areia.

Depois do almoço, seguimos bem rápido para essa cidade que o Nelson havia comentado, mas haviamos pedalado 108 km e nada de cidade. Em vez disso, veio uma baita subidona gigante. Chegamos no topo e não tinha nada, só a descida, mais ingreme ainda. Descemos e veio outra subida. No meio dessa segunda subida tinha um posto, uma lojinha e um mecânico. Perguntamos quanto tempo demorariamos para chegar na cidade de Montreal River e a atendente falou: “Bem vindo a Montreal-River”. Perguntei se faltava muito para chegar no centro e ela falou que aquilo era a vila. Não tinha mais nada. Nada. Pensei comigo mesmo: Fedeu-se.

Fomos enrolando alí na lojinha, comprei um café e fomos dar uma volta no terreno para ver se tinha algum lugar válido para acamparmos. O terreno era bem sujo e tinha muita tralha. O mecânico tinha tanta tranqueira velha que o lugar inteiro tinha peça de carro velho e tralha. Não tinhamos muita opção, teriamos que acampar no meio da bagunça. Voltamos na lojinha e perguntamos pro dono do lugar se poderiamos acampar. Ele deixou sem problemas.

Enquanto tomava meu café, enrolando um pouco para tomar coragem e ir pro meio do ferro velho, uma senhora pergunta pro Nelson, que vestia a camisa do brasil: “Vocês são brasileiros?”. Olhei pra cara dela com aquela cara de ué. Ué, ela falou português?. Qual a chance de encontrarmos um brasileiro numa vila que devem morar umas 15 pessoas no verão e 4 no inverno? Quase zero, certo? Ok. Ela se chama Maria e é casada com Larry, americano. Eles são professores de universidades em Chigaco e tem uma casa de férias na beira do lago superior alí em Montreal River. Coincidência ou não, os nossos anjos da guarda estão trabalhando muito.

Bom, conversamos muito com eles, e o Larry fala muito bem português, até que eles convidaram para ficarmos na casa deles. O problema era que a casa deles era no topo daquela montanha que haviamos acabado de descer. Então falamos com o pessoal da loja, deixamos as bicicletas trancadas lá e fomos de carro até a casa deles. Lugar muito aconchegante e gostoso. Em menos de 1 minuto de caminhada chega-se na praia de pedrinhas no lago Superior. Uma praia privativa com 2 casas e os acessos são somente pelas casas. Perfeito. Tomamos um banho, jantamos e fomos ver o por do sol na praia. Lindo demais.

Logo depois do por do sol, comemos cereja, chá e chocolates brasileiros (sonho de valsa). Hummm.. delícia.

L.Felipe Preparativos

7/Julho - Dia 56 – White River a Wawa

July 24th, 2009

Dia 56 – White River a Wawa
Distância: 98,50km
Dist. Acum.: 4370,00 km

Acordamos cedo e as 7h10 já estavamos na estrada. O tempo estava nublado e bem frio. Menos frio que ontem, mas ainda assim estava gelado. Resolvi pedalar ouvindo música hoje e foi bem bom. Eu tava meio pra baixo pela manhã e ouvi 1 disco do Infected Mushroom e 2 do Tiesto pra dar uma animada.

Pedalamos bem e o vento até que ajudou. Estava brando e não dificultou muito a vida. Não pegamos subidas muito longas também, o que ajudou bastante. As 10h30 tinhamos pedalado 50km e faltava mais uns 45km para chegarmos em Wawa. Paramos num posto de gasolina e eu tomei um sorvete, um café com leite e comi uma batata. O Nelson comeu uns 5 chocolates diferentes. Parecia criança na loja de doce. Hahaha.

Seguimos e umas 13h30 chegamos em Wawa. Logo na entrada tem um centro de informações turísticas e paramos lá para entrar em contato com o Rotary. Conversamos um pouco com o pessoal de lá e eles nos conseguiram o telefone do assistente do Governador do distrito, Mike, que foi nos receber lá mesmo. Conversamos bastante com ele e seguimos para conhecer a cidade.

Uns 6 quarteirões da entrada da cidade fica o centro. Fomos pedalando até lá e tudo estava nublado. Tudo mesmo. A humidade saia do chão. Acho que o tempo estava abafado demais e a água do chão estava evaporando. Muito estranho. O centro da cidade até que charmoso e o lago é bem bonito. Almoçamos num restaurante chinês ao lado do lago e comemos muito bem. Ainda pedi uns biscoitos da sorte a mais. Hehehe. Depois do almoço fomos ao lago da cidade que deu o nome a cidade. Wawa significa Wild Goose (Ganso selvagem). Quando as primeiras pessoas chegaram aqui, foram ao lago que estava cheio de gansos selvagens.

Viemos ao hotel e eu fiquei tentando arrumar as fotos do site. Tentei de tudo e não consegui. Talves eu tenha que selecionar um pouco mais as fotos e diminuir a quantidade. Sei lá. Aproveitei pra fazer um conference no Skype com o Renan, Calé, Desmond e Ricardo e Gui. Foi divertido pacas. Depois liguei pra minha mãe que faz anos hoje. Feliz aniversário mama!

O Nelson fez compras, conversei com mais uma galera e fiquei no computador, tentando aprender a mecher no Mac, carreguei o iPod e peguei uns programinhas grátis para facilitar a vida no laptop. Na volta do mercado, o Nelson me volta com muita comida. Ele se empolgou lá e comprou 6 barras de chocolate pra cada um e 2 potes de doce de leite, mais um montão de coisa. Amanhã vou pedalar com muita carga.

L.Felipe Preparativos

6/ Julho - Dia 55 – Marathon a White River

July 24th, 2009

Dia 55 – Marathon a White River
Distância: 120,00km
Dist. Acum.: 4271,50 km

Tomei um susto quando acordei. Já eram 7h e estavamos “atrasados”. Eu tinha combinado de ligar para a Pati na manhã, mas não consegui. Quando ia ligar a Marian chegou com café da manhã pra nós. Tomamos um belo café e o Forest, cachorro da casa, estava parado embaixo da árvore só esperando o esquilo descer para ele caçar. O Nelson balançou a árvore, o esquilo caiu e o cachorro saiu correndo atrás do bichano. O esquilo é muito rápido, deu um olé no cachorro e subiu na árvore denovo.

Depois do café eu continuei arrumando as coisas e partimos as 9h15, atrasados. O vento estava bom e o céu bem azul. Quase nenhuma nuvem, mas o friozinho tava lá. Perfeito para pedalar. 20 km depois chegamos na entrada de Marathon, onde começou uma construção para duplicação da via. Uns 2 km. Sussa. O tempo começou a esquentar e eu tive que tirar o casaco.

Depois da cidade, chegamos numa estação de ski que não tinha neve. Lá encontramos pai e filho que pedalavam de Montreal a Winnipeg. Eles iam para uma convenção em Winnipeg. Nessa estação de ski também é um centro de informações turísticas e tem uma maquete da região e outra maquete da Mina de ouro. Muito bacana a mina. Muito grande. Ficamos uns 20 minutos lá e partimos.

Na saida, o vento começou a ficar bem gelado e numa descida de quase 4 kms eu quase congelei. O céu começou a ficar escuro com várias nuvens no céu. Bateu aquele desânimo de enfrentar denovo o tempo ruim. Continuavamos a pedalar forte e um rapáz de bicicleta foi chegando perto da gente, passou o Nelson e estava quase chegando em mim. Olhei pelo retrovisor e na subida ele ficou pra trás. Já era quase hora do almoço e a gente estava procurando um lugar para almoçar. Fui perguntar para o cara, mas ela passou batido por mim. Aaahh mas eu fiquei P da vida e acelerei. Cheguei no cara denovo e estavamos a uns 40km/h, parei do lado dele e comecei a perguntar. Falei sem parar e ele só falou que na próxima esquina tinha algo que eu não entendi o que. Eu vi que ele estava meio snob e eu já sai acelerando até chegarmos na mina de ouro, onde deixei ele ir embora.

Esperei o Nelson na frente da mina, onde tinha uma mesa de pique-nique bem mal posicionada e com muito vento. Decidimos continuar e eu segui na velocidade. Uns 5 kms depois chegamos na tal esquina que o cara tinha falado. Era a entrada de uma outra rodovia, onde tinha uma espécie de museu a céu aberto com as máquinas que eles usavam na década de 80. Bacaninha até, mas descoberto. Sentamos lá e começamos a cozinhar o almoço. Nesse exato momento, com o fogareiro aceso e o macarrão na panela com água, começa a chover. Afe. Desgraça. Hora mais ingrata. O Nelson já viu a escavadeira do nosso lado e puxou a lona. Eu coloquei a bike encostada numa pedra e fizemos uma cabana entre a escavadeira e a bike. Cozinhamos alí embaixo e parecia uma favelinha. Aquele esquema de sempre.

Seguimos embaixo de chuva. Eram 15h e ainda faltava 50 kms para chegarmos em White River. Eu não estava na pegada de pedalar todo esse tempo na chuva e nos 2 moteis que tinham na estrada eu parei pra perguntar o preço. O Nelson me convenceu a seguirmos até a cidade, mesmo que chegássemos tarde. Quando decidimos ir, acabou a bateria do meu iPod. Putz. Acabou a única motivação de continuar a pedalar. Fui meio que na marra.

Chegamos na cidade e os moteis eram um em frente aos outros. Pesquisamos em 3 e ficamos no último. Arrumei as coisas, e liguei o computador. Conversei com meus pais e com a Pati. Fiquei meio triste e fui dormir cansado.

L.Felipe Preparativos

5/ Julho - Dia 54 – Pay Pow First Nation Reserve a Marathon

July 24th, 2009

Dia 54 –  Pay Pow First Nation Reserve a Marathon
Distância: 117,50km
Dist. Acum.: 4151,50 km

Acordamos as 7h, arrumamos tudo e comemos um baita café da manhã. Acho que eu comi uns 4 sandwiches com geleia e pasta de amendoim, um chocolate com leite e cereal e uma banana. Sensacional. Depois do café da manhã precisei visitar o banheiro do posto. Hehehe.

Logo de cara, quando saímos da Reserva Indígena demos de cara com uma subida gigante. Acho que tinha uns 5km e era bem íngreme. Belo aquecimento para o que viria hoje. Foi um sobe e desce danado.

Paramos para comprar arroz e molho para o almoço em Rossport. Aproveitei para tomar aquele sorvete. Hehehe. Seguimos em direção a Terrace Bay, a 16 km dalí. Todas as cidades a partir daqui beiram o lago Superior e tudo é direcionado a esportes aquáticos ou de gelo. Aqui todo mundo tem um Snowmobile em um Snowplow (uma espécie de escavadeira que engata na frente do carro para tirar o gelo da rua, jardim ou da onde quiser. Tem várias trilhas de Snowmobile por aqui. Fora isso, eles praticam muito Ice Fishing (pesca no gelo) aqui. Tem umas cabanas que vc reboca com o Snowmobile e leva até o ponto do lago que vc quer. Essa cabana é de madeira, tem uns esquis embaixo e um buraco com tampa no chão. Você abre a tampa, cava um buraco no gelo e joga a linha. É pescar e comer. Ainda vou fazer isso no próximo inverno.

Bom. O vento estava brando, mas muito gelado. O sol estava bombando, acho que uns 25˚C, mas na sombra ou quando o vento tinha de frente, baixava para uns 14˚C fácil. É bom pegar a sombra na subida e o sol na descida, assim não cansa tanto. Mas, se tudo na vida fosse fácil, não teria graça.

Pegamos umas subidas bem longas e ingremes, mas tranquilo. Fomos devagar e sempre. Uma das primeiras subidas longas foi bem dura, mas na descida cheguei a 60 km/h. Até aí, tudo bem, mas a questão foi que eu parei no meio da descida para tirar uma foto, foi duro parar, e quando voltei a pedalar me senti num carro esportivo. A descida era tão ingreme que demorei pouco menos de 7 segundos para sair de 0 a 50km/h. A decida era bruta e muito longa. Eu tive que freiar para não passar dos 60km/h.

Depois, em outra descida bem grande, mas mais curta que a anterior e menos ingreme (do tipo que eu gosto), cheguei a 64km/h. Acostamento era bom, não passou nenhum carro por mim e eu ainda estava pedalando para tentar acelerar mais. Mas depois de tanta energia gasta estava cansado e com fome. Nós paramos numa ponte bem bonita, com uma ponte da linha de ferro ao lado, para comer mais uns sandwiches de pasta de amendoim com geleia e de queijo com mortadela. Demos altas risadas e ficamos uma meia hora comendo e conversando.

Seguimos e eu estava preocupado com o horário, pois a próxima cidade ficava há 40 km de onde estavamos e no ritmo que estavamos indo não chegariamos antes de escurecer. Felizmente encontramos uma casa e batemos palma para chamar os donos. Eles, Marian e Grant nos deixaram acampar no jardim.

Internet, Extensão, recarregar laptop, comemos hamburguers e conversamos um pouco. Fizeram fogueira e fui dormir.

L.Felipe Preparativos

3/Julho - Dia 53 – Everard a Pay Pow First Nation Reserve

July 24th, 2009

Dia 53 – Everard a Pay Pow First Nation Reserve
Distância: 90,00km
Dist. Acum.: 4044,00 km

Acordamos e arrumamos tudo. Tomei café junto com o Nelson e o Gorma apareceu. Conversamos um pouco e partimos.

O vento estava muito forte hoje e as montanhas voltaram pra valer. Não são tão grandes quanto as de British Columbia, mas dá pra suar a camisa. Heheheh. O bom da subida é que a gente se concentra mais na pedalada e depois tem a descida pra compensar.

Pedalamos 20 km e paramos em Nipigan para fazer compras no mercado e almoçar. Em frente ao mercado tinha uma barraca de cachorro quente e hamburguer com um símbolo do Rotary gigante. Eles vendem os sandwiches para arrecadar dinheiro para um projeto internacional na África. Conversamos um pouco com as pessoas de lá, que ligaram para a Presidente do clube. Ela foi nos recepcionar e levou uma bandeira para trocar com o Nelson. Deu um cartão com contato. Nipigan é a cidade da canoagem e da escalada esportiva no gelo e eles fazem propaganda em tudo quanto é canto.

Na hora do almoço, comemos feito 2 mendigos que não viam comida há muito tempo. Sensacional. Logo saimos, pois estavamos preocupados com o vento, que havia melhorado. Na verdade a estrada faz um zigue-zague danado e o vento está cada hora de um lado. Essa parte da estrada beira o Lago Superior, que é um dos maiores lagos do mundo, ou o maior, não sei. Mas quando a gente olha pra ele parece até o mar de tão grande. Não dá pra ver o fim.

Hoje pedalei sem o iPod e fui pensando bastante na vida e organizando umas idéias na cabeça. Organizando as metas do pós-férias-cicloturísticas. Foi bom e muito produtivo. Esse é um ponto que só uma viagem como essa pode ete proporcionar. Quando passamos muito tempo sozinhos e com grandes desafios pela frente, temos a chance de conhecer nós mesmos. Nossos limites físicos e mentais. Precisamos organizar a mente para focar em nossos objetivos futuros e presentes, repriorizar as prioridades, dar valor pras coisas certas. “Deep conversation”.

Chegamos em uma comunidade idígena chamada Pays Plat. Tinha um posto de gasolina, uma central de ambulâncias e um hospital. Fomos no posto e eu tomei 2 sucos e dividi com o Nelson uma batata tipo Ruffles. A pessoa encarregada pelo posto havia ido para o Brasil há algum tempo atrás. O rapaz é muito inteligente e muito simpático. Ele deixou a gente acampar atras da casa do posto e aproveitei para carregar o laptop. Ele me passou uns videos e eu um deles antes de dormir.

Frase do dia: “If you do nothing, nothing happends.”

L.Felipe Preparativos

2/Julho - Dia 52 – Thunder Bay - Everard

July 24th, 2009

Dia 52 – Thunder Bay - Everard
Distância: 111,00km
Dist. Acum.: 3954,00 km

Quando o Nelson acordou, 5h30 da manhã, eu nem conseguia abrir os olhos. Estava cansado e com muito sono. O Nelson me deu uma bronca porque eu tinha acordado ele ontém quando falava com a família e disse que o computador me domina. Pode ser verdade. Eu acho que tenho que me controlar mais com essas tecnologias antes que elas me dominem pra valer.

Bom, depois da bronca que eu tomei, arrumei minhas coisas e lavei bem o rosto pra acordar. Estava com um pouco de dor de garganta pois ontem eu dormi com a cabeça molhada demais. (isso acaba quando eu perder de vez os meus cabelos.. J). Em suma, eu estava um bagaço, mas me levantei e encarei o pedal.

Na saida da cidade, pegando a Hwy 17 fomos parados pela OPP (Ontario Provincial Police), pois naquele trecho da estrada bicicleta era permitido. Os guardas chegaram com uma cara de bravo e tinham parado o carro bem atras da placa de proibido bicicleta. Eu achei que ia tomar uma multa e abri um sorriso. ???? Sorriso? Lógico !!! Imagina quanta história pra contar se eu tomasse uma multa da polícia do “estado” de ontário!!! Sensacional. Bom, quando eles viram meu sorriso, a pinta de polícia sumiu e eles já começaram a explicar o caminho que a gente deveria fazer. Depois da explicação, pedi pra tirar uma foto pra guardar o momento. Hahaha. O Nelson ficou com vergonha e não quis sair na foto.

Seguimos no caminho por dentro da cidade, que era muito mais longo do que pela estrada. Pedalamos 21 km para sair da cidade e chegarmos no Monumento ao Terry Fox. É uma estátua muito bonita num lugar muito bem conservado. Lá tinha uma casa de informações turísticas e tinha um estande de coisas do Canadá relacionadas a travessia do Terry Fox. Thunder Bay foi a cidade que ele parou e voltou para o hospital por causa do câncer. Historicamente muito importante. Nesse estande de coisas tinha um boné muito lindo e eu, na hora, perguntei pra moça quanto era pois eu já ia levar. Infelizmente lá não vendia nada e eu teria que ir até o aeroporto ou um giftshop pra comprar. Mas na direção que estavamos indo só tinha a estrada. Nada mais. Fiquei frustrado.

Nesse lugar nós encontramos o pessoal da Xerox que nós encontramos nas Rocky Mountains. Eles estavam na festa do dia do Canadá ontém. Eu vi o motorhome deles, mas não tinha visto os ciclistas que conhecia. Nesse segundo encontro, trocamos contatos e foi muito bacana. Conversamos uns 10 minutos até eles terem que continuar a pedalada e nós ficamos lá pra tirar fotos com a estátua do Terry Fox.

Seguimos o pedal logo depois deles e já eram 10h30 da manhã. Tarde demais pra quem só andou 20 e poucos kms. Seguimos mais 1h30 pedalando e achamos um restaurante na beira da estrada. O restaurante muito simpático e a dona mais simpática ainda. Era aniversário dela e ela estava muito contente. Veio conversar conosco e ficou entusiasmada com nossa história. Nós tiramos uma foto com ela e com o cardápio do lugar.

Na saida do almoço, o vento tinha apertado. Vento ruim e gelado. Tive que colocar o casaco denovo. O Nelson pedalava devagarzinho e eu também, mas uma hora eu disparei na frente e encarei as subidas como há tempos não encarava. Mas não demorou muito veio um posto com uma loja de presentes. Pensei que poderia achar o boné lá. Procurei e nada. Aproveitei para ir ao banheiro.

Enquanto eu estava no banheiro, o Nelson estava chegando no posto e passou reto. Não demorou muito para alcançá-lo. Fomos um na frente do outro por um tempo e o acostamento ficara estreito e cheio de buracos. O fluxo de caminhões aumentava cada vez mais e ficava mais perigoso. Alguns caminhões tinham que frear para nos ultrapassar, e os que não freavam faziam a gente ir pro cascalho no acostamento. Um olho no peixe outro no gato, retrovisor, asfalto e nos carros que vinham no sentido oposto, pra saber se os carros que vem no nosso sentido tem espaço para fazer a ultrapassagem de maneira segura. Tenso.

Aos 94kms chegamos num posto com uma loja muito bonita. O prédio inteiro pintado com lobos, peixes e outros animais. Muito perfeita a pintura. Dentro dele a lojinha era muito bacana e tinha umas coisas muito bonitas. Se eu tivesse uma casa, comprava umas 3 coisas diferentes. Mas como minha casa tem 2 rodas hoje, eu só comprei uma camiseta com um iglu desenhado e escrito “The canadian white house”, ou “A casa branca canadense”, fazendo comparação aos americanos.

Na frente desse posto tinha um hotel. Perguntamos para o caixa do posto se o hotel era caro e ele falou que houve um incêndio há um tempo e o hotel está desativado. Droga, teriamos que pedalar mais 40 kms para chegar na próxima cidade e já eram 17h. A dona do posto falou que poderiamos acampar no jardim do posto, mas ainda era relativamente cedo para acampar. Tinhamos mais 2 horas úteis para continuar, e se estivessemos num ritmo bom e com um vento bom, chegariamos na cidade antes das 19h.

Infelizmente o vento piorou e 6h30 bateu e ainda faltavam uns 15 kms. Paramos na estrada e vimos uma casa cheia de carros dentro. Pensei que seria uma boa ver se conseguiriamos acampar na casa, mesmo com uma possível chuva chegando novamente. Tentamos e conseguimos. Conhecemos o dono da casa, Gorma, que nos deixou tomar banho e nos fez companhia enquanto cozinhavamos. Logo chegou seu genro com a neta e eles foram consertar o freito do carro do rapaz.

Nós jantamos, lavei louça e fiquei conversando um pouco mais com os dois. Coincidentemente o genro do Gorma é policial da OPP. Hehe..

Depois do papo, estiquei minhas meias que ainda estavam molhadas de ontém e fui pra cama, descançar.

L.Felipe Preparativos

1/Julho - Dia 51 – Upsala a Thunder Bay

July 24th, 2009

Dia 51 – Upsala a Thunder Bay
Distância: 150,00km
Dist. Acum.: 3843,00 km

Frio pela manhã, sem chuva forte. Vesti casaco fleece, mas passei calor lá pelas 11h. Primeiro tirei a bandana, depois tirei o casaco fleece, na hora do almoço tive que tirar o corta vento, pq apesar do vento frio, tava abafado. Tive que parar mil vezes, cada hora pra me “despir” um pouco mais. Haha.

Pedalamos 78km até o almoço. Foi bom. Eu ia na minha velocidade, ouvindo música e relaxando. No almoço paramos num posto de gasolina para comer no restaurante, mas a cozinha estava fechada. Só tinha lanches e coisas industrializadas. A cidade não tinha nada. Absolutamente nada, e pelo que me falaram, o restaurante mais próximo ficava há 40 km dalí.

Na divisa da hwy 102 e a hwy 1 (17 ou 11 ou 1, é a mesma), encontramos um português, casado com uma londrina e que moram perto de toronto. Conversamos um pouco em portugues e fiquei confuso em falar em português, porque eu estava esperando falar inglês. A ficha demorou pra cair.

Paramos na Kakabaska Falls, parque nacional com uma cachoeira. A cachoeira é muito bonita e o parque é bem ajeitado.  Na saida parei no posto pra tomar um sorvete. Padrão.

Chegando em Thunder Bay paramos numa barraca de frutas e comi um melão e umas frutas menores. Heheh. Depois fomos para o Hostel, que fica dentro dos dormitórios da Universidade. Grande o Campus, bem bonito.

Ficamos 5 minutos no hostel, pegamos um ônibus e fomos para o centro da cidade, na festa pelo dia do canadá. Demos uma volta e fomos comer no chinês. Estava sem casaco e começava a passar frio. Pegamos outro ônibus e voltamos para o hostel.

No hostel, fiquei no computador lendo notícia pra me atualizar do mundo, falando com a família e tentando arrumar o site que não estava mais com as fotos. Não sei o que aconteceu, mas as dá um erro quando vou atualizar o site. Talvês eu tenha que comprar mais memória ou o problema é no plugin mesmo. Fiquei até a 1h30 da manhã acordado tentando resolver isso e não consegui. Tomei um banho, lavei umas meias e meu shorts e dormi.

L.Felipe Preparativos

30/Junho - Dia 50 – Ignace a Upsala

July 24th, 2009

Dia 50 – Ignace a Upsala
Distância: 118,00km
Dist. Acum.: 3688,00 km

A proxima cidade ficava há uns 100 e poucos km daqui. Pegamos leve denovo. A chuva continuava e a previsão do tempo errou feio. Meu joelho doia pois ficou raspando na calça a prova d`água. Tive que ficar puxando a calça toda hora, um saco.

Estava bem mais frio que os outros dias. Na hora do almoço, paramos numa área de descanço. Sem novidades. Esticamos a lona e cozinhamos. Nos esquentamos um pouco no fogo e seguimos. Estava congelando, mas quando a gente pedala o sangue esquenta.

Encontramos 4 ciclistas juntos. Os 2 homens vinham de st. johns e atravessavam o canadá para ajudar as crianças carentes. As 2 garotas sairam de Ottawa e iam para Vancouver. Eles se encontraram e decidiram seguir o caminho junto.

O Nelson ficou lá pra trás. Disse que estava economizando energia. Tentei acompanhar, mas era tão devagar que eu perdia o equilibrio. Decidi ir embora. Esperei na construção. E chegamos juntos na cidade. Paramos num posto e eu tomei sorvete e jantei. Janta ruim. Seguimos mais 2 km e paramos no único hotel da cidade.

Assisti um filme bizarro e escrevi um pouco. Dormi capotado.

L.Felipe Preparativos

29/ Junho - Dia 49 – Dryden a Ignace

July 12th, 2009

Dia 49 – Dryden a Ignace
Distância: 130,00km
Dist. Acum.: 3581,00 km

Sem novidades. Arrumamos tudo rapidinho e partimos. O vento estava louco, cada hora estava de um lado. A chuva não deu trégua e não parou de cair. Como tinhamos saido bem cedo e a proxima cidade fica a 120 km daqui, pedalamos tranquilos, sem pressa.

Pouco antes da hora do almoço conhecemos um senhor que mora em Ottawa, chamado Marcel. Ele no deu e-mail e telefone para entrarmos em contato com ele quando chegassemos lá. Ele partiu e nós ficamos numa área de descanço para cozinhar. Cozinhamos no parque e tivemos que colocar a lona em cima para proteger da chuva. Tinha um lago perto, onde lavamos a louça. Não estava tão frio, mas o vento estava forte.

Seguimos com vontade de chegar logo. Pedalavamos bem forte. A previsão do tempo dizia que amanhã o tempo melhoraria e eu estou torcendo para que eles estejam certos.

Chegando em Ignace, procuramos um hotelzinho barato. No primeiro que fomos a atendente era meio arrogante e acabamos seguindo para outro. No segundo o garoto era muito simpático e nos fez o mesmo preço do outro hotel. Ele nos ganhou pela simpatia e acabamos ficando por lá. Bom negócio, pois a internet era muito boa. Entrei em contato com pais, irmã, cunhado e namorada. Foi bom, por um lado, mas ruim de outro. Bate uma saudade imensa falar com as pessoas que você gosta quando se está longe (e sem previsão de volta).

L.Felipe Preparativos

28/Junho - Dia 48 – Kenora a Dryden

July 12th, 2009

Dia 48 – Kenora a Dryden
Distância: 140,00km
Dist. Acum.: 3451,00 km

As 4h30 da manhã eu já não aguentava mais ficar na barraca. Estava com dor nas costas de tanto ficar deitado. O Nelson também não aguentava mais. Desarmamos a favela, guardamos a barraca molhada mesmo e fomos embora. Dá um desespero ficar num lugar só sem fazer nada. Melhor pedalar na chuva do que ficar preso na barraca.

A chuva não estava tão ruim assim. Com os casacos a prova d’água, a bota para proteger o tenis e a luva de canoagem eu consegui ficar com o corpo quente o tempo todo. Só o nariz e a boca que deu uma congelada. Tive que fazer o esquema com a bandana para proteger a orelha e o pescoço. Fui escutando música para passar o tempo mais rápido e tentar esquecer o tempo ruim. O vento, porém, estava perfeito. Forte e a nosso favor.

Almocamos nu vilarejo que fica há uns 100 km de onde estavamos. A comida do restaurante, pra variar, foi hamburguer e batata frita. O Nelson reclamou que nem um velho ranzinza, hahah, mas comida é comida e temos que comer, não tem jeito, ainda mais quando a gente paga. Depois do almoco tomamos sorvete numa lojinha do lado, onde reabastecemos de água. Na sequência eu fui ao banheiro e o Nelson sumiu. Pedalei bem forte pra ver se alcançava, mas nada de ele chegar. Cheguei até a pensar que ele tinha ido para o lugar errado. Encontrei o cara 10 km depois. Isso me deixou meio bravo, pois tinha ficado preocupado.

Em Dryden ficamos num motel por causa da chuva e aproveitamos para secar as coisas molhadas. Chegamos, tiramos tudo da mala, penduramos as coisas molhadas perto dos aquecedores e fomos ao mercadinho que tinha ao lado do motel. Compramos carne moida e mais umas coisas. Comemos carne moida com arroz e molho. No motel a internet não funcionava e eu aproveitei para escrever um pouco mais. Logo dormi.

L.Felipe Preparativos

27/Junho - Dia 47 – Kenora

July 9th, 2009

Dia 47 – Kenora
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 3311,00 km

Acordamos embaixo de muita chuva. O tempo estava horrível e, as 6h decidimos que ficariamos dormindo um pouco mais para ver se pelo menos a chuva passava, assim poderiamos secar as coisas e quardar sem problemas. Quando foi umas 8h, o Peter chegou e nos convidou para tomar café da manhã com ele no hotel Best Western. Comemos um belo omelete e café com leite. Hummm delícia. Aproveitei para levar meu laptop para carregar em alguma tomada.

Na volta do hotel para o acampamento, Peter nos levou ao aeroporto da cidade. Conhecemos o helicóptero de resgate da região e toda a tripulação que estava encarregada naquela hora. E eu não tinha levado a máquina fotográfica. Ai se eu pudesse voltar no tempo pra pegar. Foi muito bacana conhecer o pessoal e ver o helicóptero de perto. Eles até contaram umas histórias de resgate.

Depois ainda fomos conhecer os aviões do corpo de bombeiros que apagam incêndios. Eles pousam na água e enchem mais de 6000 litros de água em 40 segundos. São lindos. Amarelos e gigantes. Tirei foto com o celular, mas não consegui passar para o computador.

Voltamos para o acampamento e eu e o Nelson ficamos um tempão conversando e cozinhando o almoço. Assim que eu comi, entrei na barraca e fiquei revezando tarefas: escrevendo, dormindo, escrevendo, dormindo. Falei com a Pati e dormi denovo. Dessa vez foi pra valer, com direito a sonhos e tudo mais.

L.Felipe Preparativos

26/Junho - Dia 46 – Falcon Lake a Kenora

July 9th, 2009

Dia 46 – Falcon Lake a Kenora
Distância: 82,00km
Dist. Acum.: 3311,00 km

Cinco e meia da manhã o Nelson acorda. Sempre que ele acorda na barraca do lado, automaticamente eu acordo, mas pra sair do estado de inércia demora. Não sei como ele consegue acordar a essa hora todos os dias. Resolvi perguntar. Ele disse que a luz encomoda e ele acaba acordando. Até aí normal. Mas mesmo acordando com a luz, ele age sempre como se estivesse com pressa. Nem deixa eu terminar de arrumar minhas coisas e já vai pedalando em direção a estrada. As vezes isso é chato pacas e dá a impressão que estamos aqui só pra fazer a travessia e não para curtir cada momento. O problema não é acordar cedo, é fazer tudo rápido demais, como se estivessemos atrasados para algum compromisso importante, mesmo sabendo que vamos pedalar até o mesmo horário: 18h30, 19h. Cada um tem um ritmo e temos que respeitar as diferenças e nos ajustar. Ambos.

Como eu não estava conseguindo escrever muito, porque fico muito cansado depois de 8 horas pedalando e 12 horas na estrada, pedi para que terminassemos o dia mais cedo, as 18h, assim daria tempo para eu escrever, fazer a janta, armar a barraca e as coisas dentro antes de anoitecer. Querendo ou não, sempre é bom ter uma meia hora, 40 minutos para poder refletir sobre o dia e escrever. E assim eu conseguiria acordar cedo mais fácil também.

Depois da conversa matutina, seguimos o sol (nasce no leste, pra quem não sabe.. hehe). Na estrada o vento estava fraco, mas do lado ruim: batendo na cabeça. Em compensação, o cenário mudou novamente. Voltamos a ter muitos lagos e mais árvores na estrada. Pinheiros e outras árvores altas, arvoredos e arbustos. Vi um cervo (bambi) na beira da estrada. Ele estava do meu lado e não tinha para onde ir. Quando ele me viu, saiu correndo ao meu lado e deu uns saltos absurdo. Quando achou uma clareira na mata, sumiu do mapa.

Não demorou muito para chegarmos em Ontario e a vida na terra voltou aos poucos, bem como as subidas. Que delícia, poder subir uma montanha para depois descer em velocidade. Sensacional. Eu estava pedalando bem, mas meu joelho esquerdo começou a doer um pouco. Os joelhos ficam revezando. Cada hora é um que me lembra que ele existe. Antes de Winnipeg era o direito, agora o esquerdo. Se tivesse outro joelho, amanhã seria a vez dele.

Aqui em Ontario enfrentamos uma questão preocupante. Os acostamentos não são pavimentados, ou seja, só terra e pedrisco. Meu pneu é slick, para asfalto e quando preciso ir para o acostamento por causa de algum caminhão, é fácil perder o controle e cair. Outra coisa que piora a qualidade de vida do ciclista é que aqui a estrada é pista simples, e vem carro de todos os lados. Temos que ficar de olho no retrovisor para ver o que acontece com os carros que vem atras da gente, e termos tempo de resposta para ir para o acostamento rapidinho.

Depois de 20km de constução sem acostamento ou até mesmo rodovias sem pavimento, chegamos em Kenora. Na verdade chegamos em Keewatin, uma cidade de 4 mil habitantes que foi encorporada por Kenora, e hoje é como uma zona, bairro ou coisa assim da cidade.

Em Kewaatin, cidade dentro de Kenora, um carro parou na estrada e começou a falar comigo: “Ei ciclista, o banco RBC (Royal Bank of Canada – Banco que eu tenho conta aqui) está fazendo algo na cidade e tem cachorro quente e refrigerante grátis para toda a cidade. Acho que vocês deveriam ir lá e almoçar de graça!!!”.  Bom, nem preciso dizer que a gente mudou a direção na hora e fomos para o centro de Keewatin para ver o que estava acontecendo.

Chegando lá, em frente ao banco, conhecemos a Jocelyn, o Jim, entre outros funcionários do banco que estavam organizando esse evento. Pessoal muito bacana, alegre e sorridente. Impressionante a simpatia. Jim é rotariano, coincidentemente, e ligou para o Presidente do Rotary de Kenora, Lloyd, que nos encontrou no hotel Best Western, no centro da cidade. Jim nos levou de carro até o centro de Kenora, mostrou alguns pontos turísticos da cidade e nos trouxe devola para o centro de Keewatin.

Depois desse tour, da reunião, muita conversa e uns 4 cachorros quente, seguimos viagem. Ainda tinhamos mais umas 2h30 de pedal e se o tudo desse certo, no final do dia estariamos longe. Mas o tempo não ajudou. Começou a chover e o céu ficou escuro. Não sabiamos o que poderiamos encontrar pela frente, então decidimos parar num campo de aeromodelismo para acampar. Encontramos um grupo de senhores pilotando seus aviões e helicópteros de controle remoto. Fomos bem recebidos e eles deixaram a gente acampar alí sem problemas. Ficamos conversando por horas e vendo eles pilotarem, foi bem diferente. O presidente do clube, Peter, nos levou para comer pizza no final do dia e nos trouxe de volta. Conversamos bastante sobre Forestry, um tipo de Engenheiro Ambiental aqui. Faz tudo que se relaciona ao meio ambiente. Desde estradas, mapeamento, manutenção de equipamentos, vê as árvores que precisam ser cortadas e fiscaliza tudo.

Armamos a tenda embaixo de um local pequeno que tinha cobertura para nos protejer da chuva. Doce engano, pois o vento fazia a chuva vir de lado. Colocamos a lona nas pilastras e colocamos umas madeiras para ajudar. Parecia uma favelinha, hehehe. Funcionou. Torcemos para o dia seguinte o tempo melhorar.

L.Felipe Preparativos

25/Junho - Dia 45 – Winnipeg a Falcon Lake

July 9th, 2009

Dia 45 – Winnipeg a Falcon Lake
Distância: 168,00km
Dist. Acum.: 3229,00 km

Acordamos junto com Flavia e Kevin e tentamos sair antes deles, mas não rolou. Ela fez sandwiche para todos no café da manhã e eles foram trabalhar. Terminamos de nos arrumar para seguir viagem e fomos deixar o DVD para o Ian no centro de convenções.

Foram quase 30 km para sair da cidade e, na rodovia, em direção a Kenora o vento estava louco. Girava 180˚ Entre Leste-Norte-Oeste. Tinha hora que eu parecia um “João Bobo” indo pra lá e pra cá por causa do vento lateral. Mesmo assim seguiamos bem e pedalavamos forte.

Paramos para almoçar num camping cheio de estudantes e ônibus escolares. Bem movimentado e ajeitado o lugar. Tentei tirar aquele cochilo depois do almoço, mas os pernilongos não nos deixavam em paz. Aqui em Manitoba tem muito, muito mosquito. Ainda mais por causa das chuvas e do atraso na entrada da primavera e do verão, que deixou tudo humido por mais tempo, acelerando a reprodução desses insetos chatos.

Continuamos a pedalar (novidade)… e quando estavamos mais ou menos em 120 km  paramos para comer um amendoim numa área de descanço. Lá conhecemos um casal de Quebec que estavam viajando para ver a família em Alberta com uma moto de 3 rodas e um trailer atrás. Aqui pode tudo e o que mais tem na estrada é moto com trailer.

Chegando em Falcon Lake, fomos ao mercado comprar mais comida e iamos procurar um lugar para acampar. Quando eu estava pagando as comprar, perguntei onde poderiamos acampar de graça, na maior cara de pau. E a dona do supermercado e os caixas comentaram para irmos num lugar de pique-nique na beira da praia. É um barracão coberto com 4 mesas de pique-nique e ainda tinha banheiro e bebedouro perto. Perfeito. Tirei umas fotos e conversei com a Pati no celular depois da janta.

L.Felipe Preparativos

24/Junho - Dia 44 – Winnipeg

July 9th, 2009

Dia 44 – Winnipeg
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 3061,00 km

Dia de descanço, que delícia. Adoro os dias de descanço. Dá para conhecer as cidades, passear nos parques, ir em reunião do Rotary, conhecer gente. Sensacional. Eu acordei umas 8h30h e a Flávia e o Kevin já tinham ido pro trabalho. Tomei um café da manhã padrão e um café que a Flávia tinha feito. Fazia tempo que não tomava café caseiro.

Saimos umas 10h e pouco para a reunião do Rotary de Winnipeg, no Centro de Convenções de Winnipeg. Fomos muito bem recebidos por todos. Esse foi o 1˚ clube fora dos EUA, tornando o Rotary um clube de serviços internacional. Ou seja, foi e é muito importante pana história do Rotary. Ainda mais importante pois hoje foi o dia que o novo presidente tomou posse. Uma cerimônia muito bonita. Gravei tudo em alta definição para não perder nenhum detalhe.

Nessa reunião, conhecemos Ian (ex-presidente), Neil (novo presidente), Campbell, Myrna, Peter (que é ciclista) e David (ex ministro de minas e energia de Manitoba). Ao final da reunião, o pessoal me convidou para fazer uma palestra lá no dia 16 ou 23 de setembro, mais ou menos o período que estarei em Winnipeg novamente para o casamento da Flávia. O casamento é dia 20, vou fazer o possível para ir.

Depois da reunião, David nos levou para um tour na cidade. Conhecemos o Parlamento, onde ganhamos muitos broches de Manitoba, depois fomos a um parque cheio de ursos de concreto que foram feitos em prol do cancer. David tem um urso que ele e a esposa compraram. Fomos também ao escritório de David, que é dono de um escritório de advocacia e demos uma volta no centro comercial subterrâneo.

Depois do tour fomos no The Forks, onde rios se encontram tem um mercado municipal bacana, onde almoçamos. E na sobremesa, adivinha? Sorvete. Comprei um sorvete e fiquei conversando com o dono da sorveteria. Um senhor muito bacana e simpático. Ele nos deu frozen e no meio do papo acabou me dando a receita do Frozen. Está na minha cabeça.. (se eu bem me lembro, já devo ter esquecido).

Na volta, tomamos uma cerveja num pub e assistimos baseball. Quase dormi no pub, esse jogo é chato demais. Enquanto estavamos lá começou a chover. Pedalamos na chuva com muito vento contra (vento bom se estivessemos indo para o Leste), faz parte. Chegamos na casa da Flávia ensopados. Tomei um banho e depois ficamos conversando na sala até a hora de dormir. Todos foram dormir e eu fui gravar um DVD da reunião do Rotary para o Ian, ex presidente do RC Winnipeg. Acabei de gravar o DVD eram quase 1h30 da manhã. Fui dormir acabado.

L.Felipe Preparativos

23/Junho - Dia 43 – Portage la Prairie a Winnipeg

July 4th, 2009

Dia 43 – Portage la Prairie a Winnipeg
Distância: 110,00km
Dist. Acum.: 3061,00 km

Hoje quem dormiu até as 8h fui eu. Precisariamos pedalar 80km até Winnipeg, e com vento a favor seria questão de 2h30, 3h no máximo. Acho que o Nelson ficou puto. Ele me acordou umas 6h30 todo contente e eu sugeri dormimos até mais tarde. Chegou uma hora, quando eu arrumava minhas coisas dentro da barraca que ele veio e disse (com voz de puto): “Vai ficar aí dentro o dia todo??”. Achei estranho, mas já estava tudo quase pronto. Ele saiu e foi com a bicicleta dele lá para a entrada da casa, na frente da estrada. Eu pensei que ele já tinha ido embora, mas quando eu saí da casa ele estava lá esperando. Essa foi inédita, não esperava vê-lo na porta.

O vento estava perfeito e pedalava forte. Se eu tivesse uma pipa ou vela na bicicleta, acho que a bike ia entortar e o velocimetro ia quebrar, de tão forte que estava. Eu fui escutando uma música eletrônica para dar aquele gás. Mantivemos quase 28km/h de média e antes do almoço já chegamos na cidade grande. Parei num posto para ver onde era a bicicletaria e a casa da Flávia. Um cara muito bacana me abriu um mapa gigante da cidade no balcão do posto e me mostrou ponto a ponto, esquina a esquina. Perfeito.

Fomos até a bicicletaria e eu troquei aquele meu pneu de cravo para um slick novamente. Ai que saudade do meu pneu de estrada. O barulho do pneu de cravo na estrada desanima. Parece um caminhão fazendo aquele ruido chato no chão. O Nelson trocou o pneu dele também. Agora nós tinhamos pneus reservas novamente.

Almoçamos num restaurante Grego do lado da bicicletaria. A dona do lugar é sensacional. Uma senhora grega que veio para o Canadá há muito tempo. Ela me contou a história toda das indas e vindas dela e da família para cá e me dava uns conselhos. Lembrava minha mãe. Até fisicamente ela lembra minha mãe. Conversamos bastante até a comida chegar. O Nelson, sem entender nada, quase dormiu na mesa enquanto a gente papeava.

Depois da comida, muito boa por sinal, fomos até o centro de Winnipeg. Fomos no centro de infos turísticas e eu peguei um mapa da cidade feito para ciclistas. Esse mapa eu só tinha visto em Vancouver. Tem todas as ruas que tem ciclovia e as que são boas para pedalar sem que o trânsito encha a paciência.

Demos uma volta e seguimos para a casa da Flávia, que era meio longe. Nós tinhamos marcado as 18h na casa dela e praticamente chegamos lá junto com ela. Finalmente conheci a amiga do Thyago e da Marina cujo casamento eu me convidei para ir. Hahaha. Já que meus amigos vão estar no Canadá e eu vou me encontrar com eles, acabei me convidando..hahah. Isso já faz mais de ano que eu tinha avisado. Haha. Cara de pau? Não, quase nada.

Enfim, conheci a Flávia e o noivo, Kevin. Muito bacanas e tem tudo a ver um com o outro. A história deles é sensacional e quando a Flávia nos contou, ela até chorou. Mulher apaixonada.

Jantamos na casa dela. Ela fez um jantar bacana e, depois de conversar bastante fomos todos dormir.

L.Felipe Preparativos

_____!

July 1st, 2009

Vocês ainda não sabem, mas a gente vai completar 4.ooo km amanhã. Eta beleza.

Estamos em Thunder Bay. Mais pra frente coloco os posts novos.

See ya!

L.Felipe Preparativos

22/Junho - Dia 42 – Douglas a Portage la Prairie

July 1st, 2009

Dia 42 – Douglas a Portage la Prairie
Distância: 114,00km
Dist. Acum.: 2951,00 km

Acordei umas 4h30 e tomei um susto danado. Uma aranha entrou na minha barraca durante a noite e fez uma teia bem em cima da minhas malas. Ela passeou na barraca inteira e fez toda a teia muito bem estruturada em todos os cantos da porta da minha barraca. Ela estava bem no meio da simétrica e bonita teia. Fiquei pensando como mataria ou tiraria aquela bela aranha da minha barraca. Peguei duas panelas e acabei com o arácnideo. Foi praticamente um assassinato. Fez um barulhão e o Nelson nem deu trela, roncava lá na outra barraca.

Depois do fato eu arrumei tudo dentro da barraca e comi uns 4 pães com geleia, uma banana e um leite com cereal. Dessa vez o café da manhã foi completo e não teria como eu passar mal denovo. As 6h tudo estava pronto e eu dentro da barraca, escrevendo. O Nelson roncando. 6h30 ele acorda e me fala: “Vamos dormir mais porque hoje a gente tem vento contra não precisamos pedalar muito até a próxima cidade. Depois fica fácil chegar em Winnipeg com vento a favor amanhã”. (a gente viu a metereologia no dia anterior).

Fiquei com a cara no chão, com tudo pronto. Enchi meu colchão denovo e fiquei escrevendo até dormir denovo. Quando foi umas 8h30 o Nelson me acorda e tomei um segundo café da manhã junto com ele. Praticamente um ogro. Até eu colocar a barraca dentro da mala o Nelson já tinha partido fazia tempo. Segui e, dessa vez, rapidinho eu alcancei o companheiro. Alcancei e passei. Eu tava com a macaca, parecia o Lance Armstrong manco, dando meu máximo.

Chegando na entrada de Brandon, paramos para comprar suprimentos. A cidade deve ter uns 100 habitantes e tem uma merearia cuja dona é muito simpática. A senhora muito sorridente e solícita. Queriamos comprar, entre outras coisas, azeite pois o nosso tinha acabado. As latas de azeite aqui tem mais de litro e não tinhamos como comprar. Perguntei para a dona se ela tinha uma garrafa de azeite menor e ela abriu o azeite da prateleira, completou nossa garrafinha com azeite novo e falou que o azeite dela tinha acabado e ela ia ficar com o resto da lata. Azeite gratis.

Compramos ovos, cebola, alho, uns temperos e salsicha. Acabamos cozinhando do lado de fora da mercearia. O Nelson fez um omelete. 6 ovos cada um, 1 cebola inteira e 4 dentes de alho mais um pacote de salsicha. Nuss. Quanta comida.

Seguimos adiante e 70km depois chegamos em Portage la Prairie. Paramos num hotel para pegar um mapa da cidade. Acabamos ficando mais tempo no hotel pois tinha internet e ainda era umas 5h, tinhamos tempo para achar um lugar para acampar. O Nelson foi para a internet e eu fui escrever no computador. Minha net não funcionou e eu fiquei com o computador e meu diário passando tudo a limpo.

Na saida do hotel, esqueci meu diário lá. Na verdade, acho que eu deixei ele em cima do trailer quando fui colocar o laptop na mala e ele caiu no chão e eu não percebi. Faz parte. O camping era longe daonde estavamos, mas pertinho do hotel achamos umas casas com uns jardins bem bacanas. Chegamos na primeira e não tinha ninguém. Na segunda também não tinha. Partimos para a terceira e tinha uma senhora sentada lendo um livro nos fundos. Quando eu cheguei ela tomou um susto e quase teve um infarto. Até o gato pulou de susto. Ahahah.

Essa senhora nos deixou acampar no jardim dela e nos ofereceu banho. Tomei banho e quando voltei para a barraca, tinha tanto pernilongo que eu achei que eles iam levar minha barraca pra longe. Nossa… nunca tinha visto tanto pernilongo num mesmo lugar. Não entendi como a senhora lia o livro dela no lado de fora da casa e nem ligava pros insetos.

Na hora de cozinhar a janta, eu preparei toda a comida dentro da barraca e o Nelson, vestido de manga comprida, calça, tenis e boné, cozinhou do lado de fora. Na hora de comer, passei meu prato pela porta da barraca e comi dentro da barraca mesmo. Tá louco que eu ia sair para ser devorado pelos pernilongos. Nem a pau, Juvenal.

Escovei os dentes rapidinho do lado de fora da barraca, lavei as louças e capotei.

L.Felipe Preparativos

21/Junho - Dia 41 – Virden a Douglas

July 1st, 2009

Dia 41 – Virden a Douglas
Distância: 102,00km
Dist. Acum.: 2837,00 km

Acordamos pela manhã e eu tomei um café a base de cereal e chocolate com leite. Descançados e com o banho em dia continuamos nossa jornada. O sol castigava logo cedo. Não tinha uma nuvem no céu. Apesar do descanço da noite anterior eu pedalava fraco demais. Chegava a ficar uns 2 km de distância do Nelson.

Procuramos lugar para almoçar, mas estava difícil de arrumar uma sombra. Avistamos uma fazenda e era a única coisa que tinha aparecido há muito tempo. Chegamos lá e eu fui falar com o dono do lugar. Ele me olhou com um olhar arrogante e disse que não poderiamos cozinhar na grama. Ele disse que era pra evitar que houvesse queimada (???). Ok. Seguimos adiante e achamos um restaurante. Fechado. A única coisa que tinha era bancos embaixo do sol e uma máquina de refrigerante. Na casa do vizinho tinha 2 árvores boas, cheia de folha e sombra. Não tivemos dúvida. Já começamos a cozinhar, eu peguei um refrigerante para variar o cardápio e tiramos um cochilo depois de comer.

Na saída do almoço o Nelson já desparou na frente e eu fui indo devagar. Aquele sol estava ainda mais quente e dava pra sentir o calor vindo do asfalto. Comecei a me sentir mal e achei que fosse hipoglicemia. Abri uma barra de cereal com doce, tirei a camiseta de manga comprida (proteção solar) e fiquei só com a de ciclismo. Joguei um pouco de água na nuca e voltei a pedalar. Nada. Sem resultado. Fui indo devagarzinho e continuava meio tonto. O acostamento foi ficando cada vez menor, até que sumiu o asfalto do acostamento e só ficou o pedrisco. Fiquei meio com medo porque a pedalada estava meio bamba e o Nelson lá no horizonte. Joguei mais água na cara e fui indo. Desliguei o som e fui concentrando na pedalada e na respiração. Foco na missão.

Pouco mais tarde o sol deu uma amenizada por causa de uma nuvem grande. Me sentia bem melhor. Parecia que tinha tomado um banho gelado (nem tanto) e voltei a pedalar sem problemas. Quando me aproximei do Nelson, muito tempo depois e sem acostamento, um carro com uma mulher louca começou a buzinar sem parar lá longe. Nós, olhando no retrovisor para ver o que a mulher queria e ela na faixa da direita com o pé no acelerador buzinando e um caminhão do lado esquerdo. Acho que ela devia estar apostando corrida com o caminhão, não é possível. Saimos da estrada e fomos para o acostamento de pedrisco. Quase caí por causa do pneu fino de asfalto, mas tranquilo, tudo sob controle. Ela passou e voltamos para a estrada. Esse foi o primeiro carro que nos dá problema em quase 3 mil km. A estatística tá boa, considerando os fatos e comparando com o Brasil. Imagina 2 bicicletas “passeando” na BR 111. Morte certa e merecida? Nem louco.

Chegando na entrada de Brandon, paramos para comer um pão com geleia. O Nelson me alertou que café da manhã com cereal não sustenta e eu deveria comer mais. Esse era o segundo dia na base de cereal e meu desempenho caiu drásticamente por causa disso. Tranquilo. Seguimos e não demorou muito, achamos uma fazenda que tem um aeroporto para aviões de pequeno porte que jogam “defensores agrícolas” (essa é para o Renan) nas plantações. Esse lugar fica entre Brandon e Douglas. Lembramos que nossa comida estava acabando e jantamos arroz (com banana. Essa mistura é animal). Dormi feito criança.

L.Felipe Preparativos

20/Junho - Dia 40 – Wapalla a Virden

July 1st, 2009

Dia 40 – Wapalla a Virden
Distância: 98,00km
Dist. Acum.: 2735,00 km

Hoje o dia, de maneira geral foi bem pacato. Acordamos no parque de diversões e arrumamos tudo bem rápido. Tomamos um cafézão da manhã e eu terminei de colocar a comida na mala. O Nelson já tinha ido pra estrada. Quase todos os dias ele termina de arrumar tudo antes e já vai saindo sem falar nada. Tem hora que enche o saco e tem hora que eu não ligo.

Na estrada o vento parecia um tufão. Uma hora tava de um lado, outra hora mudava pra outro. Normal. Acho que aqui é assim mesmo. Vamos ter que nos acostumar. Na hora do almoço paramos num vilarejo e fiz aquele almoço embaixo de uma árvore. O Nelson deu aquela cochilada e eu fiquei escutando um som pra animar. Na parte da tarde o vento continuava bagunçando tudo e nada de novidades. O som bombando e nós chegando na próxima cidade, Virden.

Logo na entrada da cidade vimos uma casa com um baita gramado gigante. Pensamos na hora que deveriamos tentar acampar naquele jardim. Fomos até lá e batemos na porta. Um senhor todo desconfiado atendeu. Eu me apresentei, estiquei minha mão para cumprimentá-lo com o sorriso na cara e ele me perguntou, com a mão no bolso: “Em que posso te ajudar?”. O Nelson lá atrás pensou junto comigo: “Danou-se, o cara vai puxar a pexeira, soltar os cachorros e nos botar para correr”. Doce engano. Quando eu falei que era brasileiro e que só queria um pedaço de grama para acampar, o cara abriu abriu um sorrisão, estendeu a mão e me cumprimentou. Acampamos no jardim do Sr. Moe e ele nos ofereceu chá e banho. Aceitamos felizes e gratos.

L.Felipe Preparativos

Salve galera

June 29th, 2009

Muito tempo sem atualizar o site… muito tempo sem internet… e quando temos internet, temos mil outras coisas pra fazer também.

Eu tentei atualizar as fotos aqui no site, mas não sei o que fiz que acabei tirando todas as fotos que tinha antes. Não entendi o que aconteceu. Mas pelo menos eu atualizei no facebook…

Bem, para não perder o gostinho, não coloquei todos os textos aqui. Ainda vou dar uma repassada nos que faltam colocar, mas o mapa está atualizado, se quiserem saber onde estou. Estamos quase na metade do caminho.

O tempo aqui está chuvoso e dá uma angústia danada. Ainda mais pq vamos entrar numa zona que não pega celular e não deve ter internet tbem.

Bjos e até.

L.Felipe Preparativos

19/Junho - Dia 39 – Regina a Wapalla

June 29th, 2009

Dia 39 – Regina a Wapalla
Distância: 214,50km
Dist. Acum.: 2637,00 km

Começamos a pedalar as 6h45. Cedo? Nada. Tava quase dormindo em cima da bicicleta. Lembrei que meu pneu tava gasto pra caramba e deveria ter trocado ontem. Cabeção. Era muito cedo e nenhuma loja estaria aberta para comprar pneu novo. Decidi ir até aonde dava com esse pneu e caso rasgasse eu trocaria pelo pneu de terra que tenho na mala para casos como esse. Esse foi o primeiro pneu que eu gastei até o último. Pra terem uma idéia, todos os pneus que eu tive nas bicicletas vieram com elas e eu nunca tive que trocar. Mas, depois de mais de 2.600km e muito peso, não tem jeito. Vamos ver até onde vai.

Na saída da cidade encontramos Peter, do Rotary Clube. Ele fora nos encontrar para tirar fotos de nossa partida e para desejar boa sorte. Realmente a boa sorte dele nos ajudou muito hoje. O vento estava forte, mas dessa vez para o lado certo, batendo em nossas costas. Que delícia. Seguimos o dia inteirinho com o vento nas costas. Para ter uma idéia, depois de 2 horas de viagem pedalamos 72km, foi quando meu pneu furou. Troquei rapidinho, coloquei o pneu de terra e paramos numa cidade há 12 km dali para almoçar.

Almoçamos rapidinho e seguimos para não perder o vento. Dali em diante paramos uma vez para colocar suco na água e tomar sorvete na estrada. Eu ia olhando o computador da bike e ia dizendo em voz alta: 100km… 120km… 160km… quando batemos os 180km paramos num posto, tomamos sorvete e fizemos um pão com geleia para reforçar. Já era umas 17h e ainda tinhamos mais pelo menos 2 horas de pedal. Dormimos um pouco na mesa de pique-nique do posto e seguimos.

Falamos para nós mesmos que iriamos tentar bater os 200km, mas quando deu 198km eu achei uma casa perfeita para tentarmos acampar. Minhas dores nas juntas assadas já voltavam a lembrar que existiam. (no dia todo elas tinham sumido graças ao santo Hipoglos que eu trouxe na mala). Seguimos mais um pouco pois vimos no mapa que teria um vilarejo mais pra frente. Acabamos pedalando até Wapalla, 17km mais pra frente. Ao chegarmos na cidade, conversamos com algumas pessoas que estavam em frente de suas casas, mas recebemos só respostas negativas para acampar nos jardins. Já tava na hora mesmo de recebermos “não” como resposta. Estavamos ficando mal acostumados.

Acampamos num parque com um parquinho de criança na frente. Vários brinquedos, Gira-gira, cavalinho, escorregador. Uma diversão só. Ahahhaa.. Jantamos e capotamos.

L.Felipe Preparativos

18/Junho - Dia 38 - Regina

June 29th, 2009

Dia 38 – Regina
Distância: 0,00km
Dist. Acum.: 2422,50 km

Acordamos não tão cedo e fomos fazer um conference call no skype com o Rotary de Curitiba. Eu e o Nelson no computador e todos os membros do Rotary do outro lado nos vendo no telão. Foi uma experiência muito interessante. O Nelson falou rápido pra xuxu e contou como está sendo a nossa viagem e os contatos com os Rotarys daqui.

Depois do conference, fomos para uma reunião do Rotary de Regina. Chegando lá conhecemos a presidente de 2010/2011. Muito simpática e mostrou interesse sobre nossa história e projeto. A reunião foi muito legal e no momento que fomos apresentados, todos cantaram e vieram nos cumprimentar para dar boas vindas. Depois falamos um pouco sobre o que estavamos fazendo alí. Um dos membros do clube, Peter, também é ciclista e é ex-governador do distrito, tirou muitas fotos e foi muito simpático.

Depois da reunião fomos dar uma volta na cidade. Fomos no museu de história, onde vimos muitos esqueletos de dinossauros encontrados na província e muita história de como era a vida antigamente com os índios e como foi a transição do índio para o homem branco. O museu muito bacana e técnológico. Vários sensores de movimento para saber onde a gente estava e automaticamente as luzes se acendiam, a história começava a ser falada e alguns bonecos se moviam.

Depois do museu fomos até o parque da cidade. Muito bonito e tem várias pessoas treinando caiaque e remo. Esses são os esportes de verão mais importantes aqui. Demos uma bela caminhada, mas não conhecemos o parque todo (é gigante, acho que umas 5x o tamanho do parque ibirapuera em São Paulo). Só pra ter uma noção, o museu e vários prédios da Universidade de Regina ficam dentro desse parque. Tem um lago imenso.

Depois fomos ao mercado e voltamos para o Hostel. Cozinhamos, conversamos, mudamos de quarto e dormirmos bem demais. Ninguém para nos encomodar.

L.Felipe Preparativos

17/Junho - Dia 37 – Caronport a Regina

June 29th, 2009

Dia 37 – Caronport a  Regina
Distância: 100,00km
Dist. Acum.: 2422,50 km

As 5h30 da manhã o Nelson já me desejou feliz aniversário. Ele até cantou a musica por uns 5 segundos. Foi engraçado. 6h da manhã, ligo o computador e o Desmond, grande amigo e irmão de coração que mora na Alemanha, me liga no skype e conversamos por meia hora. Fazia muito tempo que não falava com ele desse jeito. Nos atualizamos sobre os assuntos Canadenses e Alemães. Depois foi a vez dos meus pais. Conversamos por mais um tempo e várias felicitações pela data e por mais um ano de cabelos caindo. Manhã agitada.

As quase 7h Wayne nos trouxe leite, cereais, frutas, entre outras coisas para comermos no café da manhã e barras de cereal, feijão enlatado e outras comidas enlatadas para levarmos na viagem. Muito bacana da parte dele se preocupar com a gente. Nós arrumamos as coisas depois do café da manhã e partimos.

Para não fugir do costume, vento na cara. Pedalávamos forte e o Nelson estava há uns 300 metros de mim. Resolvi parar para colocar suco na garrafa de água e do nada o Nelson me atropela. Ele bateu a bicicleta dele na minha, parada. Imagina? Ele estava viajando, olhando para baixo, pensando na morte da bezerra numa subida. Meu paralama entortou e acabou quebrando a peça que segura o paralama no trailer. Tranquilo, dei risada até não poder mais. Tipo, ele estava muito, muito longe. Não tinha como não ter visto. Hahaha.. enfim, consertei o paralama com Silver tape e seguimos, gargalhando.

Na hora do almoço, paramos numa fazenda na beira da estrada. Não tinha ninguém na casa, só um senhor trabalhando na garagem, que nos autorizou a cozinhar o almoço na sombra do jardim. Era um jardim imenso. Uns 10 minutos depois, chega um carro apressado com um casal dentro. Eram os vizinhos. O homem veio conversar com a gente para saber o que faziamos alí e a mulher foi em direção a casa. Descobrimos que tinha uma menina dentro da casa e ela ficou assustada com a nossa presença. Logo eu resolvi tudo e falei que tinhamos pedido autorização para estar alí, etc…

Os vizinhos não confiam muito na garota e disseram que ela mente muito e deveria estar na escola. Depois que eles foram embora, a garota saiu da casa com 2 cachorros. Pensei que ela ia soltar os cachorros na gente, mas em vez disso, ela maltratava os pobres coitados. Chutava, batia com a coleira, jogava água, gritava com eles sem razão. Sem noção mesmo. Deve ter algum problema mental ou psicológico. Um dos cachoros veio conosco e eu fiz carinho nele. Ele gostou, apesar de ser um pouco assustado (eu ficaria assustado com qualquer um se me dessem porrada todos os dias). Ficou conosco uns 10 minutos tranquilão, sentado perto de mim. Quando a garota percebeu, ela gritava pra ele entrar na casa. Ficou gritando mais de 10 minutos. Lembrei da minha falecida cachorra, a Pretinha, as vezes ela dava umas ignoradas pesadas e nem dava trela pra quem chamava.

Depois do almoço dormimos uns 15 minutos e seguimos. O vento havia mudado de direção, por incrível que pareça. Em uma hora pedalamos mais de 30 km. Foi a coisa mais sensacional e motivadora da face da terra. Parecia presente de aniversário. Mas durou só uma hora. Nos arrastamos para chegar em Regina.

Falando em Regina, eu avistei a cidade lá no horizonte e fiquei imaginando quão longe estaria. Marquei no computador. Foram outros 30 km se arrastando para chegar na cidade. O Vento, com nome maiúsculo, foi bravo e forte demais, acho que não pegava um vento assim desde Banff, quando nevou. Decidimos entrar por uma rua lateral da cidade para sair do vento contra Foi uma decisão boa.

O Nelson queria acampar em algum canto e eu queria ir direto para o Hostel. Acabamos indo para o Hostel, mas me arrependi profundamente. Aquele lugar é deprimente, com pessoas deprimentes. Afe. Sabe quando só tem gente pra baixo? Tá louco. O pior é que haviamos pagado por 2 dias. Decisão ruim a minha. Mas não tem jeito, um dia a gente acerta e outro a gente erra. Arrumamos tudo, tomamos banho e fomos dar uma volta na cidade. A cidade não tem mais de 200 mil habitantes. Pequena, quase do tamanho de São José do Rio Preto, mas com a infra-estrutura de São Paulo.

Jantamos num restaurante japonês. Só tinha a gente no restaurante. O povo aqui janta umas 19h, e a gente chegou as 21h. Foi interessante comemorar o aniversário num lugar vazio. Hahaha.. e ainda por cima a única atendente do restaurante era japa e mal entendia o inglês. Comemos até as tampas e tomamos umas cervejas pra comemorar. As 22h em ponto a garçonete nos deu a conta e pediu para pagarmos pois ela tinha que fechar o caixa. Estavamos no meio da janta, achamos estranho, já que queriamos tomar mais cervejas.

Bom, depois da expulsão do restaurante, fomos num bar agregado ao restaurante, que era dentro de um Hotel. Uma confusão. Hahaha. Chegamos lá e era um karaoke. Pensei que estava no meio de um filme de cowboy americano. Só gente horrível, gordos, velhos, cantando e dançando musica country com aqueles chapelões de peão. OoooOOOooOO boiadero véio. OooOOooOOo cowboy viado… dei altas risadas nos 2 minutos que consegui ficar lá dentro.

Saimos e voltamos para o Hostel. No quarto tinham mais 6 camas, das quais 4 estavam ocupadas. Não vou falar sobre as pessoas, não quero passar a impressão errada sobre elas e sobre a cidade em geral. A questão principal foi: 2 deles roncavam feito uns animais. Não dava para dormir, era impossível. Imediatamente liguei o computador e coloquei o fone de ouvido para escutar música. O Nelson não tinha essa opção e acabou dormindo no corredor do Hostel. Sem noção. Afe. Terrível.

L.Felipe Preparativos

16/Junho - Dia 36 – Herbert a Caronport

June 29th, 2009

Dia 36 – Herbert a Caronport
Distância: 110,00km
Dist. Acum.: 2332,50 km

A noite foi tranquila. Eu dormi feito criança. O Nelson reclamou um pouco do barulho da estrada. Não ouvi nada. 6h30 da manhã estavamos acordando. Rapidinho arrumamos tudo e fizemos um café da manhã. Fomos nos despedir do Max e da Hedi e seguimos viagem. O vento castigou o dia todo.

Fora o vento, começaram as assaduras. O calor faz a gente soar demais e a virilha e bunda começaram a encomodar. Eu fico na mesma posição o dia todo, pedalando e raspando a pele uma contra a outra. Uma hora tem que machucar, não tem jeito. Seguimos até Chaplin, cidade que almoçamos, e fomos no centro de atrações turisticas, que tinha um mini museu, falando sobre a história da cidade. Chaplin é conhecida por ter muito sal, que seca no verão. A cidade tem uma fábrica muito grande de sal e há montanhas gigantes de sal branco que vai para a refinaria. Nesse mini-museu tem uma maquete bem grande da dessa indústria, mostrando como o sal é processado. Muito bacana.

Depois do almoço demos aquela cochilada na sombra e continuamos pedalando. O vento não parou de soprar. As assadura encomodava demais e começei a pedalar com uma perna só para mudar a posição no selim. O guidão da minha bicicleta não proporciona várias posições para o braço e isso faz com que eu não tenha como mudar muito de posição no selim. Fui variando a perna, ficava 5 minutos pedalando com a perna direita e a esquerda paradinha, e vice-versa. Assim foi até o final, perna esquerda, perna direita, ambas as pernas, 5 minutos cada.

É impressionante como nossa cabeça fica ruim quando temos algum problema físico ou quando alguma coisa nos emcomoda muito. O desempenho vai lá para baixo, mesmo se vc tem toda a energia do mundo, sua cabeça não manda o sinal certo para as pernas, para o pulmão, para o coração. Seu organismo fica em marcha lenta.

O Nelson estava puxando o ritmo, e eu ia tentando acompanhar da maneira que dava. As vezes pedalava um pouco de pé, ou só ficava de pé na bike para aliviar. Chegamos em Caronport as 19h. Tentamos acampar nos bombeiros, mas não havia ninguém. Os bombeiros são voluntários e só vão para o galpão quando tem alguma emergência. Depois fomos até a polícia, mas o quartel fecha as 17h. (dá pra imaginar?). Seguimos para dentro da cidade e vimos uma senhora cuidando do jardim. Perguntamos se ela sabia onde ficaria o camping da cidade. Ela, Eveline, disse que era longe e recomendou um hotel perto da casa dela. No meio do papo, contei do projeto e ela nos convidou para ficar na casa dela, pois ela recebe estudantes e felizmente tinha um quarto disponível. Uhuuu!

Logo colocamos as nossas coisas no quarto, o Nelson ajeitou o sofá-cama e eu a cama. Tomei banho e depois fiquei conversando com o vizinho, Calvin, 14 anos, garoto interessado sobre viagens e sobre nossa história. Ele quer dar a volta ao mundo um dia e viajar muito antes de entrar na universidade. Depois fui conversar com a Evelin um pouco. Contei minha história e meus objetivos indo pro Canadá. Ela parece ter se identificado com meus objetivos. Logo fui ajudar o Nelson com o jantar. Já eram quase 21h. O Calvin ficou conosco na hora da janta e experimentou o arroz com carne moida “a la brasileira”. Logo a mãe dele veio buscá-lo e nos trouxe 2 potes de geleia.

A família veio da África do Sul e venderam tudo lá para o pai, Wayne, ex-pastor, fazer um mestrado na universidade e a mãe trabalhar como enfermeira do hospital da cidade. Wayne me contou a história toda da família e como foi a ida deles para o Canadá depois do jantar, enquanto todos dormiam, conversamos horas sobre a imigração, religião, cultura e diferenças entre os 3 países (África do Sul, Brasil e Canada). Logo fui dormir também.

L.Felipe Preparativos

15/Junho - Dia 35 – Swift Current a Herbert

June 29th, 2009

Dia 35 – Swift Current a Herbert
Distância: 50,00km
Dist. Acum.: 2212,70 km

Tomamos café com toda a família, que nos acolheu super bem. Foi um café da manhã reforçado. Tinhamos que esperar até as 9h para ir na bicicletaria ver o esquema do câmbio traseiro do Nelson que ainda estava incomodando ele. Tranquilo. Eu não tinha que ver nada lá, mas a necessidade de um é a necessidade do grupo. (no meu ponto de vista).

O Gary nos acompanhou e pedalou conosco até a bicicletaria de um amigo por um caminho muito bacana, dentro de um parque. Esse parque tem mais de 16km de ciclovia. Sensacional. Chegando na bicicletaria, adivinha? Fechada. Só abre as 10h. Perderiamos mais uma hora, mas o Dan, dono da loja, estava lá dentro com o filho. Eles abriram a porta pra gente e começou a arrumar a bike do Nelson. Tira cabo de freio, câmbio, troca tudo e põe novo. Regula aqui, regula alí. Pronto. Perfeito.

Depois de ver a geral que ele deu na bike do Nelson, deixei minha bike na mão dele para ele dar uma olhada. Arrumou a gancheira do câmbio traseiro, regulou os freios e pronto. Perfeito. Aproveitei para colocar um espelho retrovisor. Eu estava sentindo falta em alguns trechos da estrada. Espelhinho forte esse. Acho que dura. Quanto é? – perguntei pro Dan, dono da Big Sky Cycles – Nada. Zero. Gratis. Cortesia. (???) Pronto. Perfeito mesmo. Kkk. Ele só nos cobrou o espelho e alguma outra coisa que o Nelson levou. O serviço foi cortesia da cidade, para nos ajudar a seguir nosso caminho sem problemas futuros. Ficamos muito agradecidos!!! Valeu Dan!!

Acabou essa arrumação toda, já estava tarde e precisavamos almoçar. Fomos no restaurante chinês de um amigo do Dan, que é aposentado do Iron Man. Ciclista profissional. O restaurante muito bacana, comida a vontade (all you can eat) por 8 dolares. Com direito a sobremesa e tudo. Nuss. Acho que depois da gente ele vai falir.. hahaha.. Comi 2 pratos imensos e repeti 3x a sobremesa. Hummm.. tinha um pêssego em calda com sorvete que eu adoro!

Seguimos em direção a Leste, para ver onde chegariamos hoje, começando a jornada as 14h, depois de comer muito. Não fomos muito longe, mas foi interessante. Pedalamos uns 50km até uma cidade que chama Herbert. A cidade não tem muita coisa. Vimos um camping e chegamos para negociar uma estadia gratuita. Os Donos Max e Hedi, alemães, muito simpáticos e inteligentes, fizeram milhões de perguntas sobre o Brasil, ética, política e etc. Foi uma conversa muito bacana e eles nos deixaram acampar essa noite e nos liberaram o ponto de internet também, mas eu estava muito cansado para ligar o computador. Tomei um banho gelado e capotei.

L.Felipe Preparativos

14/Junho - Dia 34 – Piapot a Swift Current

June 29th, 2009

Dia 34 – Piapot a Swift Current
Distância: 114,70km
Dist. Acum.: 2162,70 km

Acordei  com o Boi berrando. Eu não sabia que boi chorava, gemia ou fazia esse barulho bizarro durante a noite. Logo arrumei minhas coisas, e fomos tomar café da manhã no Alf. Foi uma espécie de omelete num pão sírio. Tipo wraps. Gostosinho até, mas eu já estou começando a duvidar do meu paladar. Tenho comido o que vier pela frente e já não ligo se tem gosto ou não. O que importa é o resultado no corpo.

Seguimos e o vento estava bom, a favor. Pedalamos em ritmo forte até a hora do almoço. Foi bem bacana e fazia tempo que o vento não ajudava. Almoçamos na mesa, embaixo de uma árvore, num Hotel em Gulf Lake. Foi rápido e certeiro.

Quando voltamos a pedalar, adivinha? O vento mudou de direção e atrapalhou demais. Foi muito desgastante. Chegou uma hora que eu não aguentava mais pedalar. Minha mente já estava indo pro espaço. Acho que a do Nelson também. Ele estava com uma cara de acabado e não abria a boca.

Chegamos na cidade e mais rodamos do que qualquer coisa. Díficil encontrar a casa do pessoal. Até que pedi ajuda para um casal numa farmácia e eles nos acompanharam até o endereço. Eles foram de carro e nós seguimos pedalando.

Na casa, toquei a campainha umas 4 vezes. Nada. Avistei uma visinha com os filhos umas 4 casas pro lado e resolvi ir lá conversar. Logo que comecei a falar da viagem ela já ficou cansada por nós e nos ofereceu cerveja. Vê se pode. Haha.. Aceitei água e chamei o Nelson pra tomar água geladinha. Logo depois ela pegou o telefone da casa deles e eu liguei. Ninguém atendeu, mas me ligaram logo na sequência. Eles estão reformando a casa e tinha alguma coisa fazendo barulho que eles não escutaram a campainha e o telefone. Tranquilo. Chegamos, nos apresentamos, e o Nelson foi pro banho enquanto eu conversava com a Ashley, o namorado, pai e mãe dela.

O Nelson estava com uma cara de acabado e nem comigo ele conseguia conversar. Quando eu fui tomar banho, ele ficou no computador e conversou pelo skype com o pessoal de curitiba. A gente tem um conference com o Rotary de Curitiba no dia 18 de junho. Não sei onde vamos estar, mas a idéia é que cheguemos lá no dia 17 (meu aniversário) e faremos um dia de descanço com direito a reunião do clube canadense.

Jantamos pizza e conversamos bastante. Logo minhas energias também estavam se esgotando e fui dormir.

L.Felipe Preparativos

13/Junho - Dia 33 – Irvine a Piapot

June 29th, 2009

Dia 33 – Irvine a Piapot
Distância: 96,80 km
Dist. Acum.: 2047,00 km

Hoje saimos as 8h30 da manhã. Até arrumarmos tudo e tomarmos aquele café da manhã esperto demorou. Sábado, sem aula, a escola não abriria cedo. Sorte.

Seguimos com o pedal forte, mas o calor estava demais. Hoje, sem dúvida foi o dia mais quente até agora. Bebi muita água e suco durante o caminho. Acho que o calor e o vento desgastam mais do que qualquer subida. Aqui nas pradarias quase não tem sombra. Na verdade não tem nenhuma, só perto de alguma casa que eles plantam umas árvores para se proteger do vento e deixar o terreno com temperatura mais amena no verão e no inverno.

Andamos bastante até a hora do almoço, foram 60km. Na estrada, avistamos um camping cheio de árvores e eu achei que era o lugar ideal para fazer o almoço. O Nelson achou que iriam nos cobrar algo e não queria entrar. Eu insisti e fomos. (Não cobraram nada.). Um sorriso conquista mais que mil palavras. Hahaha.

Achamos uma sombra bem bacana e perto de uma torneira para lavarmos a louça depois. O Nelson cozinhou, mas dessa vez a comida estava bem forte. A cebola e o alho eram o prato principal, o resto era tempero. Enquanto ele cozinhava eu dormi no banco da mesa de pique-nique e acordei queimado pois a água fervendo caiu na mesa e consequentemente caiu em mim. Baita susto. Mas sem danos. Rs

Esse camping é bem estruturado e tem um estilo meio caribenho. Se fosse no Brasil, seria estilo baiano. Uma piscina imitando praia, com areia e uma água estranha no meio. Aquela criançada fazendo porcaria, pulando, jogando água pra cima, uma música meio “la bamba-la cucaracha”. Bizarro.

Depois do almoço, tanto eu quanto o Nelson dormimos. Eu no banco e ele em outra sombra. Perdemos a hora denovo. Saimos tarde. E o sol bombando, não dava trégua. Pedalamos mais 30 e poucos km e avistamos uma barraca de sorvete e lanche no meio do nada. Descobrimos que “no meio do nada” chamava Piapot. Uma cidade de 36 habitantes. Uma metrópole.

Nessa barraca de sorvete, que na verdade era um trailer, o Ralf era o mandachuva. O cara é uma figura, ou como diria o Nelson, um querido. Kkk.. O cara parece o Alf – O Eteimoso. Ele tem os dentes tortos e enquanto falava com a gente, de boca cheia, cuspia toda a comida. A única coisa que ele falou de interessante mesmo, pois reclamava que ele estava trabalhando no dia de folga, era que na cidade tinha um Hotel e um Bar, e que valia a pena pedalar os 500m para beber uma gelada

Chegando no Bar, que é no mesmo prédio do Hotel, achei bizarro. O Prédio bem velho, mais de 100 anos, com um logo do lado de fora escrito Saloon. Logo imaginei aqueles filmes de velho-oeste, com o bandido entrando por aquela portinhola, sentando no bar e pedindo um copo de leite. Foi engraçado. Bom, para meu espanto, foi completamente diferente. Quando entrei no bar, tinha mais gente do que a cidade comportava, tudo muito bem arrumado, decorado e os donos do bar são muito simpáticos e nos deram um adesivo escrito “Where the hell is Piapot”, ou em português “Onde cac*** fica Piapot”. Esse bar tem de tudo, camiseta, boné, lanjerie, cartão postal, tudo com o nome da cidade, fazendo a divulgação. O casal mudou de Calgary para Piapot para sair da vida agitada, mas acho que nem em Calgary tem um bar tão agitado e bem arrumado como o deles. Infelizmente não tiramos fotos dentro do bar, por causa da lei de privacidade.

Pedimos cerveja e uma batata frita, e enquanto esperávamos uma garota veio falar conosco. Ela disse que seu pai era ciclísta e que se fossemos pernoitar em Swift Current, para ficar na casa dela que o pai dela gostaria de nos conhecer. Agradecemos e logo ela foi embora. Tomamos umas cervejas e demos altas risadas com o casal dono do bar e com mais outros 2 casais da mesa do lado. Não demorou muito e voltamos para o lugar da barraca do Alf. Dormi e acordei inúmeras vezes com um Boi maledeto que berrou a noite inteira.

L.Felipe Preparativos

12/Junho - Dia 32 – RedCliff a Irvine

June 29th, 2009

Dia 32 – RedCliff a Irvine
Distância: 50,00 km
Dist. Acum.: 1951,00 km

Arrumei tudo bem cedo e comemos um café da manhã reforçado. A Chére foi trabalhar e o Scott ficou conosco. Ele tirou umas fotos nossas na frente da casa e partimos. Com muita preguiça e o vento que eu nem preciso falar. Paramos na próxima cidade, Medicine Hat, para comprar a corrente do Nelson. Aproveitamos para fazer mercado e comprar umas coisas essenciais. Depois, pedimos orientação para encontrar a bicicletaria, mas cada um dizia uma coisa (e eu sou meio perdido) e demoramos para achar a bicicletaria.

O Nelson foi com o mecânico e eu fiquei vendo as bicicletas. A loja era bacana, mas o mecânico demorou um século para trocar a corrente do Nelson. Primeiro ele não conseguia encaixar o elo, quebrou 3 elos diferentes ao tentar montar a corrente, não sei como ele conseguiu terminar. Ele ficou sem cara de cobrar o serviço e cobrou 5 reais pela câmara que o Nelson levou. A corrente foi de graça.

Seguimos e antes de sair da cidade almoçamos no Subway. Comi um baita sanduiche de 12 polegadas e uma Coca para dar o contraste. Já tem muito suco em pó no meu corpo e eu precisava variar. A gente comeu numa lerdeza só e eu não estava com a menor vontade de continuar a pedalar. Contudo, seguimos em frente.

Muita, muita preguiça. O Nelson também não estava com ânimo e estavamos conversando, pedalando lado a lado, quando um ciclista de Quebec nos abordou. Ele era muito rápido e não levava tanta bagagem como nós. Ele pedalava mais de 200 km por dia e fizera o mesmo trajeto que nós (com exceção do trecho de Jasper a Lake Louise) em 8 dias. Ele disse não tinha comida e fogareiro. Comia em postos de gasolina e restaurantes no caminho. Loucura. Enfim, não é viajar, é sacrifício, no meu ponto de vista.

O Quebecano iria ficar numa casa a 25km para o sul e logo virou a esquerda na estrada. Nós continuamos. Pouco tempo depois, comiamos uns amendoins na beira da estrada e avistamos o quebecano novamente. Ele tinha entrado na estrada errada. Trocamos contatos e ele partiu, mas nós encontrariamos ele novamente se sairmos cedo amanhã.

Depois de não muito tempo, com toda aquela preguiça, decidimos ficar numa cidadezinha que apareceu chamada Irvine. Acho que essa cidade tinha menos de 50 casas, mas tinha uma escola imensa. Muito grande mesmo e com uma baita infraestrutura. Entramos na escola, que estava fechada, conversamos com uns funcionários e eles nos falaram para acampar num lugar coberto, atrás da escola. Perfeito. Ainda por cima eu carreguei meu laptop e meu ipod, para continuar ouvindo as músicas que me davam energia nos momentos entediantes.

Escrevi um pouco nessa noite e depois da janta, dormi como criança.

L.Felipe Preparativos

11/Jun - Dia 31 –Brooks a Redcliff

June 29th, 2009

Dia 31 –Brooks  a Redcliff
Distância: 105,00 km
Dist. Acum.: 1901,00 km

Logo que acordamos começamos a desmontar tudo e fazer o café da manhã. Partimos, e logo na saída da cidade, paramos num posto para usar o banheiro. Depois de um tempo seguimos pedalando pela estrada plana. Tinhamos 120 km até Medicine Hat, cidade que pretendiamos pernoitar. É impressionante como tudo fica mais plano a cada dia que passa.

Nessas pradarias, só o que tem é plantação de feno e trigo. Aqui em Alberta também tem muitas bombas para retirar Gás Natural e Óleo da terra. Segundo o livro do Nelson, tem mais de 10 mil só em Alberta. Esse mercado é muito forte aqui deve ter muita demanda de mão de obra especializada.

Eu pedalava tranquilo, mas aquela cenário igual por tanto tempo foi me dando um desespero interno. Soltei um berrão que o Nelson escutou quase há 1 km de disância. “Não tem P*** nenhuma nesse lugar!!!!”. E fui continuei pedalando e fui encostando no Nelson. Ele estava chorando de dar risada. Chorando mesmo. Ele não se controlava. Acho que ficou mais de 10 minutos gargalhando do meu grito. Ele falou que eu estava tranquilo, ouvindo música, pedalando naquele silêncio, e do nada eu extravasei a raiva interna.

Paramos numa cidadezinha chamada Silfield para tomar um sorvete na beira da estrada. O restaurante meio velho e mal acabado. Entramos e tinha uma senhora jogando sudoku. Cumprimentei e ela nem piscou o olho. Olhei pro Nelson e ele com aquele sorriso na cara. Cheguei na senhora do caixa e disse: “Oi”. Novamente sem retorno. Aí eu pensei alto, falando em português: “É por isso que esse lugar tá assim, mal acabado. 2 senhoras que não cuidam do lugar e não dão atenção pro cliente, não vão pra frente nunca…”. Pegamos o sorvete e sentamos numa mesa. Nessa as duas senhoras estavam jogando sudoku na mesa da frente. O Nelson levantou e pegou um suco. Quando a senhora olhou a marca do suco que o Nelson pegou, ela fez uma cara de desgosto muito boa.. hahaha.. sabe quando você toma aquele suco azedo que amarra a boca? Foi a cara que ela fez. Hahaha..

Eu estava pedalando bem. Acho que estava empolgado pra chegar em algum lugar que não fosse feno e vento. Fiquei bem a frente do Nelson, mas uma hora eu parei pra ver onde ele estava e não o via no horizonte. Esperei. Fiquei uns 10 minutos ouvindo música, sentado na beira da estrada. Nada do Nelson, fiquei preocupado e comecei a voltar. Logo ele aparece dizendo que a corrente quebrou e ele teve que tirar 2 elos que amassaram. Ele teria que parar numa bicicletaria em Redcliff, a próxima cidade, para comprar uma corrente nova. Sem erro.

Ao chegar na cidade, logo fui perguntando pras pessoas onde eu encontrava uma bicicletaria, mas infelizmente, não tinha nenhuma na cidade. Um garoto me falou que eu podia encontrar numa loja de departamento e lá fomos. Falamos com o mecânico da loja e realmente ele tinha algumas correntes, mas nenhuma do tamanho que o Nelson precisava. Depois desse banho de água fria, fomos a biblioteca pegar internet para falar com a família. Liguei para meus pais, irmã e falei com a Pati. Foi divertido.

Eu estava saindo da biblioteca e decidi que era melhor ir ao banheiro alí, pois não sabia onde iriamos dormir. Voltei para dentro do prédio e, para ir ao banheiro, precisei passar por uma sala de reunião onde tinha uma reunião acontecendo efetivamente. 4 homens e 1 mulher. Pedi licensa e eles me indicaram onde era o lugar. Era no final de um corredor. Eu não achava o interruptor de luz e pedi ajuda. A mulher veio me ajudar e começou a conversar. Ela chama Chére e gostou da nossa viagem e da nossa causa. Perguntou aonde dormiriamos essa noite e nos deu o endereço dela, dizendo que, caso não encontremos lugar para ficar, ir pra casa dela que ela dava um jeito. Agradeci, impressionado e fui ao banheiro. Na volta disse tchau e o assunto do pernoite voltou. Perguntei pra ela se poderiamos já combinar de acampar no jardim dela, assim não precisariamos procurar. Hehe. Ela disse que sim e disse que as filhas não moram mais na casa dela e ela tinha 2 quartos vazios, onde poderiamos ficar. Perfeito. Saí da biblioteca com sorriso de orelha a orelha.

O Nelson quando viu já tava adivinhando. “De duas, uma. Ou você arrumou um lugar pra ficar ou tá com prisão de ventre pra demorar tanto.” Hahaha… Sensacional. Ficamos conversando 2 minutos lá fora e a Chére chegou dizendo que ia pra casa de uns amigos tomar cerveja, porque o marido dela estava jogando golfe, e nos convidou também. Nós fomos, mas a situação era engraçada. Chegamos na casa dos amigos dela, batemos papo, tomamos cerveja e fomos embora.

Chegando na casa dela, começamos pegando as coisas que precisariamos e o marido dela, Scott chegou em seguida. Ele trabalha na indústria de óleo e gás. O casal muito simpático e a casa deles é muito bem decorada, com coisas escritas em tudo quanto é lugar. Todo o tipo de palavra e frase que te coloca pra cima. Ambiente muito alto astral. Depois de tomar aquele banho (acho que nunca dei tanto valor para um banho quanto nessa viagem), o Nelson cozinhou aquele arroz brasileiro e o Scott fez umas linguiças canadenses na churrasqueira. Jantamos e ficamos conversando muito sobre o Canadá e a indústria de óleo e gás.

L.Felipe Trans-canada

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June 15th, 2009

Galera, desculpa a demora.

Está difícil atualizar o site.

Eu coloquei somente os textos novamente e todas as fotos estão na seção de fotos. O mapa está atualizado tbem

Bjos

L.Felipe Preparativos

10/Junho - Dia 29 –Fazenda na Hwy 1 a Brooks

June 15th, 2009

Dia 29 –Fazenda na Hwy 1 a Brooks
Distância: 89,70 km
Dist. Acum.: 1796,00 km

Acordamos cedo novamente e as 7h estavamos saindo da fazenda. Na estrada para chegar na casa encontramos um cara de carro. Ele nos parou e nos disse que é de Halifax, cidade na costa leste. Me deu seu cartão e disse para entrarmos em contato com ele quando chegássemos lá. Achei muito bacana a atitude dele. Aquela moça meio mal encarada tinha contado para ele sobre nós e, como ele já foi para o Brasil, veio conversar conosco.

Quando o cara seguiu para o trabalho, o Nelson montou na bicicleta e na primeira pedalada o pneu furou. Putz.. tinha areia dentro do pneu denovo e acho que estava meio vazio demais para tanto peso. Trocamos a camara e o pneu. Colocamos o pneu reserva como teste. Ficamos um tempinho ali, embaixo de sol.

Já na estrada, a cada kilometro que passava, tudo começou a ficar remoto. Já não havia mais fazendas, só terra com mato curto e aquelas bombas para retirar óleo e gás da terra. Aqui na Província de Alberta tem mais de 10 mil dessas bombas e é o estado do Gás Natural. Chegou uma hora que não tinha mais nada. Nada. Nada mesmo. Sério. Zero. Todo aquele cenário das Rocky Mountains e de British Columbia acabara. Não tinha casa, não tinha árvore, não tinha animal, não tinha sombra, não tinha morro. Só o plano árido. Me deu um desepero de ver tanta terra e nada ao mesmo tempo. Mas pelo visto, teremos uns 1600 km de “deserto plano”

Eu estava pedalando bem e o Nelson ficou para tras algumas vezes. Mas sempre que eu vejo que ele está longe eu paro e espero, aproveito para alongar. Dessa vez ele demorava demais e eu não conseguia enxergar se onde ele estava. Coloquei os óculos e mesmo assim nada dele. Resolvi sentar e esperar um pouco mais. 10 minutos depois, nada do Nelson. Fiquei preocupado e começei a voltar. Pedalei uns 10 minutos e avistei o cabra. A corrente nova que ele comprou em Calgary quebrou. Foram 2 elos que se foram e ele estava pedalando com a corrente curta. Ele ficou preocupado com a situação e resolvemos parar em Brooks, próxima cidade, para comprar uma corrente nova.

Na entrada da cidade eu avistei uma igreja com um baita terreno lindo, um gramado verde e de ótima qualidade pra acampar. Já lancei a idéia de ficar por ali mesmo e procurarmos a bicicletaria. O Nelson aceitou na hora. Entrei na igreja, eram umas 18h e procurei o pastor ou o responsável. Não tinha ninguém, só um garoto que dá aula de guitarra no auditório da igreja. Ele me passou o telefone do Pastor Bill que, por telefone, nos autorizou a acampar no gramado da igreja.

Depois de armarmos as barracas, ou barracos, o Nelson decidiu colocar a corrente antiga que ele ainda tinha guardada e comprarmos uma corrente nova em Medicine Hat, próxima cidade que pernoitariamos. Tomamos um banho de gato no banheiro da igreja e fomos jantar no Tim Hortons. Não sei se posso considerar isso como jantar. Foram 6 donuts e um café gelado cada. O jantar mais nutritivo de todos desde o começo da viagem. Hehehe.
Depois da “janta”, voltei para a igreja e escrevi um pouco vendo o por do sol, encostado numa árvore. Quase um marajá. Só faltou a rede e o reggae. Fiquei um tempão lá e quando o sol se escondeu ficou frio. Frio o suficiente para eu ir pra dentro da barraca e colocar a calça de moleton. Não passou muito tempo e dormi ouvindo um som. Eu acordei no meio da noite com o fone de ouvido e desliguei para poupar bateria.

L.Felipe Preparativos

9/Junho - Dia 29 – Calgary a Fazenda na Hwy 1

June 15th, 2009

Dia 29 – Calgary a Fazenda na Hwy 1
Distância: 110,30 km
Dist. Acum.: 1706,30 km

Acordamos cedo, cedo mesmo. 7h estavamos prontos. O Sampson veio ver se ainda estavamos lá logo que acordou. Eu tinha prometido pra ele que esperaria ele acordar para ir embora. Ele me deu um abraço forte e um bom dia envergonhado. Logo vieram os outros 2 irmãos dele com cookies para levarmos e ele pegou uns muffins para nós.

Tiramos uma foto bacana na frente da casa deles com todo mundo e as nossas bikes prontas e carregadas e partimos. Sem rumo. Não sabiamos onde iriamos pernoitar. Isso acontece toda noite, mas dessa vez não sabiamos nem se chegariamos em alguma cidade. Fomos indo, sem mapa, perguntando a direção para chegarmos na Hwy 1A, que tem menos movimento que a Hwy 1. Demoramos mas chegamos na estrada. A cidade é muito espalhada e pedalamos mais de 15 km para chegar na zona rural. Aqui, o que não falta é zona rural. Tem muita fazenda. Muito pasto. Muito espaço.

Eu estava achando a bicicleta meio instável hoje, acho que coloquei muito peso num lado do trailer e ele estava balançando muito. Irritante. As vezes eu ouvia o barulho do paralama batendo na roda, de tanto que balançava. Se balançasse assim em alta velocidade, seria perigoso cair. Na hora do almoço, pegamos as comidas do meu alforge e eu coloquei as bananas na outra mala, para ver se adiantava. Até que adiantou e não tive mais problemas. Nesse almoço paramos numa cidadezinha vizinha, num escritório do governo que tinha uma mesa de pique-nique do lado do prédio. Eu pedi autorização para a moça da recepção para fazermos o almoço lá. O aceite foi imediato e começamos a cozinhar. Pegamos água no posto do lado e fizemos aquele almoço esperto e diversificado.

Na estrada tinha um cara com um trailer vendendo todo o tipo de bandeira de todos os países. Estou louco para comprar uma bandeira do brasil pequena para colocar na bicicleta há tempos, mas não conseguia encontrar. Fui ver se tinha alguma bandeira brasileira pequena, mas só tinha do tamanho gigante. Fica pra próxima. Seguimos com o vento na cabeça, pra variar.

Falando em vento, acho que daqui pra frente não vou mais falar sobre esse tópico. Acho que se eu continuar escrevendo que estamos pegando vento contra, vamos continuar pegando. Lei da atração. Vou pensar no vento a favor a partir de agora pra ver se atrai. Quando pegarmos algum vento bom, eu aviso. Caso contrário, considere o vento como um atraso de vida.

Bom, seguimos e a cada kilometro que passava, viamos menos coisas na estrada. O tempo passava e foi me dando um vazio. É difícil falar tchau para as pessoas bacanas que eu tenho conhecido na estrada. Isso porque eu não sei se vou revê-los novamente. O tempo foi passando, a cabeça trabalhando e o pedal girando. Dado um certo momento, começamos a procurar um lugar que poderiamos pernoitar. As fazendas começavam a ficar cada vez mais distantes e precisariamos nos abrigar do vento e do tempo.

Achamos uma fazenda que tinha uma loja de alguma coisa dentro. Tipo faroeste, meio estranho e abandonado. Ouvi um latido de cachorro e fui ver se encontrava o dono do lugar, para ver se poderiamos acampar no lugar, cheio de grama boa, água na torneira e muitas árvores protegendo do vento. Lugar perfeito, mas não tinha ninguém, só o cachorro preso dentro da casa. Ficamos uns 10 minutos vendo o que fariamos: Esperar ou seguir? Seguimos. Há uns 5km de onde estavamos tinha outro monte de árvores, que pré-julgamos ser uma fazenda e fomos em direção a esse “oásis”.

No meio do caminho vimos um carro entrar numa estradinha de terra e estacionar numa casa bem antiga. A única casa entre a fazenda e os arbustos que avistávamos de longe. Não tivemos dúvida, entramos na mesma estrada que o carro e batemos na porta da casa. Logo veio uma mulher meio mal encarada. Conversei com ela, falei que eramos brasileiros atravessando o Canadá de bike e ela nos deixou acampar embaixo de umas árvores do lado de um riozinho, há uns 300 metros da casa. Perfeito.

Armamos nossa favela no pasto, embaixo das árvores, com cuidado para não colocar a barraca em cima de galhos ou coco de vaca. Achamos o lugar ideal, levantamos o barraco e começamos a fazer aquela comida na “lage”. Depois da janta, logo fui dormir. O vento sugou minhas energias e eu não queria fazer mais nada, a não ser dormir.

L.Felipe Preparativos

8/Junho - Dia 28 – Calgary.

June 15th, 2009

Dia 28 – Calgary.
Distância: 0,00 km
Dist. Acum.: 1596,00 km

Hoje acordamos mais cedo que ontém, mas mesmo assim já eram 10h. Tinhamos uma reunião no Rotary de Calgary e logo saimos pedalando para a reunião, que começava ao meio dia.

Chegando na reunião fomos muito bem recebidos para o almoço. Os membros do Rotary cantaram uma canção de boas vindas e viream nos cumprimentar pessoalmente. Depois de um tempo, nos deram alguns minutos para falar no palanque. Foi interessante. O Nelson falava e eu traduzia. As pessoas falavam e eu traduzia. E assim foi.

Quando a reunião terminou, algumas pessoas vieram falar conosco. O diretor de projetos internacionais e outros 2 rotarianos muito interessantes. Um deles tem um filho que trabalha Braskem e vai sempre para o Brasil. Ele disse que o filho dele é apaixonado pelo Brasil. Não tem como não ser. Nossa terrinha é boa demais.

Depois da reunião, passamos no mercado comprar comida e decidimos fazer uma janta para o pessoal da casa. Chegando na casa, a Tanya comentou que o pai dela queria levá-los num restaurante, pois era a última noite dele na casa. Ele mora na Nova Zelândia. Fizermos a janta só para nós e comemos bem demais. Compramos carne e fizemos naquele esquema brasileiro com cebola.. humm.. dá água na boa só de falar.

No final da noite nós trocamos algumas fotos e mostramos fotos de outras viagens e experiências. Conversamos bastante.

L.Felipe Preparativos

7/Junho - Dia 27 – Calgary.

June 15th, 2009

Dia 27 – Calgary.
Distância: 0,00 km
Dist. Acum.: 1596,00 km

Hoje foi o dia da preguiça. O Rick foi cedinho para o aeroporto, nos despedimos meio sonolentos e voltamos a dormir. Eu dormi até umas 11h, acho. Não fizemos quase nada. Almoçamos com a Tanya e o Dan, pai dela, e os 3 filhos. Foi muito divertido. Na parte da tarde eu fui trabalhar um pouco com as fotos e os vídeos e o Nelson foi dar uma volta na cidade.

Fiquei na cozinha conversando com o pessoal e no final da tarde o Sampson, filho mais velho da Tanya leu 3 capitulos de um livro pra mim, antes dele ir dormir. Fora o livro, ele me mostrou toda a coleção de pelúcia, de desenhos e materiais artísticos que ele mesmo faz. Ele tem 8 anos e é impressionante como ele é habilidoso, desenhos muito bons e faz uns quadros com ponto-cruz muito bonitos.

Depois que Sampson foi dormir, fui falar com o pessoal de casa no skype e acabei dormindo também.

L.Felipe Preparativos

6/Junho - Dia 26 – Cochrane a Calgary.

June 15th, 2009

Dia 26 – Cochrane a Calgary.
Distância: 36,00 km
Dist. Acum.: 1596,00 km

Acodamos as 4h30, pois as 5h20 a Bevely passaria para nos pegar. Dito e feito. Pontualmente ela chegara. Estava nevando ainda e tudo estava branco. Todos os pastos, fazendas, casas, cercas, grama, carros. Tudo estava debaixo da neve. A neblina estava muito baixa e a visibilidade não passava de 10m. Chegamos no restaurante denovo e fomos tomar um café da manhã para ver se nos dava coragem para encarar o mundo branco que caia do céu.

Eu comi um esquema com ovos e bacon. Cada dia que passa estou ficando mais ogro. Como tudo o que vier pela frente, até pedra na manteiga eu mando, se bobiar. Preciso controlar essa “fome” quando a viagem acabar, senão posso atravessar o país rolando no verão que vem. Hahahaha.
Depois do café da manhã, fiz o mesmo esquema McGiver com a bandana cobrindo a orelha e o nariz, coloquei sacos plásticos nos pés e nas mãos, para não encharcar as luvas e o tenis. Fomos embora. Embaixo de neve. Muita neve. Sem noção. Os carros que passavam pela gente buzinavam e acenavam para nos dar coragem para enfrentar o tempo. Coloquei o som no último e fui escutando o bom e velho Pink Floyd.

Não demorou muito para o esquema do saco plástico ir por água abaixo. Meu pé direito estava congelando de tão gelada que era a água que escorria da minha roupa. Eu tinha neve no casaco e nas mochilas e não podia parar de jeito nenhum, para não esfriar o corpo. Logo passou o gelo do pé e a água ficou quente, já que o saco ainda me protegia do vento e ficara quente com o calor do meu corpo. Esperei um pouco o Nelson e combinei que só ia parar em Calgary. Se acontecesse algo, eu estaria na casa de informações turísticas da cidade.

Torci o cabo, esqueci o vento contra e o desepero de chegar logo me fez pedalar muito mais rápido do que eu poderia em sã conciência. Pouco mais de 3h depois a neve parou e o vento também. Foi a brecha que precisava para tirar a água do joelho que acumulou durante a manhã gelada. Enquanto fazia isso, o Nelson apareceu no horizonte e decidi comer uma barra de cereal e esperar por ele. Já estavamos na cidade, mas o centro ainda estava longe. Calgary é uma cidade muito espalhada e aparentemente tem muito lugar para crescer ainda.

Chegamos num posto e paramos para ver se tinha um mapa da cidade e para ligarmos para o Rick e para a Tanya, casal que haviamos conhecido em Lake Louise, para vermos se o convite de pernoitar na casa deles ainda estava de pé. Fomos recebidos de braços abertos e com muito carinho. Fiquei impressionado com a quantidade de equipamento e de bicicletas que ele tem na garagem. Segundo o Nelson, são 19. Eles tem planos de viajar de bike com os 3 filhos, Sampson, Marcus e Tarn em julho. Essa viagem vai durar um ano, no mínimo. Eles já deram a volta ao mundo, antes de terem o primeiro filho e essa viagem durou 2 anos. Hoje o Rick tem uma empresa que leva crianças para ter a experiência do cicloturismo em algumas partes do mundo. Essas crianças voltam com o espírito de liderança e muito mais abertas a aprender coisas novas e se dedicar aos estudos.

Depois do ótimo recebimento, o Rick deu uma olhada nas bicicletas e nos indicou uma bicicletaria chamada Good Life Bike Shop. Não é uma bicicletaria comum. As pessoas doam bicicletas usadas e peças, tem sempre alguns mecânicos a disposição e você pode ir comprar peças ou bicicletas inteiras pelo preço que você achar justo. Eles te falam mais ou menos quanto aquela peça custaria e você paga o quanto quiser. Vai da consciência de cada um. Além disso, qualquer pessoa pode ir lá e usar as ferramentas para fazer o próprio reparo na sua bicicleta, com assistência dos mecânicos e pagar o quanto quiser pelo uso da bancada. Não é animal? Achei muito bacana o esquema deles e o pessoal é muito gente boa.

Nessa Good Life, tentei arrumar minha roda, mas não obtive sucesso. Eu teria que tirar todo os raios da minha roda e colocar montar uma outra roda com minhas peças. Ia demorar muito e eu sabia que não ia deixar perfeito. Provavelmente teria problemas mais tarde e decidi ir em outra bicicletaria comprar uma roda inteira. Fomos nessa outra bicicletaria que eu não lembro o nome e comprei a roda nova. Enquanto eles montavam a roda, eu e o Nelson fomos na MEC de Calgary para fuçar. Acabei comprando um travesseiro pequeno, uma lanterna de cabeça (headlamp), um protetor contra chuva para o tenis e uma luva de neoprene, caso tivessemos tempo ruim denovo. Adoro essa loja. Posso passar o dia inteiro olhando o tanto de coisas que eles tem.

A noite, voltamos para a casa do Rick e da Tanya, tomamos banho e depois uma cerveja com os amigos deles. Todos eles trabalham para o Rick, guiando as crianças nas viagens ou como mecânicos na bicicletaria. A Tanya fez uns cookies a noite e logo fui dormir.

L.Felipe Preparativos

5/Junho - Dia 25 – Banff a Cochrane.

June 15th, 2009

Dia 25 – Banff a Cochrane.
Distância: 100,00 km
Dist. Acum.: 1560,00 km

Acordamos cedinho em Banff, o hotel estava fechado e se saíssemos, não poderiamos entrar denovo. E agora? Hehehe.. fomos embora e logo na saída já vi que minha roda e estava empenada novamente. Não tinha jeito, eu teria que trocar chegando em Calgary. São 136km e vamos tentar chegar hoje lá, se o tempo ajudar, pois vimos que hoje teriamos chuva e amanhã neve. Neve? Em pleno junho? Tempo louco. Disseram que em Alberta pode nevar qualquer dia do ano. Vamos ver.

Seguimos a caminho de Calgary e depois de 2 horas Gordon nos alcança novamente. Ele não sai tão cedo quanto a gente, na verdade, acho que nenhum ciclista acorda tão cedo. A Silvia, por exemplo, sempre começa a pedalada pelas 9h. Mas começar cedo é bom que o dia rende. Ele nos acompanhou todo longo caminho. Longo pois pegamos muito vento contra. Na verdade, não era vento, era ventania. Sabe aquele vento que te tira do centro de gravidade e faz você ficar cambaleando que nem bêbado? É pior. Com as bicicletas é ainda pior.

O tempo estava fechado e a chuva demorara a chegar. Quando foi umas 17h começou a chover, bem fraquinho, mas chovia. Pouco depois essa chuva estava estranha, batia no rosto e machucava. Machucava demais. No chão ela batia e não molhava mais, era gelo. As gotas da chuva estavam se transformando em gelo no meio do caminho. Ai ai ai . Será que essa neve ia chegar hoje e não amanhã? Tive que colocar a bandana no rosto, como se fosse bandido, cobrindo o nariz e as orelhas. O capuz do casaco impermeável ficou sob o capacete pra não molhar o cucurutu. Coloquei os óculos escuros, pois não dava pra ficar com os olhos abertos e pedalar ao mesmo tempo.

Nesse momento, bateu o desespero. Chorei. Ninguém viu, mas eu chorei. Estava muito nervoso e não sabia como lidar com a situação se começasse a nevar. Depois de um tempo liderando o grupo, avistei um posto de gasolina do outro lado da estrada, há pouco mais de 1km. Parei para ver onde os dois companheiros estavam. Estavam lá atrás, caminhando com a bike do lado. Tinha acontecido algum problema com um deles, ou com os dois. Todo mundo estava muito cansado e já estavamos batendo 100km com muito vento contra e frio. O psicológico abala nessas horas.

Gordon estava com um pneu furado e o Nelson acabado, assim como eu. Paramos no posto bem quando começou a nevar de verdade e fomos ver com a dona do local se poderiamos acampar alí mesmo ou dormir em algum lugar protegido do tempo. Negativo. A dona era mais grossa que parede de igreja (não era canadense, era do Egito) e mandou a gente pedalar mais 18km para chegar num camping. Pense? Pedalar mais 18km embaixo de neve e muito vento contra? Nem a pau, Juvenal.

Nessa hora pensamos em tudo, dormir no banheiro, fazer rodízio e dormir dentro da loja do posto, pegar o saco de dormir e dormir no corredor entre a loja e o banheiro, virge, imaginação não faltou. Fomos tentar com o restaurante do lado da loja de conveniência. As vezes o dono é diferente e rola algo bom. Começamos a conversar com a moça do caixa, ela pegou a lista para ver se os campings estavam abertos e disse que nos daria carona até um camping perdo da cidade dela, Cochmore. Não ficava no nosso caminho, mas era uma opção. Não conseguimos falar com o Camping, mas ela falou que saia as 22h e podia nos dar uma carona de qualquer maneira. Ela tem uma caminhonete grande, como todo bom canadense, que caberia nossas bikes, malas, e nós, os malas.

Enquanto esperávamos, ficamos pensando o que fariamos. Acampar na neve ia ser ruim demais. Até arrumar tudo, ia acabar dormindo com neve dentro da barraca. Fora que eu ia congelar com meu saco de dormir pra 10˚C e meu cobertor de fleece. Por mais casaco que eu colocasse, não ia rolar. Negociamos com ela dormir dentro do restaurante, já que ela mesma abriria o restaurante amanhã as 6h. Não rolou. Tentamos negociar dormir no depósito e não rolou. Tentamos de tudo, até que eu falei pro pessoal, já que ela vai nos dar uma carona para o camping, vamos pegar uma carona para um hotel barato. Todos fecharam na hora. Pensei mais 2 segundos e falei. “Poxa, já que ela vai nos dar uma carona de ida e vai abrir o restaurante as 6h, ela podia nos dar uma carona de volta, assim não pedalariamos mais 20km para chegarmos no mesmo lugar”. A idéia foi genial, só basta saber se ela também acharia.

As vezes eu sou abusado demais, hahaha, mas perguntar não custa né? Esperei o momento certo, pois ela, Beverly, é a faz tudo no restaurante. Serve, cobra, limpa. Tudo. Quando rolou a brecha, fui lá e perguntei. Para o meu espanto, ela topou na hora. Uhuuuuuuu, dentro da minha cabeça eu estava gritando, “A-NI-MAL-!!!”. Fechado.

Chegando no hotel, rachamos a conta em 3 e saiu 30 dolares pra cada. Tranquilo. Melhor que congelar no camping por 18. O Gordon deu um jeito na minha roda, que estava empenada denovo. Ele me ensinou como faz pra arrumar e eu aprendi direitinho dessa vez. Tomei um banho quentinho enquanto lá fora a neve caia, e dormi.

L.Felipe Preparativos

4/Junho - Dia 24 – Lake Louise a Banff.

June 15th, 2009

Dia 24 – Lake Louise a Banff.
Distância: 51,56 km
Dist. Acum.: 1460,00 km

Na madrugada eu acordei assustado. O Oliver, que estava na outra beliche saiu cedo do hostel para pegar o nascer do sol lá no lago Emerald Lake. Dormi denovo e acabei acordando tarde, umas 8h, acho. Encontramos novamente a galerinha de intercambistas do Rotary e tiramos fotos só com os intercambistas brasileiros. Logo partimos.

Pegamos a estrada 1A (hwy 1A), onde é proibido o tráfego de caminhões, o que torna a viagem bem menos estressante. A estrada era bem tranquila e passavam poucos carros. De longe, bem de longe, agente escutava o barulho da estrada principal. Parecia estressante lá do outro lado, mas a gente estava no sossego, apreciando a paísagem e pedalando numa estrada tranquila e com asfalto lisinho.

No meio desse sossego todo, percebi que minha roda estava entortando denovo. Ouvia o barulho da roda raspando no freio constantemente. Isso foi me dando nos nervos, já havia perdido as contas de quantas vezes essa roda tinha me dado dor de cabeça. Decidi ir assim mesmo e pedir para o cara da bicicletaria analisar a roda e ver se vale a pena comprar outra. Eu já tava querendo é comprar outra, pra não ter mais problema.

Na parada da manhã, para reforçar o café da manhã, paramos para comer amendoim e tomar um suco. Nessa hora, encontramos Gordon novamente. Ele é de Penticton, cidade pela qual já passamos, e estava indo para a cidade da família, no norte de Saskatchewan. Ele nos acompanhou todo o trajeto.

Continuamos sem problemas e logo chegamos em Banff e Gordon seguiu para a próxima cidade, há 18km daqui. Foram só 51km até Banff e chegamos pouco depois da hora do almoço. Eu estava com muita fome. Assim que chegamos procuramos as bicicletarias locais para ver a roda. Na primeira o mecânico não estava, na segunda o mêcanico estava atolado de trabalho e não vi nenhuma boa vontade em nos ajudar, na terceira e última bicicletaria da cidade, o mêcanico foi demais. O cara saiu pra ver o problema, pediu para que nós arranjassemos um lugar para ficar, deixar as malas todas e voltar umas 7h.

Fomos ver um lugar para ficarmos, hostel, camping, qualquer coisa. Pegamos o mapa da cidade e vimos que o camping ficava há 4km da cidade, bem como o Hostel que queriamos ficar. Fomos num hostel mais perto e só tinha dormitório lotado e sem armário com tranca para fecharmos nossa bagagem. Ficamos sem chão e não sabiamos direito o que fazer. Saindo desse último hostel, encontramos um ciclista que parou para conversar conosco. Ele tinha um trailer e carregava seus 2 filhos (acho que eram gêmeos) pequenos. Ele comentou que essa época é baixa temporada e que nós podiamos tentar ficar num hotel e barganhar o preço. Achei a idéia boa, pois queria ficar perto do centro, onde as bicicletarias estavam.

No primeiro hotel que o ciclista nos recomendara era muito caro, 100 dolares o quarto com 2 camas. Fomos em outro na frente, parecia meio acabado, decadente, mas bom. O dono é um alemão, que imgrou para o Canadá há mais de 10 anos. Conseguimos fechar um preço bom, 70 dolares. 35 por cabeça, eram 2 dolares a mais que o hostel do centro e ainda era privado. Perfeito. Subimos de elevador para o quarto com as bicicletas. O Nelson pedalou nossas bikes no corredor do hotel, foi muito engraçado. Ajeitei minhas coisas no quarto (bike desmontada no corredor em frente da porta, trailer no banheiro, entre o vaso e a banheira.. lindo) e fomos para a bicicletaria.

Deixei a roda na bicicletaria e fomos ao mercado comprar comida. Estou ficando profissional em supermercado canadense. Tudo é caro, compre o menos possível. Kkkk. Pegamos tudo e, enquanto o Nelson levava as comidas para o hotel, eu fui buscar a roda. Tinha ficado pronta, mas o cara falou que se o problema estava acontecendo tão frequentemente, era melhor trocar a roda. Ele falou que era mais rápido pedalar até Calgary e comprar lá, pq aqui ele só tinha roda para bikes de salto e com freio a disco, que são mais caras.

Bom, ele resolveu o problema temporáriamente e segui para o hotel. O Nelson queria fazer comida no quarto do hotel, que não tinha cozinha, mas com aquele tanto de sprinkler no teto, era capaz de acionarmos o alarme de incêndio e termos que pagar multa para a cidade e para o cara do hotel. Fomos para o parque próximo do hotel e fizemos a janta naquelas mesinhas de pique-nique padrões. Eu estava com muita fome, pois não tinhamos almoçado. Fiquei o dia todo na barra de cereal e precisava de algo salgado.

Depois da janta, demos uma volta na cidade, para conhecer. Passamos em algumas lojinhas bem legais. Queria comprar umas lembrancinhas, mas não tinha aonde colocar e ia sair caro mandar direto para o Brasil. Deixei quieto e volti para o hotel. Conversei um pouco com a namorada e li um pouco de notícias brasileiras, para ver o que acontece no hemisfério sul.

L.Felipe Preparativos

3/Junho - Dia 23 – Waterfowl Campground a Lake Louise

June 15th, 2009

Dia 23 – Waterfowl Campground a Lake Louise
Distância: 76,5 km
Dist. Acum.: 1408,44 km

Essa noite foi bem gelada, mesmo estando protegido do vento e do sereno. Acordamos tarde por causa do frio. Muita preguiça de pedalar com esse frio matinal. Comemos um café da manhã reforçado com aquela pasta de amendoin “deliciosa” que não acaba nunca e seguimos subindo a segunda montanha de 2 mil metros de altura. Menos de 30km depois chegamos no cume novamente e começamos o downhill (descida da montanha).

O vento não dava trégua denovo e tinhamos que pedalar muito para a descida render. Depois de um tempo ainda descendo, chegamos num lago em frente ao hotel Nun-Tih-Jah, encontramos com um Suiço que estava indo para o Alaska e acabamos parando para almoçar numa Área de descanço em frente a esse lago. Começamos a cozinhar e um esquilo começou a chegar perto da gente. Ele estava muito perto e nós demos um amendoim para ele. Depois disso ele nunca mais foi embora. Ele pedia amendoim e comia na nossa mão. Foi um barato.

Continuamos a descida e chegamos em Lake Louise novamente, era mais ou menos 14h e fomos direto para o mercado para reabastecer nosso estoque. Comi um sorvete sensacional, pra variar e fui colocando as coisas na mala. Deixei um cacho de banana em cima da mochila do trailer, que é amarela e não percebi. Nesse meio tempo, enquanto colocavamos as coisas na mochila, encontramos 2 brasileiros que trabalham num café em frente ao mercado, ficamos conversando e fomos a caminho do Hostel. No meio do caminho lembrei da banana. Olhei, olhei, e cade? Kkk perdi. Deixei a bike com o recifence e corri de volta pro mercado. Achei o cacho de banana em cima de uma ponte de madeira que passamos, perto do mercado. Ufa… custa caro essas bananas aqui. Elas são importadas da Guatemala e do Equador. Aqui, com esse frio, banana não cresce. Outra coisa que percebemos é que não existe suco natural, e se vc achar, custa caro.

Fomos para o Hostel  quando chegamos um garoto saiu correndo do ônibus de excursão que estava no estacionamento e veio falar com a gente. “É brasileiro?”, ele perguntou, pois o Nelson estava com a camiseta amarela do Brasil. Logo começamos a conversar, e descobrimos que ele é um jovem intercambista do Rotary. Logo vieram mais uns 18 garotos com uns 16, 17 anos. Conversamos um pouco e fomos colocar nossas coisas no quarto.

Pegamos um dormitório para 4 pessoas. A princípio estávamos sozinhos. Logo chegou um alemão, Oliver, e depois um Suiço que eu não sei o nome. O Alemão é gente boa demais e conversamos bastante. Ele trabalha com esporte e hoje trabalha divulgando os jogos olímpicos de inverno.

Logo fui tomar um banho e o Nelson pegou o laptop para falar com a esposa. Depois foi meu turno de falar com pais e namorada. Tentei escrever um pouquinho também, mas é muita coisa pra fazer. Falar com família, ler e-mails, baixar fotos e vídeos, organizar pastas de fotos, facebook, orkut, e o tempo vai-se embora. Tenho que tentar dar foco ao site, mas a saudade aperta e fica difícil.

Depois de um tempo, fui para o quarto e o Nelson tinha ido ver o por do sol com o Alemão no Emerald Lake, mas eles estavam atrasados em uma hora, pois o relógio do Oliver estava com o horário de Vancouver. Sai do quarto para comer algo e encontrei 2 ciclistas, fiquei converando com eles por um tempo. Um chama-se Lucas, o outro Gordon. Ambos canadenses. Horas depois fui ver onde o povo estava e atualizar o site, mas tinha uma galera na sala onde tem internet, conversando e tomando vinho. Logo entrei na dança e só conversei e tomei uma taça de vinho. Fui dormir 1h.

L.Felipe Preparativos

2/Junho - Dia 22 – Beauty Creek Hostel International a Waterfowl Campground

June 15th, 2009

Dia 22 – Beauty Creek Hostel International a Waterfowl Campground
Distância: 92,30 km
Dist. Acum.: 1331,94 km

Acordamos cedinho e tentamos não fazer barulho pra não acordar o pessoal do Hostel, que estava no mesmo quarto que nós. É um dormitório com várias beliches e com uns armários para colocarmos as malas. Todo mundo dorme no mesmo lugar. É bom para conhecer gente nova, mas não deve ser bom quando se quer sossego.

Antes de sairmos do hostel percebemos que o termômetro apontada 0˚C, e no estacionamento havia um carro encoberto com gelo. Já na estrada o vento estava querendo soprar em nossas cabeças, mas pela manhã não venta muito e só tem uma brisa que nos dá uma idéia de como será o dia. Eu estava meio devagar essa manhã. Sabe, as vezes eu não funciono muito bem pela manhã.

O cenário estava perfeito, mas ainda tinhamos que atingir os 2 mil metros de altitude. Por isso, eu estava um pouco tenso, já que não sabia quão tensa seria essa subida. O vento começou a soprar mais forte quando o sol subiu. O frio não incomodava por causa do sol, mas o vento em trecho sem sol era bem de frio.

Passamos por cachoeiras e a estrada inteira acompanhava um rio bem bonito, com águas azuis e verdes, dependendo do sol e do solo. Acho que nunca vi tanta montanha em volta de uma estrada com neve em todo cume. Pode parecer o mesmo cenário, pra quem não presta atenção, mas cada montanha tem sua particularidade e beleza própria. Eu não cansei de olhar para todas elas por incontáveis vezes, e a cada vez eu achei uma beleza diferente.

Hoje subimos realmente muito, e paramos bastante quando tinhamos a oportunidade, para descansar a musculatura. O vento não deu trégua e foi um dia bem difícil. Chegamos no Columbia Icefield Centre depois de 30km, e já era hora do almoço. O dia paracia não ter rendido e a gente não sabia se ia chegar no camping que tinhamos programado.

Dentro do Columbia Icefield Centre tem um Hotel, um Restaurante e um esquema de escursão na neve, com uma espécie de ônibus com umas rodas gigantes, que eles chamam de Ice Explorer. Em volta desse lugar não tem nada, a não ser neve. É engraçado, mas quando a neve derrete, tudo aqui fica árido e muito seco. Ao estacionar as bicicletas, percebi que a Silvia e seu companheiro também tinham parado para almoçar lá e acabamos nos encontrando mais uma vez. Almoçamos os 4 juntos e escrevemos um cartão postal para mandar para uma professora nossa em Vancouver.

Logo que acabamos de almoçar, eu e o Nelson continuamos a pedalada, pois ainda tinhamos mais 70km para chegar no camping, e com o ritmo que estávamos, não chegariamos antes do sol se por. Pedalamos mais uns 8km e chegamos no primeiro trecho mais alto da viagem. 2 mil metros de altitude. Tiramos algumas fotos, mas infelizmente não havia nenhuma placa dizendo a altitude. Sabiamos por causa do mapa que pegamos no centro de informações turísticas.

Depois desse trecho pegamos umas descidas bem legais e bem íngremes. A vista era sensacional (e o vento contra, fazendo a gente pedalar na descida). Depois de um tempo descendo, chegou um trecho mais ou menos plano e logo começou a subir denovo. Vimos umas nuvens muito estranhas no céu, muito carregadas. Parecia que viria uma tempestade, mas a não tinha cor de nuvem, parecia fumaça, cinza. Chegando próximo há um posto (o único nessa estrada), tinha uma placa escrito “Fogo programado”. O corpo de bombeiros programa um dia certo para queimar a mata com pragas ou trechos com infestação de pragas. Fiquei bem assustado com isso, pois não dá pra pedalar com toda a fumaça que estaria por vir.

Chegando no posto, paramos na barraca do corpo de bombeiros, que estava fazendo plantão devido ao fogaréu, e eles nos falaram que não teriamos problemas, pois o fogo era em outra estrada, próxima. Ficamos aliviados com a notícia. Reabastecemos nossas garrafas com água no restaurante do posto e na saída encontramos o Al novamente (o motorista que nos levara para Jasper), conversamos 5 minutos e seguimos viagem.

Paramos num canyon na beira da estrada para tirar umas fotos e apreciar a paisagem, mas com toda aquela fumaça no céu, tudo começou a ficar escuro mais cedo e o sol ficara laranja. 90 e poucos km depois, vimos um lago. O sol, laranja, refletia tudo no lago. A montanha, as árvores, as nuvens, tudo estava duplicado nesse lago. Muito bonito.

Pouco mais pra frente, na beira do lago, avistamos a placa do camping que iamos ficar e imediatamente ficamos aliviados. Esse camping estava fechado, mas entramos mesmo assim e colocamos nossas barracas dentro de um barracão que tinha mesas e fogões a lenha para o pessoal almoçar. Quando preparamos tudo, jantamos e fomos pendurar as malas de comida no teto de outro barracão igual ao que estávamos, eis que olhei para o lago e vi o por do sol mais bonito de todos. Tudo laranja, iluminação perfeita, montanhas ao fundo, patos nadando na beira do lago. Tirei mil fotos e fui dormir com sorriso na cara, feliz da vida.

L.Felipe Preparativos

1/Junho - Dia 21 – Jasper a Beauty Creek Hostel International

June 15th, 2009

Dia 21 – Jasper a Beauty Creek Hostel International
Distância: 89,40 km
Dist. Acum.: 1239,64 km

Acordamos cedinho no hotel, tomamos café rápido no quarto e já começamos a montar as bicicletas denovo, como todos os dias. Saimos cedo, era umas 7h. Isso porque nós sabiamos que muitos dos campings do caminho estavam fechados por causa da neve e alguns hostels também estavam fechados. Então tinhamos que planejar bem o pedal, sabendo que teriamos 240 km de muita subida, atingindo os 2mil metros de altura por 2x e é ilegal acampar fora dos campings nos parques nacionais, como Jasper, Banff e Yoho Park.

Demos uma volta na cidade pela manhã, com aquele frio de sempre e seguimos a caminho de Beauty Creek. Estava bem frio e o vento, pra variar, batia em nossas cabeças. O dia estava lindo, poucas nuvens no céu, algumas próximas as montanhas. Esse começo teve um cenário absurdo, com as montanhas ao nosso lado, rios e riachos próximos, sempre ouvindo o barulho da água. Aguardávamos ansiosos o que uma das estradas mais bonitas do mundo poderiam nos proporcionar.

Não sei o que aconteceu comigo hoje, mas eu estava com uma vontade imensa de vencer o vento contra e seguir adiante. Escalei todas as subidas (só tivemos subidas) e pedalava num ritmo bem forte. Acho que era por causa da pasta de amendoim que comi de manhã (eca!). Quando parava de pedalar, era no topo da subida para esperar o Nelson. Quando se viaja grupo, é sempre bom ter o amigo no “retrovisor”, pois se acontecer alguma coisa, vc pode voltar e ajudar.

Numa dessas paradas, estavamos na beira de um rio, aproveitamos para comer uma banana, maçã, amendoim e suco. Um pós café da manhã, para manter as energias e o pedal forte. Estava com a máquina fotográfica numa mão e a maça na outra, apreciando o movimento do rio, quando aparece um castor nadando na beira. Na hora tentei tirar algumas fotos, mas ele se movia muito rápido e afundava as vezes. Fiquei sabendo mais tarde que é muito raro ver um castor nessa região. Sorte, né! hehe.

Depois de muita subida e vento na cabeça, chegamos no hostel. Acho que nunca vi um hostel tão rústico quanto esse. Ficava há quase 90 km do centro de Jasper e não tinha energia elétrica. A luz, geladeira, fogão e todo o resto do hostel funcionam a gás. Propano. O atual gerente do Hostel é o Michel, de Quebéc, rapáz muito bacana e prestativo, nos contou que há pouco tempo eles tiveram problema com um dos tambores de gás. Ele explodiu. E agora eles só tem um tambor, gigante. Nessa explosão ninguém se feriu e eles estão recontruindo algumas coisas do hostel, tais como o chuveiro. Não tinhamos banho nesse dia.

Pouco antes de eu chegar ao hostel, 2 suiças também se hospedaram alí. Jeanine e Nina. Advogadas que estão “mochilando” pelo canadá, conhecendo as trilhas e fazendo rafting, canoing entre outras coisas bacanas. Conversamos um monte, eu, o Nelson, elas e o Michel. Eles acenderam uma fogueira e ficamos conversando, apreciando a lua. Logo os meu olho começou a fechar e fui domir.

L.Felipe Preparativos

31/Maio - Dia 20 – Lake Louise a Jasper de ônibus

June 15th, 2009

Dia 20 – Lake Louise a Jasper de ônibus
Distância: 12,00 km
Dist. Acum.: 1150,24 km

Hoje eu acordei cedo e comecei a escrever sobre ontém. O Nelson estava roncando demais na barraca do lado, mas não foi isso que me acordou. Eu dormi super bem e sonhei demais, acordei no meio de um dos sonhos, mas pra variar eu não faço a menor idéia do que seja.

Abri porta da barraca para deixar o sol entrar, mas mesmo com o sol, estavam 3˚C lá fora. Quem me disse isso foi o companheiro da Silvia, ele tem um termômetro, e to achando que eu vou comprar um também. Mas acho que o frio deve passar com o tempo.

Tomamos um café da manhã bacana, com aquela pasta de amendoin sem gosto e chocolate quente com cereal. A Silvia e o companheiro estavam comendo outras coisas. Logo eles estavam prontos para seguir em direção a jasper e nós, para o Lago.

Chegando no Lake Louise, fiquei de boca aberta. As montanhas com neve, o lago verdinho, semi congelado. Fiquei uns 15 minutos sentado nas pedras na beirada do lago só admirando e pensando na vida. Depois fui sentar no banco, próximo da minha bicicleta. Fiquei lá mais outros 15 minutos olhando o lago e vendo as pessoas que passavam. Muitos alemães e orientais. O engraçado de observar as pessoas é reparar e admirar as diferenças culturais e trejeitos.

Estavamos indo embora do lago, quando um casal do meu lado começou a falar sobre bicicleta e falou assim “Crazy cyclists” (ciclistas loucos). Ah.. não me aguentei e falei assim: “Louco não. É por uma boa causa”. E eles comentaram que estavam falando do filho deles que está indo viajar com a esposa e 3 filhos por um ano, pedalando para o Sul dos Estados Unidos, México, Venezuela e Colombia. Logo em seguida chegaram o rapaz (Rick) com a esposa (Tanya) e os 3 filhos, muito bonitos. Eles moram em Calgary e ele tem uma empresa de turismo e leva pessoas do mundo inteiro para pedalar no mundo inteiro. A empresa chama-se “Two Wheel View”. Ele estava indo para a Noruega, se não me engano, e nos convidou para acamparmos na casa dele lá em Calgary. Cada dia que passa eu fico mais impressionado com os canadenses.

Saimos do lago, e fomos para o centro da cidade tentar arrumar uma carona para Jasper. Carona??? É. Assim podemos pedalar de volta para Lake Louise. Esse trecho não está dentro da rota Costa a Costa, mas é considerada uma das estradas mais bonitas do mundo, nós temos que ir de qualquer jeito.

Ficamos umas 2h30 tentando pegar carona para Jasper, mas todas as caminhonetes e motorhomes que chegavam na cidade estavam vindo de Jasper. Conversamos com algumas pessoas e percebemos que todo mundo vai para Jasper pela manhã e volta a tarde. Resolvemos pegar o ônibus. Fui comprar a passagem de ônibus e tomei um susto. 70 dolares para ir de uma cidade a outra. 240km de estrada! Um absurdo, mas não tinhamos outra saida.

O motorista do ônibus é o Al. Um senhor muito bacana e simpático. Ele veio todo o percurso conversando comigo e com o Nelson, explicando muita coisa da região. Ele trabalha há 15 anos nessa empresa e antigamente era guia de excursão.

Ao chegar em Jasper, 4 horas depois, tomamos um susto. Aquele dia lindo que estava em Lake Louise desaparecera. Quando saimos do ônibus, estava um frio danado, um vento infernal e eu sem nenhum casaco. Nenhum. Só a bermuda de ciclismo e a camiseta (nada). Muito frio mesmo, comecei a pegar a bike e as malas de dentro do bagageiro do ônibus e logo peguei o casaco fleece e o corta vento e a calça corta vento. Mesmo com esse tanto de coisa, meu queixo batia de tanto frio. Tinhamos que ir no mercado e depois arrumar um lugar para ficar. Por sorte o mercado era por perto e fizemos compras rapidinho. A má notícia era que o hostel ficava há 4km do centro da cidade e estava começando a chover. Tinhamos que achar um lugar perto, rápido e barato.

Fomos indo e achamos um hotel antigo, mas muito cheio de pompa. A diária era muito cara (mais de 100 dolares) e negociamos um quarto com uma cama, assim eu dormiria no chão, sem stress e muito mais confortável que a minha barraca. Conseguimos uma negociação legal, e logo nos ajeitamos. Tomei um banho quente, entrei um pouco na interenet e falei com o pessoal no Brasil. Logo fui dormir.

L.Felipe Preparativos

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May 31st, 2009

Fala pessoal… está cada vez mais difícil atualizar o site, principalmente com as fotos.

Cada dia que passa temos que acordar mais cedo, pois estamos em um trecho de subidas, muitas subidas, e o dia fica muito mais longo. Logo passa.

Hoje estamos em Jasper e eu ainda não escrevi sobre o que aconteceu hoje. Preferi colocar os textos antigos no ar antes de ir dormir, mas logo logo vcs descobrem como chegamos aqui.

Amanhã vamos seguir em direção a Lake Louise denovo, e os primeiros 115 km são de subida. Vamos finalmente chegar nos 2 mil metros de altitude (2x).

Assim que der eu coloco as fotos novas e lindas do Lake Louise (congelado ainda), entre outras novidades.

Se cuidem.

Beijos

L.Felipe Preparativos

30/Maio - Dia 19 – Golden a Lake Louise

May 31st, 2009

Dia 19 – Golden –  Lake Louise
Distância: 92,6 km
Dist. Acum.: 1138,24 km
Tempo: -

Nossa, hoje de manhã eu estava com muita preguiça de pedalar. Tinha dormido pouco, pois fazia tempo que não escrevia no diário. 6h30 da manhã acordamos e 7h10 já estávamos com tudo pronto pra pedalar. Na casa da Darlene todos estavam dormindo e resolvemos deixar uma carta de agradecimento por tudo que ela havia feito pela gente e desculpas por não esperar ela acordar.

Seguimos e subimos a montanha novamente. Alí começava a “10 mile hill”, ou seja, montanha de 10 milhas (ou 16 km). Realmente é muito comprida e quase não tem descidas e retas no meio para embalar. Pelo menos o vento estava a nosso favor (em inglês, vento a favor chama Tail Wind). No topo da montanha dava pra ver o trem passando lá embaixo. Bem alto.

Depois dessa subidona, passamos por um trecho de falsos-planos, que subiam sem você perceber. O mais interessante dessa estrada como um todo é que ela é inteira recortada e vai beirando as montanhas, então tem montanha para todos os lados, como se a gente estivesse num vale. Essa região chama-se Kicking Horse Mountain e o rio que beira a estrada chama-se Kicking Horse River (kicking horse = chutando o cavalo). A região tem esse nome porque os exploradores e viajantes que passavam a cavalo aqui tinham que chutar muito os cavalos para subir essas montanhas íngremes.

Depois de tanto chutar os cavalos, os canadenses resolveram construir o trem, mas o trem não conseguia subir as montanhas, pois elas são realmente íngremes, então em 1909 eles inauguraram o tunel em espiral. (???) pois é, esse tunel é um espiral dentro da montanha, que faz a subida ser mais gradual. É tipo um 8, e tem um trecho da estrada que a gente consegue ver uma parte desse tunel. A gente vê o trem em 3 partes diferentes da montanha. É impressionante pensar que em 1909 o pessoal aqui usou tal engenharia para levar o trem de um lado para o outro (ou de baixo para cima).

Para vermos esse tunel precisamo subir a subida mais ingreme e longa de todas até agora. Mas o engraçado é que não foi a mais difícil, pois tinhamos 2 fatores a nosso favor: vento e força. O vento sobrava bem forte a nosso favor (para o leste) e nós estamos cada vez mais condicionados a pedalar.

No topo da montanha tem um lago muito bacana e uma reta mais bacana ainda. Fazia tempo que não pedalávamos na reta e depois de 70km de subida, essa reta parecia descida. ;) . Eu estava pedalando do lado do Nelson e percebi que tinha um monte de fuligem no chão, mas não sabia de onde vinha. Muito estranho. Olhei um pouco mais e vi que eram pernilongos gigantes e gordos. Tinha uns 60 em volta do Nelson e mais uns 60 em volta de mim. Olhei para cima e vi mais outros 60. Fiquei impressionado como pernilongos podem voar a 25km/h mirando o alvo (carne nova) e acertando. Tomei algumas picadas.
Pouco depois desse evento com insetos, chegamos em Lake Louise. É uma vila muito simpática e tem muito jovem nas casas da vila. Acho que eles devem trabalhar nos hoteis e comércio da região. Vimos que não teria lugar para acampar, a não ser o camping. Chegando na cancela do camping, onde a gente paga, o atendente Julian olhou para mim e disse: “Oi Felipe, você é do Brasil, né?” (????) Eu só tinha falado oi para ele, mais nada. Pensei comigo: ? como asim o cara sabe meu nome e de onde eu vim? Me assustei a princípio, mas logo ele disse que a Silvia tentou me ligar (lembram da alemã que eu conheci na escola, que saiu de Vancouver para o Alaska? Então, ela veio para cá e está indo em direção a Jasper.), pois ela havia recebido um e-mail meu e descobriu que a gente estava um dia atrás dela.

Esse Julian é um cara muito simpático e já pedalou bastante no Brasil. Ele e a esposa pedalam sempre quando tiram férias por aqui. Eu disse para ele que ele tem muita sorte de casar com alguém que também gosta de viajar de bicicleta. É muito difícil encontrar alguém que goste desse tipo de coisa. Bom, conversamos um pouco e ele me disse que a Silvia ainda estava aqui em Lake Louise e nós poderiamos acampar no mesmo lugar que ela, dividindo as despesas.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

29/Maio - Dia 18 – Golden a … Golden

May 31st, 2009

Dia 18 – Golden – … Golden
Distância: 5,0 km
Dist. Acum.: 1045,64 km
Tempo: -

Acordamos cedinho, tomamos um belo café da manhã preparado pela Darlene e seguimos  viagem. Para sair da cidade temos que escalar um morro bem longo, dá uma preguiça danada. Kkk… Logo depois da escalada, percebemos que nossas rodas estavam fazendo um barulho bem estranho. Resolvemos parar para tentar arrumar.

Quem me conhece sabe que eu nasci pra ser mecânico. O Nelson, pelo jeito, tem o mesmo dom que eu. Resumo da ópera: foram 4 rodas tortas e fora de eixo..kkk. Tiramos as 4 rodas da bike e eu peguei carona na estrada para ir na bicicletaria da cidade de Golden, enquanto o Nelson cuidava das bikes (ou o que sobrou delas). Desci do carro do carona, e encontrei a Darlene na rua…  hahaha… ela foi comigo na bicicletaria e depois foi resgatar o Nelson e as bikes na estrada.

As rodas demoraram 4 horas pra ficarem prontas, e decidimos que era melhor ficar aqui mais uma noite. Gastamos 180 dolares para desentortar as rodas e 7 dolares por um eixo novo. Mão de obra aqui é muito cara, um absurdo. Demos um passeio na cidade, conhecemos a avó e a filha da Darlene, fizermos uma janta canadense e fomos ver como estavam as bikes. Eu regulei (mesmo) o câmbio, que as vezes me atormentava e o Nelson brigou com o freio traseiro.

A noite, enquanto arrumavávamos as bikes, o irmão da Darlene chegou com a esposa e filha. Conversamos pouco e eles foram dormir, assim como nós.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

28/Maio - Dia 17 – Glacier National Park a Golden

May 31st, 2009

Dia 17 – Glacier National Park – Golden
Distância: 57,0 km
Dist. Acum.: 1040,64 km
Tempo: -

Depois da noite glacial de ontem, seguimos em direção a Golden para comprar um novo colchão para mim e comprarmos mais comida. O caminho até Golden não tem novidades. Subida, descida, subida, descida, montanha, neve, gelo, rio. Paisagem magnifica, mas minha cabeça estava em como eu iria dormir na próxima noite, se eu não encontrasse o ditocujo do colchão.

Ao chegar na cidade, com pouco mais de 8 mil habitantes, ficamos impressionados novamente com a infra-estrutura da cidade. Sensacional. Fomos direto na biblioteca darmos notícias de vida para nossas famílias, já que fazia 3 dias que não tinhamos conexão com o mundo. Ficamos pouco menos de uma hora na internet, fomos comer e depois fomos comprar o colchão.

Achamos uma loja muito bacana, onde conheci o Michel, nascido em Quebec. Muito simpático, já havia conversado rapidamente conosco em frente ao restaurante e puxou assunto denovo nessa loja. Ele é instrutor de ski e é apaixonado pelo esporte. Nos deu umas dicas, trocamos contatos e ele entrou em contato com uns amigos em Quebec para nos receber. Tomara que dê certo, né.

Enquanto o Nelson foi enviar algumas coisas para o Brasil nos correios, eu continuei na loja e comprei o colchão e um cobertor (fleece), que vai dentro do saco de dormir. Sensacional. Melhor e mais barato do que comprar um saco de dormir para –5˚C.

Depois das compras de equipamentos e correios, fomos ao supermercado. Enquanto o Nelson comprava comida, eu dormia no lado de fora, cuidando das bicicletas. Kkk. Adoooro cuidar das bicicletas. Quando o Nelson chegou com muita comida, pegamos o suco e logo bebemos para hidratar. Ai ai.. que coisa ruim. Parecia produto de limpeza sem açúcar..kkkk.. peguei os sucos restantes (tinham vários da mesma marca) e fui trocar.

No caixa do supermercado, o atendente pediu meu documento para conferir com o cartão de débito e eu tirei meu passaporte brasileiro. Logo na sequência eu escuto: “É brasileiro, é?” em português. Eita.. tomei um susto.. kkk.. a moça que estava atras de mim no caixa era brasileira. Pense numa coincidência. Fomos ao encontro do Nelson e conversamos por mais de hora. Muito bacana a Adriana. Ela tirou uma foto conosco e falou que ia nos enviar. Só quero ver hein!

Seguimos para o camping, depois de tanto social na cidade decidimos que era melhor ficar aqui do que continuar no sol escaldante que estava fazendo. 500m antes do camping, uma moça que estava arrumando o jardim nos perguntou para onde estavamos indo, e explicamos toda a nossa viagem e o motivo. Na hora ela, Darlene, nos convidou para acamparmos em seu jardim. Juro. Era pra acontecer, não é possível.

Conversamos um monte, o Nelson fez um jantar meio brasileiro com tempero canadense e bebemos umas 2 cervejas para dormir. Testei o cobertor e o colchão. Nossa foi a melhor noite da viagem com aquele cobertor. Sensacional. Mesmo se faz muito calor de dia, a noite é bem gelada.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

27/Maio - Dia 16 – Mount Revelstoke Park a Glacier National Park

May 31st, 2009

Dia 16 – Mount Revelstoke Park – Glacier National Park
Distância: 92,0 km
Dist. Acum.: 983,64 km
Tempo: -

Ai ai… hoje teve mais subida, mais descida, mais subida. E ainda pegamos umas construções nos tuneis anti-avalanche. Kkk… sério, várias placas escrito “Avalanche Area”. Medo. Imagina, todo esse gelo derretendo nas montanhas do nosso lado e a gente alí, há 6 kmh na subida, frágeis em cima da magrela. Em alguns tuneis tinha uma chuva de gelo derretido, gelado pra caramba.

Hoje não teve muita novidade pela manhã.. foi muita subida e ponto. Depois de muito subir, chegamos em Roger Pass, lugar bem bonito, mas fechado por causa do excesso de neve na região. Lá tem um monumento com a bandeira de todas as províncias e tem uma caixa selada em 1985 dizendo que ela deverá ser aberta em 2085. Bem que eu queria estar nessa cerimônia pra ver o que tem dentro. Fiquei curioso.. ehehe.. O símbolo que tem no meio é o desenho de um esquilo e nós vimos um monte deles. Eles não tinham nenhum medo da gente.

A cada kilometro que se passava, as montanhas nos circundavam cada vez mais. E percebi que não teria escapatória. Vou ter que encarar as montanhas geladas de qualquer jeito. É incrível como é lindo ver de perto a grandiosidade dessas montanhas. A estrada é toda recortada para se adaptar a topografia das rochosas. Fiquei fascinado. Sem palavras.

Na hora do almoço, paramos em outra área de descanço (fechada por causa de neve) e cozinhamos lá mesmo. Tinha uma placa explicando a Destruição e a Criação. Coisas são destruidas pelas avalanches e pelas quedas de água causadas pelo derretimento da neve, mas muitas coisas são criadas quando o sol nasce, faz com que muitas flores e plantas crescam, trazendo muitos animais e diferentes tipos de frutas para a região, fechando o ciclo da vida.

Enquanto almoçavamos, chegaram 2 ciclistas de speed e conversaram conosco. Eles trabalham na Xerox canadense e estão cruzando o país contra o câncer, arrecadando dinheiro em alguns eventos promovidos pela Xerox, em todo o país. Sempre que eles chegam numa cidade, tem algo novo. Cruzamos com eles em dias anteriores, mas não sabiamos que eles estavam nessa mesma jornada que nós. Muita sorte e bons ventos para os 2.

A noite, cansados, muito cansados, tentamos achar um lugar para dormir. Estávamos no meio do Glacier National Park. Resumindo, no meio do nada. Só tem árvore e mata fechada para todos os cantos (sem contar as subidas e as descidas velozes e estressantes). Tentávamos achar um lugar para dormir. Qualquer canto ou pedaço de grama. Nada. Não tinha nada, só árvore.

Eis que depois de uma longa subida, bem no topo dela, tinha uma placa escrito: “Camping há 3 km”. Nossa, meu coração dava graças a Deus. Lógico que antes de chegar no parque, checamos todos os cantos que podiamos para dormir. Mas nenhum pareceu uma boa idéia. Chegando na entrada do camping, outra placa escrito: “Aproveite a bela viagem de 10 minutos para chegar ao camping”. Tipo, 10 minutos de carro numa descida, pareceu 40 minutos de bicicleta na começo do dia seguinte. Desistimos do camping e continuamos.

Mais pra frente, uns 5km adiante, achamos uma rua que parecia estar abandonada, sem pavimento e com algumas clareiras. Seguimos nessa rua por alguns minutos e vimos que não ligava nada a lugar nenhum. Decidimos parar alí mesmo e acampar rápido para recuperarmos as energias.

Ótimo. Estávamos quase prontos para dormir e quando enchi meu colchão térmico… estava furado. Na válvula. Sem concerto. Novo, tem menos de 1 mês de uso. Resumindo, quase congelei a noite, dormindo com 2 calças, 1 camisa de manga comprida, 2 jaquetas, 2 meias. Mamãe, que saudade do meu colchão térmico. Não dormi nada por causa do frio e da humidade.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

26/Maio - Dia 15 - Sicamous (Mara Lake) a Mount Revelstoke Park

May 31st, 2009

Dia 15 – Sicamous (Mara Lake) – Mount Revelstoke Park
Distância: 96,5 km
Dist. Acum.: 891,64 km
Tempo: -

Acordamos com o Sol raiando no lago, e logo arrumamos tudo, fizemos café da manhã e o sr. Sandy nos trouxe café quente também. Começamos a pedalar e logo pela manhã encontramos um ciclista sozinho cruzando o canadá. O nome dele é Øyvind Thømt, da Noruega. Ele tem um site também, mas eu ainda não entrei. O endereço é http://turermoro.blogspot.com. Muito bacana o cara. Conversamos por uma hora, mas ele seguiu no ritmo dele (bem mais rápido que o nosso.. heheh).

Logo depois que ele partiu, começou a garoar forte. Coloquei o casaco e calça impermeável e decidimos parar para almoçar quando encontrarmos um lugar coberto. Uns 2km depois achamos uma clareira na mata, com umas árvores que nos protegiam bem da chuva e paramos lá mesmo. Comemos macarrão, com peperoni ( o peperoni canadense é diferente do brasileiro..), pra variar.

Chegando em Revelstoke, algumas horas mais pra frente, estávamos bem cansados por causa das subidas. Juro, acho que nunca subi tanto na minha vida e ainda não conseguimos passar de 1350m de altitude. Engraçado, acho que se eu somar tudo o que a gente subiu, deve dar mais de 8mil m de altura, fácil fácil… Resolvemos comer no Tim Horton (lembra que o pessoal gentil de Kelowna nos deu um cartão com crédito para nós comermos?.. usamos.. heheh). Jantamos e seguimos em frente.

Próximos dos 95km pedalados, cansados mentalmente e fisicamente, no meio do parque Mount Revelstoke, não sabiamos se iamos encontrar água e um canto bom para dormirmos. 1,5km depois achamos uma área de descanso (Rest area), com banheiro e um telhadinho com uma mesa embaixo. Acampamos alí mesmo, embaixo do telhado. Mas ainda tinhamos o problema da falta de água para cozinhar e fazer o café no dia seguinte. Aí vocês me perguntam: “Ué, não tem água na pia do banheiro?”. Não. É só a casinha mesmo pra fazer as necessidades. O Nelson achou um rio mais pra frente um pouco e pegou água. Colocamos cloro e fizemos um leite quente para espantar o frio e dormimos, com a luz do dia lá fora da barraca.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

25/Maio - Dia 14 - Vernon a Sicamous

May 31st, 2009

Dia 14 – Vernon – Sicamous
Distância: 62,0 km
Dist. Acum.: 795,14 km
Tempo: -

Hoje, saindo de Venon, nós entendemos porque o lago em frente ao camping se chama Swan Lake. Vimos muitos cisnes e muitos filhotinhos. Foi bem bacana acordar com eles ao nosso lado.

Logo cedo fomos até a bicicletaria para arrumar a roda traseira. No primeiro minuto de conversa com o dono da bicicletaria, ele falou que para colocar o meu raio quebrado iria demorar 2 dias… Pense? Dois dias para colocar 1 raio? Impossível. Passei aquele chaveco no cara para tentar que ele arrumasse pelo menos para hoje a tarde. Eram 9h30 da manhã, tinham 3 clientes dentro da loja: Eu, o Nelson e um gringo. Bom, ele arrumou em 1h a bike e quase 11h saimos da bicicletaria, felizes e contentes.

Fomos ao mercado reabastecer o estoque de comidas calóricas para mantermos nossas barrigas rechunchudas e o pedal girando. Compramos algo para misturar na água e termos minerais (tipo suco, energético), um cereal, pão, macarrão, molho e mais umas gororobas.

Seguimos para o camping novamente para arrumarmos as malas, fazermos o almoço e partir para Sicamous, que fica há uns 60 e poucos km da cidade. Já eram quase 14h e estávamos saindo do camping.

Começaram algumas subidas leves, mas contínuas, parecia um tobogan. Sobe sobe sobe, desce de uma vez. Sobe sobe sobe, desce denovo. E assim fomos o dia todo, subindo e descendo. No meio da estrada encontramos uma loja muito bacana e antiga chamada Log Barn. Interessante o atrativo com as cabras da montanha e as coisas antigas que tinham na frente.

Menos de 1km de Sicamous, beirando o lago Mara, achamos um conjunto de casas com bastante grama pra gente acampar. Fui ver se tinha alguém pra conversar mas não achamos ninguém. Resolvemos entrar de vez no condomínio e achamos o Sr. Sandy, que cuida desse lugar, em frente ao lago. Ele foi muito gentil, nos deu água para cozinharmos, disponibilizou o banheiro dele e ainda nos deixou acampar no melhor lugar de todos: A grama em do lado da mesa de pique-nique, em frente a praia do lago. Sensacional. Cozinhamos e eu dormi feito criança.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

PS

May 25th, 2009

Salve pessoal.

Como devem ter notado, eu não coloquei as fotos dos últimos posts. Estou tendo dificuldades com qualidade de internet para fazer o upload das fotos para o servidor e mesmo com internet boa, cada post tem demorado quase meia hora para ficar pronto por causa da lentidão do Worpress as vezes….

Então é isso, logo mais eu coloco as fotos nos respectivos posts e mando um aviso geral avisando que está atualizado.

Estamos indo arrumar minha roda traseira que quebrou ontém e se tivermos sorte chegamos em Sicamous ainda hoje.

Beijos e abraços!

PS: as fotos estão atualizadas no meu facebook. O Mac atualiza automáticamente no facebook e é muito rápido.

L.Felipe Preparativos

24/Maio - Dia 13 - Vernon a …. Vernon

May 25th, 2009

Dia 13 – Vernon
Distância: 0,0 km
Dist. Acum.: 733,14 km
Tempo: -

Hoje acordamos cedo e tomamos um belo café da manhã com a família O`Callaghan. Eles são muito gentis e nos levaram para conhecer a estação de ski em Vernon. Foi a primeira vez que eu pisei em neve de verdade e vi uma estação de perto. Foi muito empolgante e eu fiquei muito feliz.

Essa estação é muito bonita e tem várias casas coloridas. Quando alguém constrói uma casa neste lugar, obrigatóriamente precisa ter uma das 13 cores pré estipuladas pelo proprietário. É uma vila de alto padrão muito bacana.

Depois desse passeio o Nelson cortou a grama junto com o Peter e eu vim trabalhar um pouco no diário de bordo, pois há 2 dias eu não escrevia e se não fizesse isso hoje, provavelmente esqueceria de alguns detalhes importantes.

Logo depois do almoço seguimos em direção a Sicamous, que fica a 75km daqui, mas nem 10 minutos depois, quando estávamos no centro da cidade, o raio da minha roda traseira quebrou. Hoje é domingo e não tem nenhuma bicicletaria aberta na cidade. Fomos em várias lojas de esporte mas nenhuma delas arrumava a roda. Resolvemos (não tivemos opção) dormir na cidade para arrumar a bike na segunda-feira pela manhã.

Achamos um camping por perto, em frente a um lago chamado Swam Lake (lago do cisne), muito bacana e com internet. Aproveitei a tarde para ligar para a minha irmã e conversamos bastante. Mesmo com o skype caindo toda hora.

O tempo tem melhorado a cada dia e acho que depois das Rocky Mountains vamos passar muito calor e sentir saudades do friozinho.. hehehe..

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

23/Maio - Dia 12 - Kelowna a Vernon

May 25th, 2009

Dia 12 – Kelowna – Vernon
Distância: 68,0 km
Dist. Acum.: 733,14 km
Tempo: 5h30

Pela manhã, Jerry tinha preparado café da manhã, arrumado minha terceira roda (quebrou o paralama) e nos deu várias barras de fruta concentrada, um tipo de barra de cereal. Sua esposa e filha nos deram nozes, morango desidratado e um cartão do Tim Hortons com 25 dolares de crédito para comermos durante a viagem. Tim Hortons é uma rede tipo Starbucks e tem um café da manhã sensacional. Todo canadense gosta.

Ahhh.. além disso Loreen lavou nossa roupa ontém depois da janta e quando acordamos toda nossa roupa estava limpa, cheirosa e seca!!! Ficamos muito impressionados com a recepção, o carinho e a boa vontade dessa família. Dei minha palavra que faria uma visita depois que acabasse a travessia.

Jerry tentou várias vezes entrar em contato com o pessoal do Rotary, pela manhã e conseguiu falar com o Jim Mayne, Presidente do Rotary Clube de Kelowna-Sunrise. Fomos em direção a casa de Jim. Pouco antes de chegar cruzamos com 2 caras que estavam na rua e percebemos que a casa era uma bicicletaria, Rock`n Road. Eles nos chamaram para saber para onde estavamos indo conversamos bastante. Logo em seguida chegamos na casa do Presidente do Rotary, um condomínio de 240 casas para aposentados. Era muito bonito, grande e organizado.

Fomos muito bem recebidos pelo Jim, e conversamos por 2 horas, onde o Nelson deixou as bandeiras de seu clube para ele e para os outros clubes da cidade. Ele foi muito gentil e ligou para o futuro presidente do rotary de Vernon (Kalamalka), Peter O`Callaghan, que nos encontraria no centro de Vernon, quando chegássemos lá.

Seguimos para Vernon as 12h e logo nos deparamos com os 3 primeiros buracos da viagem. Não tinhamos visto nenhum buraco no asfalto até agora. Além disso, nós vimos muitas revendas de motorhomes, que é muito comum no Canadá.

Estavamos pedalando bem e reparamos que conseguimos subir as ladeiras muito mais fácil e o vento contra não era mais um problema grave. Estamos ficando mais fortes no final da 2 semana de viagem. Esse caminho beirava outros 2 lagos e paramos para descansar em um deles, muito limpo e com água translúcida.

Chegando em Vernon, subimos uma baita ladeira de um 10km bastante íngreme. Subimos muito bem, mesmo com todo peso que carregamos. Logo depois dessa subida descemos a ladeira mais íngreme da viagem, 10% de inclinação. Ainda bem que estávamos descendo. Pena que tinhamos que freiar, pois era área urbana da cidade. Peter nos encontrou em frente ao Hotel Best Western com sua caminhonete e nos levou até sua casa, no topo da montanha da cidade. Conhecemos sua esposa (Caroline) e filhos, tivemos um excelente jantar, com direito a caipirinha e tudo mais. Conversamos muito sobre diversos assuntos e foi muito difícil lembrar de traduzir tudo para o Nelson. Quando a conversa fica mais intensa, é complicado lembrar de traduzir.

Fomos dormir tarde e amanhã acordamos cedo para fazer um tour na cidade junto com a família de Peter.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

22/Maio - Dia 11 - Summerland a Kelowna

May 25th, 2009

Dia 11 – Summerland – Kelowna
Distância: 59,0 km
Dist. Acum.: 665,14 km
Tempo: 10h

Seguimos para Kelowna e o vento continuava a soprar contra o nosso caminho. A estrada beirava um lago, Okanagan Lake, muito bonito e enorme, tem mais de 150 km de extensão. A água aqui é muito limpa e não se vê sujeira e lixo na beira da estrada. Isso porque a comunidade denuncia quem faz esse tipo de coisa, e multa gira em torno de 25 mil dolares.

Paramos num posto em Peachland onde comprei um sorvete e conversamos com um motorista de caminhão de gás. O Nelson tem uma distribuidora, por isso acabamos conversando com esse cara. O interessante aqui é que as pessoas compram o botijão e reabastecem no posto. O caminhão de gás era completamente fechado, o que é proibido no Brasil.

Neste posto, havia uma biblioteca e de lá me comuniquei com meus pais e o Nelson com sua esposa. Ficamos um bom tempo conversando com o Brasil, mas não tivemos tempo para atualizar o site.

Logo depois pegamos mais um pouco de subida e chegamos a Westbank, uma cidade que parecia pobre, mas descobrimos que é bem grande e tem uma economia muito boa e diversificada. Eles tem uma fábrica de helicópteros lá, entre outras coisas. Comemos muito bem em uma pizzaria na beira da estrada e fizemos compra num mercado local. Enquanto o Nelson comprava comida no mercado, eu fiquei dormindo na calçada, cuidando para que nossas bicicletas não fossem roubadas. Kkk… Foi um sono sensacional, pós almoço, que o Nelson interrompeu abruptamente. Kkkk

Chegando em Kelowna, atravessamos uma ponte muito grande, com uma ciclovia de dar inveja para qualquer cidade ou país de primeiro mundo. Como toda a cidade do Canadá (até agora), fomos na central de informações turísticas, pegar o mapa da cidade e vermos onde poderiamos acessar internet grátis. Acabamos indo direto para uma das 3 bibliotecas de Kelowna para ligar para os representantes do Rotary da cidade.

Enquanto tentavamos ligar, sem sucesso, para os rotarianos, um casal muito simpático nos abordou e começou a perguntar sobre a viagem e se propuseram a nos ajudar a encontrar o pessoal do Rotary daqui. No final da conversa nos ofereceram seu jardim para acamparmos. Aceitamos agradecidamente. Quando chegamos na casa do casal, uma hora depois, eles nos ofereceram para dormir em seu Trailler, que tinha uma cama de casal sensacional e um sofá que virava cama de cama de casal também. Os traillers aqui se extendem para os lados, quando estão estacionados, é impressionante como é grande e aconchegante por dentro. Tem cozinha, banheiro, sala e quartos.

O casal, Jerry e Loreen, nos convidou para jantar (comida muito boa) e nos apresentaram para o resto da família (pais, irmã e filha), que nos receberam muito bem. Ficamos muito agradecidos e fomos dormir, exaustos.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

21/Maio - Dia 10 - Yellow Lake a Summerland

May 25th, 2009

Dia 10 – Yellow Lake – Kaleden – Penticton – Summerland
Distância: 61,30 km
Dist. Acum.: 606,14 km
Tempo: 10h

Acordamos cedinho e já começamos a arrumar as coisas. As 6h já tinha gente pescando no Lago Amarelo. Comi uma maçã e joguei um pedaço da casca no mato. Logo apareceu um esquilo, pequeno, marrom, bonitinho que só ele. Tentei tirar foto mas saiu meio desfocada.

Ontem meu joelho estava doendo, pela manhã fiz mais uma seção de massagem com cataflan e peguei leve no pedal para não forçar. Hoje fiquei bem para trás do Nelson e ele estava pedalando bem pacas. O dia foi intenso, com muito vento contra, desde começo até o final.

Fomos ate Penticton (palavra indígena que significa “um lugar para ficar para sempre”) e passamos em uma bicicletaria onde comprei 2 camaras extras e um grip novo para o Guidão. Tentamos arrumar o problema da bicicleta do Nelson, mas iria demorar muito. Decidimos então passar em outra bicicletaria, que era muito grande e tinha uma variedade enorme, mais do que em Vancouver. Isso acontece porque Penticton é o centro do IronMan no Canadá.

Nessa bicicletaria, The Bike Barn, fomos atendidos muito bem por todos os funcionários, mas o Ian nos ajudou muito. Trocou o pedal do Nelson para ver se era esse o problema, e realmente era. O Nelson tinha comprado esse pedal na Carretera Austral, no Chile e estava triste em abandonar a peça e sua história. Comovido, Ian resolveu tentar arrumar o pedal e conseguiu! Não cobrou nada pelo conserto e um amigo dele nos deu um mapa do Canadá com várias dicas, pois ele havia feito a travessia na década de 70.

Seguimos em direção a Summerland e almoçamos num parque provincial, com muitas mesas e animais silvestres em torno. Tinha um casal de patos que se aproximaram bastante da gente pois queriam comida. Aqui no Canadá é proibido dar alimento para animais silvestres e se alguém ver você alimentando um animal, eles te denunciam e a multa gira em torno de 2 mil dolares.

A estrada estava bem ruim depois do almoço, pois havia construção para duplicação da via. Eram mais ou menos 2km de pó, vento contra e muitos carros e caminhões. Foi meio tenso, pois o acostamento não exisita e tinhamos que dividir a rodovia com todos as enormes caminhonetes e caminhões canadenses.

Pegamos bastante subida e eu senti que se eu forçasse muito iria ter problemas no joelho. Logo mais pra frente vimos um parque estadual e decidimos acampar, Okanagan Lake Provincial Park. Foi o primeiro parque com luz elétrica que encontramos e pude recarregar o notebook. Neste Parque, pagamos 24 dolares para acampar (12 cada) e o Mike, gerente do parque nos deu a dica para irmos em bibliotecas para conseguirmos internet grátis. Desde então estamos parando em quase todas as bibliotecas que encontramos.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

20/Maio - Dia 9 - Princeton a Yellow Lake

May 25th, 2009

Dia 9 – Princeton – Keremeos – Yellow Lake
Distância: 91,30 km
Dist. Acum.: 545,14 km
Tempo: 10h

Hoje o Nelson acordou cedinho. 5h40 ele estava de pé, eu fiquei um dormindo um pouco mais, pois tinha dormido tarde ontem. Logo já estava de pé, banho tomado e pronto pra arrumar a bagunça. Até sairmos do hotel eram 8h e logo vimos um monte de castores na beira da estrada. Todo o caminho até Keremeos beira o Rio Tulameen.

A estrada tinha um acostamento muito bom e muito melhor que o asfalto da estrada. 10 km depois meu pneu estava murcho novamente. Acho que é alguma zica, mandinga ou sei lá o que que está acontecendo no meu pneu traseiro. Parei, enchi um pouco e decidi continuar com ele assim. Mais 10 km tive que parar pra encher denovo. Comecei a me preocupar, pois esse pneu é mais fino do que o normal, tem 1,5” e eu já estava usando a camara reserva. Todas as outras 2 camaras que eu tinha só serviam no pneu do trailer ou no pneu reserva, que tem cravos grandes e é para trilhas.

Pedalamos mais uns 10 km e paramos para almoçar. O vento estava a nosso favor e estavamos fazendo uma média de 19km/h, o que é muito bom para o tanto de carga que estamos levando (~50kg cada bicicleta). Enquanto o Nelson cozinhava o almoço, eu desmontei a bike, tirei a camara e mergulhei na água para ver onde estava o furo. Adivinha? Não achei o furo. O Nelson pegou o pneu, começou a analisar e? Não achou o furo. Era mandinga mesmo. Coloquei o pneu denovo, montei a bike e almoçamos.

Depois do almoço (Arroz com cenoura, bastante cebola e alho e uma carne enlatada) estavamos muito satisfeitos e voltamos pro pedal. Me sentia meio pesado, mas o vento e a estrada ajudaram a chegarmos em Keremeos muito rápido. Fizemos os 76km com média de 18km/h. Pouco antes de chegarmos na cidade a bicicleta do Nelson começou a fazer um barulho estranho e achamos que está com algum problema no pé-de-vela, pois está fazendo um barulho bem estranho.

Keremeos é uma cidade quase fantasma, e tem uma rua principal, mais 4 paralelas e 7 transversais. Engatou a segunda, passou da cidade e nem viu. Fizemos compras num mercado (frutas, suco em pó, pão e algo pra colocar no pão) e decidimos ir até Kaleden, a próxima cidade, que parece ter um pouco mais de estrutura e talvez pudesse ter uma bicicletaria para vermos o problema da bike do companheiro.

Ao sairmos de Keremeos, o sol estava forte e o vento mudou de direção. Foram mais 15km de vento contra e poucas subidas longas. Sabe quando você tem a impressão que tem cola no chão e você não consegue sair do lugar? Era isso que eu sentia com aquele vento contra batendo na minha cabeça. Os alforges pareciam dois paraquedas que tentavam me levar para trás, e mesmo nas decidas não conseguiamos desenvolver velocidade. A média desabou para 6km/h e logo meu joelho esquerdo começou a doer. Eu tive que decser da bike e empurrar um pouco para não forçar e piorar a situação. Ainda faltavam 15km para chegarmos em Kaleden e no final da longa subida achamos o Yellow Lake (Lago amarelo) e um lugar para descanço dos motoristas. Tem uma estrutura com banheiros, mesas de pique-nique e na beira do lago tem um deck para pesca. Quando chegamos tinham diversas pessoas pescando.

Diante de tal situação: 6h da tarde, vento contra, joelho doendo, ambos precisando comer. Resolvemos parar nessa área de descanço mesmo e armar as barracas entre as mesas. Jantamos pão com mortadela, suco de limão e cookies de sobremesa. Bem nutritivo.. hehehe.. Cada um foi pra sua barraca, e capotamos com a luz do dia. Detalhe que aqui é uma região montanhosa e a estrada fica num vale, que faz uma corrente de vento bem bacana L e o sol só aparece no meio do dia. Isso significa que a temperatura a noite vai cair bastante. Estou precavido para isso esta noite e eu vou dormir encapotado, da cabeça aos pés e com uma tática nova para aquecer os pés.

PS: Temperatura estimada para Keremeos hoje é entre 1˚C e 13˚C.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

Obs e Feedback:

May 20th, 2009

Pessoal, ainda não coloquei as fotos do Dia 8 em Princeton, pois preciso recarregar a camera e já são 00h05. O Nelson está dormindo há 2 horas e eu tenho que dormir.

Se vocês repararem, eu tirei a aba itinerário e coloquei a tabela com o log da viagem junto com o Mapa, acho que faz sentido ver o mapa e ter noção das distâncias e tempos.

Se tiverem umas dicas pra melhorar o site, mandem comentários, que eu recebo, leio e tento fazer as modificações quando possível, ok??? Aceito críticas construtivas apenas. ;)

Bjos e até a próxima!

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

19/Maio - Dia 8 - Princeton - Dia de descanço

May 20th, 2009

Dia 8 – Princeton (Dia de descanço)
Distância: 0 km
Dist. Acum.: 453,84 km
Tempo: -

Hoje eu acordei as 9h30, dormi como um anjo e sonhei bastante. Acordei, comi uns cookies, tomei um banho matinal, comecei a trabalhar no site e entrar em contato com o Brasil. As 11h30 eu e o Nelson fomos a caminho do restaurante onde teriamos a reunião com o Rotary. Ao chegarmos lá, o endereço estava desatualizado e ficamos meio sem rumo. Continuamos andando na rua, para vermos o que iamos fazer e passei por um barbeiro. Veio um estalo na minha cabeça: Os barbeiros da cidade sempre sabem o que está acontecendo. Resolvi perguntar e ele não sabia, mas sabia quem sabia. Kkk. Fomos até a casa de informações turísticas e encontramos a J, outra moça muito simpática, que fechou o comércio para nos levar até o restaurante que teria a reunião. Imagina? Fechar o comércio para dar uma carona pra 2 estrangeiros? Achei o máximo.

Chegamos na reunião e fomos nos apresentando, falando o porque estávamos ali e logo as pessoas se interessaram pela nossa história. Fizeram diversas perguntas. Hoje, mais do que nunca, eu trabalhei como tradutor e intérprete. ;) . Acho que a reunião foi muito produtiva. O Sr. Clark, presidente do Rotary Clube de Princeton foi muito bacana e nos levou para um tour na cidade depois da reunião. Convidou-nos gentilmente para jantar na casa dele, muita gentileza dele. Comemos um chilli muito gostoso que ele preparou e tomamos um pouco de vinho. Conversamos sobre diversos tópicos: política, pesca, animais, viagens, projetos, sobre a experiência dele no Rio de Janeiro, comércio aqui no Canadá, etc… .

Foi uma tarde muito interessante na casa do Sr. Clark e voltamos a pé para casa, conversando e dando muita risada. O Nelson é um cara com um humor sensacional. Tudo é motivo de piada. Estou aprendendo muito com ele em diversos aspéctos. Acabamos o dia num Pub, chamado Pub..kkk tomamos um copo de cerveja (kokanee, doce e leve. Não dá pra tomar muito porque enjoa) pra relaxar.

Pela noite, arrumamos as coisas da viagem e pegamos nossas roupas lavadas, cheirosas e quase secas lá na máquina. Agora sim, prontos para o próximo dia. A idéia para os próximos dias é pernoitar em Keremeos amanhã e depois em Penticton ou em Summerland. Vamos ver como nossas pernas, mentes e bicicletas vão se comportar.

PS: Nos falaram que iriamos chegar em mais de 2000 m de altitude aqui, mas acho que confundiram as estradas. Se tivéssemos ido para Merrit, pela Highway 5 estariamos bem alto já, mas seriam 2 dias bem mais cansativos. Acho que foi uma decisão sensata ter vindo pela Highway 3. São 90km a mais, mas não tem tantas subidas íngremes quanto pela Hwy 5 e chegam no mesmo lugar: Banff.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

18/Maio - Dia 7 - Manning Park a Princeton

May 19th, 2009

Dia 7 – Manning Park – Princeton
Distância: 86,95 km
Dist. Acum.: 453,84 km
Tempo: 8h

DSC00467DSC00468DSC00469Depois de um dia cansativo e uma noite um tanto assustadora, nós acordamos, tomamos um café da manhã bem rápido. Chocolate quente com bastante aveia e cereal e uma fruta. Arrumamos as coisas e saimos em direção a montanha infinita umas 8h20.

DSC00471DSC00477DSC00479Foram 16km de subida até decidirmos parar para o almoço e recuperar as energias. Paramos num espaço de Camping no meio do Manning Park, onde muitos Motorhome param para passar a noite e muita gente acampa. O lugar é bem bacana, com estrutura. Banheiro, mesas para pique-nique, lixeiras anti-urso, placas, água boa para se beber (depois de fervida por 1 minuto).

DSC00473Começamos a tirar o fogareiro, panelas e acessórios da mala, quando um moleque que estava saindo do camping com a família começou a gritar: “Urso !!! Urso !!!. Na hora peguei minha filmadora e saimos correndo em direção ao urso. Fomos até a entrada do parque e lá estava o bicho. Marrom, grande, calmo e sem pressa de ser feliz. Estava comendo a grama do lado da estrada (não sabia que urso comia grama). Tiramos umas fotos, e fui lá fazer um carinho no Zé Colméia… haha.. brincadeira.

DSC00480DSC00476Almoçamos e seguimos. No km 22 começou uma descida sensacional, peguei 62 km/h e mantive a velocidade a uns 30 km/h por 20km. Mas alegria de pobre dura pouco e logo chegou a subida denovo. Foram mais vários kms de subida e depois veio uma sequência estressante de decidaa, com inclinação de 7%, 8% e com pouco acostamento. Cheguei lá embaixo mais cansado que todas as subidas juntas. Meu ombro e pescoço estavam muito tensos. Eu gosto de descida, mas não das íngremes. Nas semi-retas, eu gosto de velocidade, mas essas que vc precisa frear pra ir muito rápido não fazem meu estilo.

DSC00486DSC00501Quase chegando em Penticton, cidade que achamos que não iamos pernoitar (ufa, conseguimos), vimos diversos cervos (bambi, veado, deer). Eles são ariscos demais e andam em bando. Essa época é quando eles se reproduzem e todos estão espertos por causa da cria. Eles são muito velozes e se veem alguma movimentação estranha, saem correndo e ninguém pega, nem mesmo os cougars (uma espécie de tigre da montanha, outro bicho arisco e perigoso, que tem de monte aqui nas Rocky Mountains).

Já na cidade, paramos num posto para ver o telefone do pessoal do Rotary e o telefone não estava atualizado, mas como tinha o endereço da reunião, resolvemos aparecer na reunião pouco antes de começar. A reunião é só amanhã, então aproveitei que o DSC00496DSC00497posto de gasolina tinha wireless grátis e liguei para meus pais, só pra avisar que estava vivo e lembrá-los que eles moram no meu coração. Minha mãe já estava dormindo, conversei apenas com meu pai, que deu o recado pra Dona Rosa depois.

Tentamos achar um lugar para acampar, mas era há uns 5km da cidade e tentamos nos hospedar num hotelzinho barato. Na primeira tentativa a dona do lugar era uma Russa, e o lugar parecia meio mal acabado. Tentamos negociar um preço bom, mas não achamos razoável. Depois fomos para um hotel chamado The Villager Inn. Quando estávamos entrando pelo estacionamento, um casal começou a conversar com a gente, Reg e Susan Muir. Muito simpáticos, perguntaram se procurávamos um banho quente e uma cama para relaxar. Eles são os gerentes que cuidam do lugar e moram aqui. Realmente são muito simpáticos e acabamos chegando num DSC00502preço bacana (pouco mais caro que o hotel da russa), mas valeu muito a pena. Atendimento é tudo no comércio, bem como organização e estrutura.

Nesse hotel estão hospedados um pessoal de uma madeireira. São jovens de todo país, contratados para reflorestar a mata. Pois a região toda é movida pela mineração e extração do cedro e agora é lei que as empresas que tiram madeira do meio ambiente tem que reflorestar a mesma quantidade de árvores tiradas da natureza. Então, quando vc vai comprar madeira pra lareira, além das taxas, tem que pagar pelo reflorestamento também. Muito justo. A Susan me falou que um jovem que trabalha com reflorestamento pode ganhar até 360 dolares canadenses num dia de trabalho, dependendo da quantidade de árvores que ele plantar no dia. É um trabalho bem difícil, mas deve valer a pena os 3 meses de trabalho duro que eles têm por aqui.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

17/Maio - Dia 6 - Hope a Manning Park

May 19th, 2009

Dia 6 – Hope – Manning Park
Distância: 62,00 km
Dist. Acum.: 366,89 km
Tempo: 10h

Acordamos cedo em Hope, e começamos a arrumar tudo, pois sabiamos que o dia ia ser difícil. 8h20 da manhã estavamos na estrada e paramos numa quitanda para comprar bananas e carne enlatada. Não tinha muita opção de compra nessa loja e era tudo bem mais caro do que em Mission.
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Fomos em frente e logo começamos a subir as montanhas pra sair da cidade. Logo no início encontramos um ciclísta canadense que estava atravessando o continente como nós, mas a diferença era que ele não tinha malas, estava de speed (aquelas bicicletas fininhas e super leves para andar na estrada) e sua familia estava num motor home (aqueles carros que são uma casa dentro, tem banheiro, cozinha, quarto, sala, um luxo..kk). Ele “parou” um pouco para conversar conosco mas logo disparou na nossa frente como um foguete. Ele estava pedalando contra o câncer, para levantar fundos para ajudar uma organização.

DSC00444DSC00445Nos primeiros 12km, meu pneu estava murcho novamente (lembra que eu falei que estava esvaziando aos poucos? Então…). Parei para ver o que rolava e quando coloquei a bomba na válvula, o pneu esvaziou de vez. A válvula estava rasgando aos poucos e tive que trocar a câmara. Tranquilo, 10 minutos depois estavamos pedalando denovo.

A subida não cessava, e no km 22 começou uma decida pra aliviar e veio mais subida longa. Acho que essa devia ter mais uns 10 km. Umas 14h30 começamos a ver uns carros parados na estrada e descobrimos que tinha acontecido um acidente de moto. Chegamos no local do acidente umas 15h e fomos ver o que tinha acontecido. O motorista da moto perdeu o controle e bateu no guard-rail. Sua companheira caiu no desfiladeiro e ele pulou atrás dela. Outro motociclista que estava por perto pulou também para ajudar o casal. Logo chegaram ambulâncias, bombeiros, que travaram o trânsito da estrada e não deixaram nem 2 bicicletas passar. Ficamos esperando uma hora e meia para podermos continuar.

DSC00455DSC00456Nesse meio tempo, enquanto esperávamos, chegou outro ciclísta canadense que também vai atravessar o Canadá de bike. Mas dessa vez este ciclísta estava com alforges como nós. O cara era magro magro e forte que nem um cavalo. Ele iria demorar 3 meses para percorrer o trajeto e conversou comigo por um tempo, mas logo que fomos liberados para passar, ele também disparou na nossa frente.

Depois do acidente, pedalamos mais uns 20km de muita subida e, como não tinhamos almoçado direito, logo estavamos fracos e precisando de um canto para dormir, mas a próxima parada era a 18km de subida de onde estávamos. Abastecemos nossas garrafas com água do DSC00451rio e logo na sequência achamos uma clareira entre a estrada e outro rio (que tinha neve em volta) e começamos a montar as barracas. Preocupado com os ursos, fizemos um sistema de segurança com cordas e sinos em volta das barracas. Deixamos pDSC00465edras, madeiras e o spray de pimenta num lugar estratégico, caso precisássemos. Pra falar a verdade, eu tava com medo, muito medo. Comemos algumas frutas, fizemos um chocolate quente e como estava muito cansado, dormi feito um anjo. Acordei diversas vezes porque estava ventando bastante e meu pé estava gelado. Coloquei umas roupas em cima, as malas, e logo o pé esquentou e eu voltei a dormir.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

Dicas e adm:

May 17th, 2009

Como sabem, eu e o Nelson estamos na estrada, por isso, quando tenho acesso a internet, coloco os relatos no site. Ou seja, TEMOS NOVIDADES NOS POST’S ABAIXO…

Para começar em ordem cronológica, é só descer para o final da página e subir. Caso os posts sejam mais antigos, clique em Older Entries, lá embaixo, a direita.

Eu estou atualizando o mapa com o ponto exato que estamos pernoitando. Os pontos atualizados estão em vermelho e com a rota em vermelho. Para ver o mapa é só clicar aqui. Parece que teve algum problema no google e não está atualizando o mapa ainda, mas logo mais vai atualizar. hehe

Outra coisa. A seção de fotos está praticamente vazia. Ainda não tive como colocar as fotos lá. Por enquanto só algumas estão nos Posts.

Beijos e até a próxima.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

16/Maio - Dia 5 - Mission a Hope

May 16th, 2009

Dia 5 – Mission – Hope
Distância: 82,05 km
Dist. Acum.: 304,89 km
Tempo: 8h30

Hoje acordamos 6h e pouca, a Sra. Katalin nos trouxe café e pão com abacate (acho que é coisa de húngaro.. hehe) e as 8h20 estavamos na estrada. O dia não prometia sol, mas não estava com cara de chuva. Nublado e friozinho tradicional.
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Pedalamos uns 10km e fizemos um pit-stop para banheiro num posto. Muito bom o posto, por sinal. Mais uns 15km paramos para tirar o casaco, comer bananas e laranjas.

O dia, no geral, foi de reta e poucas paisagens. Mas uma paisagem valeu a pena: Harisson Bay. Esse lago é sensacional e tem uma vista pras montanhas que só estando aqui pra entender a sensação. Logo que entramos, começamos a tirar fotos e já fizemos amizade com 2 senhoras muito simpáticas, uma delas se chama Kimberly Snow. Conversamos com elas uns 10 minutos e logo conhecemos os respectivos maridos. Elas ficaram super empolgadas com nossa viagem e até nos ajudaram com doações. DSC00416DSC00420
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Logo mais pra frente, paramos para comer num posto abandonado. Comemos pão com atum, leite com chocolate, maças e bananas. Não demorou muito já estavamos na estrada novamente e começaram as subidas. Acho que foram umas 4 subidas longas e numa delas meu pneu deu uma bela esvaziada, mas não estava furado (aparentemente). Enchi o pneu e seguimos.
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Com o pneu cheio a bike estava um foguete, e logo apareceu uma decida seguida de uma reta com vento a favor. Ai ai ai… Coloquei na marcha mais pesada e torci o cabo. Mantive os 30km/h por uns 5km, com máxima de 50km/h. Eis que ouço um barulho na mata, e um urso marrom coloca a cabeça e metade do corpo pra fora da estrada.. meu Deus… Parei na hora e fui ver mais de perto enquanto o Nelson chegava, mas o bicho desapareceu no meio da mata.

Quando chegamos em Hope, tentamos achar o presidente do Rotary daqui sem sucesso, mas perguntamos para umas pessoas na rua e elas nos ajudaram a achar o secretário. Conversamos uns 15 minutos com ele e logo fomos procurar acomodação. Ficamos hospedados num hotelzinho com internet grátis, para poder dar notícias para a família e atualizar o site. Tomei um banho bem bacana enquanto o Nelson fazia a janta.

Segundo indicações, amanhã e depDSC00440DSC00439DSC00438ois serão dias difíceis, com 120km de subida e diferença de mais de 2000 metros de altitude até Princeton. Amanhã, provavelmente, vamos acampar no Manning Park e no dia seguinte seguimos para Princeton.

É isso aí galerinha.
Beijos e Abraços.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

12/Maio - Dia 1 - Victoria a Duncan

May 16th, 2009

Dia 1 – Victoria a Duncan
Distância: 39,49km
Tempo: 8h40

Hoje acordamos e arrumamos as coisas para começar. Saimos as 10h em direçao ao Castelo Traigdarroch. Esse castelo foi construido pelo casal mais rico de BC. O sonho do marido era morar num castelo, mas ele morreu pouco antes do castelo ficar pronto. Sua mulher viveu lá por mais um tempo e morreu também. Hoje o castelo é atração turística. É bem bonito, mas estava reformando.

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Em seguida fomos em direção ao Mile Zero, em Bacon Hill Park. Quando chegamos lá, uma escola de Surrey estava fazendo um estudo com as crianças da 5a série e logo estavamos rodeados de crianças e DSC00369DSC00373DSC00372professores perguntando pra onde iamos, quanto tempo iamos levar, se tinhamos um site, e-mail, etc.. nos pediram até autógrafos, foi muito bacana.

Essa escola estava estudando o Terry Fox, canadense com uma perna amputada que tentou atravessar o Canadá de Leste a Oeste correndo. Ele tinha câncer de medula e perdeu a perna por causa da doença, e mesmo com a protese de metal, correu mais da metade do país. Ele fez uma campanha para arrecadar dinheiro para um hospital de crianças com câncer e por isso é considerado um herói canadense. Ele correu por mais de 120 dias, 42km por dia e teve que parar de correr em Thunder Bay, devido a doença. Terry morreu poucos tempo depois.  Ele arrecadou muito dinheiro para essa causa e o museu do esporte em vancouver tem sua estátua, bem como o no Mile Zero. DSC00375DSC00378

Depois desse evento fomos procurar um lugar para molharmos as rodas da bike, mas foi difícil pois estavamos na beira de um penhasco. Seguimos em direção a James Bay Harbor, um porto muito interessante com casas flutuantes de um lado e comércio de peixe do outro. Um pouco mais pra frente desse porto achamos uma “prainha” onde molhamos a mão e a nuca com água do oceano pacífico para nos proteger no caminho ao atlântico.DSC00383

Pouco depois, estavamos abastecendo as garrafas d’água no bebedouro e um senhor que estava correndo nos abordou, Micheal Masson, perguntando pra onde iamos e ele falou que essa viagem é o sonho dele, e que ele fez somente um trecho, Calgary-Victoria. Achei muito bacana, já que é mais de mil km. Esse senhor disse que um amigo fez esse trajeto que vamos percorrer e tem todos os mapas no computador com exatamente a rota que ele fez. Disse que vai nos passar por e-mail. Quando eu tiver acesso eu vejo.

Seguimos em direção ao Porto que nos levaria mais perto de Duncan. Ao chegarmos, comemos umas bananas e granola. Tinhamos que esperar 40 minutos para o próxima balsa chegar. Fui jogar as cascas de banana no lixo de uma lojinha perto do porto, onde 3 senhoras estavam comprando sorvete. Elas me perguntaram aonde iamos e porque iamos, quando disse o DSC00391motivo elas começaram a tirar dinheiro da carteira e me deram. Eu disse que não precisava, mas elas falaram que o dinheiro era pra comprar mais bananas. ;) . Foi o que fizemos. Muito Obrigado!!!

Ao desembarcar, pedalamos mais uns 10km até o camping BeeHive, onde fizemos um belo macarrão com atum e um leite quente para espantar o frio.

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

15/Maio - Dia 4 - Vancouver a Mission

May 15th, 2009

Distância: 75,83 km
Dist. Acum.: 222,84 km
Tempo: 8h

Acordamos cedinho na casa do Sultan. Eu ainda estava cansado, mas acho que era preguiça. O Nelson estava roncando no sofá e eu fui tomar banho. Arrumamos tudo e eu deixei 2 presentes para o Sultan, como forma de agradecimento e deixei umas roupas para que ele enviasse para o Kevin, um dos professores e administradores da escola que eu estudei. Em setembro começam as aulas lá denovo e eu pego com ele. (pra eu não esquecer, era uma calça jeans, um casaco corta vento,…, ih.. já esqueci o resto..)

DSC00400O dia prometia sol, mas a manhã estava bem gelada. Meu joelho esquerdo estava um pouco chato e logo se endireitou. Pedalamos bem, mas alguns trechos da estrada estavam em reforma, sem acostamento, e outros trechos o acostamento era bem estreito. Seguimos pela estrada 7 B depois pegamos a 7. Num desses trechos que estavam sem acostamento, nós iamos pela calçada, quando tinha, e eu tomei um tombo.. kkkk… foi ridículo, cai quase parado, mas tudo bem. Sabe quando o pedal engata na sapatilha e não sai nem a pau? Então.. foi assim.

Almoçamos num posto na estrada Mary Hill Hwy, comemos sanduiche e suco. Mais pra frente paramos num supermercado pra comprar comida pra hoje e amanhã. Maçãs, bananas, laranjas, pão, alho, cebola… Seguimos e logo chegamos em Mission, cidade que deveriamos parar, mas como estavamos bem, seguimos em frente.DSC00401

Logo eram 16h e tinhamos que começar a pensar num lugar pra dormir. As 17h40 o Nelson apontou para uma fazenda na beira da estrada. Na porta tinha umas placas em preto e vermelho: Se afaste. Propriedade Privada, os invasores serão processados. Olhei pra cara dele e falei.. “Sério? Você quer ir aí mesmo? Olha essas placas…”. E ele falou pra seguirmos.

Para a minha surpresa, a Mary, uma das pessoas que moram na fazenda, se aproximou e comecei a explicar o que estavamos fazendo ali e porque. Ela nos recebeu de braços abertos e logo foi chamar os donos da fazenda. Um casal de senhores húngaros, Laszlo e Katalin, com seus oitenta e poucos anos, artistas. No inverno eles fazem miniaturas de carruagens, carros, trens, carroças, … lindo. Eles tem um galpão com mais de 100 miniaturas de DSC00405DSC00406DSC00409carruagens, com seus cavalos e personagens devidamente vestidos. Tudo feito a mão, por eles. Impresisnoante. Logo a senhora nos trouxe frutas, manteiga, leite, 2 galões d’água e o filho da Mary trouxe uns 7 macarrões estantâneos pra gente levar na viagem. Já temos comida para a semana.

Não demorou muito chegaram dois amigos da Mary, um casal, o rapaz trabalha dirigindo empilhadeira e nas horas vagas é campeão de caça com arco e flecha. Animal o arco desse cara, tem até mira laser pra diferentes distâncias. Ele tem um outro para as pessoas normais poderem usar também. Eu e o Nelson tentamos atirar, por sorte não perdemos a flechas. Mas acho que eu não caçaria nenhum animal a não ser que precisasse muito da comida.

Depois de fazer a janta da noite, comemos, tomamos um banho quente e dormimos. Amanhã devemos acordar cedinho, junto com as galinhas da fazenda. E vamos fazer um pré planejamento para o próximo dia. O povo disse que ainda neva em Saskaton, tomara que não peguemos neve.

Beijos

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

14/Maio - Dia 3 - Vancouver - Dia de descanço

May 14th, 2009

Dia 3 – East Vancouver

DSC00398Hoje eu tirei o dia para descansar e o Nelson foi pra Whistler. Eu preferi ficar aqui na casa do Sultan, amigo da Arábia Saudita, escrevendo e arrumando o freio traseiro da bike que está meio frouxo. Acabei arrumando o problema da roda dianteira, e parece que deu certo. Vamos ver o resultado amanhã!!

Lembram que eu comentei do teclado em árabe? tenta ler isso:

Cya

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

Saudacoes da Arabia Saudita

May 14th, 2009

Fala gente, tudo bem???

Escrevi 2 dias de vagem no meu computador, e preciso colocar aqui, mas o computador que eu estou escrevendo agora eh do meu amigo da arabia saudita… e adivinha.. o teclado eh em arabe!!! hahaha… tudo aqui ta escrito da direita pra esquerda, com aquela caligrafia que nao da pra entender…

Entao, so to escrevendo pra dar um oi e pra dizer que vou colocar os posts dos 2 dias que faltam quando conseguir um ponto de internet ou um computador com windows em ingles, ok????

Bjao e abs

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

13/Maio - Dia 2 - Duncan a Vancouver

May 13th, 2009

Dia 2 – Duncan – Nanaimo – Vancouver
Distância: 107,52 km
Dist. Acum.: 147,01 km
Tempo: 15h (-3h de barco)

Dormi mal na barraca por causa do vento forte no Camping. Acordei diversas vezes e coloquei o casaco corta-vento. Levantei umas 6h45 e comecei a arrumar a bagunça dentro da barraca. Logo em seguida o Nelson acordou também e fizemos um café da manhã. O tempo estava ruim, mas não estava chovendo. Saímos do camping as 9h30 e fomos em direção ao centro da cidade de Duncan. Não demorou muito e começou a chover.

Logo no início encontramos um ciclista pedalando na estrada, o nome dele é Robert e pedala com uma speed muito bacana e conversamos o caminho inteiro até a Highway 1. O Robert sofreu um acidente de bike quando tinha 18 anos, um caminhão atropelou ele na estrada e ele sobreviveu. Ele não lembra de nada do que aconteceu um mês antes e um depois do acidente e disse que tem problemas para memorizar as coisas. Agora ele recebe uma pensão de invalidez do governo, tem uma mulher e dois filhos.

Seguimos em direção a Nanaimo e resolvi parar para arrumar o iPod e nessa hora o Nelson percebeu que o guidon estava frouxo. Ainda bem que ele percebeu isso parado !!!! Seguimos mais algumas horas e paramos para almoçar num mercado na beira da estrada. O lugar era muito limpo e tinha uma variedade boa de frutas e legumes. Compramos pão, miojo, um tempero de frango pra comer com pão, maçã, banana e um suco grande. Comemos ali mesmo e seguimos a diante.

A partir desse ponto começou a chover mais forte e não parou mais. Minha meia começou a molhar e meu pé esfriou. Depois de um tempo, a luva (era a prova d’agua) começou a molhar e minha mão ficou gelada. O casaco e a calça impermeável aguentaram bem e fizeram o serviço direitinho.

Chegamos no porto de Nanaimo as 17h30 e tivemos que esperar o Ferry até as 19h00. Comemos mais bananas, maças e cenouras dentro da loja de conveniência do porto e partimos. Neste ponto já tinhamos pedalado 79,32km e foi bom descançar mais 1h30 dentro do Ferry.

Até sairmos do barco já eram 21h e estavamos em West Vancouver, que fica há uns 20km do centro da cidade. West Vancouver é uma das partes mais ricas da cidade e mais montanhosas também. Chegamos em Stanley Park as 23h, comemos mais uma vez. Minha mão estava congelando e estava com muito frio, devia estar uns 5˚C, com chuva, vento, luvas e meias molhadas. Seguimos para o Granville Station Skytrain. Pegamos o trem até a 29th Station e fomos para a casa do Sultan Mohavis, amigo da Arábia Saudita. Fomos muito bem acolhidos e tomamos um belo banho quente para dormir.

Hoje não tirei nenhuma foto por causa do mal tempo. Só chuva. Osso demais.

Beijos

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

Victoria

May 12th, 2009

Boa noite pessoal.

Hoje foi um dia muito interessante. Acordamos umas 9h30 e parecia que um caminhão tinha passado por cima de mim. Pensei que era só comigo, mas o Nelson estava bem cansado também. Enrolamos pra sair do Hostel. Ficamos hospedados no Hostel chamado Ocean Island Backpackers Inn. É bem mais ou menos, mas tem internet de graça… iupi!! hehe

Hoje passeamos um pouco aqui em Victoria, fomos no Parlamento (Legislative Biulding), as margens da James Bay, e em alguns outros lugares bacanas na cidade, mas logo tinhamos que ir para a primeira reunião do Rotary Clube.

Parlamento Victoria

Rainha

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DSC00319Chegamos atrasados para a primeira reunião, pois não sabiamos qual era o melhor horário pra chegar, já que não tinhamos avisado que iamos. Achamos melhor não interromper a reunião no meio, então esperamos até o fim e fomos falar com o Presidente, Peter J. Norman. Muito simpático e nos atendeu muito bem. Nos apresentou um estudante brasileiro (Lucas Moraes, de Patos de Minas, MG) que está fazendo intercâmbio em Calgary e estava em Victoria para uma visita. O Lucas nos abriu a oportunidade para conhecer um pouco melhor Calgary e nós vamos nos encontrar novamente em algumas semanas. Fora isso conhecemos um projeto grande que eles tem em São Paulo, com catadxc ores e reciclagem de lixo, através do Sr. Terence Jones. Muito bacana. Depois desse encontro, o Sr. Peter nos deu um Mapa da Ilha muito bom e detalhado. Muito Obrigado, Peter.

Depois dessa reunião fomos numa lojinha onde o Nelson comprou um casaco corta vento bem baratinho e fomos ao mercado. Compramos uns pães, patê, maçãs, bananas, granola, chá, etc.. Fizemos um lanche no hostel e partimos para o próximo encontro com um Rotary na UVIC (Universidade de Victoria). Vimos alguns coelhos na calçada, aproveitando o sol na grama quando chegávamos no campus da universidade.

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Nesse encontro nós chegamos a tempo e fomos muito bem recebidos. Conversamos com uma senhora muito simpática por muito tempo, mas infelizmente eu esqueci o nome dela. Depois do jantar, alguns membros do clube falaram sobre os projetos que eles estão desenvolvendo, incluindo a ajuda para equipar um hospital em Unganda (onde a Gisele, grande amiga, está). Muito bacana os projetos que eles desenvolvem aqui no Canadá, fiquei realmente impressionado. Na sequência das apresentações, falamos um pouco com o Presidente, John Noyes, e outros membros do clube para explicarmos o porquê estavamos lá. Todos foram muito simpáticos e receptivos. Muito obrigado, John.

Do hostel até a UVIC são uns 9km, numa região relativamente plana (é quase um tobogã, sobe e desce… ) e muito gostosa. Pegamos um vento contra no caminho inteiro mas foi bem divertido. Ao chegar no hostel, jantamos novamente e começamos a arrumar a bagunça.

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É isso pessoal. Amanhã vamos começar oficialmente a viagem, molhando as rodas no Mile Zero.

Bjos e Abraços!

L.Felipe British Columbia, Trans-canada

A caminho de Victoria, onde tudo começa…

May 11th, 2009

Salve Galera!

Hoje acordei cedinho e voltei a empacotar tudo… Sai da casa e fui direto pra bicicletaria comprar freios novos… Depois de ficar uma meia hora na bicicletaria pra colocar os freios, sem tirar toda a bagagem da bike, fui almoçar no Subway e me encontrei com o Nelson, algumas horas depois… Ele estava no Hostel International, muuuuuito bacana. Esse hostel era uma base militar de hidro-aviões da 2a guerra mundial… eu vou colocar as fotos mais tarde na seção de Fotos.

Bom, quando eu encontrei com o Nelson, já eram 4h. e nós tinhamos que correr pro Sul de Richmond pra pegar o Ferry Boat pra Ilha de Vancouver. No caminho encontramos um casal de ciclistas bem simpáticos, Ann e Andy, que nos ofereceram uma carona para o Ferry. Nós aceitamos. Fomos para a casa deles, colocamos tudo na Pick-up do rapaz e seguimos nosso caminho.

Esse Ferry é gigantesco, cabe uns 400 carros e tem um restaurante imenso, tão imenso quanto a fila e o preço da comida. A viagem de barco dura 1h30 e depois tinhamos mais 35km pra pedalar em direção a Victoria. Resumindo, começou a chover e ventar pra caramba e anoitecer. Eis que o companheiro tem uma idéia fenomenal.. pegar outra carona para Victoria… Fomos até o estacionamento com essa intenção… depois de percorrer 2 andares de estacionamento achamos outro casal simpático, John e Dora, que neram carona até a frente do Hostel.

Essas caroninhas foram convenientes para conseguirmos chegar relativamente cedo em Victoria, que é onde começa tudo, pois é onde começa a Highway One, estrada que cruza o Canadá de ponta a ponta, ou de Costa a Costa. Esse “começo” tem um nome, chama Mile Zero e é lá que vamos molhar nossas rodas no oceâno Atlântico e seguir a tradição da travessia.

Essa estrada é a nossa “guia” para chegar do outro lado do país e vamos pedalar sempre por perto dela.

Amanhã vamos dar uma volta na cidade e na terça vamos mergulhar nossas rodas no oceâno e seguir em direção a Nanaimo.

É isso ae.. se cuidem.

Bjos e Abraços.

L.Felipe Preparativos

Arrumando a Mala (alforge)…

May 10th, 2009

Aquelas malas que vão na lateral da bicicleta, chamam alforges. Elas ficam presas no bagageiro e todo o peso da carga fica na bike e não nas nossas costas. Melhor né? hehehe

É engraçado ver a diferença entre o Brasil e o Canadá. Aqui, todo mundo na rua usa a bike como meio de transporte e todo mundo usa o alforge pra carregar as coisas.. e os alforges tem trava rápida.. ou seja, nada daquele monte de fita que prende aqui, prende alí, enrosca acolá.

Ontém eu comprei o suporte da camera e sai na rua testando… vou dizer que a galera gostou. Muita gente me parou pra ver como funcionava… e 100% das pessoas me olhavam com uma cara tipo “o que esse cara tá fazendo?” … foi interessante.

Ainda não tive tempo de tirar o vídeo da camera, mas assim que fizer isso, edito rapidinho e coloco aqui pra vcs verem como ficou o primeiro teste da camera.

Bom, hoje é meu último dia aqui na casa que estou, então estou arrumando tudo pra sair, comprar freios (descobri ontem que os meus estão já no final) e encontrar o Nelson no Hostel para irmos para Victoria.

Então é isso. A partir de hoje é PRA VALER… ou como já dizia Sílvio Santos: “Valennnnnnnndo”…

É isso ae galerinha.

Bjos e Abs!

L.Felipe Preparativos

Coração apertado, alforge quase pronto.

May 7th, 2009

Salve galera.

Hoje faltam 2 dias para o início previsto da viagem. Amanhã vou comprar tudo o que falta com o Nelson na MEC.

Temos algumas coisas pra fazer, já que a bike do Nelson chegou com a caixa estourada e o garfo amassado e, aparentemente, trincado. Ele está vendo se troca o garfo ou troca de bike. Além desse imprevisto, eu estou tendo problemas com o cubo da roda dianteira, que está meio bambo. O pessoal da bicicletaria esqueceu de colocar aquela protecao para o cubo na hora de embalar, e isso prejudicou bastante, pois ele estava em contato direto com a caixa e acabou fazendo um furo na caixa. Amanhã eu vou na bicicletaria ver se tem jeito ou se eu troco o cubo.

Coisas de última hora… sempre tem uma pendência.. estou tentando comprar umas peças num site americano mas não estou conseguindo fazer com que entreguem no canadá, pq meu cartão de crédito é brasileiro. Burocracia. Vou tentar resolver isso hoje, ou então terei que ir pra Seattle no sábado, pra comprar pessoalmente.

Tamo ae. Ansioso. Acelerado. Morrendo de vontade de pedalar.

Bjos e abs

L.Felipe Preparativos

Hoje chega o Dupla!!

May 4th, 2009

Salve galera!

Faz um tempinho que não escrevo.. tenho muitas fotos pra colocar aqui, mas cada dia que passa eu fico menos em frente ao computador. Aqui tem muita coisa pra conhecer. Essa cidade é demais.

Bom, na sexta-feira passada (feriado aí no Brasil) foi o último dia de aula de muitos bons amigos aqui na escola. Sílvia começa sua jornada em direção ao Alaska, com um pequeno pit-stop nas Rocky Mountains. Juan, colombiano, volta pra sua cidade e seu emprego. Ahmad, Libiano, volta pra realidade também.

Em contra partida, grande companheiro Nelson Müller chega aqui na cidade pela manhã. (aqui são 1h30 da manhã, e ele deve chegar umas 9h30)… Contando mais meia hora na Imigração, meia hora pra pegar a bagagem, Uma hora pra montar a bike… devo me encontrar com ele a tarde.

Amanhã temos 2 reuniões com Rotarys aqui de Vancouver na hora do jantar. O Nelson vai me passar todas as informações detalhadas sobre os projetos, já que, aparentemente, algumas coisas mudaram.

Essa semana nós vamos comprar os fogareiros e os últimos detalhes pra iniciarmos a jornada.

Ontém eu fui numa loja que chama “Exército da Salvação” (Salvation Army) e tem um monte de traquitandas importantes pra viagem. Coisas de sobrevivência na selva, etc.. muito bacana e barato.

Boa viagem, Nelson.

Beijos e Abraços

L.Felipe Preparativos

Português ou Espanhol???

April 29th, 2009

Vancouver é uma cidade multi-étnica, multi-cultural e versátil. Aqui vc pode ser de qualquer parte do mundo. China, Japão, Filipinas, Russia, India, Arábia Saudita, Líbia, Russia, Alemanha, Suiça, França, Espanha, México, Colombia, Venezuela.. não interessa.

Na verdade, se vc está em Vancouver, já é esperado que vc seja gringo. Quase não se vê Canadense por aqui. Juro. Eu entro no ônibus de manhã e parece que eu tô no meio do bairro da Liberdade, em São Paulo. Vc entra em uma loja pra comprar alguma coisa, e o vendedor é brasileiro, chinês, americano…

Por isso, quando vc entra numa loja ou conhece alguém na rua, no trem ou no ônibus, as pessoas perguntam de onde vc é. Aqui, se vc sorrir, as pessoas sorriem de volta e todo mundo está disposto a te ajudar caso precise. É só sorrir que terás a informação.

Massssssssss, uma coisa interessante tem acontecido nesse início de estada. Quando falo que sou brasileiro, as pessoas perguntam: “- Aaahh, que legal que é brasileiro. Então quer dizer que vc fala espanhol??? ” (????)

Bom, tudo bem que o Brasil é o único país da América Latina que fala português, mas vamos lá né… o Brasil é o maior país e um dos mais importantes, certo???

Bom, só pra deixar claro pro povo.. no Brasil se fala português!! ;)

Beijos e abraços…

L.Felipe Preparativos

Ciclistas Alemães…

April 27th, 2009

Salve galera!

Esses dias foram muito interessantes. Muitas coisas passaram pela minha cabeça e conheci muitas pessoas bacanas.

Tem muita gente que acha que eu sou meio louco, por largar tudo (trabalho, família, namorada, amigos…) e ir pra um país diferente, muito longe do Brasil (17 horas de voo, contando as conexões), ficar aproximadamente 2 anos aqui e ainda pedalar por 4 meses e atravessar o país inteiro, de costa a costa, pedalando.

Bom, eu sou um mero aprendiz de cicloturista e tenho muito o que conhecer da vida. Ainda mais se me comparar com a Silvia. Mas quem é Silvia? Silvia é uma mulher alemã, guerreira, com muita experiência e lições de vida pra nos dar. Além disso,img_4038 tem muitos km rodados nas estradas do mundo. Ela viajou 100.000 km (leia-se cem mil kilometros) entre a Alemanha e a Africa do Sul. Desde sua casa, na alemanha, até a África do Sul, com seu companheiro. Essa jornada levou 2 anos de muito pedal no deserto.

E adivinha o que ela veio fazer aqui no Canadá????? hehehe.. Pedalar, claro. Ela vai sair de Vancouver até o Alaska, depois vai do Alaska até o México. (????????). Mais um ano de história pra contar, e fotos pra mostrar.

Hoje nos conversamos bastante depois da aula, e foi uma experiência incrível. Eu realmente precisava conversar com alguém que passara pela mesma coisa que eu vou passar daqui a pouco. As vezes essas “coincidências” da vida acontecem com uma frequência muito alta.. pelo menos comigo. Qual a chance de vc ir para um país extrangeiro e conhecer alguém na aula de inglês, com objetivos parecidos e muitas informações pra trocar?

Temos fotos dela no post anterior. Ela é a moça com casaco azul.

É sempre bom conhecer pessoas com Bons Fluídos e pensamentos positivos.

Desejo a ela tudo de bom nesse novo desafio, e que tudo conspire a favor.

Bjo pra quem é de Bjo, Abraço pra quem é de abraço.

L.Felipe Preparativos

Aula no Parque…

April 23rd, 2009

Ontém fez um dia lindo. Tão lindo que toda a escola resolveu fazer uma aula no parque. Sério. Todo mundo, incluindo professores, diretor, alunos, etc.. Fomos todos para o Stanley Park. Fica a oeste do centro da cidade. Tudo aqui é muito perto e dá pra ir a pé.

Seguem algumas fotos.

Enjoy!

Bjos e Abs

L.Felipe Preparativos

Fotos, finalmente..

April 21st, 2009

Ê laiá… hoje eu fui dar uma voltinha na cidade e conheci alguns lugares bacanas. Um deles é uma praia chamada English Bay. Não é bem uma praia quando comparamos com o Brasil, mas é muuuuito bom ir pra lá no final da tarde, tomar um solzinho, bater um papo com amigos, pedalar, andar de skate, patins, correr, seja lá o que for. Tem até quadra de hockey. Muito Bacana. As fotos desse lugar estão logo abaixo:

Bjos e Abs

L.Felipe Preparativos

Frase do dia…

April 18th, 2009

nature___by_kampongboy92“Look deep into the Nature, and you will understand everything better”

“Olhe profundamente a natureza, e você entenderá tudo melhor”

- Albert Einstein

L.Felipe Preparativos

Pedalando na cidade

April 18th, 2009

Fala pessoal…

Na sexta depois da aula eu fui com um pessoal jogar uma sinuca e fui conhecer o apartamento de um cara da Líbia que estuda comigo. Muito loko o apto dele e muito bem localizado. Fica em Downtown, pertinho da escola. Mas a região é bem cara. Um apartamento de 2 dormitórios, relativamente grande (70m2) chega a custar uns 2 mil dolares canadenses por mês de aluguel.

Bom, sexta a noite eu me encontrei com um senhor chamado Vic. Ele tem 60 e poucos anos e vai atravessar o Canadá de bike tbem. Mas ele vai com o grupo do Tour du Canada. Esse grupo faz essa viagem uma vez por ano e por 4 mil dolares eles levam sua bagagem e dão carro de apoio, que tem fogåo, etc.. Interessante, mas eles pedalam em torno de 140 a 180 km por dia e fazer os 8 mil km em 72 dias.

Como minha idéia não é chegar rápido, vou com o colega Nelson em 120 dias, sem estresse e sem cronograma detalhado.

Nesse sábado eu acordei um pouco tarde, 11h30, liguei pro bigode (meu pai) pra dar os parabéns por mais um ano de vida, e montei a bicicleta.

Meeeeu Deus.. quanto plástico bolha… o povo da bicicletaria fez um bom trabalho ao empacotar.. deu um trabalhão pra tirar todo o plástico bolha.. kkk… mas tranquilo. Eu só notei que a trava da suspensão tinha um pouco de óleo vazando e está um pouco lento pra travar e destravar a suspensão no Pop-Lock (botão no guidon que trava a suspa).

Então, depois de montar a bike eu fui dar uma voltinha na cidade. Vou te falar que tava sol, mas o ar estava um pouco gelado.. coloquei o Pernito (Leg Warmers) e Manguito (Arm Warmers) e um casaco fino pra cortar o vento. Passei frio nos primeiros 5 minutos, mas depois foi tranquilo.

Pedalei em direção `a Mountain Equipment Co-op (www.mec.ca) e em uns 10/15 minutos estava lá. A Loja é animal, juro, tem tudo pra qualquer esporte. Aqui não tem vendedores que ficam tentando te vender, então se eu tivesse alguma dúvida, tinha que procurar o especialista da seção. Por um lado isso é bom, por outro, nem tanto. Fiquei um pouco perdido. Mas logo me encontrei.

Fui em outra loja na frente da MEC e achei umas camisetas bacanas de manga comprida pra vestir em camadas, que espantam demais o trio. Impressionante. Tão impressionante quanto o preço… hehe..

Nessa loja acabei levando um casaco pra pedalar e que dá pra usar no dia a dia, sem parecer um ET colorido e comprei minha barraca. A barraca é uma da The North Face, modelo TadPole 23. Muito Bacana e bem resistente.

Por enquanto é isso pessoal… amanhã vou dar mais uma volta na cidade e provavelmente devo tirar umas fotos pra vcs!

Bjos e Abs..

L.Felipe Preparativos

Olaaa….

April 16th, 2009

Salve, galera!!! 

Como eh que estao as coisas ai??? Aqui estao super corridas.. Tao corridas que eu comprei um laptop ha 2 dias e nao consegui ajustar o teclado e nao tenho mais acentos.. haha.. entao, por enquanto, vcs nao vao ver acentos nos posts.. (a Pati me ensinou a colocar acentos no mac, mas me parece meio complicado, entao, por enquanto, vai sem acento mesmo)

Bom, a cidade aqui eh linda demais, super organizada, limpa e eh quase que 100% acessivel para deficientes. Sensacional. 

Conheci apenas 4 canadenses, que sao professores da escola, todo o resto do povo eh de toda parte do mundo. Na minha aula de manha tem 3 alemaes, 1 colombiano, 1 arabe e 1 mexicana. Na aula da tarde tem 1 suisso, 2 mexicanas, 1 alemao. 

Entao, soh pra explicar um pouco, eu tenho aula das 9h as 16h. Depois das 16h eu normalmente vou dar uma volta em Downtown (centro da cidade) pra tentar arrumar algumas coisas que preciso, por exemplo um Pernito e Manguito pra pedalar, uma Sapatilha (eu esqueci a minha no brasil) e um kit de remendos de pneu. E como eu tenho que voltar pra casa ateh umas 19h, tenho que correr pela cidade pra achar as lojas que preciso e o dia fica muito cansativo.

Outro fator que deixa um pouco cansado nesse comecinho eh o fato de pensar em ingles toda a hora… como eu nao estou acostumado a fazer isso 100% do tempo, acaba ocupando muita memoria RAM.. kkk.. mas isso vai se ajeitando com o tempo.

Estou muito impressionado com a quantidade de ciclistas na cidade, juro que eh um absurdo como os carros respeitam os ciclistas aqui. Fiquei sabendo que um dia um carro estacionado estava saindo da vaga e sem querer esbarrou num ciclista. Adivinha o que aconteceu? O ciclista processou o motorista e recebeu algo em torno de 20 mil dolares canadenses pela queda.. Depois disso comecei a pensar em me tornar um tipo de ciclista suicida..hahahah… brincadeira… mas isso nos da a seguranca que os motoristas nem vao pensar em fechar ou passar muito perto de um ciclista.

Bom… minha bike continua empacotada e eu esqueci de comprar o taquinho da sapatilha

Logo mais eu vou postar umas fotos que eu tirei do meu celular…

Bjos e abs

L.Felipe Preparativos

Chagada!

April 14th, 2009

Fala pessoal.. Soh na tranqulidade?? ( estou escrevendo sem acentos, pq to num teclado canadense aqui do homestay que estou me hospedando)

Bom, vamos la. O domingo foi acelerado, com muitas coisas pra fazer, empacotar e pensar. Mas com toda a emocao da partida, mais as despedidas das pessoas que gostamos, fica dificil de pensar em tudo. Resumindo, esqueci minha sapatilha e meu cadeado… vou ter que comprar novos, mas tudo bem.

Meu voo foi tranquilo ate Dallas, mas o voo de Dallas pra Vancouver deu problema eletrico e eu tivemos que trocar de aeronave quase antes de decolar. Ficamos umas 2 horas a mais para embarcar em outra aeronave. Tranquilo, mas cansativo. Achei impressionante o aeroporto de Vancouver… juro, eh animal. Logo que vc sai do aviao, caminha por um corredor que passa por uma especie de parque de diversoes, que tem diversas cachoeirinhas e animais (de mentira) para mostrar a fauna e flora canadense. Tem ate umas caixas de som que tocam os sons dos animais pra simular.. hehehe..

Uhuuuuuuuuu.. cheguei em Vancouver.. eheheh

Aqui em Vancouver fez tempo bom e a temeratura a tarde chegou em 7ºC. Agora (22h30, horario daqui) esta uns 4 graus. O pessoal da casa disse que foi o inverno mais demorado que eles tiveram nos ultimos tempos. E eu estava assistindo o jornal no meu quarto e mostrou uns Icebergs em St. John`s… parece que eles nao viam icebergs lah desda epoca do Titanic..

Hoje nao consegui fazer muita coisa, pois fiquei com o pessoal da casa aqui e eles me mostraram como pegar o Onibus e o trem pra chegar na escola. Mas soh vou pegar onibus ateh eu montar a bike e comprar minha sapatilha, pq tenho que treinar…isso deve acontecer ate amanha.

Amanha eh meu primeiro dia de aula e eu vou fazer os testes de nivelamento, mas pelo visto acho que estou me saindo melhor do esperado com o ingles.. o carregador do aeroporto, o cara da imigracao e o taxista elogiaram… kk.. tudo bem que o taxista era Indiano e falava com um sotaque danado.. hahaha… (esse taxi me saiu quase 50 dolares.. ele pediu 10 dolares por causa da bagagem grande, mais caixinha.. [eh.. tem que dar caixinha pro taxista. acredita?])

Fora a aula, vou tentar comprar meu notebook e arrumar um celular para me comunicar mais facil com as pessoas, pois estou usando o compudador da casa, e nao esta disponivel toda a hora… aaaah… quase esqueco.. Nelsao. compra adaptador, pq as tomadas aqui sao todas diferentes.. haaha..

Ainda nao tirei fotos, mas faco isso durante a semana, ok?

Beijo pra quem eh de beijo, abraco pra quem eh de abraco…

L.Felipe Preparativos

imprevistos…

April 8th, 2009

Hoje to estressado… acordei cedinho, sai de carro tranquilão pra resolver umas coisas e PUMMMM… um cara bate no meu carro as 8h20 da manhã… tudo que eu precisava nesse finalzinho era um problema pra cabeça. Dá-le Felipe na polícia fazer B.O., ligar pra corretora, ligar pro ditocujo que bateu no carro.. e tal.

Fora isso tive que ir lá no Poupatempo pra tirar uma segunda via da minha carteira de motorista, que eu tinha perdido há uns 3 meses.. fila aqui, fila alí, tira foto alí, comprovante de residência aqui, paga alí e 2h30 depois saio de lá. Poupatempo tem mais fila do que INSS… tá loko.. 

Como se não bastasse, peguei um trânsito do caramba pra voltar pra casa.. mais 1h30.. droga.. Amanhã eu tenho que ir lá denovo pegar a carteira e resolver o esquema com o seguro, pra ele pagar o conserto do meu carro, que vai ter que trocar o paralama e a porta da frente. 

Ó vida, ó céus.. 

Amanhã é o último dia útil antes da partida e ainda tenho que resolver umas coisas de banco e seguro… chato demais pra quem tava preparado pra arrumar a mala e almoçar com amigos. 

:( Bjos e abraços amassados…

L.Felipe Preparativos

Finalizando as pendências no brasil….

April 7th, 2009

Salve galera… tá quase chegando o dia de partida… uhuu… 

Ontém foi um dia de correria, e pelo visto hoje tbem vai ser. Algumas pendências já foram resolvidas. O kit de primeiros socorros tá comprado, consegui uma mala com minha irmã, um casaco pra não congelar quando chegar e comprei tbem uma segunda-pele (underwarm) pra caso o jeans não aguente a temperatura..hehe.. 

A bike foi empacotar… dá uma dor no coração deixá-la na bicicletaria e saber que só vou vê-la denovo na segunda que vem, quando chegar no canadá… Os dolares canadenses chegaram em casa e tá quase tudo ok. 

Minha mãe tá quase ficando louca querendo que eu leve quase todos os casacos existentes na casa e quase todos os remédios existentes na farmácia. hehehehe… mas eu to controlando esse fator.. 

Bom.. tá quase concluida a lista de pendências. 

Bjos e Abs.

L.Felipe Preparativos

Cartoons

April 6th, 2009

zeroemissionvehicleEmissão zero de poluentes.

L.Felipe Preparativos

…um pouco de história. Presente e passado.

April 3rd, 2009

… Um pouco de história. Presente e Passado, porque o futuro a gente vai escrever quando ele passar.

Faltam nove dias para o embarque. Tá quase tudo pronto. Visto na mão, escola paga (sim, eu vou estudar.. a mente não pode parar), bilhete aéreo pago e tem uns 5 livros pra ler no avião.

Não, não arrumei a mala. Não encaixotei a bike. Ainda não me acostumei com a idéia de ficar todo esse tempo longe da família, dos amigos (que são minha família) e da namorada.

Uns dizem que eu sou carente. Sou mesmo. Gosto de contato. De abraçar, beijar, sorrir, dançar, falar besteira. Gosto de gostar das pessoas que querem o nosso bem e torcem pela gente. Não pelo sucesso financeiro, mas pela nossa felicidade, independente do que temos no bolso (eu tenho uma chave allen e uma caneta bic que sem querer peguei do caixa da padaria).
Outros dizem que sou sério. Sou mesmo. Nos primeiros cinco minutos de conversa, depois todo mundo percebe que é só fachada.

Sonhos. Essa história de ir pra fora do brasil estudar vem desde que eu era criancinha. Sempre falei pro meu pai: “Pai, quando eu sair da faculdade eu vou morar fora!”. Pois é. Coincidentemente estou indo logo depois de sete (aham, sete) anos de engenharia. Desses sete anos trabalhei 6, juntando um pouquinho do sonho no final de cada mês. O sonho era de estudar, quando criança. O sonho era de pedalar, viajar, quando mais velho. Pois é, como sou um pouco dos dois (uma criança crescida), resolvi juntar os sonhos de criança com o de “adulto” e vou fazer as duas coisas (estudar e viajar pedalando). 

Muita gente diz que pra fazer isso que nós, cicloviajantes e sonhadores, fazemos é preciso coragem. Mas na verdade acho que não é coragem, é uma vontade incessante de explorar, de conhecer e ver coisas novas. É uma coisa que vem de dentro e acho que fica mais forte quando o pé esquerdo começa a sacudir sem parar e já não temos mais posições confortáveis pra sentar. A diferença entre os aventureiros e os não-aventureiros é justamente essa cadeira. Para o primeiro grupo, a cadeira não é tão confortável quanto para o segundo grupo e seguimos em busca da conquista dos nossos sonhos (de criança e de adulto).

Aventurar-se é fazer qualquer coisa que não está no script, na rotina, no usual. Você não precisa pedalar 8 mil km pra se aventurar, mas pedalar um dia qualquer, depois de anos sem pedalar e descobrir que vc ainda não esqueceu como se faz, isso sim é se aventurar, se descobrir e ver que as coisas não são assim tão impossíveis quanto elas parecem ser. Pegar um caminho diferente do trabalho pra casa, deixar o carro na garagem e ir pro trabalho de metrô e/ou ônibus, pedir uma caneta emprestada praquela mulher que vc sempre paquerou e chamá-la pra sair, pedir demissão do trabalho que já não te faz bem. Isso sim é aventura. É tirar a bunda da cadeira. É correr atrás do que a gente precisa. Viver e ser feliz.

Bjos e Abraços.

L.Felipe Amigos, Preparativos

Clip

April 1st, 2009

Tá aí um clip que eu gosto e tem um pouco a ver com o momento. Tem uma letra bem bacana, prestem atenção.

A música chama “Tás a ver”, do Gabriel O pensador.

Enjoy

L.Felipe Preparativos

Despedida do Brasil…

March 29th, 2009

Ae pessoal, tudo certinho?

Ontém foi minha festa despedida num barzinho aqui em SP. Gostaria de agradecer imensamente a todos que foram, e quem tava lá viu minha felicidade aumentando a cada pessoa que chegava… acho que deviam ter umas 60 pessoas de todos os lugares possíveis. Foi irado demais. Melhor, impossível.

exclama_o

Eu ia embora pro Canadá no dia 6, mas por questões burocráticas, tive que adiar minha ida para o dia 12. Essa semana vai ser bem conturbada, com vários compromissos de graduação (colação, festa, jantar de formatura) e resolvendo várias coisas da viagem.

Tomara que dê tudo certo e que as coisas cheguem aqui em sp antes da minha partida, senão o Nelson vai ter que levar umas tranqueiras pra mim em maio..kk… (relaxa Nelsão, vai dar tudo certo.kk)

Pensamento positivo. Sempre.

Bjos e Abraços

L.Felipe Preparativos

Just for Laugh

March 25th, 2009

Who put the Tree There

 

 

 “Essa é minha última criação… Eu a chamo de “Quem colocou essa @*#! de arvore alí?” ”

 

Hahhaa.. faz sentido, né!!! 

Bjos e Abs

L.Felipe Preparativos